domingo, 28 de fevereiro de 2010

Congresso em Foco

28/02/2010 - 07h41

Nos jornais: Aeronáutica entrega documentos secretos da ditadura

Estado de S. Paulo

Aeronáutica entrega documentos secretos que dizia ter destruído

Após quatro anos de pressão do governo, a Aeronáutica entregou ao Arquivo Nacional, no início do mês, pelo menos parte dos documentos secretos que produziu durante a ditadura militar. A própria Aeronáutica informara anteriormente que esses itens haviam sido destruídos, o que reaviva a suspeita de que as Forças Armadas mantêm escondidos papéis sigilosos da ditadura.

O arquivo inédito faz parte do acervo do Centro de Segurança e Informação da Aeronáutica (Cisa). São 189 caixas, com aproximadamente 50 mil documentos acumulados nos governos militares, entre 1964 e 1985. O lote inclui informações sobre Ernesto Che Guevara, Fidel Castro e Carlos Lamarca. Mas há indícios de que registros importantes tenham sido retirados antes de efetivada a entrega, no último dia 3.

Brasil fez caçada a Che entre 1966 e 1967

Arquivos secretos da Aeronáutica revelam que o governo brasileiro fez uma caçada silenciosa por todo o território nacional, de 1966 a 1967, para achar Ernesto Che Guevara, um dos principais líderes da revolução cubana. Em pelo menos um dos informes enviados ao Arquivo Nacional, o serviço de inteligência da Aeronáutica colheu relatos de que Che teria estado em Mato Grosso disfarçado de "comprador de couros".

Josias de Souza, por sugestão do Blog Prosa & Política de Adriana Vandoni

28/02/2010

Arruda redigiu manuscrito com ‘acusações’ ao DEM

Documento tem 12 folhas e foi entregue a advogados
Entre os ‘alvos’ estão Rodrigo, Agripino e Demóstenes
Informados, parlamentares dizem não recear ameaças

Elza Fiúza/ABr

Detido há 18 dias, o governador afastado do DF, José Roberto Arruda, dedicou parte de seu tempo na prisão à redação de um manuscrito. Acomodado em 12 folhas, o texto contém “acusações” de Arruda contra seu ex-partido, o DEM. Menciona expoentes da legenda.Entre eles o presidente da agremiação, deputado Rodrigo Maia (RJ); e os senadores Agripino Maia (RN), líder no Senado; e Demóstenes Torres (GO). Neste sábado (27), segundo apurou o blog, Arruda entregou o documento a uma dupla de advogados que o visitou na superintendência da PF, em Brasília.Os visitantes integram a equipe do escritório do criminalista Técio Lins e Silva, do Rio, contactado para reforçar a defesa do preso.

Encontraram um Arruda que, a despeito do convívio com a perpsectiva da detenção longeva e a ameaça de impeachment, revelou-se avesso à idéia da renúncia.Ao contrário, Arruda pareceu pintado para a guerra. O manuscrito de teor acusatório foi ao cofre do escritório de advocacia.Não há, por ora, informações nem sobre o teor da peça nem sobre os reais propósitos do autor, trancafiado numa sala da PF desde 11 de fevereiro.Informados pelo repórter, na noite passada, acerca da existência do texto de Arruda, Rodrigo, Agripino e Demóstenes reagiram.

“Não faço idéia do que ele vai inventar”, disse Rodrigo Maia. “Não posso comentar algo que não sei o que é”.

Um dos autores do requerimento que levou Arruda a se desfiliar do DEM para evitar a expulsão, Demóstenes Torres foi à jugular:“Em relação a mim, não há de ser nada além de um Fernandinho Beira Mar falando do juiz que o condenou. No meu caso, topo a briga”.“A meu respeito, ele não tem o que inventar”, ecoou Agripino Maia, que também advogou a expulsão de Arruda. “Não tenho nenhuma relação com ele”.As ameaças de Arruda frequentam os subterrâneos do DEM desde o dia em que o partido passara a considerar a idéia de expurgá-lo de seus quadros.

Pela primeira vez, o diz-que-diz ganha a forma de um texto. Mas a ausência de divulgação conserva as supostas denúncias ainda no campo da chantagem.Nos últimos dias, Arruda estendeu as ameaças aos integrantes da pluripartidária bancada do panetone, com assento na Câmara Legislativa do DF.Na sexta (26), uma comissão especial do legislativo brasiliense abriu, em votação unânime, o processo de impeachment contra Arruda.Nesta semana, o pedido de cassação passará pelo segundo estágio, uma votação no plenário. A perspectiva é de aprovação.

Diante da evidência de abandono, Arruda mandou dizer aos aliados que claudicam que pode arrastá-los para o centro do escândalo, incriminando-os.No que diz respeito à bancada distrital, os arroubos de Arruda fazem nexo, já que o impeachment é matéria ainda pendente de deliberação.Dá-se o oposto em relação às baterias que Arruda aponta na direção da cúpula do DEM.Agripino Maia realça o fato de que o partido não se dobrou às ameaças veladas que Arruda já fazia antes de redigir seu manuscrito, indicando-lhe a porta de saída.Um sinal de que prevaleceu na legenda o grupo disposto a tratar Arruda com desassombro.

Na fase em que era festejado como único governador eleito pelo DEM no pleito de 2006, Arruda ajudou a fornir as arcas da legenda.Na campanha municipal de 2008, direcionou doações de empresários com negócios no GDF para o diretório nacional do partido.Quanto? O DEM informa que não foi muito, mas ainda não se animou a trazer a público uma cifra.Dos cofres nacionais, a verba provida por Arruda foi rateada, junto com outras doações, entre diretórios de municípios nos quais o DEM disputava prefeituras.A direção do partido sustenta que não recebeu um mísero centavo por baixo da mesa. Tudo teria sido feito como manda a lei: com recibo e escrituração formal.Entre as prefeituras que disputou, o DEM priorizou 14, assentadas em cidades-pólo e capitais. Entre elas São Paulo e Rio de Janeiro.Arruda teria solicitado que as verbas obtidas por seu intermédio não custeassem nem a campanha de São Paulo nem a do Rio. Por quê?O governador argumentara que o DEM detinha as prefeituras dessas duas praças. Por isso, teria codições de obter doações por conta própria, sem a ajuda dele.Nos próximos dias, vai-se saber se o texto produzido por Arruda é coisa a ser tomada a sério.Alardeado como bala de prata, o documento pode se converter em mero festim se permanecer guardado nos cofres da banca advocatícia.

Revista Época

Atualizado em 26/02/2010 - 23:50

Uma sombra na Campanha

A reaparição de José Dirceu, como dublê de político e consultor de empresas, expõe o lado nebuloso do discurso a favor do “Estado forte” de Dilma Rousseff
Ricardo Mendonça e Isabel Clemente
Sérgio Lima
O ANFÍBIO
Dirceu, num evento do PT, em São Paulo. As notícias sobre sua atividade política-empresarial incomodam o Planalto, mas o comando da campanha de Dilma trata de manter uma boa relação com ele por causa do PT
O Congresso Nacional do PT, que aclamou a candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República, foi marcado também por discursos em defesa do “Estado forte” e pela volta do ex-ministro José Dirceu ao Diretório Nacional do partido, sob a ovação dos militantes. Dirceu, antecessor de Dilma na Casa Civil, saiu do cargo em meio ao escândalo do mensalão em 2005, pelo qual responde a um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) em que é acusado de ter liderado o esquema que teria comprado o apoio de parlamentares e partidos ao governo Lula no Congresso. De lá para cá, sem mandato e sem direitos políticos, Dirceu tornou-se um personagem anfíbio. Passou a desenvolver ao mesmo tempo a atividade de militante partidário, com influência na cúpula do PT e acesso aos altos escalões do governo, e a de “consultor” de empresas privadas. Na semana passada, a controversa face político-empresarial de José Dirceu voltou a ser exibida e expôs também o lado nebuloso do discurso petista a favor do “Estado forte”.

Uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou que Dirceu recebeu R$ 620 mil, entre 2007 e 2009, em troca de serviços de consultoria prestados ao empresário Nelson dos Santos, que tem investimentos no setor de energia e é conhecido no mercado como um intermediador de grandes negócios. Em 2005, Santos, por meio da Star Overseas Ventures,uma companhia sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, comprou por R$ 1 uma participação numa empresa falida chamada Eletronet. Constituída no fim dos anos 90, a Eletronet surgiu com 51% de suas ações em poder da americana AES e 49% em poder de empresas elétricas do grupo estatal Eletrobrás. O objetivo da associação era explorar comercialmente, fornecendo serviços de telecomunicação, o uso do principal ativo da Eletronet: o direito de uso de uma rede de 16.000 quilômetros de cabos de fibra óptica da Eletrobrás que interliga 18 Estados. Em 2003, sem conseguir competir com as empresas de telefonia privadas, a Eletronet pediu falência, deixando uma dívida com fornecedores estimada em R$ 800 milhões.

A massa falida da Eletronet voltou a despertar interesse quando o governo Lula começou a esboçar o Plano Nacional de Banda Larga, um programa para popularizar a internet de banda larga, que tem preços altos e difusão baixíssima no Brasil em relação ao resto do mundo. Ao mesmo tempo, o governo iniciou estudos para ressuscitar a Telebrás, a antiga holding estatal do setor de telefonia, com o objetivo de entregar a ela a administração do programa (leia mais na reportagem A horripilante volta da Telebrás) e da rede de cabos de fibra óptica que estava concedida à Eletronet. O R$ 1 gasto por Nelson dos Santos poderia se transformar em milhões se o Palácio do Planalto tomasse a decisão de recuperar a Eletronet da falência– hipótese que estava em estudo no governo quando Dirceu foi contratado por Nelson dos Santos no começo de 2007. No mesmo período, Dirceu começou a postar em seu blog artigos a favor da incorporação da rede da Eletronet ao programa de banda larga – embora ele diga que sua consultoria para Santos serviu apenas para análise de cenários econômicos na América Latina.

O governo afirma que Nelson dos Santos não vai lucrar nada com o Programa Nacional de Banda Larga porque desistiu da ideia de salvar a Eletronet da falência e ganhou o controle da rede de fibras ópticas graças a uma decisão tomada pela Justiça Estadual do Rio de Janeiro. A Justiça referendou o entendimento de que a rede de fibras ópticas pertence mesmo às empresas estatais do setor elétrico e estava apenas cedida, por contrato, à Eletronet. Mesmo que Santos não embolse nenhum centavo com seu “investimento” na Eletronet, o episódio revela como interesses privados tentam fazer grandes negócios à sombra do “Estado forte”, valendo-se de conexões no PT e no aparelho estatal, mantidas na mesma obscuridade das cláusulas de confidencialidade dos contratos de consultoria. Expõe também o problema existente na figura de um consultor privado que, ao mesmo tempo, participa de articulações políticas. Há um evidente conflito de interesses quando alguém dirige um partido que controla o governo e parte do Congresso e dá consultoria a empresas privadas. É muito difícil determinar até onde vai o limite da consultoria e onde começa o lobby junto ao poder”, diz o filósofo Roberto Romano, professor de ética da Universidade de Campinas (Unicamp).

Questionado por ÉPOCA se via algum problema de ética em sua dupla militância partidária-empresarial, Dirceu enviou a seguinte resposta, por e-mail: “Não há conflito ético. Dou consultoria a empresas, inclusive no exterior, sobre possibilidades de negócios em países da América Latina, não sobre questões que envolvam o governo brasileiro. Me tornei advogado e consultor depois de deixar o governo, em 2005. Por que a imprensa fala de mim, mas não fala das consultorias que são dadas por outros ex-ministros, por ex-presidentes do Banco Central ou por ex-embaixadores?”.

Apesar de Dirceu afirmar que não trabalha para empresas com interesses no governo brasileiro, o rastro de sua consultoria já foi detectado em serviços para clientes como a mineradora Vale, o bilionário mexicano Carlos Slim, dono da empresa de telefonia Claro e da Embratel, e o magnata russo Boris Berezovsky, quando ele manifestou interesse em comprar a Varig. Emilio Odebrecht, líder do grupo Odebrecht, também já foi visto no escritório de Dirceu, em São Paulo. São todos grupos cujos negócios somam cifras bilionárias e dependem do governo. Por que procuram Dirceu? Que tipo de consultoria tão preciosa ele pode oferecer para atrair clientes com interesses tão ecléticos?

Um amigo de Dirceu dá a resposta. “O Dirceu não vai ligar para o funcionário de terceiro escalão para colocar um enxerto ou mudar o dispositivo de uma medida provisória. Ele não faz esse tipo de lobby. Mas ele tem uma mercadoria muito valiosa para os empresários: informação. Ele sabe como o governo funciona e tem o mapa de quem é quem e como as coisas são decididas.” Numa entrevista à revista Playboy, em 2007, o próprio Dirceu deu pistas sobre seu método de trabalho: “No fundo, o que eu faço é isso: analiso a situação, aconselho. Se eu fizesse lobby, o presidente saberia no outro dia. Porque, no governo, quando eu dou um telefonema, modéstia à parte, é um telefonema! As empresas que trabalham comigo estão muito satisfeitas”.

Z. Guiotto...

Comentário: cansei de falar aos jornalistas "pautados" (os que só querem ouvir de quem "entrevistam" as respostas determinadas pelas redações) que o tempo era um elemento essencial nas eleições, todas as eleições. Cheguei a ficar mais de hora explicando as fontes teóricas da política, dos gregos aos nossos dias. Alguns entendiam, mas estavam pautados. Outros não entendiam, se irritavam e exigiam respostas no padrão do formulário imposto pelos seus patrões. Estes não estavam pautados, estavam pastados, como sempre, nos imensos campos da burrice brasílica. Falei em kayrós, falei em cálculo, falei. Mas sequer deram notícias das minhas falas. Alguns usaram pedaços de frase e me atribuíram tolices saídas de suas cabeças incultas e toscas. O tempo venceu para Serra e para os tucanos. Recuperá-lo é tarefa mais difícil do que a de Proust. E os tucanos não têm a maestria do escritor, nem a sua imaginação. O dogmatismo da imprensa ajudou muito os que, no pequeno abrigo do palácio dos Bandeirantes, julgam o eleitor um súdito. Erraram outra vez. Como diz Marx ao se referir aos Bourbons, a família tucana não esquece, não perdoa, não aprende. A sua maior parte (salvo alguns como FHC) só tem a arrogância dos intelectuais, não a competência analítica. RR


domingo, 28 de fevereiro de 2010

O tempo de Serra

Marcos Coimbra*

Daqui a algumas semanas, Serra terá que renunciar a seu cargo. Ou seja, vai passar os próximos seis meses enfrentando a dura tarefa de ser candidato, sem nenhum anteparo. Será que ganhou alguma coisa não o sendo desde dezembro? Será que vai ganhar algo esperando que março termine?

Quando os historiadores do futuro forem analisar as eleições presidenciais de 2010, um dos capítulos mais interessantes será o que trata do sentido de tempo do governador José Serra. Até lá, é possível que alguém já o tenha decifrado. Para quem vive o presente, no entanto, é um mistério.

Os simpatizantes mais entusiasmados de sua candidatura dizem que o compreendem. Mas são só eles. Mesmo muitos de seus correligionários têm dificuldade de entender seu comportamento na altura em que estamos.

Para quem, como ele, liderava as pesquisas desde 2007, o certo era agir do modo que agia. Embora fosse óbvio que pretendia se candidatar, não havia razão para assumi-lo tão prematuramente. Se o fizesse, tudo que dissesse, qualquer coisa que acontecesse no seu governo, cresceria de tamanho, sempre de maneira negativa. E o pior é que, em troca, a visibilidade não lhe traria qualquer benefício, por já ser bem conhecido da opinião pública nacional. Sequer a velha “falem bem ou mal, mas falem de mim” o atraía, por conseguinte.

Quando Aécio resolveu questionar a inexorabilidade da candidatura, mais ainda se justificava uma postura de cautela. Se havia dois nomes em disputa, ambos em condições de representar o PSDB na eleição, nenhum podia posar de candidato oficial. Aliás, nenhum o era.

Isso foi bom para Serra, pois permitiu que mantivesse a candidatura quieta em seu canto, protegida dos riscos da exposição antecipada. Era tão bom que muita gente chegou a pensar que estava mancomunado com Aécio, que fingia ser candidato apenas para servir de biombo para seu companheiro.

De dezembro para cá, as coisas mudaram. Quando tomou a decisão de retirar seu nome da disputa pela indicação tucana, Aécio mostrou que a candidatura não era um simples jogo de cena, uma manobra articulada com Serra. Mas ele foi além ao anunciá-la, deixando claro que aceitava a decisão de seu partido, de não escolher entre as duas opções que estavam postas. Assim fazendo, de ficar com Serra.

No cenário que vivemos desde o início do ano, é difícil entender os motivos que levam o governador de São Paulo a insistir na cautela. Dentro do PSDB, ninguém mais discute quem vai ser o candidato. No conjunto das oposições, ela só gera impaciência. Quanto ao governo, tanta prudência em nada inibe as movimentações (se não provoca o oposto) e deixa o terreno livre para o crescimento de Dilma.

Do que será que Serra imagina que se poupa ao retardar o que qualquer outro político já estaria fazendo? Apenas por hipótese, se, por exemplo, tivesse acontecido o inverso no PSDB, ele deixando a vaga para Aécio, não teríamos hoje o governador de Minas em plena campanha? Ou alguém imagina que Aécio estaria recolhido em cuidadoso silêncio? Quem tem responsabilidade de governo não pode se dedicar em tempo integral à política, mas muito se pode fazer sem ultrapassar os limites que se deve respeitar nesses casos.

Seja na discussão de um programa alternativo à proposta de continuidade que caracteriza a candidatura de Dilma, seja na procura de entendimentos políticos e com a sociedade civil, junto a movimentos sociais, segmentos organizados, grupos de interesse, há muito a fazer na construção de uma candidatura das oposições. Nada se ganha deixando tudo para depois, para uma “hora certa” que ninguém sabe qual é.

Daqui a algumas semanas, Serra terá que renunciar a seu cargo. Ou seja, vai passar os próximos seis meses enfrentando a dura tarefa de ser candidato, sem nenhum anteparo. Será que ganhou alguma coisa não o sendo desde dezembro? Será que vai ganhar algo esperando que março termine?

Por enquanto, sua cautela só tem uma consequência: manter uma dúvida sempre no ar, sobre se vai mesmo ser candidato ou não. Uma incerteza que, a crer na imprensa de São Paulo, contagia seu partido. Não foi em um dos principais jornais do estado que lemos, outro dia, que o PSDB faz “tentativa para tornar irreversível a candidatura de Serra”? Contra quem é preciso fazer essa “tentativa”? Se não é contra o PSDB e os partidos de oposição, nem contra o PT e o governo (que nada têm a ver com isso), contra quem seria? Contra o próprio Serra?
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*Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

marcoscoimbra.df@dabr.com.br
Fonte: Correio Braziliense online, 28/02/2010

Gazeta do Povo 28/02/2010

Domingo, 28/02/2010

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Eleições 2010

O naufrágio da ética

Mensalões do PT, PSDB e DEM devem enfraquecer o debate sobre corrupção na campanha presidencial. Partidos vão evitar discussões sobre o tema

Publicado em 28/02/2010 | André Gonçalves, correspondente

Brasília - Cenas de políticos com dinheiro nas meias ou rezando para agradecer o recebimento de propina podem até chocar o eleitor, mas devem ficar de fora do debate presidencial de 2010. A oito meses das eleições, partidos governistas e de oposição dão sinais de que vão manter a ética bem distante dos principais temas de campanha. A tendência é que o assunto só receba destaque se for puxado pela sociedade.

O efeito foi provocado pelo escândalo no Distrito Federal. A divulgação do mensalão do DEM, em novembro do ano passado, teve o efeito de um gol de empate no final do segundo tempo em uma partida para definir quem tem menos ética na política brasileira. Desdobramentos como a prisão do governador José Roberto Arruda e a renúncia forçada do vice Paulo Octávio (ambos eleitos pelo DEM) tiraram da oposição ao presidente Lula a credibilidade para criticar os desleixos do PT no mensalão do governo federal, de 2005. Do mesmo modo, o PSDB também enfrenta denúncias de ter criado um esquema nos mesmos moldes do mensalão petista quando o senador tucano Eduardo Azeredo era governador de Minas Gerais, em 1998.

Jamil Bittar / Reuters

Jamil Bittar / Reuters / Dirceu: “chefe” do esquema petista Ampliar imagem

Dirceu: “chefe” do esquema petista

Partidos lidam com escândalos de forma diversa

Apesar da similaridade nos escândalos internos, PT, PSDB e DEM têm adotado estratégias diferentes na maneira de tratar os envolvidos. No calor da crise, os democratas dissolveram o diretório do Distrito Federal na semana passada e, ainda que tardiamente, pressionaram o governador José Roberto Arruda e o vice Paulo Octávio a deixar a legenda.

Leia a matéria completa

“Qualquer ataque, de ambos os lados, será difícil de ser sustentado”, afirma a cientista política Maria do Socorro Braga, da Universidade de São Paulo (USP). Para o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade de Campinas (Unicamp), Roberto Romano, o tema está saturado e terá baixa influência na decisão de voto. Em uma análise histórica, ele explica que a sociedade brasileira está cansada de ver os políticos tratarem o assunto com “falso moralismo”.

“Ao mesmo tempo em que não aguenta mais a corrupção, o eleitor não aceita o discurso do sujeito que se apresenta como campeão da moral”, afirma Romano. Ele cita que a falta de ética tem sido abordada da mesma maneira na política desde a Era Vargas, quando a UDN pregava o fim do “mar de lama” no governo, na década de 1950. Em 1960, Jânio Quadros foi eleito presidente tendo como símbolo uma vassoura que iria varrer a “bandalheira” da política nacional.

Discurso similar foi usado pelos militares no golpe de 1964 e por Fernando Collor de Melo, o “caçador de marajás”, em 1989. A integridade ética também foi usada por Lula e pelo PT na canpanha de 2002. Quatro anos depois, o bloco PSDB/DEM/PPS levantou a mesma bandeira, denunciando o mensalão do PT, mas não obteve sucesso eleitoral. “Do ponto de vista da propaganda política no Brasil, a ética tornou-se um conceito que não funciona mais.”

Apesar do cenário pouco animador, organizações como o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) prometem não deixar o tema esfriar. Na semana passada, o grupo, que reúne 44 entidades de todo o país, reforçou a campanha pela ficha limpa dos candidatos. Eles entregaram mais 77 mil assinaturas favoráveis ao Projeto de Lei 518/2009, que pretende proibir a candidatura de políticos com condenação na Justiça. Ao todo, a proposta conta com o apoio formal de 1,6 milhão de brasileiros.

“Os candidatos podem até fugir do debate sobre ética, mas o assunto continua sendo um clamor da sociedade”, diz o diretor do MCCE, Carlos Moura. Para ele, é importante que o Congresso Nacional se esforce para aprovar a proposta ainda em 2010 – embora o texto só passe a valer para as eleições municipais de 2012. O feito seria uma maneira de os parlamentares que buscam a reeleição mostrarem preocupação com o tema.

Apesar do empenho do movimento para aprovar o projeto da ficha limpa, o histórico de deputados e senadores deixa claro que haverá resistências. Quando o texto foi apresentado, no ano passado, outras dez propostas similares estavam engavetadas no Senado e na Câmara. A mais antiga é de 1993 e está pronta para ser votada no plenário da Câmara desde novembro de 2001. Além disso, até novembro de 2009, 129 deputados e 21 senadores era alvos de processos no Supremo Tribunal Federal.


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Nesta reportagem, no mesmo jornal, digo a mesma coisa. Ou seja, o brasileiro está cansado de salvadores morais e moralistas. A coisa continua a mesma: hipocrisia, mentira, safadez, todas disfarçadas de luta pela moralidade, contra a corrupção... RR


Vida e Cidadania

Domingo, 28/02/2010

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Ética na política

Corrupto desde o nascimento

Corrupção no Brasil existe desde que o rei de Portugal decidiu povoar a colônia, no século 16

Publicado em 08/03/2009 | André Gonçalves, correspondente de Brasília

Passavam-se apenas 48 anos do descobrimento do Brasil quando o então rei de Portugal, dom João III, resolveu colocar ordem na Colônia. Mandou construir uma capital, Salvador, e selecionou pessoas para implantar um novo sistema de administração. Começava a longa sina de corrupção do país, que explodiu com a chegada da família real, no século 19, e permanece enraizada até hoje.

O primeiro ouvidor-geral do Brasil (cargo equivalente hoje ao de ministro da Justiça), Pero Borges, desembarcou na Bahia em 1548, um ano depois de ter sido condenado por desviar dinheiro de uma obra no aqueduto do Alentejo. Em teoria, teria de devolver todo o dinheiro extraviado da Coroa e ficar suspenso do serviço público por três anos. Em vez disso, assumiu um posto-chave na principal colônia portuguesa, recebeu a promessa de voltar à Europa como desembargador e sua mulher ainda foi agraciada, enquanto o marido estivesse no Brasil, com uma pensão de 40 mil reais mensais – a moeda da época tinha o mesmo nome da hoje usada no país.

Salvador foi construída graças ao investimento de um terço do orçamento da Coroa, equivalente a 400 milhões de reais. Estima-se que pelo menos 160 milhões de reais foram desviados, graças a problemas bem conhecidos nos dias de hoje, como superfaturamento das obras e licitações com cartas marcadas. O primeiro provedor-mor (ministro da Fazenda) do país, Antonio Cardoso de Barros, teria construído um engenho de açúcar para si só com dinheiro desviado.

Essas e outras histórias estão no livro A Coroa, a Cruz e a Espada, do escritor gaúcho Eduardo Bueno. “Nosso modelo de corrupção está totalmente arraigado em nossas raízes ibéricas. Estamos falando de um conceito totalmente diferente do aplicado nos Estados Unidos, no Japão, onde muitas vezes a única saída para o corrupto é o suicídio”, diz Bueno.

No Brasil, segundo ele, difundiu-se a cultura de que a corrupção deve ser premiada. “Foi o caso de Pero Borges. Mas depois apareceram outros como o Mem de Sá (terceiro governador-geral do Brasil, entre 1558 e 1569), que lançou a política do ‘rouba, mas faz’. Não parece uma notícia de um jornal de hoje?”, questiona Bueno.

De mau governante em mau governante, a corrupção explodiu 250 anos depois. No livro 1808, o escritor Laurentino Gomes descreve a passagem da corte de dom João VI pelo Brasil como o período mais corrupto da história do país. “A nobreza portuguesa chegou ao Brasil muito pobre, precisava de dinheiro, casas, apoio político. Já a Colônia era rica, porém plebeia, e queria poder”, descreve ele.

Nos oito anos seguintes à chegada, o rei distribuiu mais títulos de nobreza entre os brasileiros do que nos cinco séculos anteriores em Portugal. Os colonos concederam imóveis, doaram dinheiro, tornaram-se acionistas do Banco do Brasil. Além do direito de se incorporar à Corte, ganharam em troca todo tipo de privilégio em negócios públicos.

Segundo relatos do historiador inglês John Luccock, qualquer saque de dinheiro no Tesouro Real envolvia uma propina de 17%. O responsável pelos provimentos do rei, Joaquim José de Azevedo (o Visconde do Rio Seco), teria praticado tantos desvios que, enfim, recebeu uma punição. Foi proibido de desembarcar em Portugal – no Brasil, porém, seguia próspero e influente.

“Tivemos uma monarquia amparada na prática de concessão de favores e que, em troca, ficava encarregada de prover a vida do cidadão. Mudaram as oligarquias, mas esse é o tipo de patronato que existe até hoje”, diz Laurentino Gomes.

Superados os períodos da Colônia, Império e da República Velha, a indignação com a corrupção só entrou na agenda da sociedade a partir da década de 50 do século passado. A mobilização popular contra o “mar de lama” do governo Getúlio Vargas levou o presidente ao suicídio em 1954. Começava a fase em que se posicionar contra a corrupção rendia votos.

Embalado pelo jingle “Varre, varre, vassourinha”, Jânio Quadros chegou à Presidência em 1960. Renunciou oito meses depois e, em 1964, o golpe militar acabou com qualquer manifestação de combate à corrupção. Em 1989, Fernando Collor, o “caçador de marajás”, usou a mesma receita para conquistar o poder. “Foram experiências muito ruins, que levaram o povo a acreditar ainda menos no combate à corrupção”, diz o professor de Ética e Filosofia Política Roberto Romano, da Universidade de Campinas (Unicamp).

O histórico de impotência, entretanto, começa a ser revertido graças a ações da sociedade civil organizada. O diretor da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco, ressalta que o binômio imprensa e participação popular provocou vitórias recentes que podem ser consideradas como um marco no combate à corrupção e ao desperdício do dinheiro público. Em 2006, a revolta contra o aumento de 92% no salário de deputados e senadores foi tanta que eles tiveram de rever a decisão. O mesmo aconteceu com a proposta que criava 7,5 mil novas vagas de vereadores em todo o país, emperrada desde dezembro do no ano passado no Congresso.

“Temos um histórico de corrupção que tem mais de 500 anos. Não é uma coisa que vai ser revertida de uma hora para outra. Mas é inegável que existe uma luz no fim do túnel”, afirma Castelo Branco.



sábado, 27 de fevereiro de 2010

Blog do Pannunzio...

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(Blog do Pannunzio) 30 de agosto de 1999. Lucas Marques Gomes é enterrado numa cova simples do cemitério da Costa Verde, em Várzea Grande, Mato Grosso.

30 de setembro de 1999. Um mês depois de enterrado, Lucas Marques Gomes constitui uma empresa, a LM Gomes Gráfica. É o primero passo para que o cadáver ganhe uma “licitação” e passe a fornecer serviços para a Assembléia Legislativa de Mato Grosso.

No comando da Assembléia, o deputado José Geraldo Riva passa a mandar emitir cheques e a pagar religiosamente os “serviços” prestados pela gráfica do cadáver de Lucas na antevéspera do Natal, pouco antes da morte do prestador de serviço completar cinco meses. O valor do primeiro pagamento é de R$ 7 mil.

Daí em diante foram emitidos mais 65 cheques. Somados, os “serviços” prestados pelo morto chegaram a R$ 3,74 milhões. A maior parte dos saques foi feita na boca do caixa.

Os cheques compensados, invariavelmente, faziam uma escala em uma factoring muito conhecida pelos políticos matogrossenses. A empresa pertencia a um homem que era adulado pela politicalha cuiabana, que dela se valia para esquentar o dinheiro amealhado na corrupção. Pertencia a um dos maiores capos da máfia que controlava o tráfico de drogas, o jogo do bicho, o tráfico de armas no Centro-Oeste brasileiro. O nome dele é Arcanjo Ribeiro. Mas políticos como o deputado Riva, que pagava os serviços do morto, costumavam chamá-lo de Comendador, tamanha era a sua importância nas hostes matogrossenses.

O fantasma de Lucas e as empresas do Comendador Arcanjo eram peças centrais de um dos maiores esquemas de corrupção já montados no país. A máquina de desviar dinheiro, engendrada e mantida pelo poderoso José Geraldo Riva, constituia o “modus operandi” da quadrilha comandada pelo ainda presidente da AL/MT.

O impressionante é que, apesar de ter seu know-how desvendado pelo Ministério Público, Riva e seus comparsas conseguiram sobreviver a 118 processos, às ações do severo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, às sentenças que já os condenaram quatro vezes.

Apesar de ter tido os direitos políticos cassados, de estar inelegível, de ter uma parte de seu vasto patrimônio tornada indisponível, de sequer poder assinar cheques emitidos pela Casa Legislativa que preside, Riva ainda é o político mais bajulado e poderoso de Mato Grosso.

O esquema para mantê-lo impune teve a participação efetiva de pelo menos quatro desembargadores, responsáveis pela construção de um couraça judicial que, até a semana passada, funcionava com um relógio.

Dois desses desembargadores foram cassados pelo CNJ. Outros dois serão igualmente premiados com a aposentadoria compulsória nas próximas semanas.

É o começo do fim da Era Riva, que o Ministério Público espera ver enjaulado brevemente — e pelos mesmo motivos que brindaram o governador José Roberto Arruda, da DF , com o status de presidiário.

A partir de hoje o Blog vai fazer uma série de matérias com o objetivo de desvelar a quadrilha chefiada por Riva. Você vai poder entender como esse tipo de tumor político produz metástases que se terminam por contaminar todo o sistema que deveria proteger a sociedade


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Generacion Y

Ganas de gritar

gato

La vida nunca vuelve a la normalidad. No retorna a ese momento antes de la tragedia que ahora –ilusoriamente- evocamos como un período de calma. Abro la agenda, intento reanudar mi vida, el blog, los mensajes en Twitter… pero nada me sale. Estos últimos días han sido demasiado intensos. Sólo tengo cabeza para repasar el rostro en penumbras de Reina Tamayo frente al necrocomio, donde preparó y vistió a su hijo para el viaje más largo. Después, se me apilan las imágenes del miércoles: detenciones, golpes, violencia, un calabozo con peste a orine que colindaba con otro donde Eugenio Leal y Ricardo Santiago exigían sus derechos. El resto del tiempo ha sido caminar como un maniquí, mirar sin ver, teclear con furia.

Así no hay quien escriba una línea coherente y moderada. Tengo tantas ganas de gritar, pero me quedé ronca el 24 de febrero

Pago uma dose de 51 se o perito não for um "companheiro".

Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

27/02/2010 - 07h36

Manchete dos jornais: Barbosa vê conduta "inusitada" de perito do mensalão

O Globo

Joaquim Barbosa denuncia conduta ‘inusitada’ de perito do mensalão do PT

O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo que investiga o mensalão do PT no Supremo Tribunal Federal (STF), enviou para a corregedoria da Polícia Federal um documento denunciando o comportamento “inusitado” do Instituto Nacional de Criminalística (INC) no caso. Segundo o ministro, o policial responsável por periciar as provas estaria criando obstáculos desnecessários para concluir o trabalho, atrasando o andamento da investigação. O nome do perito não foi citado no despacho. Se a corregedoria concordar com Barbosa, poderá abrir uma investigação disciplinar contra o servidor.

Para concluir uma das perícias pedidas, o INC solicitou ao Supremo notas fiscais emitidas por uma empresa para o Banco do Brasil, junto com a descrição dos produtos adquiridos ou serviços prestados. O ministro pediu informações detalhadas ao Banco do Brasil, que respondeu à Corte. Em seguida, o INC enviou um ofício ao STF pedindo a mesma informação de forma mais detalhada, incluindo a logomarca da empresa e mais provas de que o banco necessitava dos produtos adquiridos. O ministro considerou o fato estranho. No despacho remetido ao instituto, demonstrou impaciência.

“Diante do inusitado quadro, oficie-se ao INC para que conclua a perícia solicitada ou justifique, fundamentadamente, a real pertinência e necessidade de mais essa documentação complementar, tendo em vista, sobretudo, o fato de que a solicitação de documentação feita inicialmente, apesar de estranha, já foi atendida.

O artigo é benevolente para com o governante brasileiro. O nome certo é cúmplice de assassinato, em primeiro grau.

27/02/2010

Opinião: As contradições de Lula

El País
Fernando Gualdoni

A morte do dissidente cubano Orlando Zapata poucas horas antes da chegada de Luiz Inácio Lula da Silva a Havana deixou patentes as contradições da diplomacia brasileira na hora de pressionar, como potência regional que é, a favor da proteção dos direitos humanos ou das liberdades civis. Lula foi capaz de fechar suculentos acordos comerciais com Havana e ao mesmo tempo ignorar o pedido da dissidência para interceder junto aos irmãos Castro - "Lula faz negócios sobre os cadáveres", dizia ontem uma tribuna do jornal "O Estado de S. Paulo". O mesmo ocorre com a Venezuela, onde a influência que Lula exerce sobre Chávez nunca serviu para aliviar a situação da oposição em Caracas. Brasília gritou devido à permissividade da Colômbia para o uso de suas bases aéreas por parte dos EUA, mas nada disse sobre a iminente compra de armas russas pela Venezuela.

No recente conflito em Honduras, Brasília teve a primeira oportunidade de demonstrar sua influência fora da América do Sul. Mas a crise saiu do ponto morto depois da intervenção dos EUA. No Haiti, as tropas brasileiras têm o comando da primeira missão da ONU a cargo de forças latino-americanas. Mas depois do terremoto foi a Casa Branca que mobilizou milhares de soldados para organizar a chegada da ajuda humanitária. Por enquanto, os resultados da política externa brasileira se destacam mais pelos empréstimos do banco de desenvolvimento BNDES ou pelos investimentos da Petrobras e da construtora Odebrecht do que pela defesa das liberdades na América Latina.

Cuba é uma grande oportunidade para Brasília demonstrar sua liderança regional à margem das ideologias e para "projetar na atuação internacional do Brasil a confiança no potencial transformador da sociedade democrática", como diz o assessor especial de Assuntos Internacionais da presidência brasileira, Marcel Fortuna Biato, em um artigo publicado em outubro na revista "Política Exterior". "Em um mundo que abandona antigos paradigmas econômicos e quebra mitos ideológicos, reforçar a confiança e dissolver os receios, atrever-se a criar novos vínculos de interesse e vantagem mútuos, sobretudo com países vizinhos, deve ser o eixo da política externa brasileira. Chamamos isso de 'paciência estratégica'", explica Fortuna Biato.

Depois de uma visita de Lula a Havana no início de 2008, o analista político do jornal "Folha de S.Paulo" Kennedy Alencar adiantou que os Castro tinham escolhido o Brasil para ajudá-los a melhorar as relações com Washington e, se fosse o caso, para ajudar o regime na hora de empreender mudanças políticas e econômicas. Em troca, Lula pediu a Raúl uma maior abertura política para demonstrar ao mundo que Havana estava disposta a fazer uma verdadeira transição democrática, e não só reproduzir o modelo chinês - abertura econômica sob um férreo controle político. Mas Lula chegou na quarta-feira a Cuba mais interessado no comércio do que nos direitos civis.

Além de ser membro de todos os clubes das potências emergentes - o G20 e os BRIC (junto com Rússia, Índia e China) - e de ter exercido um papel chave para evitar que o sangue chegasse ao rio no confronto entre Venezuela e Colômbia e no conflito civil boliviano, o Brasil tem outra oportunidade de consolidar sua liderança mundial com a crise iraniana. Pode pressionar Teerã para que seja transparente no que se refere ao desenvolvimento do programa nuclear. Até agora Brasília se escudou na "não ingerência" nos assuntos de outro Estado soberano. A cautela pode ser compreensível, mas Lula deveria ter em mente que sobre o ministro da Defesa do governo iraniano, Ahmad Vahidi, pesa uma ordem de captura da Interpol solicitada pela Argentina, o principal parceiro comercial do Brasil no Cone Sul, por sua suposta participação no atentado contra a mutual judia em Buenos Aires em 1994, no qual morreram 85 pessoas. A "paciência estratégica" tem suas contradições.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Uma entrevista "antiga" sobre um fato "antigo" na Gazeta do Povo, Curitiba.

PARLAMENTARES/Entrevista: Roberto Romano, doutor em Filosofia e professor de Ética e Política
RHODRIGO DEDA

Doutor em Filosofia pela Universidade Sorbonne de Paris (na verdade, pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, RR) e professor de Ética e Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Roberto Romano afirma que quando uma autoridade pública desrespeita leis, seu mandato perde a legitimidade. Em entrevista à Gazeta do Povo, Romano comentou o caso do acidente de carro envolvendo o deputado Fernando Ribas Carli Filho (PSB), que resultou na morte de dois jovens. Para Romano, autoridades dos três Poderes não podem ser inconsequentes e devem dar exemplo de comportamento social.

O deputado Carli Filho dirigia com a carteira cassada, tinha 30 multas de trânsito, 23 delas por estar em velocidade acima do permitido na via. Como o senhor vê essa situação?

Ele (Fernando Ribas Carli Filho), como um legislador, deveria ter um respeito maior à lei do que um cidadão comum. Pois, uma vez no Poder Legislativo, o deputado está investido da soberania popular. Ele representa a soberania popular. Portanto, o que lhe dá autoridade, do ponto de vista jurídico, ético e legal é o fato de obedecer à lei que ele mesmo representa. Se o deputado não obedece à lei, perde a legitimidade.

Qual conduta deve ter na vida privada um político eleito?

O mandato é legítimo de duas formas. Em primeiro lugar, se a eleição for feita sem irregularidades – sem fraude ou compra de votos. E em segundo, se houver o exercício correto do mandato. Então você pode ter um legislador com mandato legítimo, mas que não faz jus ao cargo que exerce. Por isso, você tem a exigência da ética e do decoro parlamentar. Essas exigências não são restritas apenas ao comportamento dos parlamentares dentro do Poder Legislativo, mas devem ser desenvolvidas em toda a vida pública.

Então, na sua opinião, as ações de um deputado na vida privada podem levar à cassação?

Exatamente. O maior autor de ética no Ocidente, que é Baruch Spinoza, em seu “Tratado Político”, diz que quando um legislador ou um governante procedem publicamente de maneira vergonhosa, perdem o respeito da população, e, por consequência, perdem sua legitimidade no cargo.

O deputado Carli Filho, por esse argumento, poderia ser cassado por quebra de decoro parlamentar?

Sim. O princípio fundamental é que todos são cidadãos quando obedecem à legislação. Com maior razão ainda, isso vale para aquele que legisla. Não é porque foi eleito que não precisa seguir a lei. Ele não é legislador apenas no recinto em que funciona o Poder Legislativo. É legislador por delegação da sociedade e diante dela. Se o cidadão comum, quando comete uma infração de trânsito recebe uma multa, quando ultrapassa seus pontos na carteira perde seu direito de dirigir, com maior razão ainda isso deve acontecer com um deputado. Sem obediência universal à lei não existe república, democracia ou Estado de Direito.
Qual é sua posição sobre o foro privilegiado de autoridades?

Nós temos uma classe política que, devido ao privilégio de foro, acredita não ter o dever de prestar contas ao povo do que faz. O foro privilegiado, como diz o próprio ministro do STF Joaquim Barbosa, é uma monstruosidade jurídica. Não existe república com foro privilegiado. Uma coisa é a imunidade parlamentar – que é um instrumento que garante às minorias no parlamento criticar os atos do governo – e outra, é a imunidade para delinquir. Não há imunidade para delinquir, mas sim para analisar as contas do governo, criticar as posições ideológicas do governo. Isso sim é imunidade parlamentar.

Que consequências o fato de políticos transgredirem a lei pode trazer ao comportamento da população?

O legislador é por excelência, o modelo do comportamento desejável para a sociedade. Se ele não segue a lei, ela é nula e perde a sua característica de fé pública. Se você não acredita na fala e no comportamento de um deputado, vai acreditar na fala de quem?

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Insistindo...


Redação Terra

Novo mensalão impede discurso ético nas eleições, diz professor

Notícias

Roberto Romano, da Unicamp, diz que corrupção no DF deixa partidos sem poder falar em ética na campanha de 2010

16:0425/02/2010 às 18:58exibições: 6994 Votos

Descrição

Roberto Romano, da Unicamp, diz que corrupção no DF deixa partidos sem

Não gosto da Isto É, por motivos muito concretos. Mas vale a pena ler a notícia abaixo, faz pensar...

26/02/2010 - 17h14

Dinheiro público bancou mensalão e contas do Fórum Social Mundial, diz revista

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Relatório final do mensalão

  • Revista IstoÉ desta semana diz ex-prefeito de BH Fernando Pimentel foi operador de esquema de remessa de dinheiro público para o exterior

    Revista "IstoÉ" desta semana diz ex-prefeito de BH Fernando Pimentel foi operador de esquema de remessa de dinheiro público para o exterior

Atualizado às 18h00

O mensalão, suposto esquema de compra de apoio político denunciado em 2005, recebeu recursos da Prefeitura de Belo Horizonte por intermédio do então prefeito Fernando Pimentel (PT) e do Banco do Brasil. A informação é da revista “IstoÉ”, distribuída nesta sexta-feira (26), que teve acesso ao processo no STF (Supremo Tribunal Federal), a ser analisado pelo ministro Joaquim Barbosa.

Procurado pelo UOL Notícias, Pimentel se comprometeu por volta das 15h45 a falar com a reportagem 10 minutos depois, mas não tinha voltado a atender o celular até as 18h, horário da última tentativa de contato.

Ele é cogitado para ser coordenador da provável campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e disputa no campo governista para ser candidato ao governo de Minas Gerais, tendo como adversários os ministros Hélio Costa (PMDB, Comunicações) e Patrus Ananias (PT, Desenvolvimento Social).

Além do financiamento de políticos da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o inquérito também aponta a entrega de R$ 1 milhão à organização do Fórum Social Mundial para pagar o que um membro do PT gaúcho chamou de “dívidas históricas” do evento, nascido para se contrapor ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Chico Whitaker, da ONG Justiça e Paz e indicado como porta-voz da organização do Fórum, negou recebimento de dinheiro de qualquer partido político. Segundo ele, a edição de 2005, em Porto Alegre, deixou dívidas que foram pagas apenas por entidades não governamentais que integram o próprio Fórum. "Por príncipio, não recebemos dinheiro de partido nem de grupos que incentivam a violência", afirmou. De acordo com ele, o grupo vai preparar um comunicado por conta das acusações.

De acordo com a publicação, Pimentel remeteu ao exterior recursos que acabaram usados para pagar dívidas do PT com o marqueteiro Duda Mendonça. O ex-prefeito da capital mineira teria relações com o empresário Glauco Diniz Duarte e com o contador Alexandre Vianna de Aguilar, que enviaram ilegalmente, segundo o Ministério Público Federal, cerca de US$ 80 milhões aos EUA.

Desses, US$ 30 milhões teriam sido depositados nas contas da empresa Gedex International, de propriedade de Diniz. Esse dinheiro teria origem, de acordo com o Ministério Público mineiro, no superfaturamento de um contrato assinado por Pimentel com a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) para instalar um circuito de câmaras nas ruas da cidade. Na época, diz a revista, Diniz dirigia a CDL.

Em depoimento à CPI instaurada para investigar o caso na época, Mendonça admitiu ter uma conta com R$ 10 milhões não declarados nos EUA, enviados pelo PT.

Também de acordo com a revista, uma funcionária do Banco do Brasil informou desvio de R$ 60 milhões em verbas que seriam usadas para uma campanha publicitária – nunca realizada - do banco e do produto Visa Electron.

A agência contratada foi a DNA, de propriedade do empresário Marcos Valério, tido como operador do mensalão petista e do similar tucano, engendrado anos antes na campanha ao governo estadual do hoje senador Eduardo Azeredo. A assessoria de imprensa do banco informou que a empresa ainda não tem posição sobre o assunto.

Para que os militantes do Psol e de outras seitas para-petistas tenham o que dizer...


Programação do Evento

8h30 - Recepção
9h - Abertura Oficial: Min. Helio Costa
Palestra Especial: Roberto Civita

9h30 -
Painel de Abertura: Liberdade de Expressão: Cenários, Tendências e Práticas na América Latina
Exposições: Adrián Ventura (Argentina), Carlos Vera (Equador) e Marcel Granier (Venezuela)
Mediador: Marcelo Rech

11h -
2º Painel - Ameaças à Democracia no Brasil
Exposições: Demétrio Magnoli e Denis Rosenfield
Mediador: Tonico Ferreira

12h:30 - Intervalo para o Almoço
13h30 - Recepção

14h - 3º Painel - Restrições à Liberdade de Expressão
Exposições: Arnaldo Jabor, Carlos Alberto Di Franco, Sidnei Basile
Mediador: Luis Erlanger

15h30 - Intervalo

16h - 4º Painel - Liberdade de Expressão e Estado Democrático de Direito
Exposições: Marcelo Madureira, Reinaldo Azevedo, Roberto Romano
Mediador: William Waack

17h30 - Painel - Especial de Encerramento: Democracia e Liberdade de Expressão
Exposições: Dep.Fernando Gabeira, Dep. Miro Teixeira e Otávio Frias Filho
Mediador: Carlos Alberto Sardenberg.

19h - Conclusões Finais
Amaury de Souza


Libération.

Monde 25/02/2010 à 00h00

«Le régime cubain s’acharne sur ceux qui se battent pour leurs droits»

Interview

L’exilé Jacobo Machover réagit à la mort, après 85 jours de grève de la faim, du détenu Orlando Zapata.

Réagir

Par MARC SEMO

Orlando Zapata (2e G), mort en prison d'une grève de la faim, en compagnie d'autres dissidents,

Orlando Zapata (2e G), mort en prison d'une grève de la faim, en compagnie d'autres dissidents, devant le drapeau cubain, le 11 mars 2003 à La Havane (AFP Adalberto Roque)

Il est mort après 85 jours de grève de la faim pour protester contre ses conditions de détention. Ex-maçon, Orlando Zapata, 42 ans, était l’un des 65 «prisonniers de conscience» cubains adoptés par Amnesty International. Les militants des droits de l’homme dénoncent «un assassinat prémédité». Le prisonnier a en effet été transporté à l’hôpital pénitentiaire il y a quelques jours alors que son état était déjà désespéré. Exilé cubain et universitaire à Avignon, Jacobo Machover, auteur de Cuba, mémoire d’un naufrage (Buchet-Chastel), analyse la politique répressive du régime.

Les autorités de La Havane ont-elles délibérément laissé mourir Zapata ?

Je ne crois pas que Raúl et Fidel Castro soient réellement enchantés de cette fin tragique, qui rappelle celle de Pedro Luis Boitel en 1974, devenu un symbole de la lutte des prisonniers politiques après sa grève de la faim jusqu’à la mort. Aujourd’hui, il y a une attention beaucoup plus grande des médias sur ce qui se passe dans les geôles d’un régime qui ne fait plus illusion en Occident. Notamment depuis «le printemps noir» de 2003 et la rafle de 75 intellectuels dissidents et militants des droits de l’homme, pour la plupart condamnés à des peines très lourdes.

Le plus connu, Raúl Rivero, avait écopé de vingt ans de prison mais il a été remis en liberté au bout de dix-huit mois sous la pression internationale. Une cinquantaine d’autres sont toujours incarcérés, dont Orlando Zapata. Il avait été condamné à trois ans. Parce qu’il refusait d’accepter les humiliations et était considéré comme une forte tête, sa peine a été peu à peu alourdie, allant jusqu’à trente-six ans, sur simple décision administrative. Cela est fréquent et, souvent, les détenus ne savent même pas que leur peine a été prolongée.

Quelles sont les raisons de cette intransigeance ?

Dans la rhétorique de Fidel et Raúl Castro, les opposants incarcérés sont nécessairement des agents de l’étranger et des mercenaires. Il faut continuer la guerre contre eux, même une fois qu’ils sont derrière les barreaux. Jusqu’à les briser par les humiliations et les tortures. Dans le passé, il y a eu des mouvements collectifs de grèves de la faim dans les prisons mais ils se sont fracassés sur l’intransigeance des autorités. Maintenant, le plus souvent, ce sont des actions individuelles. Pourtant, les prisonniers qui se lancent savent très bien que le régime s’acharne avant tout sur ceux qui se battent pour leurs droits. D’où l’inquiétude pour deux détenus à la santé déjà affaiblie : les journalistes indépendants Ricardo González, condamné à vingt ans, et Normando Hernandez qui a déjà fait plusieurs grèves de la faim.

Ces grèves ont-elles un écho dans le pays ?

Les Cubains ne savent pas ou très peu ce qui se passe dans les prisons. Certes il y a les manifestations des «dames en blanc» - mères, épouses ou sœurs - des prisonniers politiques qui défilent tous les dimanches à La Havane pour attirer l’attention sur le sort de leurs proches. Mais l’écho en reste limité. Pour s’informer, les Cubains ne peuvent pas compter sur Internet dont l’accès est encore plus limité qu’en Chine. Même si le gouvernement de Raúl Castro a finalement autorisé la vente d’ordinateurs, ceux-ci ne permettent pas de surfer. Pour s’informer sur le sort des prisonniers, il y a les radios de l’émigration mais leur écoute est dangereuse… à la merci d’une dénonciation.

Que pensez-vous de l’attitude de la communauté internationale ?

Le silence des dirigeants latino-américains est une complicité assumée. On l’a encore vu lors de leur sommet à Cancún (Mexique) ces derniers jours, où aucun d’entre-eux n’a évoqué la mort de Zapata. Cela n’est guère étonnant de la part de Hugo Chávez, qui se veut un frère d’arme des Castro et qui tente d’imposer dans son pays un régime similaire. Mais le président brésilien, Lula, a eu une attitude identique et, en visite à La Havane hier, il a même refusé de rencontrer les familles des détenus politiques. Fidel Castro reste à leurs yeux le symbole de la lutte contre l’impérialisme américain.

Mais même l’Europe est timorée et en premier lieu l’Espagne, à qui les Vingt-Sept ont depuis des années délégué les relations avec La Havane. Certains ex-pays de l’Est, à commencer par la République tchèque et la Pologne, avaient pourtant entraîné les Européens vers un peu plus de fermeté. En 2003, après le «printemps noir», des sanctions symboliques avaient été prises mais elles ont été depuis levées et l’Espagne, qui occupe ce semestre la présidence de l’Union, espère même faire en sorte que les aides de l’UE ne soient plus conditionnées à des améliorations sur le terrain des droits de l’homme.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

It´s about nothing, com minha concordância.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Paris – a Hilton, Conar e o falso moralismo brasileiro






Antes de começar este texto vou estabelecer algumas explicações: não sou puritano (se fosse também, não teria problema – mesmo que um Salomon Kane na vida. Tal fato não invalidaria meus argumentos), não gosto de cerveja e não a bebo, na realidade não bebo bebidas alcoolicas (embora não odeie que o faz – moderadamente – não acho bêbados legais e engraçados, mas tristes, fracos e patéticos) e por fim não tenho nada contra pessoas como Paris Hilton, embora esta seja uma notória "devassa" e fútil, Hilton é um produto da indústria da sub cultura, do sub entretenimento e do sub jornalismo.
Propagandas de cerveja são acéfalas e repugnantes desde sempre. Propagandas brasileiras são um porre: sentimentais em bancos, “engraçadas” com produtos de limpeza e carros e eróticas em cervejas e chinelos. O Conar entrou com duas representações contra a propaganda e uma destas entidades de direito das mulheres também, com aquela ladainha de sempre: denigre a imagem da mulher e blá, blá, blá. Há uma semana tínhamos dúzias de mulheres nuas (nuas mesmo) em avenidas, trios elétricos e ruas – Mas aí é carnaval, Marcos, seu babaca! Pode e que discurso estranho, você não é chegado? – Diriam alguns, claro. Reproduzindo o puro argumento cafajeste.
Tempos atrás, creio que em 2006 ou 2008, que seja, uma propaganda de cerveja (Skol eu acho) comparou homens com ratos de laboratório. A propaganda era assim: um grupo de mulheres assistia a um documentário na TV onde mostrava ratos tomando choques na tentiva de pegar um pedaço de queijo, insistindo e tomando mais choques. Tudo ao som de um narrador que explicava o “experimento”, uma mulher exclama: “Que animal burro!” Na cena seguinte um grupo de rapazes tomava choques toda a vez que tentavam pegar uma cerveja na geladeira e tal como os ratos do experimento continuavam a tentativa. Pois, bem não houve um ‘a’ do Conar ou de qualquer órgão, pessoa ou entidade. Outras propagandas de cerveja claramente ligam o produto com sexo, tinha até uma atriz global que era a “boa”, mas para o Conar, tudo bem, vamos andando.
Canais de televisões pagas após a 0:00h (vários mesmo – rede Cinemax, rede telecine –estes últimos canais do grupo Globosat) colocam filmes e programas pornográficos que vão desde o que os americanos chamam de softporn até a pornografia explícita (este fato já foi denunciado reiteradamente no blog do professor Roberto Romano – como resposta da Net ouviu que poderia bloquear os canais - que ele paga, depois fazemos piadas de portugueses). Mais de uma vez liguei a tv com pessoas em casa e estava passando um filme destes, fiquei com vergonha em todas, a regra agora é esta: não ligo a tv com pessoas em casa depois da 0:00h para não passar por constrangimentos que a operadora de TV paga proporciona. Quer assistir filmes eróticos, assine os canais propícios ou um pay-per-view. Mas o até agora nenhum juiz ou entidade se manifestou em relação a este fato.
Onde quero chegar: primeiro no falso moralismo brasileiro, na verdade no falso moralismo ocidental. Na Europa e EUA é a mesma coisa se não pior. Há uma semana tínhamos mulheres nuas nas ruas sendo filmadas em plena luz do dia, o ano todo temos erotização de comerciais, e exposições de corpos em programas de TV – novelas, programas de auditório, os malditos reality shows e afins e tudo está bem. Durante o ano todo, a maior parte dos canais de filmes da TV paga vira uma seção pornográfica de locadoras depois da meia noite, mas está tudo bem. Agora a notória devassa socialite norte-americana Paris Hilton faz uma propaganda de cerveja, o mundo acaba. Paris não ficou de fio dental na propaganda, mas se insinuou com caras e bocas a um voyer, então desvirtuou a boa moral da televisão brasileira. A propaganda gerou polêmica pelo fato de ser Paris Hilton, se fosse qualquer uma das peladas da avenida e de trio elétricos, estava ótimo. A propaganda é uma droga e de mau gosto? É sem dúvida. Mas é pior ou mais apelativa que outras propagandas de cerveja e até mesmo de chinelos de dedo? Não.
A segunda coisa que gostaria de comentar é: por conta da militância de certos movimentos, determinado grupos são mais santos e imaculados que outros. O exemplo que dei: a propaganda de 2006 ou 2008 não teve qualquer problema, embora de mau gosto e ofensiva, mas estava comparando homens com ratos, se fossem mulheres, apareceriam órgãos, entidades, juízes aos borbotões denunciando a depreciação da mulher. Enquanto isto o Brasil é notório no mundo pelo turismo sexual, em especial no Norte e Nordeste onde meninas de 10, 12 e 13 anos (ou até menos) se vendem ou são agenciadas pela própria família. Cuidar do que realmente importa estas entidades não fazem, mas fazer barulho por besteira é com eles mesmos. O que dá mais notoriedade combater a prostituição infantil ou fazer grita contra comercial de cervejas (entenda Paris Hilton)? Qual é mais fácil?
Este tipo de boçalidade, mentalidade tacanha e falso moralismo vai longe. Um amigo comentou que o Datena (de vez em quando tenho algumas conversas estranhas e bizarras com os meus amigos) está fazendo uma campanha em seu programa (já foi um choque saber que o Datena tinha um programa) para pena de morte ou prisão perpétua para agressores de mulheres. Oras, a vida de uma mulher vale mais do que a de um homem? Agredir ou matar um homem, ok! Mas o mesmo não pode ser feito com uma mulher. Não seria correto repudiar e abominar a agressão e o assassinato sem distinções?
Enquanto o circo é armado e Paris Hilton vira a inimiga pública número 1 da sociedade brasileira, continuaremos tendo cerveja vendida com sexo, mulheres andando nuas na rua durante o carnaval, pornografia explícita em canais pagos que não se destinam a este tipo de conteúdo e prostituição de meninas que mal saíram da infância. Sem falar no Datena instaurando pena de morte aos agressores de mulheres. Viva o Brasil!

Entrevista de Roberto Romano a Maria Lins, Jornal do Terra. O tema? A corrupção política, evidente...

Video de Terra TV


Clique aqui :
Novo mensal¿o impede discurso ¿tico nas elei¿¿es, diz professor!

terra

A sua é muito vídeo? A sua é Terra!

Video completo do Debate sobre o caso Arruda no programa Em questão, com Maria Lydia, Roberto Romano,Marcos Villa, Arnaldo Madeira.

Uploads
Caso Arruda e a política brasileira - 21/02/2010 - Parte 5/5
http://www.youtube.com/user/emquestao

From: emquestao | February 24, 2010 | 1 views
NO AR: 21/02/2010
TEMA: A dimensão do caso Arruda para a política brasileira e a composição de forças para as eleições 2010.
Convidados:
ARNALDO MADEIRA, deputado federal PSDB-SP
ROBERTO ROMANO, professor de ética e filosofia política da Universidade de Campinas (Unicamp)
MARCO ANTÔNIO VILLA, historiador, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)