segunda-feira, 29 de outubro de 2012

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Artigos da categoria Eleições Municipais 2012

22 milhões de brasileiros disseram NÃO as eleições

No último domingo aproximadamente 115,7 milhões de eleitores foram as urnas para escolher candidatos a prefeito e a vereador. Mas, um número chama a atenção nessas eleições:  mais de 22 milhões de brasileiros disseram NÃO as eleições de seu municipio. Ou seja, não compareceram às urnas no dia da votação.
Podemos dizer que essas pessoas não ligam pra política? Essas e outras perguntas foram respondidas por Roberto Romano, professor de ética na UNICAMP e especialista em assuntos políticos. Ele falou com a nossa equipe e fez uma breve análise das Eleições Municipais 2012.

Programa Faixa Livre, 29/10/2012

Você está Ouvindo: Programa 29-10-2012
Programa Completo:
Ouvir Programa Faixa Livre Completo - 29-10-2012
Tema: Íntegra
Duração: 123 minutos
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Apresentador:
Ouvir Programa Paulo Passarinho - Apresentador
Tema: Comentário
Duração: 7 minutos
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Entrevistados:
Ouvir Programa Daniel Aarão Reis - Prof. História Contemporânea UFF
Tema: 2º turno Eleições
Duração: 45 minutos
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Ouvir Programa Roberto Romano - Titular de Filosofia e Ética da Unicamp
Tema: Eleições em São Paulo
Duração: 16 minutos
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Ouvir Programa Roberto Araújo - Especialista em energia
Tema: Apagões
Duração: 23 minutos
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Uol eleições


Dinastias Fruet e Richa reeditam comando da Prefeitura de Curitiba e do governo após 30 anos

Carlos Kaspchak
Do UOL, em Curitiba

Com a eleição de Gustavo Fruet (PDT) nesse domingo (28), em Curitiba, o Paraná terá as mesmas dinastias políticas no comando do governo do Estado e da Prefeitura da capital após 30 anos.
O atual governador, Beto Richa (PSDB), é filho do ex-governador José Richa, que conquistou o Palácio Iguaçu em 1982, pelo PMDB, na primeira eleição direta para o cargo em quase 20 anos. Conforme as regras da época, coube a ele indicar o prefeito da capital. E Richa escolheu seu colega de partido Maurício Fruet, pai de Gustavo.

Imagens da corrida eleitoral em Curitiba

Foto 76 de 76 - 28.out.2012 - Após vencer segundo turno, Gustavo Fruet (esquerda) comemora em carreata nas ruas de Curitiba, no Paraná. Com apoio do PT, o advogado e ex-deputado federal reverteu o resultado do primeiro turno e superou o empresário e deputado federal Ratinho Junior (PSC) Mais Heuler Andrey/UOL
Passados 30 anos, os dois levam os sobrenomes de volta aos postos em que seus pais os colocaram. A diferença é que Beto Richa e Gustavo Fruet estão em lados opostos no cenário político paranaense após estas eleições municipais.
Ambos eram aliados até recentemente, mas estão rompidos desde que Richa não endossou o projeto de Fruet de concorrer à Prefeitura de Curitiba pelo PSDB. Com o desgaste que o episódio gerou a ele dentro da sigla, Fruet deixou a legenda e ingressou no PDT.
Vencedor do embate pela Prefeitura de Curitiba, Fruet saiu vencedor --enquanto Richa não conseguiu ver seu apadrinhado e ex-vice-prefeito (2004-2010)  Luciano Ducci (PSB) se reeleger. Ele ficou a uma distância de 4.402 votos de Fruet, na primeira etapa da campanha, e amargou uma terceira colocação.


Oligarquias políticas

Consultados pelo UOL, tanto o professor de Ética e Filosofia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Roberto Romano, quanto o professor-adjunto de Ciência Política da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Adriano Codato, avaliam que Beto Richa e Gustavo Fruet atuam dentro da lógica das oligarquias políticas locais, um fenômeno que, afirmam, não é exclusivo da política paranaense.
“É perfeitamente previsível. O Brasil é dominado pelas oligarquias regionais”, disse Romano. “A missão delas é tentar gerir o Estado com seus herdeiros, e os partidos não são mais do que braços dessas famílias. O que acontece no Paraná está dentro desta regra.”
Para Codato, o saldo mais negativo é para o governador tucano. “Não acho que [o resultado das eleições] seja exatamente um conflito de dinastias políticas, mas a situação traz mais desconforto para o governador do que para o prefeito, maior vitorioso neste processo”, argumentou.
Conforme o analista, sociedades com estruturas democráticas recentes, como é o caso do Brasil, tendem a ter classes políticas alinhadas em poucos grupos, que se sucedem no poder. “Não é de estranhar que em algum momento estes grupos políticos se rivalizem”, afirma Codato. “Uma hora ou outra as dinastias se confrontam.”
Romano avaliou que Richa perdeu nesta eleição, e agora vê seu projeto político futuro ameaçado. “Ele tem se mostrado um político tradicional, como os antigos oligarcas. Perder a eleição em Curitiba compromete suas ambições locais e nacionais”, analisa.
“Ele perde adesão no seu próprio Estado e poder para pretensões maiores dentro do seu partido”, observou Romano. “O poder das oligarquias é um retrocesso violento e relação à democracia e ao estado de direito", analisou.

Pais de Gustavo e Beto eram aliados políticos

José Richa começou sua carreira política em Londrina (379km ao norte de Curitiba), onde foi eleito vereador, deputado federal e prefeito. Em 1978, elegeu-se senador pelo MDB. Gustavo Fruet é filho do ex-prefeito de Curitiba (1982-1985) Maurício Fruet, que também foi deputado estadual e federal pelo Paraná.
Aliados e companheiros de partido, primeiro no MDB e depois no PMDB, José Richa e Maurício Fruet foram lideranças políticas importantes nos anos 1970 e 80. Foram aliados até que Richa deixou o PMDB para ser um dos fundadores do PSDB, em 1988.
Maurício Fruet morreu em 1998 quando era candidato a deputado federal,  a 35 dias das eleições. Gustavo Fruet assumiu a candidatura e foi o deputado federal mais votado naquele pleito.
José Richa morreu em 2003, quando Beto Richa era vice-prefeito de Curitiba na gestão de Cássio Taniguchi (DEM). Os dois herdeiros sempre fazem referências aos pais. Na eleição de 2010 para o governo, um dos bordões de campanha de Richa era “aprendi a fazer política com o meu pai”. Fruet sempre usou a mesma fórmula nas campanhas para deputado, depois ao Senado e agora para prefeito.

Modelo desgastado

“Temos, no Paraná, chefes políticos com perfil autoritário e até despótico, como é o caso do ex-governador e senador Roberto Requião (PMDB), que acreditam que a votação que têm pode ser repassada aos seus herdeiros. Mas não é isso que acontece. Eles não conseguem eleger seus sucessores, como ocorreu agora com Beto Richa”, disse Codato.
Codato avaliou que esses chefes políticos, que classifica como “mandões de partidos”, não conseguem mandar no eleitor. “E esta eleição, em Curitiba, é um testemunho disto”, avaliou. Apesar disso, ele relativizou a derrota eleitoral de Richa. “Não está tudo acabado. O seu grupo político não vai entrar em crise, ainda que perder o poder em Curitiba fortaleça o PT no Paraná e preocupe o projeto de reeleição do governador”, comentou.
Para Codato, o relacionamento político entre ambos vai depender das ações de Gustavo Fruet. “Ele tem dois desafios. O primeiro é permanecer num partido que praticamente não existe e que ele ajudou a crescer, pois já deixou o PMDB e o PSDB. Depois, decidir como será a relação com o PT, pois ele tem cacife político para mudar o rumo do processo eleitoral em 2014. Pode ser aliado da ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) ou até mesmo ser o candidato a governador.”
Para Beto Richa, diz o estudioso, a situação é mais complicada. “Há um certo constrangimento, e a situação será desconfortável por causa da vitória do desafeto", observa. “Mesmo assim a aparência será de cordialidade. É o que o jogo político vai exigir dos dois”, completou.

Ratinho Júnior, a surpresa

Codato classificou o deputado federal Ratinho Junior (PSC) como um “fenômeno”. Apesar de derrotado no segundo turno por Fruet, o político sai fortalecido das urnas e assustou as dinastias políticas locais, acredita.

“Ele ganhou mais visibilidade, se consolidou como líder político. Ele e o pai (o apresentador Ratinho, do SBT) saem vencedores. E ele não vem de uma dinastia política. Ao contrário, está mais ligado aos negócios do pai, que, como empresário das comunicações, precisa de um representante político forte para defender seus interesses.”

Jovem Pan on line

10 horas atrás ... O profº de Ética e Política da Unicamp, Roberto Romano analisou o resultado do pleito em entrevista ao repórter Fernando Zamith. Clique no ...
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Estado e Reuters

Início do conteúdo

Fora das urnas, nomes fortes de partidos contabilizam ganhos e perdas

29 de outubro de 2012 | 0h 44

* EDUARDO CAM - Reuters
 
Lideranças políticas com influência direta nas campanhas, mesmo sem ter os nomes na urnas das disputas municipais deste ano, contabilizam ganhos e perdas com o pleito e a nova configuração política regional no país a partir de janeiro. O governador de Pernambuco, Eduardo Campo (PSB), contudo, é quem sai mais fortalecido com os resultados das eleições. Campos nacionalizou seu nome e seu partido, ampliou para o número de capitais comandadas Pela legenda para cinco --superando o PT e PSDB-- e espalhou sua influência para além do Nordeste, afirmaram especialistas ouvidos pela Reuters. 

Para o cientista político da Unicamp Roberto Romano, o PSB foi quem mais teve ganhos neste pleito, por conseguir dobrar sua representatividade em termos de prefeitos e vereadores."Há uma liderança nacional (Eduardo Campos) que cresce e preocupa tucanos e petistas. Ele tem condições de fazer alianças que preocupam eles (PT e PSDB)", disse Romano. Em 2008, o PSB conquistou 310 prefeituras. Agora, chegou a 450, considerando os resultados deste domingo. E governará cinco capitais, entre elas Recife, Fortaleza e Belo Horizonte. E em todas essas disputas teve o PT como adversário. 

O ex-presidente Lula, que apostou na renovação e fez o PT reconquistar o comando da capital paulista com um nome neófito nas urnas, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, também colheu dividendos políticos no pleito deste ano. "Mesmo com erro em Recife, quem saiu consagrado é o Lula", disse o cientista político e diretor do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais (Inpro), Benedito Tadeu Cesar, argumentando que o ex-presidente bancou a percepção de que o eleitorado queria mudança em São Paulo. Em Recife, Lula pediu e a cúpula nacional do partido interveio no diretório local e impôs a candidatura do senador Humberto Costa, que acabou em terceiro lugar.

Para Romano, o êxito da estratégia de Lula em São Paulo não revela uma fórmula infalível. "Em São Paulo, pelas condições especialíssimas é que deu certo", analisou. Já a presidente Dilma Rousseff, que pessoalmente teve modesta participação nas campanhas municipais, viu quatro dos cinco palanques em que subiu (Salvador, Campinas, Manuas, Belo Horizonte e São Paulo) serem derrotados. 

Porém, para os analistas, a participação cirúrgica pode ter ajudado a presidente a irritar pouco sua grande base aliada, que se fragmentou nas disputas pelo país, principalmente o PSB e o PMDB.
"Ela conseguiu em parte não se transformar em 'cheerleader' (animadora de torcida) do PT, esteve em Salvador e Campinas e perdeu, mas não comprometeu sua pessoa com essas vitórias ou derrotas", analisou Romano.

Já o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), apesar de ter apoiado José Serra, derrotado na capital paulista, sai desta eleição com um trunfo importante: conseguiu consolidar seu novo partido, o PSD, em apenas um ano. Além de conquistar 495 prefeituras --entre elas uma capital--, o partido já tem como certa a promessa de um ministério na Esplanada.

RENOVAÇÃO 

O PSDB perdeu a prefeitura de São Paulo --a maior cidade e colégio eleitoral do País--, mas manteve número semelhante de prefeituras e capitais em relação à eleição anterior. O partido, que sempre teve tradição no Sudeste, cresceu no Norte e Nordeste do país.A maior derrota pessoal, segundo os especialistas ouvidos, foi do tucano José Serra, que perdeu a prefeitura paulistana para Fernando Haddad. Foi a sua segunda derrota em dois anos --perdeu a corrida à Presidência da República em 2010 para Dilma. Serra, que já abandonou dois cargos -- de governador e prefeito -- para tentar outras candidaturas, aos 70 anos tem contra si a idade e resistências crescentes em seu partido. Neste domingo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que é hora de o PSDB buscar o novo. "O partido com um todo, o que vai precisar mesmo, é exatamente de renovação. Há um momento em que as gerações mudam, nós estamos num momento de mudança de geração. Isso não quer dizer que os antigos líderes desaparecem, mas quer dizer que eles têm que empurrar os novos para ir à frente", argumentou FHC a jornalistas depois de votar.

Romano, porém, não acredita que o virtual candidato tucano à presidência em 2014, o senador Aécio Neves (MG), tenha condições de ser o condutor da renovação do tucanato. "A derrota do Serra é a derrota do Aécio", disse Roberto Romano sobre o senador tucano, que consolidou sua supremacia em Minas Gerais, mas não expandiu seu capital político nacionalmente. "Ele saiu bem, mas foi muito mineiro. Trabalhou muito em silêncio", disse David Fleischer, cientista político da UnB.

Já o partido que mais contabilizou insucessos foi o DEM --apesar da importante vitória de ACM Neto em Salvador. "O DEM foi o que mais perdeu. Perdeu mais de metade dos seus deputados para o PSD e perdeu muitos prefeitos... Desde 2004 estão descendo a ladeira", disse Fleischer. Apesar disso, Fleischer não acredita que a legenda deixe de existir nos próximos meses. "Acho que tem muitos políticos do DEM com brios e com a fusão perderia liderança no novo partido. É mais provável que o DEM continue", afirmou o cientista político da UnB.

SOBE E DESCE DAS LEGENDAS

Entre os partidos, além de PSB, PSD e PT, os especialistas ressaltam o "renascimento" do PDT, sigla de origem da presidente Dilma. "Além do crescimento com PSB, continuo insistindo no crescimento do PDT, que conquistou duas capitais do Sul (Porto Alegre e Curitiba)... Partido que renasce depois da morte de (Leonel) Brizola", disse Tadeu César. O PDT conquistou ainda a prefeitura de Natal.
(Edição de Maria Pia Palermo; Raquel Stenzel)