sábado, 3 de março de 2012

Minha posição, revisada após críticas, sobre os manifestos militares . Roberto Romano

Sou crítico severo dos que hoje ocupam o Palácio do Planalto. E considero que muitas imprudências cometidas por eles devem ser denunciadas. Além disso, eles continuam políticas de alianças espúrias com os donos do Brasil como José Sarney, serviçal dos autoritários desde o golpe e, na derradeira hora, vice-presidente de Tancredo Neves que, aliás, era profundamente conservador (admirava Joseph De Maistre, por exemplo). A continuidade dos elos com oligarcas corruptos do Brasil todo, faz com que o governo federal de hoje não possa ser elogiado pelos democratas. Mas não aceito batar palmas para os que, em todo período ditadorial, apoiaram a política de matar, violentar, torturar, pisando a lei e os direitos cidadãos, ou se calaram, cúmplices, diante do terror de Estado (o termo é de Tristão de Athayde, contra a ditadura recém instalada).

Aventuras militares (com as indefectíveis vivandeiras dos quartéis) sempre terminam mal para o povo. Os militares e civis da ditadura justificaram o golpe ("revolução") porque ele seria contra os corruptos e subversivos. Os primeiros foram mantidos no poder e com força para corromper a todos e tudo. Sarney, ACM, etc. se mantiveram a aumentaram seu mando na ditadura. E hoje, os petistas do Congresso e da Presidência abraçam sobreviventes daqueles tempos sombrios. Se eles não respeitam os que lutaram contra a ditadura (por oportunismo vulgar), que sejam levados a respeitar o povo brasileiro, vítima privilegiada dos desmandos ditatoriais. É bom que se recorde : a máquina de propaganda estatal, costume do Brasil desde o DIPE, funcionou a pleno vapor na ditadura. É a era do Brasil grande potência e, ao mesmo tempo, do Brasil, ame-o ou deixe-o. E quem amava o Brasil mas também amava a liberdade e a democracia, precisou se calar ou foi calado pelo pau de arara, pelo trono do dragão, pela censura. A imprensa amordaçada ou docemente constrangida, não divulgava os crimes econômicos e políticos dos que hoje tentam usar os militares (seus antigos sócios), para pregar a suspensão da ordem estabelecida.


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A missa negra de 1964

Fundação Casper Libero, Seminário sobre os 40 anos do golpe militar no Brasil.
Palestra de Roberto Romano/Unicamp.

A missa negra de 1964


Dr. Roberto Romano/Unicamp



O golpe de Estado de 1964 repetiu um fenômeno antigo da vida política que atormenta os coletivos nacionais em toda a história da humanidade, desde o surgimento do poder judicamente organizado. Platão analisa na República os golpes que determinam a passagem dos regimes, do aristocrático ao democrático e tirânico. E Aristóteles resume a técnica das artimanhas contra a legitimidade política do seguinte modo: " de uma parte, o mundo é feito de artifícios e malícias e, de outra, os reinos são derrubados por meio de fraudes e finuras. Não seria ruim defendê-los com meios idênticos”. Após vencer a conjuração de Catilina, Cicero enuncia as frases que definem o ideal do governo justo, contra os que enxergam no poder apenas o seu interesse pessoal e, por semelhante motivo, ensaiam derrubar governantes: "O abandono da utilidade comum contraria a natureza (…) a conservação do povo deve ser a lei soberana de todas as ações”. Luciano Canfora, historiador do pensamento político antigo e moderno, publicou um livro (traduzido no Brasil) onde são coletados os atos dos filósofos a serviço dos poderosos e de seus golpes. O título do volume é expressivo: Um ofício perigoso (1) A antiguidade clássica conheceu, portanto, a prática, a noção e as justificativas teóricas dos golpes de Estado.

Mas é na fundação dos Estados nacionais europeus, sobretudo a partir do século 15, que o problema do golpe assume características profundas e abala a própria idéia de poder legítimo. Maquiavel é uma fonte a ser lida, sobretudo pelos conselhos que ele dirige aos conspiradores imprudentes. Se o segredo é a exigência da ação estatal, o mesmo segredo deve ser reduplicado pelos que desejam derrubar governos. Tarefa quase impossível, numa empreitada golpista, manter a própria lingua longe das orelhas dos que protegem o Estado. Maquiavel, com os seus pares da época, observa com extrema atenção os clássicos gregos e latinos, sobretudo um tratado de Plutarco, o De garrulitate, onde são apresentados todos os perigos da fala sem peias e o quanto esse vício perdeu vários conspiradores e governantes.

O continuador de Maquiavel nas reflexões sobre os atentados ao poder, com certeza responde pelo nome de Gabriel Naudé (1600-1650). Segundo Naudé, o golpe de Estado é “um conjunto de ações ousadas e extraordinárias que os príncipes são constrangidos a executar quando os negócios tornam-se difíceis ou desesperados, contra o direito comum, sem manter mesmo nenhuma ordem ou forma de justiça, ameaçando o interesse do particular pelo bem público”. (2)

Quando se fala em governo legítimo ou justo, também se toca num ponto espinhoso da filosofia política, bem anterior a Platão. Este último, não por acaso, inicia a República, o maior livro sobre ética e política do Ocidente, com o debate entre Trasímaco e Sócrates ao redor da legitimidade e da força. Governo justo e leis idem derivam do poder físico, enuncia Trasímaco. Se a monarquia é forte, ela é justa. Se a aristocracia e a democracia são fortes, o mesmo ocorre. Platão conduz todo o seu texto para negar essa tese, ancorado na idéia de que a justiça é um bem fugidío (Sócrates a compara a uma caça, enrustida num arbusto, e que deve ser surpreendida pelos homens) e que ela só pode resultar do saber e da técnica correta do governo.

Os pensadores do Renascimento, de Montaigne a Francis Bacon, deste a Maquiavel, todos buscam distinguir a força física (ao dispor do governante) e a legitimidade ostentada e, não raro, sem fundamentos sólidos. Daí a separação —ainda hoje polêmica— entre a moral dos homens comuns e a moral dos dirigentes.

Naudé, a partir daquela separação entre as duas formas da moralidade, também distingue duas justiças. “Uma é natural, universal, nobre e filosófica”. A outra é “artificial, particular, política, feita e destinada às necessidades dos governos e dos Estados”. (3) Ou seja: na condução do Estado, a moral se inverte e deixa de obedecer os parâmetros comuns. O governante hábil não pode ser preso pelos limites legais e pela tradição de legitimidade dos títulos, usos e costumes.

Da nova licença atribuída ao governante surge a noção moderna de golpe de Estado. Segundo Naudé, naqueles golpes tudo é invertido em relação à normalidade (do direito, da economia, dos valores). Naudé chega a dizer que no ato político do golpe, o efeito precede a causa e o esperado não se produz. Cito o próprio escritor renascentista: “nos golpes de Estado, vemos a tempestade cair antes dos trovões; as matinas são ditas antes que o sino toque; a execução precede a sentença; tudo se faz ao modo judaico; (…) um indivíduo recebe o golpe que imaginava dar, outro morre quando pensava estar em segurança, um terceiro recebe o golpe que não esperava; tudo ocorre à noite, no escuro e entre névoas e trevas”.

Entre as frases terríveis de Naudé, recolho a mais bruta : “a execução precede a sentença”. Do governante derrubado aos seus apoiadores ou supostos cúmplices, o golpe de Estado elimina o direito a um julgamento segundo regras estabelecidas. Eles são punidos primeiro e depois sentenciados pelos novos dominantes. Note-se também a forma das frases, em Naudé : o golpe de Estado inverte os valores jurídicos, religiosos, morais. Chrétien-Goni, comentador nosso contemporâneo, lembra a insistência de Naudé na forma subvertida dos golpes. Tudo se faz, naqueles atentados ao direito público e particular, de trás para a frente. Essa é uma característica das liturgias diabólicas, como nas missas negras, onde a cruz é posta de cabeça para baixo e a cerimônia é lida de trás para a frente. (4)

A repugnância trazida contra o satanismo dos golpes faz com que a sua maioria seja denominada, pelos seus promotores, como um contra-golpe preventivo. Foi esse o procedimento adotado pelos insubordinados de 1964. A terminologia é muito importante nos momentos graves da vida política. Assim, para fugir da sombra negra que segue todo golpe, o de 1964 foi apresentado como algo que impediria a tomada do poder pelos “subversivos” (socialistas, comunistas, sindicalistas) e garantiria o verdadeiro regime democrático. Em vez de golpes, os militares e civís brasileiros contrários ao governo Goulart ordenariam uma “revolução”.

Esse é o sentido inteiro do Ato Institucional 1, atribuído na sua maior parte a Francisco Campos. Diz o início daquele texto : “O que houve e continuará a haver neste momento, não só no espírito e no comportamento das classes armadas, como na opinião pública nacional, é uma autêntica revolução”. Assim, caem por terra as noções de legitimidade e de soberania vigente. Arremata o texto que assegurou longos à ditadura militar : “A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constitucional. Este se manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como o Poder Constituinte, se legitima por si mesma (...) Ela edita normas jurídicas, sem que nisto esteja limitada pela normatividade anterior à sua vitória (…) Fica, assim, bem claro que a revolução não procura legitimar-se através do Congresso. Este é que recebe deste Ato Institucional, resultante do exercício do Poder Constituinte, inerente a todas as revoluções, a sua legitimação’’. (5 )


Francisco Campos, intelectual de triste memória para os brasileiros democratas, redator da famosa “Polaca” —a Constituição autoritária imposta à nação em 10 de novembro de 1937— conhecia perfeitamente os enunciados de Carl Schmitt. Este último, autor do importante livro “A ditadura, das origens da idéia moderna de soberania à luta de classes proletárias”(1921) descreveu a lógica dos golpes de Estado e das normas impostas pelos que sobem ao poder por seu intermédio. (6) É dele, também, a mais famosa fórmula do golpe de Estado: “Soberano é quem decide sobre o estado de exceção”. (7) O jurista germânico polemizou contra Hans Kelsen : ao contrário do que afirma o positivista jurídico, o problema da soberania ainda existe no mundo moderno. (8) Mas Schmitt, coerente crítico da soberania exercida pelos Parlamentos, na encruzilhada supostamente sem esperanças do sistema representativo (9), acentua o poder do Chefe do Estado, o protetor da Constituição que exerce a soberania acima dos entraves da legalidade e das regras. O dirigente opera segundo a lógica da excepcionalidade. Em O Protetor da Constituição, (10) encontra-se a referência ao Poder Moderador, tal como definido no Império Brasileiro, como um dique contra a soberania popular e contra o que dela sobrou após as Revoluções Francêsa e Americana. A importância do poder moderador situa-se, justamente, no controle da soberania popular ou das pretensões parlamentares.

O ponto importante, nos textos de Schmitt que se refletem na justificativa jurídica do golpe em 1964, sobretudo a partir do Ato institucional 1, encontra-se na sua defesa da exceção como elemento mais relevante do que a regra (defendida pelos liberais). A exceção, ao mesmo tempo em que nega a soberania popular ao modo jacobino, permite a Schmitt o retorno a Thomas Hobbes. Schmitt (e seus êmulos brasileiros) encontram em Hobbes o estratagema ditatorial, sempre apto para ser usado por todos os que negam a forma democrática. Em Hobbes, julga Schmitt (se ele tem razão ou está desprovido de fundamentos, apenas os especialistas em Hobbes podem dizer), existiria a tese de um “governo que pode se reclamar da necessidade concreta, do estado das coisas, da força da situação, para outras justificações não determinadas pelas normas, mas pelas situações (…). Isso encontra o seu princípio existencial na adequação ao fim, na utilidade (…) na conformidade imediatamente concreta das suas medidas”. (11 )

A ditadura, resposta adequada para um estado de exceção, não precisa da legitimidade ao modo antigo e prescinde da legalidade positiva, ao modo de Kelsen e dos liberais. Sua força reside no fato de que ela emerge na crise, quando as formas jurídicas não garantem o povo e o Estado. Essa doutrina encontra-se na essência da idéia de “revolução” que justificou o golpe em 1964. Além de ser-lhe atribuída o mister de contra-golpe preventivo, com o fim do governo legítimo, nele proclamava-se uma nova soberania, não mais advinda do povo, não mais adstrita ao Parlamento, não mais sujeita à legalidade mas cuja fonte era o próprio soberano que, pelo golpe, apodera-se do Estado. Daí que o Parlamento e toda outra ordem jurídico-político receberia sua existência e razão de ser do novo soberano. Os resistentes deveriam ser banidos da vida pública nacional. Essa é a lógica da depuração do Parlamento, com as cassações de parlamentares, catedráticos, etc., e de todos os atos seguintes do poder militar.

Mas o desejo da nova ordem, não submetida aos pressupostos da antiga, elevou-se no tempo longo, no Brasil, desde os anos do integralismo e da ditadura varguista. Não é possível esquecer que uma revista como A Ordem, importante veículo das idéias católicas e conservadoras, pregava o fim do liberalismo político e jurídico. Também não esqueçamos que um patrono de Carl Schmitt, Donoso Cortés, foi publicado pela Editora Vozes de Petrópolis para auxiliar na tarefa da racionalização da luta contra o pensamento liberal. Em termos de idéias, o solo estava preparado para as doutrinas e a propaganda da ordem, feita pela ditadura militar e por seus intelectuais, sobretudo os situados no campo jurídico.

Mas a busca da ordem também possuiu outros motivos que, embora tão relevantes quanto os de cunho ideológico, exerceram um papel real no golpe e nos seus dias posteriores. Na imensa tragédia vivida pelo Brasil naqueles tempos, dois personagens foram estratégicos. Refiro-me aos militares e os eclesiásticos.

Falemos dos segundos, para depois passar aos soldados. Após o Concílio Vaticano 2 a Igreja Católica começava a enfrentar movimentos de base de leigos e sacerdotes que representavam obstáculos à Hierarquia. As secularizações aceleradas dos padres, o seu empenho em lutas civís, prenunciavam a quebra de algo sagrado no ordenamento católico, a dignidade eminente do bispo, submetido apenas à Sé Romana.

Elias Canetti, no monumento político intitulado Massa e Poder, enuncia que o catolicismo recusa toda violência de massa. Os dignatários católicos gostam de dirigir multidões seguindo um ritmo e uma lentidão programados. Para que todos tenham lugar na Igreja é preciso impedir que setores dela exerçam violência sobre os demais. Um grupo militante, portanto, ao movimentar massas de modo autônomo, atinge a suscetibilidade dos pastores e neles suscita o desejo do retorno à ordem costumeira. Diz Canetti: “Até hoje não houve sobre a face da terra Estado algum que soubesse defender-se de tantas maneiras diferentes contra a massa. Comparados com a Igreja, todos os poderosos dão a impressão de serem modestos diletantes”. A autoridade hierárquica abarca todo o fiel, e todos os fiéis, integralmente. Caso oposto, não há catolicismo. “A vinculação entre os fiéis”, afirma Canetti, “é impedida de mais de uma forma. Eles não pregam uns aos outros; a palavra santa lhes é ministrada já mastigada e dosada; ela é, justamente na sua qualidade de santa, protegida dele. Até mesmo seus pecados pertencem aos sacerdotes”. O peso da Autoridade, na instituição católica, sobretudo antes do Vaticano 2, é tremendo. Isso faz com que as massas religiosas se mostrem publicamente sob a direção da Hierarquia, mas que os indivíduos se movimentem isolados, sem formarem massas autônomas e auto-reguladas. “Quem observa as filas dos que vão comungar” diz ainda Canetti, “vê até que ponto cada qual se preocupa apenas consigo mesmo. Os que estão na sua frente ou atrás lhe importam ainda menos do que o próximo com o qual se relaciona na vida diária”.

A Igreja ama o ritmo lento: “qualquer coisa que ela mostre é sempre mostrada lentamente. As procissões são um exemplo impressionante. Elas devem ser vistas pelo maior número possível de pessoas, elas fluem lentamente”. Falar em Igreja Católica significa perceber o isolamento administrado pelos sacerdotes no interior de certa massa. Mas a prudência eclesiástica, sua calma no pastoreio, tem limites. “Não é sempre que a Igreja pode se permitir sua elegante reserva, sua aversão diante da massa aberta, o veto que impôs à gênese desta massa. Existem épocas em que ela é ameaçada por inimigos externos; épocas em que a apostasia se propaga com tanta rapidez que somente é possível combatê-la com os meios da própria epidemia. Nestas épocas a Igreja vê-se obrigada a opôr massas próprias às massas inimigas. Os monges se convertem então em agitadores que, fazendo suas pregações, cruzam o país, instigando as pessoas a uma atividade que em condições normais se preferia evitar”.

Essas teses de Canetti descrevem bem tudo o que foi experimentado pela Igreja no período de 1964. Desde longa data clérigos e intelectuais previdentes, como Thales de Azevedo e o Padre Júlio Maria, anunciavam o colapso institucional da Igreja no Brasil. O Vaticano 2, provocando um aggiornamento do clero e dos leigos, ajudou as massas do catolicismo, em parte, a entrarem nos movimentos pelas mudanças sociais, sobretudo no campo explosivo da reforma agrária. A deserção dos fiéis iniciava o processo que hoje atinge formas numerosas e esvazia os templos em proveito dos auditórios laicos ou pentecostais, nos estádios e na televisão.

Desafiada em sua idéia de ordem natural da sociedade, tolhida a disciplina hierárquica com frequência inquietante, e vendo as massas dirigirem-se para setores secularizados, com o perigo socialista, ou mesmo —lembremos que estamos em plena colheita da Guerra Fria— comunista, surgem na Igreja os padres e os monges designados por Elias Canetti. A Cruzada do Rosário, do Padre Peyton, as múltiplas marchas da Família, com Deus, pela Liberdade, os movimentos católicos conservadores que passam a disputar espaço com a Ação Católica especializada, em especial a juventude estudantil e universitária, que rumavam para opções políticas e até mesmo ideológicas opostas às da hierarquia (é o caso da Ação Popular, a AP, liderada por Betinho, cujo teórico foi o jesuíta Padre Vaz) todos esses movimentos responderam às ameaças, reais ou supostas, à Igreja.

Milhões e milhões de fiéis foram conduzidos às ruas sob o báculo dos hierarcas fortemente ajudados pelos golpistas e pela imprensa, para mostrar —mais uma vez na história republicana, depois das demonstrações de força que marcaram os Congressos Eucarísticos— que a Igreja deveria ser levada em conta no futuro e no presente institucional brasileiro. Convergiu a Igreja, na sua face hegemônica, com os setores privilegiados e particulares que tramavam contra o governo.

Assim, nas palavras do Padre Alberto Antoniazzi, o golpe 1964 “leva a uma ´reunião extraordinária dos Metropolitas´em 27-29 de maio, da qual sai uma declaração que aceita a intenção da ´Revolução de livrar o País do comunismo e agradece aos militares, mas faz ressalvas e o voto de que a reconstrução do País siga a Doutrina Social da Igreja”. (12) A Igreja acolheu com excelente ânimo o pior golpe dentro do golpe, o Ato Institucional número 5. No Comunicado de 19 de fevereiro de 1969, os bispos, reunidos na CNBB, propõem ao governo tirânico uma “leal colaboração” para melhor cumprir “as reformas de base”, sepultadas com o governo Goulart. Naquele texto, ainda, eles reconhecem a legitimidade do novo regime “institucionalizado em dezembro último” e chegam a considerar que os poderes de exceção permitiriam “realizar rapidamente as reformas de base”. Para mostrar que a proposta de “leal colaboração” era dirigida a um poder inimigo de todas as reformas de base, basta referir os dados sobre a dívida externa do Brasil. “No momento do golpe de Estado em 1964, a dívida externa tinha subido para 2,5 bilhões de dólares; e quando o último general deixou a Presidência, em 1985, a dívida estava em mais de US$ 100 bilhões. Assim, se multiplicou por quarenta em pouco mais de vinte anos de ditadura. Essa ditadura foi beneficiada pelo apoio indefectível do governo dos Estados Unidos e do Banco Mundial, que viram nela um aliado estratégico no continente sul-americano em um contexto de expansão da revolução cubana e das grandes lutas anticapitalistas e antiimperialistas. É importante notarmos que, antes do golpe de Estado de 1964, o Banco Mundial tinha se recusado a emprestar dinheiro para o Brasil, sob o comando do progressista presidente João Goulart (…), que tinha feito a reforma agrária”. (13) Ao mesmo tempo em que os bispos ofereceram “leal colaboração” ao governo militar reforçado pelo AI-5, eles reconheceram que, em face da repressão generalizada conduzida pelos militares, as elites católicas sofriam ameaças o que as conduzia a ser afastar da Igreja, penetrando numa “perigosa clandestinidade”. (14)

Após a ditadura militar, o papel da Igreja como defensora dos direitos humanos foi idealizado por muitos intelectuais e movimentos políticos. É preciso cautela para ser justo no caso. De fato, muitos bispos e padres, além dos leigos, lutaram pela justiça e contra o arbítrio. Mas a linha oficial da Igreja foi mais do que ambigüa: ela apoiou o regime, dando-lhe bençãos. O episódio brasileiro teve muitos antecedentes na história mundial. Recordo apenas a Concordata de Império entre a Igreja e o nascente (e legal) governo de Adolf Hitler. No artigo 1 do mencionado documento, podemos ler: “O Reich alemão garante a liberdade da profissão e o exercício público da religião católica”. No artigo 32 se enuncia: “Em razão das atuais circunstâncias particulares da Alemanha e em consideração das garantias criadas pelas disposições da presente Concordata, de uma legislação que salvaguarda os direitos e as liberdades da Igreja Católica no Reich (…) a Santa Sé editará disposições excluindo para os eclesiásticos e religiosos o ingresso nos partidos políticos e sua atividade a este respeito”. No artigo 5 pode-se ler: “No exercício de sua atividade sacerdotal, os eclesiásticos gozam da proteção do Estado do mesmo modo que os empregados do Estado”. (15) Como os bispos que apoiaram o golpe de Estado em 1964, a Santa Sé acreditou que uma ditadura poderia ser aceita sem que os próprios fiéis fossem obrigados à “perigosa clandestinidade”. Felizmente, para a restauração da plena democracia, muitos religiosos não aceitaram as ordens das autoridades religiosas.

Discutamos a outra instituição que, desde a Colônia, assegurou o território nacional e o Estado, as Forças Armadas. Para elas, como para a Igreja, a ordem hierárquica é essencial. Após a ditadura getulista, quando houve certa unidade de comando e obediência nas casernas, os soldados se preocuparam com a pequena democratização do governo Dutra, as crises do governo democrático de Vargas, as sucessivas formas de golpes e contra-golpes de setores parlamentares que buscavam apoio nos quartéis (as famosas “vivandeiras”) antes do governo Juscelino. Após todos esses eventos, quando foram duramente questionadas a unidade de comando e a hierarquia, ocorreu a renúncia de Jânio Quadros, acuado por um parlamento hostil, sem maioria sólida possível. Na ocasião, com o veto do Alto Comando à posse de Goulart e com o parlamentarismo instalado pelo Congresso, ocorreu uma fratura perigosa aos olhos dos militares. Essa fenda ameaçaria a Federação, de um lado, e a unidade das Forças Armadas. Refiro-me ao apoio do III Exército e demais setores leais ao vice-presidente da República, sob liderança de Leonel Brizola.

Dada a cura provisória da crise institucional e federativa, com o parlamentarismo, os militares aparentemente aceitaram o status quo obtido pelos que dirigiam o Congresso. Mas a fratura ocorrida no interior dos quartéis, de modo público e notório, permaneceu na consciência militar à espera do que poderia ocorrer.As sucessivas manifestações de insubordinação dos soldados e patentes menores evidenciaram um processo geral de perda da autoridade do Executivo. As manobras políticas a diminuíram ainda mais. Seria preciso dar um basta aos que assim quebravam a hierarquia. A Igreja colocou massas nas ruas. As Forças Armadas prepararam a tomada das mesmas ruas pelos canhões. Quando as duas maiores forças de imposição do mando, uma espiritual e outra física, sentem que estão à beira da ruptura interna, e se quebra a linha de comando, elas reagem para sobreviver e tentam cortar a fonte de seus males, pelo menos a mais aparente. Se o governo não conseguia impor sua autoridade, mas até incentivava gestos de rebelião, era urgente substituir o governo, com a conivência do Congresso, manifestada sempre que golpes civís ou militares anteriores foram perpetrados.

É preciso ter uma idéia muito realista do soldado profissional no mundo político. Um soldado é feito para executar o monopólio da força física estatal na guerra. Seu alvo é garantir a integridade do Estado com armas letíferas contra inimigos exteriores. Em caso de conflito civil, sua função continua tendo como essência a morte dos adversários. Para que este fim seja alcançado plenamente, o militar deve obedecer ordens de modo perfeito. Um movimento muito importante na propaganda golpista, em 1964, foi a Sociedade Brasileira Tradição Familia Propriedade (TFP). Aquele setor foi inspirado pelos teóricos da contra-revolução romântica do século 19, incluindo o pensador espanhol Donoso Cortés. “Um soldado”, enuncia Donoso Cortés, “é um escravo em uniforme”. A frase encontra-se no famoso Discurso sobre a Ditadura (1849). Alí, o teórico ataca a democracia representativa e ironiza todos os que confiam numa Constituição estável e permanente. Segundo Cortés, nada no mundo pode garantir estabilidade, porque o próprio Deus age por meio de golpes —os milagres— e age ditatorialmente. Cito o espanhol cuja presença fez-se notar nos piores golpes de Estado, na Espanha e na América do Sul, de Franco aos que derrubaram Salvador Allende :

“Gobierna Dios siempre con esas mismas leyes que el mismo se impuso en su eterna sabiduría y a las que nos sujetó a todos. No señores; pues algunas veces, directa, clara e explicitamente manifiesta su voluntad soberana quebrantando esas leyes que El mismo se impuso e torciendo el curso natural de las cosas. Y bien, señores: cuando obra asi, no podria decirse, si el lengaje humano pudiera aplicar-se a las cosas divinas, que obra dictatorialmente?”

Esse discurso inspirou o já mencionado Carl Schmitt, jurista que muito colaborou com Adolf Hitler, bastante lido por pessoas como Francisco Campos e outros personagens de nossa república. Quando Cortés diz que o soldado é escravo em uniforme, ele afirma um traço vital que esteve presente no golpe de 1964.

Ainda Elias Canetti fornece uma chave antropológica para a compreensão das Forças Armadas em 1964. A sentinela que permanece imóvel é o melhor exemplo da constituição psíquica do soldado. Os motivos habituais de ação, como os desejos, o temor, a inquietude que constituem a vida humana, são reprimidos dentro dele. Todo ato seu deve estar sancionado por uma ordem. O momento vital na existência de um militar é o da posição atenta diante do superior. A educação do soldado começa no instante em que lhe são proibidas muito mais coisas do que aos demais homens. O aspecto anguloso do soldado mostra que ele se adaptou aos muros, sendo um prisioneiro satisfeito. Para ele, a ordem tem valor supremo. Integra a sua formação que ele aprenda a obedecer ordens sozinho ou na companhia de outros. Os exercícios o habituam a movimentos executados com os demais. Todos devem realizá-los de modo absolutamente idêntico. O indivíduo torna-se igual aos outros. É a mesma ordem, pouco importando que seja apenas umq ue a recebe, ou todos. O uniforme, além das outras funções bélicas, evidencia a perfeita igualdade de todos na obediência às ordens.

A disciplina define o exército. Trata-se de uma dupla disciplina. A declarada é a ordem, tal como descrita acima. A outra é a promoção. Esta última corresponde à capacidade de um militar para ser aguilhoado internamente pela ordem. Para cada ordem atualizada, fica um espinho dentro dele. Se é soldado raso, ele não pode desfazer-se desses espinhos, aninhados em seu corpo e alma. Ele obedece e se torna cada vez mais rígido em sua obediência maquinal. Para sair desse estado, só com a promoção. Quando promovido, ele se desfaz —nos outros— dos seus aguilhões/ordens. A disciplina secreta consiste no uso dos aguilhões/ordens armazenados.

Essa disciplina responde pelo fato de os exércitos mais poderosos do mundo terem seguido ordens de partidos totalitários, pelo menos até que vislumbrassem a derrota, sem pestanejar. “Estou cumprindo ordens”. Sem tal frase, inexistiriam o fascismo, o nazismo, o stalinismo. O Alto Comando é o que menos ordens recebe, mas mesmo assim ele as recebe de quem possui autoridade para tal. Essa cadeia verticalizada de obediência, no caso dos soldados rasos, só explode nas situações de guerra onde o inimigo é disseminado, como nas guerras de guerrilha. Nessas horas a solidariedade horizontal conta mais do que as ordens vindas de cima. Há um bom livro de David Hansen, The Western Way of War: Infantry Battle in Classical Greece, (16) que evidencia esse traço.

Na vida comum, quando não há guerrilha do inimigo externo ou interno, o exército segue a disciplina e a ordem das promoções. Para que ambas existam é preciso que a hierarquia e o próprio instituto militar sobrevivam. É absurdo para um soldado que cumpriu ordens a vida toda e subiu até o posto de coronel ou general de brigada, imaginar que suas próprias ordens não serão obedecidas. Nesse caso, mesmo que o Alto Comando permita a “insubordinação” e mesmo que o comandante supremo —o Chefe de Estado— assuma uma suposta “abertura democrática” face aos exército, quebrando a ordem rígida e a disciplina, eles serão desobedecidos, numa suprema tentativa de restaurar a ordem comum, com o golpe de Estado.

No Brasil em 1964, unidos à inquietude das altas hierarquias religiosas e à insubornição ao governo civil e às angústias diante das movimentações de massas na sociedade e nos quartéis, os militares seguiram quem lhes prometia restaurar a ordem e manter a carreira, a promoção. Quando a sociedade no seu todo —por suas lideranças— não sente-se ameaçada, o ato dos militares não encontra terreno fértil, mesmo dentro do exército. Lembremos, no início da redemocratização espanhola após a ditadura franquista, a tentativa de golpe em que os protagonistas ficaram sozinhos com seus revólveres no Parlamento ameaçado. Recordamos aquela situação tragicômica, com os políticos agachados e os golpistas a gritar frases desconexas.

Um golpe militar ocorre quando, às tensões externas, somam-se a angústia e as incertezas internas de manter tôda uma existência baseada na disciplina, na hierarquia das ordens, na carreira e na promoção. Foram decisivos o pânico e a insegurança sentidos nas duas maiores instituições da ordem no país, a espiritual, a Igreja Católica, e as Forças Armadas, com seu medo de se fragmentarem, perdendo-se irremediavelmente.

Assim, tivemos pelo menos três elementos importantes na geração do golpe de 1964 ( muitos outros existem e eles serão tratados pelos demais participantes do simpósio) : em primeiro lugar, a pregação jurídica contrária ao liberalismo, bem conhecida de autores como Francisco Campos e outros. Em segundo, a Igreja Católica, com a hierarquia. Em terceiro, as Forças Armadas com a disciplina. Da síntese desses três elementos, somados aos demais, surgiu a justificativa do golpe de Estado. Não é preciso ser adepto de Gabriel Naudé para constatar que os anos da ditadura, sem nenhuma exceção, exercitaram a diábolica missa negra que danou indivíduos e grupos de modo irremediável: torturas, assassinatos praticados nos estabelecimentos do Estado, censura, intolerância e violência anônima. Os perseguidos deveriam provar a sua inocência, sem que ao Estado se exigisse a prova de sua culpa. Vivemos muito tempo sem direitos e sem o Estado de Direito. A única comemoração que faz plena justiça ao golpe, será a feita no cotidiano de nossa vida cívica. Por pior que seja a democracia, ela garante pelo menos parte dos nossos direitos à vida e ao pensamento. Os donos do estado de exceção desconhecem direitos. Respeitemos o regime democrático. Este é o culto mais indicado, se os cidadãos quiserem fugir dos horrores vividos pela ditatura instituida em 1964.

Notas

(1) São Paulo, Ed. Perspectiva, 2Itálico003 (trad. Nanci Fernandes e Mariza Bertoli)

(2) Naudé, Gabriel : Considerations politiques sur le coups d’etat. Roma, 1639. Georg Olms, Ed. 1993.

(3) Naudé, citado por Jean-Pierre Chrétien-Goni: “Institutio Arcanae”, in Lazzeri, Christian e Reynié, Dominique: Le Pouvoir de la raison d´État, Paris, PUF Ed, 1992, p. 139.

(4) Jean-Pierre Chrétien Goni, op. cit. pp. 139-140.

(5) Para uma análise jurídica desse ponto, cf. Dr. Carlos Fernando Mathias de Souza, da Universidade de Brasília : “Evolução histórica do Direito brasileiro (XXX): o século XX”. O texto, bastante amplo, pode ser encontrado na Internet, no seguinte endereço eletrônico : http://www.unb.br/fd/colunas_Prof/carlos_mathias/anterior_28.htm

(6) Die Diktatur. Von den Anfängen des modernen Souveränitätsgedankens bis zum proletarischen Klassenkampf- Munique/Leipzig, Duncker &Humblot Ed., 1928 (2a ed.).

(7) “Souverän ist, wer über den Ausnahmezustand entscheidet” . Esta é a primeira frase do escrito sobre a teologia política de Carl Schmitt. Cf. Politische Theologie. Vier Kapitel zur Lehre von der Souveranität. Munique, Duncker & Humblot, 1934. O enunciado apresenta-se não apenas em autores da chamada “direita” internacional, mas também em textos da “esquerda”, como por exemplo em Walter Benjamin. Tem toda razão Jean Pierre Faye, linguista e teórico do pensamento totalitário, quando refere-se à uma “ferradura” terminológica que reúne os vários matizes da paleta ideológica. Durante o nazismo, com a “colaboração” entre URSS e Alemanha, chegou a ser cunhada a expressão tremenda: “nacional-bolchevismo”. Mas estas são análises que devem ser feitas em outras ocasiões….

(8) Kelsen, em Das Problem der Souveränität, no contexto amplo das relações juridicas —internacionais sobretudo— diz que “o conceito de soberania deve ser radicalmente eliminado”. Uso a tradução italiana : Kelsen, Hans : Il problema della sovranità. Milano, Giufrrè, 1989.

(9) Cf. Die geistesgeschichtliche Lage des heutigen Parlamentarismus. Munique, Duncker & Humblot Ed., 1926. Existe uma edição brasileira do texto : Carl Schmitt, A crise da Democracia Parlamentar. Trad. Inês Lohbauer, São Paulo, Scritta Ed., 1996.

(10) Carl Schmitt : Der Hüter der Verfassung. Texto ideado em 1929, mas publicado mais tarde. Uso a edição de 1969 (Berlim, Duncker & Humblot).

(11) Cf. Schmitt, Carl: Legalität und Legitimität (1932). Cito na tradução italiana: Le categorie del ´politico´. Bologna, Il Mulino, 1972, p. 217.

(12) Cf. Antoniazzi, Alberto : Conjuntura Social e Documentação Eclesial. 641. “Leitura Sócio-pastoral da Igreja no Brasil. (1960-2000), A Igreja Católica e a atuação política.” No site http://www.cnbb.org.br/estudos/encar641.html

(13) Cf. Eric Toussaint, autor de "A Bolsa ou a Vida", publicada pela editora Perseu Abramo, 2001): “Acordo com o FMI, estágio atual da Auditoria da Dívida e as responsabilidades do Governo Lula”. No site da Fundação Perseu Abramo, com o seguinte endereço: http://www.jubileubrasil.org.br/dividas/eric.htm

(14) Cf. Declaração dos Membros da Comissão Central da CNBB. São Paulo, 18 de fevereiro de 1969. Texto reproduzido integralmente em Igreja e Governo, Extra 3, Ano I, fevereiro de 1977, pp. 32-33. Cf. Roberto Romano: Brasil, Igreja contra Estado. SP, Kayrós Ed. 1979, p. 182.

(15) Cf. O texto citado integralmente em Mathivon, A. : Catholicisme, National-Socialisme et Concordat du Reich. Paris, Librairie Génerale du Droit et Jurisprudence, 1936. Cf, também: Lewy, G.: “Le Concordat entre l ´Allemagne et le Saint Siège”, in L´Église Catholique et l ´Allemagne Nazie (Paris, Stock, 1964). As desculpas católicas pelo mau passo podem ser encontradas em Gillod, M. (introdução): Catholicisme Allemand (Paris, Cerf, 1956).

(169 University of California Press, 1989.

Folha

Índice geral São Paulo, sábado, 03 de março de 2012Mundo
Mundo

Paul Krugman

Quatro farsantes da política fiscal

Os republicanos que estão gritando sobre o deficit não o reduziriam; fariam o contrário, de fato

Mitt Romney está muito preocupado com nosso deficit orçamentário. Ou pelo menos é o que diz; gosta de alertar que os deficit do presidente Obama estão nos conduzindo a um "colapso em estilo grego".

Se isso é fato, por que Romney oferece uma proposta de Orçamento que geraria dívida e deficit muito maiores do que os causados pela proposta do governo Obama?

É claro que Romney não está sozinho em sua hipocrisia. Os republicanos que continuam na disputa pela indicação presidencial são farsantes fiscais. Fazem advertências apocalípticas sobre os perigos da dívida do governo e, em nome da redução do deficit, exigem cortes selvagens nos programas que protegem a classe média e os pobres. Mas propõem desperdiçar todo o dinheiro economizado concedendo novos cortes de impostos aos ricos.

O Comitê por um Orçamento Federal Responsável, apartidário, publicou análises das propostas orçamentárias dos republicanos e da mais recente proposta de Obama. As propostas de Newt Gingrich, Rick Santorum e Romney resultariam todas em dívida nacional maior, em uma década, se comparadas à proposta de Obama para 2013.

Romney afirma que seus cortes não causariam explosão do deficit porque promoveriam crescimento mais rápido, e isso resultaria em alta na arrecadação. Você pode considerar o argumento plausível, mas para isso teria de ter passado as duas últimas décadas dormindo; se não o fez, é provável que recorde que as mesmas pessoas garantiram que o aumento de impostos de Bill Clinton em 1993 resultaria em desastre econômico, e que os cortes de George W. Bush em 2001 gerariam imensa prosperidade. Nenhuma dessas previsões se confirmou.

Assim, os republicanos que estão gritando sobre o deficit não o reduziriam -fariam o contrário, de fato.

Outra organização apartidária, o Centro de Política Tributária, analisou a proposta de Romney. Constatou que, comparada à política vigente, ela elevaria os impostos dos 20% mais pobres, com cortes drásticos em programas como o Medicaid. O 1% mais rico receberia imensos cortes de impostos -e o 0,1% mais rico se sairia ainda melhor.

Os planos republicanos também cortariam os gastos em curto prazo, imitando as catastróficas medidas europeias, e imporiam cortes de impostos capazes de destruir qualquer Orçamento, em prazo mais longo.

A questão é determinar se alguém que ofereça essa tóxica combinação de irresponsabilidade, guerra de classes e hipocrisia será mesmo capaz de se eleger presidente.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

sexta-feira, 2 de março de 2012

Do Blog Cem Edukssaum


“Antigamente os cartazes nas ruas com rostos de criminosos ofereciam recompensas, hoje em dia pedem votos.”

Os novos discípulos da Eugenia. Escreverei sobre o artigo abaixo, em outra ocasisão. Por enquanto, fica a minha surpresa e indignação contra !

Journal of Medical Ethics

An international peer-reviewed journal for health professionals and researchers in medical ethics

Law, ethics and medicine

After-birth abortion: why should the baby live?

Alberto Giubilini1,2,
Francesca Minerva3,4

+ Author Affiliations

1Department of Philosophy, University of Milan, Milan, Italy
2Centre for Human Bioethics, Monash University, Melbourne, Victoria, Australia
3Centre for Applied Philosophy and Public Ethics, University of Melbourne, Melbourne, Victoria, Australia
4Oxford Uehiro Centre for Practical Ethics, Oxford University, Oxford, UK

Correspondence to Dr Francesca Minerva, CAPPE, University of Melbourne, Melbourne, VIC 3010, Australia; francesca.minerva@unimelb.edu.au

Contributors AG and FM contributed equally to the manuscript.

Received 25 November 2011
Revised 26 January 2012
Accepted 27 January 2012
Published Online First 23 February 2012

Abstract

Abortion is largely accepted even for reasons that do not have anything to do with the fetus’ health. By showing that (1) both fetuses and newborns do not have the same moral status as actual persons, (2) the fact that both are potential persons is morally irrelevant and (3) adoption is not always in the best interest of actual people, the authors argue that what we call ‘after-birth abortion’ (killing a newborn) should be permissible in all the cases where abortion is, including cases where the newborn is not disabled.


Introduction

Severe abnormalities of the fetus and risks for the physical and/or psychological health of the woman are often cited as valid reasons for abortion. Sometimes the two reasons are connected, such as when a woman claims that a disabled child would represent a risk to her mental health. However, having a child can itself be an unbearable burden for the psychological health of the woman or for her already existing children,1 regardless of the condition of the fetus. This could happen in the case of a woman who loses her partner after she finds out that she is pregnant and therefore feels she will not be able to take care of the possible child by herself.

A serious philosophical problem arises when the same conditions that would have justified abortion become known after birth. In such cases, we need to assess facts in order to decide whether the same arguments that apply to killing a human fetus can also be consistently applied to killing a newborn human.

Such an issue arises, for example, when an abnormality has not been detected during pregnancy or occurs during delivery. Perinatal asphyxia, for instance, may cause severe brain damage and result in severe mental and/or physical impairments comparable with those for which a woman could request an abortion. Moreover, abnormalities are not always, or cannot always be, diagnosed through prenatal screening even if they have a genetic origin. This is more likely to happen when the disease is not hereditary but is the result of genetic mutations occurring in the gametes of a healthy parent. One example is the case of Treacher-Collins syndrome (TCS), a condition that affects 1 in every 10 000 births causing facial deformity and related physiological failures, in particular potentially life-threatening respiratory problems. Usually those affected by TCS are not mentally impaired and they are therefore fully aware of their condition, of being different from other people and of all the problems their pathology entails. Many parents would choose to have an abortion if they find out, through genetic prenatal testing, that their fetus is affected by TCS. However, genetic prenatal tests for TCS are usually taken only if there is a family history of the disease. Sometimes, though, the disease is caused by a gene mutation that intervenes in the gametes of a healthy member of the couple. Moreover, tests for TCS are quite expensive and it takes several weeks to get the result. Considering that it is a very rare pathology, we can understand why women are not usually tested for this disorder.

However, such rare and severe pathologies are not the only ones that are likely to remain undetected until delivery; even more common congenital diseases that women are usually tested for could fail to be detected. An examination of 18 European registries reveals that between 2005 and 2009 only the 64% of Down’s syndrome cases were diagnosed through prenatal testing.2 This percentage indicates that, considering only the European areas under examination, about 1700 infants were born with Down’s syndrome without parents being aware of it before birth. Once these children are born, there is no choice for the parents but to keep the child, which sometimes is exactly what they would not have done if the disease had been diagnosed before birth.


Abortion and after-birth abortion

Euthanasia in infants has been proposed by philosophers3 for children with severe abnormalities whose lives can be expected to be not worth living and who are experiencing unbearable suffering.

Also medical professionals have recognised the need for guidelines about cases in which death seems to be in the best interest of the child. In The Netherlands, for instance, the Groningen Protocol (2002) allows to actively terminate the life of ‘infants with a hopeless prognosis who experience what parents and medical experts deem to be unbearable suffering’.4

Although it is reasonable to predict that living with a very severe condition is against the best interest of the newborn, it is hard to find definitive arguments to the effect that life with certain pathologies is not worth living, even when those pathologies would constitute acceptable reasons for abortion. It might be maintained that ‘even allowing for the more optimistic assessments of the potential of Down’s syndrome children, this potential cannot be said to be equal to that of a normal child’.3 But, in fact, people with Down’s syndrome, as well as people affected by many other severe disabilities, are often reported to be happy.5

Nonetheless, to bring up such children might be an unbearable burden on the family and on society as a whole, when the state economically provides for their care. On these grounds, the fact that a fetus has the potential to become a person who will have an (at least) acceptable life is no reason for prohibiting abortion. Therefore, we argue that, when circumstances occur after birth such that they would have justified abortion, what we call after-birth abortion should be permissible.

In spite of the oxymoron in the expression, we propose to call this practice ‘after-birth abortion’, rather than ‘infanticide’, to emphasise that the moral status of the individual killed is comparable with that of a fetus (on which ‘abortions’ in the traditional sense are performed) rather than to that of a child. Therefore, we claim that killing a newborn could be ethically permissible in all the circumstances where abortion would be. Such circumstances include cases where the newborn has the potential to have an (at least) acceptable life, but the well-being of the family is at risk. Accordingly, a second terminological specification is that we call such a practice ‘after-birth abortion’ rather than ‘euthanasia’ because the best interest of the one who dies is not necessarily the primary criterion for the choice, contrary to what happens in the case of euthanasia.

Failing to bring a new person into existence cannot be compared with the wrong caused by procuring the death of an existing person. The reason is that, unlike the case of death of an existing person, failing to bring a new person into existence does not prevent anyone from accomplishing any of her future aims. However, this consideration entails a much stronger idea than the one according to which severely handicapped children should be euthanised. If the death of a newborn is not wrongful to her on the grounds that she cannot have formed any aim that she is prevented from accomplishing, then it should also be permissible to practise an after-birth abortion on a healthy newborn too, given that she has not formed any aim yet.

There are two reasons which, taken together, justify this claim:

The moral status of an infant is equivalent to that of a fetus, that is, neither can be considered a ‘person’ in a morally relevant sense.

It is not possible to damage a newborn by preventing her from developing the potentiality to become a person in the morally relevant sense.

We are going to justify these two points in the following two sections.


The newborn and the fetus are morally equivalent

The moral status of an infant is equivalent to that of a fetus in the sense that both lack those properties that justify the attribution of a right to life to an individual.

Both a fetus and a newborn certainly are human beings and potential persons, but neither is a ‘person’ in the sense of ‘subject of a moral right to life’. We take ‘person’ to mean an individual who is capable of attributing to her own existence some (at least) basic value such that being deprived of this existence represents a loss to her. This means that many non-human animals and mentally retarded human individuals are persons, but that all the individuals who are not in the condition of attributing any value to their own existence are not persons. Merely being human is not in itself a reason for ascribing someone a right to life. Indeed, many humans are not considered subjects of a right to life: spare embryos where research on embryo stem cells is permitted, fetuses where abortion is permitted, criminals where capital punishment is legal.

Our point here is that, although it is hard to exactly determine when a subject starts or ceases to be a ‘person’, a necessary condition for a subject to have a right to X is that she is harmed by a decision to deprive her of X. There are many ways in which an individual can be harmed, and not all of them require that she values or is even aware of what she is deprived of. A person might be ‘harmed’ when someone steals from her the winning lottery ticket even if she will never find out that her ticket was the winning one. Or a person might be ‘harmed’ if something were done to her at the stage of fetus which affects for the worse her quality of life as a person (eg, her mother took drugs during pregnancy), even if she is not aware of it. However, in such cases we are talking about a person who is at least in the condition to value the different situation she would have found herself in if she had not been harmed. And such a condition depends on the level of her mental development,6 which in turn determines whether or not she is a ‘person’.

Those who are only capable of experiencing pain and pleasure (like perhaps fetuses and certainly newborns) have a right not to be inflicted pain. If, in addition to experiencing pain and pleasure, an individual is capable of making any aims (like actual human and non-human persons), she is harmed if she is prevented from accomplishing her aims by being killed. Now, hardly can a newborn be said to have aims, as the future we imagine for it is merely a projection of our minds on its potential lives. It might start having expectations and develop a minimum level of self-awareness at a very early stage, but not in the first days or few weeks after birth. On the other hand, not only aims but also well-developed plans are concepts that certainly apply to those people (parents, siblings, society) who could be negatively or positively affected by the birth of that child. Therefore, the rights and interests of the actual people involved should represent the prevailing consideration in a decision about abortion and after-birth abortion.

It is true that a particular moral status can be attached to a non-person by virtue of the value an actual person (eg, the mother) attributes to it. However, this ‘subjective’ account of the moral status of a newborn does not debunk our previous argument. Let us imagine that a woman is pregnant with two identical twins who are affected by genetic disorders. In order to cure one of the embryos the woman is given the option to use the other twin to develop a therapy. If she agrees, she attributes to the first embryo the status of ‘future child’ and to the other one the status of a mere means to cure the ‘future child’. However, the different moral status does not spring from the fact that the first one is a ‘person’ and the other is not, which would be nonsense, given that they are identical. Rather, the different moral statuses only depends on the particular value the woman projects on them. However, such a projection is exactly what does not occur when a newborn becomes a burden to its family.


The fetus and the newborn are potential persons

Although fetuses and newborns are not persons, they are potential persons because they can develop, thanks to their own biological mechanisms, those properties which will make them ‘persons’ in the sense of ‘subjects of a moral right to life’: that is, the point at which they will be able to make aims and appreciate their own life.

It might be claimed that someone is harmed because she is prevented from becoming a person capable of appreciating her own being alive. Thus, for example, one might say that we would have been harmed if our mothers had chosen to have an abortion while they were pregnant with us7 or if they had killed us as soon as we were born. However, whereas you can benefit someone by bringing her into existence (if her life is worth living), it makes no sense to say that someone is harmed by being prevented from becoming an actual person. The reason is that, by virtue of our definition of the concept of ‘harm’ in the previous section, in order for a harm to occur, it is necessary that someone is in the condition of experiencing that harm.

If a potential person, like a fetus and a newborn, does not become an actual person, like you and us, then there is neither an actual nor a future person who can be harmed, which means that there is no harm at all. So, if you ask one of us if we would have been harmed, had our parents decided to kill us when we were fetuses or newborns, our answer is ‘no’, because they would have harmed someone who does not exist (the ‘us’ whom you are asking the question), which means no one. And if no one is harmed, then no harm occurred.

A consequence of this position is that the interests of actual people over-ride the interest of merely potential people to become actual ones. This does not mean that the interests of actual people always over-ride any right of future generations, as we should certainly consider the well-being of people who will inhabit the planet in the future. Our focus is on the right to become a particular person, and not on the right to have a good life once someone will have started to be a person. In other words, we are talking about particular individuals who might or might not become particular persons depending on our choice, and not about those who will certainly exist in the future but whose identity does not depend on what we choose now.

The alleged right of individuals (such as fetuses and newborns) to develop their potentiality, which someone defends,8 is over-ridden by the interests of actual people (parents, family, society) to pursue their own well-being because, as we have just argued, merely potential people cannot be harmed by not being brought into existence. Actual people’s well-being could be threatened by the new (even if healthy) child requiring energy, money and care which the family might happen to be in short supply of. Sometimes this situation can be prevented through an abortion, but in some other cases this is not possible. In these cases, since non-persons have no moral rights to life, there are no reasons for banning after-birth abortions. We might still have moral duties towards future generations in spite of these future people not existing yet. But because we take it for granted that such people will exist (whoever they will be), we must treat them as actual persons of the future. This argument, however, does not apply to this particular newborn or infant, because we are not justified in taking it for granted that she will exist as a person in the future. Whether she will exist is exactly what our choice is about.


Adoption as an alternative to after-birth abortion?

A possible objection to our argument is that after-birth abortion should be practised just on potential people who could never have a life worth living.9 Accordingly, healthy and potentially happy people should be given up for adoption if the family cannot raise them up. Why should we kill a healthy newborn when giving it up for adoption would not breach anyone’s right but possibly increase the happiness of people involved (adopters and adoptee)?

Our reply is the following. We have previously discussed the argument from potentiality, showing that it is not strong enough to outweigh the consideration of the interests of actual people. Indeed, however weak the interests of actual people can be, they will always trump the alleged interest of potential people to become actual ones, because this latter interest amounts to zero. On this perspective, the interests of the actual people involved matter, and among these interests, we also need to consider the interests of the mother who might suffer psychological distress from giving her child up for adoption. Birthmothers are often reported to experience serious psychological problems due to the inability to elaborate their loss and to cope with their grief.10 It is true that grief and sense of loss may accompany both abortion and after-birth abortion as well as adoption, but we cannot assume that for the birthmother the latter is the least traumatic. For example, ‘those who grieve a death must accept the irreversibility of the loss, but natural mothers often dream that their child will return to them. This makes it difficult to accept the reality of the loss because they can never be quite sure whether or not it is irreversible’.11

We are not suggesting that these are definitive reasons against adoption as a valid alternative to after-birth abortion. Much depends on circumstances and psychological reactions. What we are suggesting is that, if interests of actual people should prevail, then after-birth abortion should be considered a permissible option for women who would be damaged by giving up their newborns for adoption.


Conclusions

If criteria such as the costs (social, psychological, economic) for the potential parents are good enough reasons for having an abortion even when the fetus is healthy, if the moral status of the newborn is the same as that of the infant and if neither has any moral value by virtue of being a potential person, then the same reasons which justify abortion should also justify the killing of the potential person when it is at the stage of a newborn.

Two considerations need to be added.

First, we do not put forward any claim about the moment at which after-birth abortion would no longer be permissible, and we do not think that in fact more than a few days would be necessary for doctors to detect any abnormality in the child. In cases where the after-birth abortion were requested for non-medical reasons, we do not suggest any threshold, as it depends on the neurological development of newborns, which is something neurologists and psychologists would be able to assess.

Second, we do not claim that after-birth abortions are good alternatives to abortion. Abortions at an early stage are the best option, for both psychological and physical reasons. However, if a disease has not been detected during the pregnancy, if something went wrong during the delivery, or if economical, social or psychological circumstances change such that taking care of the offspring becomes an unbearable burden on someone, then people should be given the chance of not being forced to do something they cannot afford.


Acknowledgments

We would like to thank Professor Sergio Bartolommei, University of Pisa, who read an early draft of this paper and gave us very helpful comments. The responsibility for the content remains with the authors.


Footnotes

Competing interests None.

Provenance and peer review Not commissioned; externally peer reviewed.

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Os lulistas (ou chavistas, ou kirchenistas, ou quaiquer outros servos) jamais lerão as linhas abaixo, por vários motivos. Em primeiro lugar, porque a atividade de ler lhes causa urticárias. Depois, porque no trecho de Michels, seus donos são descritos de modo implacável. Finalmente, porque boa parte deles deixou de pensar há muito tempo, reagindo de maneira pavloviana, aos comandos dos chefes, para insultar e atacar, perseguir e afastar da vida pública os "inimigos". Eles não sabem, mas seguem tintim por tintim a receita do nazista Carl Schmitt, para quem o político se resume à escolha do inimigo essencial. Os leitores de boa fé, e que tiverem luzes suficientes para tanto aproveitarão o retrato de Lula, feito por antecipação de quase um século, no livro de Michels. Este sabia das coisas e foi, como seus iguais de socialismo, da social democracia ao fascismo. Como assistimos hoje no Brasil.


Robert Michels :  Political Parties, a sociological study of the oligarchical tendencies of modern democracy. translated by Eden and Cedar Paul. 


Chapter 3. Identification of the Party with the Leader (“Le Parti c'est Moi”)

We have shown that in their struggle against their enemies within the party the leaders of the labor movement pursue a tactic and adopt an attitude differing very little from those of the “bourgeois” government in its struggle with “subversive” elements. The terminology which the powers-that-be employ is, mutatis mutandis, identical in the two cases. The same accusations are launched against the rebels, and the same arguments are utilized in defense of the established order: in one case an appeal is made for the preservation of the state; in the other, for that of the party. In both cases, also, there is the same confusion of ideas when the attempt is made to define the relationships between thing and person, individual and collectivity. The authoritarian spirit of the official representatives of the German Socialist Party (a spirit which necessarily characterizes every strong organization) exhibits several striking analogies with the authoritarian spirit of the official representatives of the German empire. On the one side we have William II, who advises the “malcontents,” that is to say those of his subjects who do not consider that all is for the best in the best of all possible empires, to shake the dust off their feet and go elsewhere. On the other side we have Bebel, exclaiming that it is time to have done once for all with the eternal discontents and sowings of discord within the party, and expressing the opinion that the opposition, if it is unable to express itself as satisfied with the conduct of affairs by the executive, had better “clear out.”173 Between these two attitudes, can we find any difference other than that which separates a voluntary organization (the party), to which one is free to adhere or not as one pleases, from a coercive organization (the state), to which all must belong by the fact of birth?174 It may perhaps be said that there is not a single party leader who fails to think and to act, and who, if he has a lively temperament and a frank character, fails to speak,
after the example of Le Roi Soleil, and to say Le Parti c'est moi.

The bureaucrat identifies himself completely with the organization, confounding his own interests with its interests. All objective criticism of the party is taken by him as a personal affront. This is the cause of the obvious incapacity of all party leaders to take a serene and just view of hostile criticism. The leader declares himself personally offended, doing this partly in good faith, but in part deliberately, in order to shift the bat- tleground, so that he can present himself as the harmless object of an unwarrantable attack, and arouse in the minds of the masses towards his opponents in matters of theory that antipathy which is always felt for those whose actions are dictated by personal rancor. If, on the other hand, the leader is attacked personally, his first care is to make it appear that the attack is directed against the party as a whole. He does this not only on diplomatic grounds, in order to secure for himself the support of the party and to overwhelm the aggressor with the weight of numbers, but also because he quite ingenuously takes the part for the whole. This is frequently the outcome, not merely of a blind fanaticism, but of firm conviction. According to Netchajeff, the revolutionary has the right of exploiting, deceiving, robbing, and in case of need utterly ruining, all those who do not agree unconditionally with his methods and his aims, for he need consider them as nothing more than chair à conspiration. His sole objective must be to ensure the triumph of his essentially individual ideas, without any respect for persons — La Révolution c'est moi!

Bakunin uttered a sound criticism of this mode of reasoning when he said that its hidden source was to be found in Netchajeff's unconscious but detestable ambition. The despotism of the leaders does not arise solely from a vulgar lust of power or from uncontrolled egoism, but is often the outcome of a profound and sincere conviction of theirown value and of the services which they have rendered to the common cause. The bureaucracy which is most faithful and most efficient in the discharge of its duties is also the most dictatorial. To quote Wolfgang Heine: “The objection is invalid that the incorruptibility and efficiency of our party officials, and their love for the great cause, would suffice to raise a barrier against the development of autocracy within the party. The very opposite is true. Officials of high technical efficiency who unselfishly aim at the general good, like those whom we are fortunate enough to possess in the party, are more than all others inclined, being well aware of the importance of their own services, to regard as inalterable laws whatever seems to them right and proper, to suppress conflicting tendencies on the ground of the general interest, and thus to impose restraints upon the healthy progress of the party.”175 Similarly, where we have to do with excellent and incorruptible state officials like those of the German empire, the megalomaniac substitution of thing for person is partly due to the upright consciences of the officials and to their great devotion to duty. Among the members of such a bureaucracy, there is hardly one who does not feel that a pin-prick directed against his own person is a crime committed against the whole state. It is for the same reason that they all hold together comme les doigts de la main. Each, one of them regards himself as an impersonation of a portion of the whole state, and feels that this portion will suffer if the authority of any other portion is impaired. Further, the bureaucrat is apt to imagine that he knows the needs of the masses better than these do themselves, an opinion which may be sound enough in individual instances, but which for the most part is no more than a form of megalomania. Undoubtedly the party official is less exposed than the state official to the danger of becoming fossilized, for in most cases he has work as a public speaker, and in this way he maintains a certain degree of contact with the masses. On the other hand, the applause which he seeks and receives
on these occasions cannot fail to stimulate his personal vanity.

When in any organization the oligarchy has attained an advanced stage of development, the leaders begin to identify with themselves, not merely the party institutions, but even the party property, this phenomenon being common both to the party and to the state. In the conflict between the leaders and the rank and file of the German trade unions regarding the right to strike, the leaders have more than once maintained that the decision in this matter is morally and legally reserved for themselves, because it is they who provide the financial resources which enable the workers to remain on strike. This view is no more than the ultimate consequence of that oligarchical mode of thought which inevitably leads to a complete forgetfulness of true democratic principles. In Genoa, one of the labor leaders, whose influence had increased pari passu with the growing strength of the organized proletariat of the city, and who, enjoying the unrestricted confidence of his comrades, had acquired the most various powers and had filled numerous positions' in the party, regarded himself as justified, when as a representative of the workers he made contracts with capitalists and concluded similar affairs, in feathering his own nest in addition to looking after the workers' interests.176

SUMMA LEX, SUMMA INIURIA. É ISTO O QUE SE PENSA QUANDO SE FALA SOBRE JUÍZES ATROZES, DELEGADOS IDEM, POLICIAIS IDEM, QUANDO SE PENSA NA FALTA DE SENSIBILIDADE E INCULTURA JURÍDICA DOS MAGISTRADOS E OUTROS. O PRINCÍPIO DA EPIKÉIA DEVERIA SERVIR PARA TAIS CABEÇAS DE VENTO, QUE DECIDEM COMO DEUSES SOBRE OS DESTINOS HUMANOS, DE MODO DESUMANO. ENGRAÇADO QUE OS "ESPECIALISTAS"SÓ APARECEM NAS PÁGINAS DE JORNAIS. NUNCA NA VIDA DOS INJUSTIÇADOS. MALDITOS TODOS!

  Índice geral São Paulo, sexta-feira, 02 de março de 2012Cotidiano
Cotidiano
Idosa fica 31 horas presa por não pagar pensão dos netos
Aposentada não fez o pagamento nos últimos 6 meses; hoje ela recebe R$ 292 e precisa pagar R$ 300 à ex-nora
Moradores da cidade se sensibilizaram com o caso e fizeram campanha para juntar dinheiro para soltá-la
Cristina Cabral/O Popular
Luzia Pereira diz que não tem como arcar com a pensão
Luzia Pereira diz que não tem como arcar com a pensão  
LÉO ARCOVERDE
DO “AGORA”

A agricultora aposentada Luzia Rodrigues Pereira, 74, ficou 31 horas presa em uma cela da Cadeia Pública de Vianópolis, cidade de 12 mil habitantes do interior de Goiás, porque não pagou seis meses de pensão alimentícia aos quatro netos. 

Segundo Luzia, eles têm idades entre 8 e 19 anos. A aposentada pagava R$ 300 por mês à ex-nora. 

Luzia foi detida às 9h de terça-feira e libertada às 16h de anteontem. Ela deixou a cadeia após moradores da cidade e a advogada dela arrecadarem, por meio de uma campanha feita por um blog e por uma rádio da cidade, os R$ 1.588 que ela devia. 

DECISÃO
 
Luzia paga pensão há três anos por decisão da Justiça, já que o filho dela não é localizado desde então. Ele, que não teve o nome divulgado, estaria desempregado. 

"Eu estava fazendo meu cafezinho quando a polícia chegou à minha casa. Fiquei em uma cela suja, igual a uma criminosa. O mau cheiro na cela era tão grande que pedi para lavarem a cadeia", disse Luzia ontem. 

Ela disse, também, que ficou "mais aliviada" quando soube que "todo mundo ajudou" para tirá-la da cadeia. 

Luzia conta que trabalhou por 62 anos como boia-fria. Ela recebe R$ 622 mensais. Como contraiu empréstimos, na prática, só ganha R$ 292 - R$ 8 a menos que a pensão. Ela conta que tem problemas de saúde e precisa comprar diversos remédios. 

Como não tinha mais como arcar com a despesa, segundo especialistas, ela poderia ter pedido à Justiça uma revisão do valor e até conseguir a isenção comprovando que não tem condições de pagar.

Estatística. Fenômeno curioso : em alguns dias, os leitores que estão nos EUA aumentam, superando os do Brasil, depois, volta a "normalidade". Um dia saberei a causa...

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Marta Bellini.

Na Universidade Estadual de Maringá


BOLETIM 2 SESDUEM

2 de março de 2012 http://www.sesduem.com.br e-mail: sesduem@gmail.com


“NÃO DÊEM O SEGUNDO PASSO” (Durval Amaral).

A paralisação do dia 7 de março: um alerta aos palacianos de Curitiba.

Após a reunião em 29 de fevereiro com o Governo do Estado do Paraná quando reitores da UEM, UEL, UEPG e UNICENTRO e diversas entidades sindicais estiveram com os secretários Alípio Leal e Durval Amaral, vimos que o governo Richa orquestrou uma política do NÃO às Universidades Estaduais do Paraná.

O resultado da reunião foi que teremos que ter paciência, pois “estão trabalhando para conseguir efetivar as negociações”. O secretário da SETI, afirmou que “Não estamos descartando para 2012, mas está descartado para o primeiro trimestre”. Para eles a readequação salarial dos docentes não foi concedida devido a problemas técnicos.

Para finalizar o vazio político do governo, Alípio leal e Durval Amaral disseram que tudo depende de negociação, da lei de disponibilidade orçamentária e da lei de responsabilidade fiscal e que “até o momento, o governo não disse não”.

O governo não disse não, mas cortou os recursos. Não disse não, mas não implementou a readequação salarial dos docentes. “Não disse não, mas não disse sim a nada!”.  

No final da reunião Alípio Leal e Durval Amaral foram comunicados da paralisação no dia 7 de março em todas as IEES da Paraná. O secretário da SETI então perguntou se a paralisação era só de um dia.  Se for só um dia: “então não há problema”.

Ao que arrematou o Chefe da Casa Civil: “Não dêem o segundo passo”.

O que Durval Amaral quis dizer: empurra-nos à paralisação, mas intimida o movimento? Ameaça-nos? E ainda quer que fiquemos quietos?

Dia 7 de março: paralisação dos docentes!

Não à forma irresponsável de tratar as IEES do Paraná!

É sempre bom ler artigos que reafirmam teses que defendemos. É o caso dos artigos abaixo. O primeiro, d eminha autoria, foi publicado no final de semana, no Caderno Aliás do Estado de São Paulo. Nele, havia uma epígrafe de R. Michels, falando sobre o modo pelo qual as democracias partidárias se transformam em oligarquias e aristocracias. Devido ao projeto gráfico do jornal, os leitores não puderam seguir a tese de Michels que embasa todo o meu texto. Mas a idéia permanece: os partidos políticos nacionais, incluindo o PT, nada mais são do que oligarquias onde os filiados ou representam o "deus silencioso", nunca se pronunciam, ou servem como simples massa de manobra, instrumentos dóceis, não raro pagos, para caluniar os que não dobram a espinha aos seus donos. Cães de fila, nada mais, ou "militantes"no jargão facinoroso dos tiranos partidários. Acho que o texto da Folha complementa, e muito bem, o que eu disse ou não tive espaço para dizer, no meu. RR

Ficam os anéis

A aristocracia ruinosa dos tucanos pode levar a indecisões mais graves em 2014

26 de fevereiro de 2012 | 3h 08
Roberto Romano - O Estado de S.Paulo
 
As indecisões de José Serra integram a crise de abulia que desgasta todos os partidos, algo já diagnosticado no século 20 por Max Weber e Robert Michels. Direções mornas suscitam lideranças voluntariosas, contrárias aos poucos e acomodados condottieri. O PSDB sofre o processo político chamado oligarquização. Aquela forma organizacional nega decisões à base militante e as concentra nos líderes. Ser ou não ser candidato, com acertos alheios à militância? Como garantir apoio nas urnas, se oligarcas preferem em sigilo outros nomes? 

Um fenômeno ilustra o complexo tucano: o "lulécio" (Lula com Aécio), oligarquia mineira envolta em lençóis democráticos. O partido reúne alguns núcleos fortes (Minas e São Paulo) e outros nem tanto (Paraná, Rio Grande do Sul, Ceará). A concentração das opções em certas pessoas e a ausência de diretórios nos municípios cria a união de líderes com votos, mas poucos liderados. Tucanos e petistas, primos em primeiro grau, cochilaram ao não aproveitar o Palácio do Planalto (oito anos) para distribuir sedes na maior parte do Brasil. A via das "alianças" foi a preferida. O PMDB, por sua vez, garante presença em cidades de vários portes e aumenta sua capacidade de amealhar votos em todas as classes em prol de potentados, os donos das regiões. É o caso dos grupos Sarney, Barbalho, Temer e demais quistos instalados na base da pirâmide eleitoral.

O PMDB não tem candidato competitivo à presidência desde a derrota de Ulisses Guimarães. Mas nenhum presidente da República governa sem aquele ajuntamento oligárquico. Do nanico PRN ao PSDB, chegando ao PT, as siglas que conquistaram a presidência não tinham sólida presença em todo o país. Assim, se fortaleceram as oligarquias partidárias tradicionais, dando àqueles que chegaram aos cargos, após muita guerra de bastidores, a certeza de que nada conseguiriam sem o PMDB, que mantém seu ritmo de crescimento eleitoral ano após ano. Já os aliados do PSDB minguam a olhos vistos. O PSD, marca de fantasia, tem estratégia presa às ambições do inventor e proprietário. Sintoma: Gilberto Kassab afiança, para justificar o recuo diante do PT, seu compromisso com Serra, sem programas ou ideologias. Temos aí a pura troca de favores, alma da sociedade e do Estado brasileiros, contra os integrantes da base partidária. 

As eleições municipais de 2012 são uma peça importante no quebra-cabeça de 2014. A incerteza domina os coletivos tucanos e petistas, pois os seus aliados são submetidos aos oligarcas que ostentam apetite pantagruélico de recursos financeiros, cargos, benesses várias do poder. Como o PT e o PSDB não possuem bases municipais sólidas, ambos dependem da federação oligárquica peemedebista. Esta, por sua vez, se alimenta dos favores trocados entre os comandos regionais. O PMDB, berço do centrão, gerou o "é dando que se recebe". Manter o seu equilíbrio interno é tarefa de meticulosos maquiavelismos. Mas no mundo de Maquiavel a técnica empregada é a dissimulação, o que aumenta a incerteza dos aliados. O caso Chalita é evidente. Será ele candidato ou serve para dissimular alvos peemedebistas? Os interesses variam segundo os projetos e as necessidades dos oligarcas regionais. O PMDB usa, de modo grotesco, a máxima de Spinoza segundo a qual o imperativo da vida encontra-se na arte de conservar a si mesmo. Se for preciso, os mestres do PMDB retiram a solidariedade aos aliados de hoje, para voltar a oferecê-la amanhã, conforme a conveniência. A incerteza de Serra, em parte, tem origem na pantomima peemedebista. 

O problema não reside no indivíduo Serra. A sua hesitação segue a cacofonia atordoante de poucos líderes inebriados pelo poder. O PT assume o "é dando que se recebe" e ignora grande parte de suas bases, em favor de alianças ditadas por um líder. E assim nasce o candidato Haddad, um anônimo na Pauliceia, em detrimento de Marta Suplicy. A dúvida não reside em aceitar ou não candidaturas, mas em definir se os partidos pertencem aos que os sustentam nas bases, ou às direções. É possível, eticamente, apresentar um coletivo como se fosse democrático e, no mesmo átimo, manter escolhas eleitorais dominadas apenas por algumas lideranças? Se José Serra aceitar a candidatura que lhe oferecem, e na forma como é ofertada, ele será a face invertida do verticalismo petista, no qual um só dedo aponta o candidato e vigora a monarquia de Luiz Inácio. No seu caso, poucos dedos escolherão, ruinosa aristocracia tucana. Implodir a consulta partidária (mesmo formal) levará os companheiros de Serra a indecisões mais graves em 2014, mesmo ganhando ele a prefeitura paulistana. Numa derrota...    
ROBERTO ROMANO É FILÓSOFO, PROFESSOR , DE ÉTICA, FILOSOFIA NA UNICAMP. AUTOR DE , O CALDEIRÃO DE MEDEIA (PERSPECTIVA)


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Poder



Análise
PSDB reforça tese de que lei de ferro das oligarquias é irrevogável
CELSO ROMA
ESPECIAL PARA A FOLHA
Todas as organizações tendem a concentrar o poder nas mãos de um pequeno grupo de indivíduos. Este é o mote da lei de ferro da oligarquia, retratada em "A Sociologia dos Partidos Políticos", escrito em 1911 por Robert Michels. No caso dos partidos políticos, sejam eles socialistas, social-democratas ou conservadores, todos nascem sob o discurso da democracia, mas, com o passar do tempo, sucumbem à oligarquização.

Prova disso é que, aos 23 anos, o PSDB evitou as prévias como método de seleção de seus candidatos aos cargos eletivos no país.

Oportunidades para democratizar o partido não faltaram. Em 2006 e 2010, nas eleições presidenciais, o PSDB passou por profundas crises geradas pela disputa entre os seus pré-candidatos. Nessas ocasiões, a cúpula definiu o candidato a presidente.

A única experiência de prévias no PSDB-SP ocorreu há 20 anos. Em 1992, os filiados foram consultados para escolher o candidato a prefeito e os partidos para a coligação.

Mesmo assim, a Executiva Municipal interferiu na forma como a consulta foi realizada, alterando a composição da lista de pré-candidatos às vésperas do pleito.

Um dos incluídos, com o apoio de líderes tucanos como Mario Covas, Fernando Henrique Cardoso e José Serra, o então pré-candidato Fábio Feldmann venceu Getúlio Hanashiro, que, inconformado, denunciou, nas palavras dele, o conchavo de última hora.

Naquela ocasião, a maioria dos filiados vetou uma aliança com o PMDB e permitiu a coligação com partidos de menor expressão como o PDT e o PV, uma decisão que se revelou imprudente.

Com o PSDB dividido, Feldmann teve desempenho ruim nas urnas, sendo um dos candidatos menos preferidos pelos paulistanos.

ESTATUTO
 
Fundado em 1988, o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) estipulou em seu estatuto o princípio da democracia interna, que deveria permitir a máxima participação dos filiados na definição da orientação política, na seleção dos dirigentes, no processo decisório.

Mas, desde a fundação, o PSDB funciona como partido político de quadros, em que líderes tomam decisões e a participação dos demais filiados é mínima e esporádica.
A lei de ferro da oligarquia é irrevogável.

CELSO ROMA é cientista político e especialista em partidos e eleições.