segunda-feira, 2 de março de 2009

Tarso Genro e o labirinto da história, de Paulo Araújo (atual, bem atual e necessário).

Acreditamos saber que existe uma saída, mas não sabemos onde está. Não havendo ninguém do lado de fora que nos possa indicá-la, devemos procurá-la por nós mesmos. O que o labirinto ensina não é onde está a saída, mas quais são os caminhos que não levam a lugar algum. (Norberto Bobbio, em sua metáfora da política e da história como um labirinto)

O Direito do povo a governar a si próprio é um desafio contra toda verdade. A verdade é que o povo tem Direito de ser governado. (De Bonald)

Tarso Genro e o labirinto da história

No país dos bruzundangas


Em Bruzundanga o chefe do poder executivo não é chamado de presidente da República e os titulares das pastas não são designados ministros. A denominação oficial é Mandachuva da República dos Estados Unidos da Bruzundanga, o qual nomeia os demais mandachuvas de estado. Leitor crítico (isto é, equilibrado e relativista) de Lênin, separando nele o bom do ruim, o douto mandachuva da justiça ouvira dizer que no neoliberalismo o formalismo jurídico que recobre o estado de direito padece em uma indiscutível e permanente convivência com estados de exceção e que, por isso, “soberano é quem decide sobre o estado de exceção”. Assim, à Constituição de Bruzundanga, inspirada originalmente naquela de Brobdingnag, a terra dos gigantes visitada por Gulliver, o mandachuva iluminado decidiu nela inserir uma lei, a qual diz que qualquer outra lei é tornada ilegítima se não for conveniente às novas circunstâncias do permanente estado de exceção. O mandachuva da república pulou de alegria, e, mais uma vez, correu a anunciar ao povo que pela boca do Mandachuva da Justiça Deus lhe mandara a boa nova: desde agora, todos os atos do poder executivo são soberanos porque legítimos e, portanto, livres da ilegítima força normativa das leis e acima da hierarquia que as organiza e lhes dá sentido.

No parágrafo acima arrisquei uma livre adaptação da atualíssima sátira de Lima Barreto.

No labirinto da história, o caminho que leva a lugar nenhum

A disputa pela sucessão de Lula é uma importante chave para entendermos com mais clareza o que efetivamente o ministro Tarso Genro promove quando busca, sempre em nome de uma grande causa humanitária e com o pretexto de salvaguardar o bem público, livrar da cadeia o condenado pela justiça italiana Cesare Battisti. O ministro marca, desse modo, uma diferença ideológica que seria para ele um claro e positivo distintivo (afirmação de soberania nacional perante a Itália na decisão de libertar Battisti) na disputa pelo poder que se trava no Partido dos Trabalhadores. Em seu despacho de concessão do refúgio sobressai todo um embasamento teórico-jurídico retirado do intelectual nazista Carl Schmitt, mesmo que de segunda mão, isto é, recorrendo ao apud. Genro cita Schmitt em artigo escrito em 1934 ("O Führer decide o Direito"). O artigo é encomenda da propaganda nazista e anuncia a sua adesão a Hitler. Nele, o jurista antiliberal defende a dissolução do Parlamento e do Judiciário como fontes do direito e, em nome da decisão, pede a concentração dos poderes nas mãos do Führer. Talvez em um ato falho, Tarso Genro apresenta Carl Schmitt como um entre os “teóricos que não crêem (sic) na democracia liberal”, ignorando, desse modo, que para teóricos os regimes de governo não são objeto de credo ou ideologia e sim objeto de crítica ou mesmo adesão. Schmitt foi um crítico das democracias liberais antes de aderir ao nacional-socialismo. (1).

Em entrevista a Alexandre Garcia, no Espaço Aberto do canal Globo News, Tarso Genro repetiu rigorosamente o pensamento de Schmitt ao dizer que “o estado de direito convive com o estado de exceção”. Isto é, assumiu como verdade de valor axiomático algo que no seu entender seria hoje constitutivo do estado de direito: a exceção. Exemplificou com os EUA de Guantanamo e com a Itália dos “anos de chumbo”. Enfim, além de corroborar com os exemplos, ele afirmou que seguiu em seu despacho a lógica da excepcionalidade do decisionismo de Schmitt, o qual, repito, dizia que a exceção não se submete à norma jurídica (Constituição), mas está acima dela. (2)

Entre outros, Tarso Genro está na disputa pelo prêmio petista: a indicação pelo supremo líder do seu sucessor. Nada sei sobre as “internas” do petismo. Não sei dizer se seu despacho somou ou não pontos nesta disputa. Mas nem por isso o que vem sendo feito em palavras e atos pelos atuais amantes da razão totalitária é merecedor do meu silêncio. Considero gravíssimo o despacho de Tarso Genro, menos no que ele possa implicar em liberdade para Battisti e mais, mas muito mais, no que ele contém de ataques velados, servindo-se de Schmitt, aos demais poderes da República.

Não tratarei aqui do que vai nas linhas e nas entrelinhas do despacho do ministro, que é muito mais um esforço deliberado para esbulhar o pensamento democrático sobre o estado de direito do que um libelo em defesa de um injustiçado. Seguindo o caminho de Bobbio (citado em epígrafe), farei algumas considerações com base no exame de nossa história no período republicano. Contarei sobre os caminhos percorridos que não levaram a lugar algum, com exceção do inferno. Em nossa história duas ditaduras recorreram aos préstimos antiliberais de Carl Schmitt para justificar e legitimar prisões, torturas e assassinatos: a que foi ordenada por Getúlio Vargas e a que foi ordenada por militares e civis.

O constitucionalismo antiliberal prosperou no período que antecedeu a II Grande Guerra. Um dos seus mais importantes ativistas foi Carl Schmitt. No Brasil, Francisco Campos é o seu mais graduado discípulo. Este, ao contrário dos atuais epígonos, leu com bastante apuro os escritos do intelectual nazista. Não por acaso recebeu de Getúlio a incumbência de redigir a Constituição de 1937, que preparou o Estado Novo, e também foi um dos principais artífices do Ato Institucional nº 1, o ato que decidiu sobre a soberania da “revolução” no estado de exceção, conferindo aos seus agentes poder constituinte. Nestes dois trabalhos de racionalização do poder executivo que decide soberano, Francisco Campos serviu-se da lógica da exceção, seguindo rigorosamente os passos do mestre nazista. Como registro, cito a Teologia Política de Schmitt, obra na qual ele opera a analogia da decisão na exceção com o milagre, dizendo que ambos são intervenções diretas de um ente soberano situado acima dos demais em uma determinada ordem. Ambos seriam poderes transcendentes, manifestações legítimas da potência que ultrapassa os poderes legislativo e judiciário no âmbito do Estado.

Neste momento em que voltam a circular em certas tendências da filosofia as teses de Schmitt sobre o fundamento místico da política e do direito, e em total silêncio dos epígonos brasileiros sobre os nefastos resultados históricos da sua aceitação e aplicação na Alemanha e no Brasil, é útil trazer à tona a figura do político brasileiro discípulo de Schmitt. Relembrando, sempre, a sua posição como o mais destacado jurista legitimador das nossas duas ditaduras. Em O Estado Nacional Francisco Campos registra em várias passagens sua identidade de pensamento com o nazismo e com as teses antiliberais e totalitárias de Schmitt. Sigo com passagens retiradas do O Estado Nacional (3):

Como se forma a vontade dos povos

“Quem quiser saber qual o processo pelo qual se formam efetivamente, hoje em dia, as decisões políticas, contemple a massa alemã, medusada (4) sob a ação carismática do Fueher (sic), e em cuja máscara os traços de tensão, de ansiedade e de angústia traem o estado de fascinação e de hipnose.”

Sobre a liberação da potência das massas no Estado totalitário

“O que o Estado totalitário realiza é — mediante o emprego da violência, que não obedece, como nos Estados democráticos, a métodos jurídicos nem à atenuação feminina da chicana forense — a eliminação das formas exteriores ou ostensivas da tensão política. Há, porém, elementos refratários a qualquer processo de integração política. No Estado totalitário, se desaparecem as formas atuais do conflito político, as formas potenciais aumentam, contudo, de intensidade. Daí a necessidade de trazer as massas em estado permanente de excitação, de maneira a tornar possível, a todo momento, a sua passagem do estado latente de violência ao emprego efetivo da força contra as tentativas de quebrar a unidade do comando político.”

Sobre a impotência das democracias liberais

“Essas, as forças elementares (das massas) que os juristas (liberais) pretendem fascinar, não com a máscara de Medusa (5) com que os Césares paralisam o inconsciente coletivo em que se desencadeou o estado de violência pela hipnose do medo ou do terror, mas com o sortilégio de fórmulas ou de cerimônias já destituídas de qualquer significação ou substância espiritual.”

A mística totalitária e a potência de Autorictas (6)

“Já soou, quase simultaneamente, em todos os meridianos, a hora da advertência e do alerta. Já se ouve, ao longe, traduzido em todas as línguas, o tropel das marchas sobre Roma, isto é, sobre o centro das decisões políticas. Não tardarão a fechar-se as portas do fórum romano e a abrir-se as do Capitólio, colocado sob o sinal e a invocação de Júpiter, ou da vontade, do comando, da AUTORITAS (sic), dos elementos masculinos da alma, graças aos quais ainda pode a humanidade encarar de frente e amar o seu destino: AMOR FATI.”

Eis aí uma pequena seleção dos elementos que fundamentam o pensamento político de Francisco Campos, seguramente o mais fiel seguidor brasileiro de Schmitt. Observe-se, ainda, a identidade e a transposição metafórica do par amigo-inimigo, formulada originalmente por Schmitt, na associação misógina que Francisco Campos faz entre liberalismo (a afeminação que denota a permanente impotência política das democracias liberais para responder a uma situação de crise [estado de exceção]) e totalitarismo. Este, a forma do Estado forte para livrar-nos da “atenuação feminina” e liberar-nos para a autêntica, potente e guerreira alma masculina.

Francisco Campos e o caminho da ditadura no pós-64

A seguir, apresento em rápida mas importante passagem o retorno de Francisco Campos à vida pública e política, na ocasião do golpe militar de 1964.

O golpe de 1964 apresentou-se como soberano no estado de exceção (na estrita formulação de Schmitt) para impedir a tomada do poder pelos subversivos e em defesa do verdadeiro regime democrático. Não por acaso os militares e civis brasileiros contrários ao governo Goulart teriam ordenado não um golpe, mas uma “revolução”. É o que diz o Ato Institucional nº 1, cuja autoria na sua maior parte é de Francisco Campos, redator da famosa “Polaca” de 1937 e, insisto, discípulo de Schmitt. Cito o AI nº1:

“O que houve e continuará a haver neste momento, não só no espírito e no comportamento das classes armadas, como na opinião pública nacional, é uma autêntica revolução (...). A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constitucional. Este se manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como o Poder Constituinte, se legitima por si mesma (...) Ela edita normas jurídicas, sem que nisto esteja limitada pela normatividade anterior à sua vitória”.

Usurpou-se, assim, a soberania popular expressa no texto constitucional vigente e anterior ao golpe. Fica, portanto, evidente que a “revolução” de 1964 não se legitimou através do Congresso. Ao Congresso foi outorgada a sua legitimação pela violência deste ato de exceção (AI nº1), auto-instituído de poder constituinte.

Schmitt e os seus seguidores no golpe de 1964 não deixam dúvida: “Soberano é quem decide sobre o estado de exceção”. A “revolução” opera segundo a lógica da excepcionalidade. Logo, a exceção é o elemento mais relevante do que a regra (Constituição).

Para Schmitt e para os seus seguidores no Brasil a ditadura é a resposta adequada para um estado de exceção. O “contragolpe preventivo” proclamou desse modo uma nova soberania, não mais advinda do povo, não mais representada no Congresso, não mais sujeita à legalidade democrática. “Soberano é quem decide sobre o estado de exceção”. Daí que o Congresso e a ordem jurídico-política deveriam ser legitimados pelo novo soberano. Os resistentes, os inimigos da nova “vontade geral”, deveriam ser banidos da vida pública. Essa a lógica que conduziu a depuração dos elementos feminilizantes (na acepção de Campos) do ordenamento político-jurídico anterior no imediato pós-64, com as cassações de parlamentares, professores, etc. Foi essa mesma a lógica de todos os atos seguintes do poder militar, com os terríveis episódios de prisões, torturas e assassinatos.

O fascismo prospera no PT

Em outra ocasião manifestei-me contra os ataques homofóbicos do PT ao prefeito Kassab. Posteriormente, o partido emitiu uma lamentável e não menos preocupante nota de condenação aos ataques de Israel que mal disfarçava o seu apoio incondicional ao anti-semitismo do terror islâmico. Agora, com episódio referido ao despacho do ministro Tarso Genro, vem a público uma outra nota que embute, e como sempre envolta pela máscara da virtude que esconde o bandido fascista, uma justificativa da afirmação de soberania nacional em perfeita sintonia com as teses de um intelectual nazista (cito a nota: Tarso Genro “exerceu atribuição privativa que lhe é assegurada pela Constituição Federal e o fez tomando em consideração a jurisprudência firmada pelo STF”. (7) Em outras palavras, no despacho de Tarso Genro o PT reconhece o mérito do ministro para decidir sobre o que, no estado de direito, é privativo do poder judiciário, corroborando assim uma das teses nucleares de Schmitt). No despacho de Genro está todo um embasamento teórico que se beneficia até a raiz do pensamento de Schmitt.

Mas a prática política fascista no PT é uma obra em progresso, um fazer-se. O que me parece ser possível afirmar neste momento e com estes episódios é que há um consistente e perigoso movimento de afirmação fascista no PT. Reafirmo o que escrevi anteriormente a respeito dos ataques ao Kassab: o fascismo prospera no PT. É preciso parar com as meias palavras e começar chamar a coisa pelo seu verdadeiro nome: FASCISMO.

É grave que setores conservadores da sociedade brasileira busquem ativar na política os baixos instintos fascistas adormecidos nas consciências dos eleitores e dos militantes que babam. Agora, o que não tem o mínimo cabimento, e merece uma crítica duríssima, é o partido que se reivindica herdeiro de uma fantástica tradição de luta pelas liberdades e pelos direitos acionar em sua luta política interna e externa esses mesmos baixos instintos. As terríveis tentativas anteriores, bem como os seus resultados práticos, de trazer para a nossa história as concepções nazi-fascistas do Estado e da luta política foram expostas aqui com a ajuda de Francisco Campos, o nosso verdadeiro intelectual nazista. Esta a questão que deixo para todos pensarmos e que segue em caixa-alta como um grito de alerta: SE O QUE NOS ENSINA O DITO DE BOBBIO SOBRE O LABIRINTO DA HISTÓRIA É VERDADEIRO, POR QUE O MINISTRO TARSO GENRO E O SEU PARTIDO ACREDITAM QUE PODERIAM NOS LEVAR POR UM CAMINHO DIFERENTE DAQUELE QUE SOMENTE CONDUZIU PARA DITADURAS? É vergonhosa e cínica qualquer tentativa de justificar a opção política pelos métodos retirados da fedorenta latrina fascista.

Um dos desafios históricos assumidos pelos fundadores do PT nos anos 80 era trazer à sociedade brasileira uma proposta moderna da luta política circunscrita aos exatos limites do estado democrático e de direito. Olhando para presente, não é o que vemos e, tudo indica até o momento, nem veremos acontecer com o PT.

Aos 29 anos completados desde a sua fundação, o PT abraça as teses nazistas de Schmitt e realiza-se, nestes lamentáveis e preocupantes episódios, como o seu contrário exato nos anos 80.

NOTAS

(1) Em seu despacho, Tarso partilha com Schmitt uma noção que é central no seu pensamento: no instante de perigo (estado de exceção) o soberano é absoluto para criar o direito sem mediações. Hans Kelsen, jurista defensor do normativismo lógico, respondeu assim contra Schmitt: é “uma notável audácia” afirmar que o poder executivo possuiria um poder neutro e moderador dos conflitos dos demais poderes do Estado. Para Kelsen tal formulação da soberania do não seria nova, mas uma outra vestimenta para o princípio absolutista do poder monárquico. Há um bom artigo introdutório ao pensamento de Carl Schmitt: Apontamentos sobre o pensamento de Carl Schmitt: um intelectual nazista. Cândido Moreira Rodrigues. In: http://www.cchla.ufpb.br/saeculum/saeculum12_art06_rodrigues.pdf.

Cito o autor: “Apresentaremos um esboço de alguns pontos do pensamento do jurista alemão

Carl Schmitt, fundamentalmente no período da República de Weimar e parte do regime nazista. Será dada maior atenção à sua relação com o conceito de decisão e como tal conceito permeou seus escritos em torno da crítica ao liberalismo/parlamentarismo de Weimar; atentaremos ainda para sua defesa da existência de um Estado Forte como produto da inevitabilidade existencial, da distinção social entre amigos-inimigos e de uma homogeneidade racial e “democrática”, idéias que serviram de esteio ao regime nazista. Tomamos como base de análise as seguintes obras suas em edições mais recentes: A Ditadura 1921, Teologia Política 1922, A Situação intelectual (espiritual) do sistema parlamentar atual 1923 e O Conceito do Político 1927. Objetivamos, com assim, contribuir para uma reflexão mais atenta a respeito de um certo “revisionismo schmitiano” que busca, por todos os meios, apresentá-lo como pensador democrático e minimizar sua ligação com o regime nazista, no período de 1933 a 1936 quando esteve ligado ao partido de Hitler. Com isso, se objetiva alertar para o reavivamento de suas idéias de extrema direita, sobretudo em países como Alemanha, Áustria, Itália e, mais recentemente, nos Estados Unidos. Na reflexão sobre pontos de seu pensamento, nos apoiaremos nos escritos de pensadores como Richard Wolin, Kal Löwith, Nicolas Tertulian, Heinrich Meier, Jean-Luc Evard, Jürgen Habermas e no Brasil, Roberto Romano e Bernardo Ferreira.”

(2) Recomendo fortemente assistir a entrevista com o ministro Tarso Genro.
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM956301-7823-DEBATE+SOBRE+O+ASILO+POLITICO+CONCEDIDO+A+CESARE+BATTISTI,00.html

(3) Sirvo-me de edição eletrônica não paginada da obra de Francisco Campos.
http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/chicocampos.html#5.
Para edição impressa, Campos, F. O Estado Nacional. José Olympio Editora, RJ, 1941.
Há um bom artigo sobre o período do Estado Novo que contempla a trajetória política de Francisco Campos e seus vínculos com Vargas e outros intelectuais e políticos amigos.
Direito e Literatura: Vargas, o Estado Novo, a Lei de Segurança Nacional e o habeas corpus em favor de Olga Benário Prestes. A história entre foices, martelos e togas. Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy.
http://www.eneascorrea.com/news/150/ARTICLE/1218/1/2007-08-06.html

(4) Medusa é uma figura monstruosa do mundo mitológico da Grécia antiga que possuía o poder de transformar pelo olhar em estátuas de pedra as pessoas que a encarassem diretamente nos olhos, isto é, sem mediação. No contexto em que o mito é ativado, sobressai o seu poder de aterrorizar (associado ao de Hitler e inexistente nos líderes liberais) e petrificar pelo terror a massa alemã. Nesta passagem, uma evidente concepção da política que nega na população a capacidade do uso da razão para decidir por livre vontade. Atira-se, desse modo, o conjunto da população no terreno da irracionalidade, o que, por sua vez, exigiria do governante o comportamento que petrifica pelo terror as massas que apenas se movem pela irracionalidade. Uma face terrífica que pode ser vista, mas quem a vê sem a necessária mediação da razão deixa de ser humano, petrifica-se na adoração do líder. Presente em todo o texto de Francisco Campos o conservadorismo de Donoso Cortés, fonte fundamental para Schmitt. “Para o pensamento conservador, a soberania popular é o perigo e o grande vício do liberalismo e das luzes democráticas” (cf. Cândido Moreira Rodrigues, op.cit.)

(5) Isto é, pelo terror. Cf. nota anterior

(6) No direito romano auctoritas é uma certa legitimação que provém de um saber que é outorgado aos cidadãos Possuem Auctoritas os entes com capacitação moral para decidir sobre o que é melhor e útil para os cidadãos.

(7) In: Bancada apóia decisão do governo de conceder asilo a Cesare Battisti.
http://www.informes.org.br/noticia.php?id=7876



Por sugestão do Blog Panorama, a "notícia"velha, a UNE lulista é pelega, nada mais.


R$ 10 milhões para amansar a UNE



Leandro Colon -

Correio Braziliense

Publicação: 02/03/2009 10:18 Atualização: 02/03/2009 10:22

A União Nacional dos Estudantes (UNE) ganhou na loteria no governo Lula. O repasse do Poder Executivo à entidade aumentou em 20 vezes nos últimos cinco anos. A soma dos recursos públicos transferidos chega aos R$ 10 milhões no período. Em contrapartida, as sexagenárias manifestações independentes e de críticas ao governo federal desapareceram. No lugar, sobra bajulação. Fotos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com dirigentes da entidade são exibidas com pompa no site da UNE.

O crescimento da verba recebida do governo foi meteórico. Os recursos saltaram de R$ 199 mil em 2004 para R$ 4,5 milhões no ano passado. Mas não parou por aí. O montante tende só a crescer em 2009: R$ 2,5 milhões já foram depositados na conta da UNE neste ano, segundo levantamento obtido pelo Correio no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). Nada mal para quem recebeu cerca de R$ 1 milhão em oito anos do governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Transferidos para a UNE em 12 de janeiro passado, R$ 786 mil foram destinados à realização de shows e debates em São Paulo e Rio de Janeiro. Mas nenhuma apresentação foi feita até agora, admite a presidente da UNE, Lúcia Stumpf (PCdoB). Em 5 de junho de 2008, o governo liberou o pagamento de R$ 435 mil para o projeto Sempre Jovem e Sexagenária. Segundo Lúcia, o recurso de quase meio milhão de reais será usado para fazer um livro sobre a história da militância estudantil secundarista. A UNE tem até junho para concluir esse projeto. A reportagem pediu à presidente da entidade algum elemento referente ao que já foi feito até hoje. Não houve retorno até o fechamento desta edição. Ela apenas garantiu que o projeto vem sendo executado. “Tem pesquisadores e historiadores fazendo a busca de material e redigindo. Será um livro histórico”, afirma.

Braço político

A presidência da UNE está nas mãos do PCdoB há mais de 15 anos. O partido tem como representante no governo o ministro dos Esportes, Orlando Silva, que presidiu a entidade estudantil entre 1995 e 1997. Em janeiro passado, o ministério comandado por ele liberou R$ 250 mil para patrocinar a bienal de cultura da UNE, realizada naquele mês em Salvador.

Cerca de R$ 6,2 milhões do dinheiro público repassado pelo governo Lula saíram dos cofres do Ministério da Cultura. Pelo menos seis convênios com a entidade foram alvos de tomadas de conta especial, um processo administrativo interno aberto sempre que aparece indício de irregularidade que possa dar prejuízo ao órgão público. Um deles refere-se à participação da UNE em paradas de orgulho gay em 2006. Cerca de R$ 37,5 mil foram repassados à entidade e até agora a prestação de contas não foi aprovada.

O outro processo é mais antigo ainda. Trata da verba de R$ 173 mil para gravação de CDs e compra de equipamentos da Bienal de Cultura e Arte de 2003. Em novembro do ano passado, o ministério abriu uma tomada de conta especial. A tramitação do convênio revela que a pasta chegou a contestar a gravação de 2 mil CDs, e não 4 mil, como previa o projeto inicial apresentado pela UNE. O ministério abriu outro procedimento parecido em 1º de dezembro do ano passado para averiguar pendências na condução do convênio Cinema Une em Movimento. A entidade recebeu R$ 436 mil há dois anos para realizar em 2007 um circuito de filmes nacionais em universidades. A prestação de contas foi entregue somente no último em 12 de dezembro.

A entidade estudantil também se aventurou pelo orçamento da saúde. No segundo semestre do ano passado, a UNE recebeu R$ 2,8 milhões do Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer uma caravana pelo país. O objetivo foi abrir um debate e realizar ações ligadas à saúde. “Percorremos os 27 estados discutindo cultura, saúde e educação, visitando 41 universidades públicas e privadas no Brasil”, justifica a presidente da entidade.

GAZETA DO POVO 03/03/2009

Gazeta do Povo Curitiba

Vida Pública

Terça-feira, 03/03/2009

Fábio Rodrigues Pozzembom/ABr

Fábio Rodrigues Pozzembom/ABr / Jarbas Vasconcelos promete apresentar um projeto que proíbe indicações políticas para o comando de empresas estatais e autarquias Jarbas Vasconcelos promete apresentar um projeto que proíbe indicações políticas para o comando de empresas estatais e autarquias
Poder público

Cerco à corrupção

Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) promete ampliar críticas ao próprio partido em “discurso-bomba” para mobilizar colegas

Publicado em 03/03/2009 | Brasília - André Gonçalves, corrupção

O combate à corrupção renasce na agenda do Congresso nesta semana. Quinze dias após acusar o próprio partido de corrupto, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) promete aprofundar o tema em um discurso marcado para hoje à tarde em plenário. Ele pretende, ao mesmo tempo, apresentar um projeto de lei que proíbe indicações políticas para o comando de empresas estatais e autarquias, o que amplia a polêmica sobre a ingerência do PMDB no comando de Furnas.

Amparados nas ações de Vasconcelos, um grupo de dez congressistas reúne-se hoje pela primeira vez para articular a criação de um grupo anticorrupção no Legislativo. Encabeçam a lista os deputados federais Fernando Gabeira (PV-RJ), Arnaldo Jardim (PPS-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR). O objetivo deles é cobrar agilidade na tramitação de projetos que ampliem a transparência em todas as esferas públicas.

A cruzada do senador pernambucano começou há duas semanas, quando criticou duramente a atual postura do PMDB em entrevista à revista Veja. “Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção”, disse. Os ataques avançaram principalmente em relação aos acordos da legenda para eleger os presidentes da Câmara, Michel Temer (SP), e do Senado, José Sarney (AP).

As declarações provocaram reações distintas entre os peemedebistas, mas Vasconcelos não sofreu sanção interna. Hoje ele deve ampliar fogo aos demais partidos e usar o caso Furnas como munição. A empresa elétrica sofreu pressões do PMDB, que queriam o controle administrativo do fundo de pensão dos funcionários – o Real Grandeza, que administra R$ 6 bilhões.

Em contrapartida, peemedebistas como o deputado federal Eduardo Cunha (RJ), articulam a criação de uma CPI para investigar os fundos de pensão. Cunha é apontado como um dos principais interessados por mudanças na diretoria do Real Grandeza. À primeira vista positiva, a CPI seria uma maneira de tirar o foco do partido no caso Furnas.

O paranaense Fruet afirma que a cadeia de ações e reações, ligada às declarações de Vasconcelos, significa um avanço no debate sobre corrupção. “Quebrou-se a apatia. Agora é o momento de não deixar o tema esfriar.”

Embora considere a movimentação positiva, o professor de Ética e Filosofia Política Roberto Romano, da Universidade de Campinas (Unicamp), ressalta que os políticos brasileiros tendem a cair nas mesmas armadilhas de sempre ao tratar o assunto. Segundo ele, o tema quase é tratado mais com palavras do que ações. “Se eles se limitarem à pregação moralizante, vão continuar tratando uma doença grave com band-aid.”

Há passagens concretas que comprovam a teoria do professor. Na década de 50, a UDN denunciou o “mar de lama” instalado no governo Getúlio Vargas, mas apoiou o golpe militar uma década depois. O partido elegeu Jânio Quadros presidente da República em 1960 amparado pelo discurso populista de “varrer a corrupção”. Quadros ficou no Planalto durante apenas sete meses.

Fernando Collor venceu as eleições de 1989 com discurso parecido, quando adotou o slogan de “caçador de marajás”, mas caiu devido a uma série de denúncias de corrupção em 1992. “Sou muito respeitoso ao senador Jarbas, mas enquanto ele não der o próximo passo, de sair do discurso e apresentar propostas concretas, não significará nada”, afirma Romano.

* * * * * * * *

Grupo anticorrupção deve reunir 5% do Congresso

O grupo anticorrupção deve juntar apenas 30 (5%) dos 594 deputados federais e senadores. A previsão é dos articuladores da ideia, Fernando Gabeira (PV-RJ) e Gustavo Fruet (PSDB-PR). A falta de quorum, entretanto, não chega a ser considerada por ambos como algo ruim.

“Se não for algo apartidário e impessoal, não vai para frente”, avalia o paranaense. Fruet conta que recebeu pelo menos 30 mensagens de incentivo de setores da sociedade civil nesta semana para levar o projeto adiante. Nenhum outro congressista do Paraná aderiu ao grupo.

A primeira reunião para definir uma pauta de ações ocorre hoje à noite, na casa do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP). Estão confirmadas as presenças do senador Jarbas Vasconcelos e dos deputados Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) e Raul Henry (PMDB-PE). Entre as cobranças tidas como certas, está a votação da proposta de emenda à Constituição que obriga o voto aberto em todas as sessões do Senado e da Câmara.

Atração

O professor de Ética e Filosofia Política Roberto Romano, da Unicamp, diz que dificilmente o grupo avançará se não contar com o apoio da população. “É preciso atrair organizações não-governamentais e entidades como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).”

Por enquanto, porém, a proposta não empolgou o presidente da Comissão Especial de Combate à Corrupção da OAB, Amauri Serralvo. “Formar grupos, comissões ou coisas do gênero já ocorreram outras vezes. Sem a proposta de fiscalizar os colegas para valer, é como chover no molhado.” (AG)


Especialistas divergem sobre projeto de senador

Especialistas divergem sobre a eficácia do projeto que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) pretende apresentar nesta semana e que impõe restrições a indicações políticas para cargos em empresas públicas e autarquias. Enquanto há quem considere a proposta um avanço, por evitar nomeações estritamente políticas, há quem entenda que as restrições são muito radicais, pois, ao impedir a contratação de funcionários qualificados, mas não concursados, as próprias estatais sairiam prejudicadas.

Pelo projeto, apenas funcionários de carreira poderiam assumir a direção de estatais ou autarquias. O coordenador do curso de Administração da Universidade Positivo, Daniel Rossi, considera que tal medida seria altamente positiva. “Isso porque o funcionário de carreira tem um viés técnico.” Para ele, o fato de serem indicados para os cargos somente funcionários de carreira pode evitar a corrupção, que muitas vezes está atrelada à indicações estritamente políticas.

Ele considera que há casos de empresas públicas que podem precisar de gestores de fora de seus quadros, quando não existirem funcionários sem as competências necessárias para administrá-las. “Mesmo assim, a proposta que está sendo discutida é um avanço, porque hoje o que ocorre na administração pública é uma festa”, afirmou Rossi.

Já na avaliação do professor de Ciências Políticas Renato Perissinoto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), embora em princípio o projeto pareça ser bom, ele pode não ser proveitoso para que governos possam implantar seus programas políticos. “As estatais podem ser usadas para implantar projetos de governo de longo prazo, que são importantes.” Por esse motivo, diz ele, os dirigentes não podem ter um perfil apenas de burocrata, mas precisam ser escolhidos pelos governantes, a fim de implantar seus programas de governo.

Para o professor de Direito Administrativo Romeu Felipe Bacellar, da UFPR, a restrição de acesso a esses cargos não pode ser total. “É bom restringir, mas não se pode fechar totalmente as portas, porque senão há o risco de não se poder fazer boas escolhas.” O professor explica que, em determinadas áreas, há carência de funcionários altamente qualificados na administração pública, sendo preciso buscar profissionais da iniciativa privada. Ele dá como exemplo a presidência do Banco Central, que é uma autarquia federal, e que está sendo ocupada por Henrique Meirelles. “Ele não é funcionário de carreira do Banco Central, mas é unânime que ele é um bom presidente da instituição.”

A proposta de restrição de comissionados em estatais está sendo apresentada depois de parlamentares do PMDB tentarem destituir a diretoria da Fundação Real Grandeza, o fundo de pensão dos empregados da estatal Furnas. A intenção do projeto seria o de barrar o acesso à direção de estatais e autarquias a pessoas que têm como qualificação o apadrinhamento político.

Em toda a administração pública brasileira, há cerca de 20,4 mil cargos em comissão. Um número alto, se comparado aos Estados Unidos, que possuem cerca de 9 mil funcionários de confiança, ou a países europeus, como a Inglaterra, que emprega 300 comissionados em seus quadros.

Denúncias não devem mudar o PMDB

Para especialistas, a legenda continuará longe da disputa pela Presidência com objetivo de apoiar quem estiver no poder

Rosana Félix

Nem a frente parlamentar anticorrupção nem as declarações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) contra seus colegas serão capazes de provocar mudanças significativas no maior partido brasileiro. O PMDB deve continuar trilhando o mesmo caminho que vem percorrendo nos últimos anos: ficar longe da disputa direta pela Presidência e apoiar o partido que ocupa o poder. E, nessa relação, o que impera são barganhas políticas do tipo que permitem a indicação da diretoria de um fundo de pensão, por exemplo.

O presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), Geraldo Tadeu Monteiro, recorre a uma velha cantiga para expressar sua incredulidade em relação à legenda: “Mais fácil o sertão virar mar do que o PMDB mudar.” Para ele, as críticas feitas por Jarbas até o momento foram muito genéricas – o senador disse que no PMDB só havia corruptos – e por isso insuficientes para provocar uma discussão mais profunda.

Segundo o analista, o PMDB segue à risca uma orientação dada há quase cinco décadas pelo político mineiro José Maria Alckmin: melhor do que estar no poder, é ser amigo do poder. “Assim fica livre das responsabilidades inerentes ao governo, mas têm as benesses do poder, que são trocadas pelo apoio dos parlamentares.” Para Monteiro, o partido só deve sofrer uma mudança profunda quando tiver em suas fileiras uma liderança que seja unanimidade. “A sigla é hoje uma confederação de líderes regionais, cada um com uma ideologia, que não têm fôlego para uma disputa nacional”, acrescenta.

De acordo com o cientista político Rudá Ricci, a não ser nos períodos ditatoriais, o Brasil sempre teve uma legenda que assumiu o papel de fiel da balança, como o PMDB nos últimos anos. Segundo ele, esse papel é necessário, pois a sociedade brasileira ainda não tem uma cultura política muito definida. “A população quer resultados pragmáticos. O PMDB é popular por causa disso. Como não tem um programa muito definido, consegue acomodar lideranças com visões totalmente diferentes entre si.”

Ricci diz ainda que a frente parlamentar que será lançada hoje tem poucas chances de prosperar. “Acho difícil que dentro do Congresso Nacional nasça alguma ação ou proposta de sucesso nesse sentido. Levantar a bandeira da corrupção é atacar o sistema partidário atual, e isso não é do interesse das legendas”, observa.

2010

A facilidade que os peemedebistas têm de transitar entre oposição e situação motiva Monteiro e Ricci a fazerem a mesma afirmação: aúnica certeza é que o PMDB fará parte do próximo governo.

De acordo com o líder do partido na Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), há a intenção de se construir uma candidatura própria para 2010. “Reconheço que falta ao partido uma liderança nacional. Pretendemos fazer alguma mobilização nesse sentido.” Mas ele afirma que há um compromisso com Lula e sua candidata, Dilma Rousseff. “Na época certa vamos ver se lançamos um nome ou não.” A respeito da frente parlamentar anticorrupção e das declarações do senador Jarbas, Alves diz que não há motivos para o PMDB se sentir ameaçado. “Somos o maior partido do Brasil, em escolha feita pelo povo. Isso incomoda muita gente. Mas estamos acima de denúncias infundadas”, diz.

Interatividade

A ação de alguns parlamentares contra a corrupção pode moralizar o Congresso?

Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br ou comente abaixo.

Correio Popular de Campinas 03 de março 2009

Publicada em 3/3/2009

Opinião
Roberto Romano erra de novo

Publicada pelo jornal Correio Popular, de Campinas, em nova resposta a mim dirigida — a segunda em apenas 15 dias — Roberto Romano, professor de Ética da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) volta a assestar baterias contra mim, mas começa seu texto pisando na bola.

Ataca-me de novo, indiretamente, usando metáforas e citando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Brito e os “300 picaretas do Lula”. Eu devia ficar quieto, indiferente a esse indisfarçável desejo de polemizar do professor Romano, mas ao mesmo tempo tenho de responder, mais como uma satisfação aos leitores deste jornal.

Não precisaria, porque tenho a consciência tranquila e todos sabem que em 40 anos de vida pública, 15 desses com mandato de deputado, jamais fui acusado de qualquer ato ilícito, muito menos de algo relacionado a caixa dois. Nunca fui sequer investigado.

Ao falar sobre o foro privilegiado — a imposição de ser julgado apenas pelo STF — o professor demonstra desconhecimento do assunto. Quem decidiu que eu teria foro dessa natureza foi o STF. Eu nunca reivindiquei, nem achei que tivesse porque quando a denúncia foi acolhida pela Corte (agosto de 2007) eu realmente não tinha foro privilegiado, pois não era mais deputado e nem ministro.

Não pedi, insisto, e o foro privilegiado só me prejudica. Tanto assim que na primeira instância, nos dois processos a que respondi, já fui julgado e absolvido.

Sobre meu direito de lhe cobrar explicações, questionado pelo professor, lembro que sou um cidadão que está inelegível, mas não sem direitos políticos e nem os tive cassados. Além disso — e insisto em lembrar isso ao professor Romano e a todos os demais que me acusam e julgam quando a Corte Suprema de meu País ainda não me julgou — tenho direito à presunção da inocência, princípio inerente ao direito e respeitado em qualquer país civilizado do mundo ou que, pelo menos, queira se ter nessa conta.

O professor Romano, nesse seu segundo texto no Correio Popular, fala de um contingenciamento de verbas da área de Ciência e Tecnologia (C&T) ao qual tenta associar-me. Nada de novo: fui e sou contra, e o governo Lula já começou a descontingenciar esses recursos.

É só conferir no Orçamento Geral da União. Não é fato e não é correto afirmar, como faz o professor, que o Congresso Nacional aceitou esse contingenciamento. Pelo contrário, e para aferir basta consultar os anais de sua Comissão de Ciência e Tecnologia. Aliás, o Congresso Nacional aprovou a Lei de Inovação, uma mudança sem precedentes na área de C&T.

Tampouco, e ao contrário do que afirma o professor, jamais afirmei que não existem problemas, e graves, na área de segurança pública no país e que faltam recursos — o que, de resto, é óbvio. O que registrei é que não procedia a declaração de Romano de que o Congresso nada fez sobre essas questões.

Aliás, no texto anterior, no primeiro que escreveu para atacar-me, o professor Romano não citou esses casos. Só o faz agora, quando diz textualmente que o Parlamento nada fez pela segurança, pela área de C&T e para ajudar a debelar a crise econômica, o que evidentemente é uma inverdade.

Sou e sempre fui contra a verba indenizatória — os recursos pagos a deputados para despesas em seu Estado de origem — outro assunto em que o professor Romano tenta distorcer a minha posição. Basta ler o meu blog.

Nesse segundo texto Romano tinha só que reconhecer que errou e não ficar me atacando de novo, e novamente sem razão. Não pedi, não quis e não quero foro privilegiado. Não tenho medo do julgamento e fui absolvido até agora em todas as investigações, inquéritos e processos instaurados contra mim, inclusive de uma devassa de 17 meses feita pela Receita Federal sobre 5 anos de minha vida fiscal, bancária e patrimonial.

Em todos os processos em que fui acusado e nos quais tentaram me envolver, fui absolvido. Logo não temo a justiça. No que escrevi, não brinquei com a honra de Romano. Apenas apontei que ele, um professor e intelectual, cometia uma grave falha ao analisar e criticar, de maneira superficial e apressada, mazelas e até mesmo ilícitos praticados por parlamentares.

Ele errou ao colocar no mesmo saco a instituição, sem a qual não existe democracia, e seus integrantes, os parlamentares. Quem confunde o Parlamento com suas facções corruptas é ele e não eu. Sei distinguir o joio do trigo. Lamentável, mas a verdade é que o discurso de Romano joga água no rio do autoritarismo, tão ao gosto dos saudosos do udenismo.

José Dirceu é ex-ministro chefe da Casa Civil

Um país onde a saúde é perfeita, assim falava o Maroleiro...

02/03/2009 - 22h09

Com 94% da população sem plano de saúde, médicos de AL decidem abandonar o SUS

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió


"Antes, estes procedimentos eram realizados pela tabela de preços dos convênios particulares, o que representava ônus aos cofres públicos estaduais. Havia procedimento que chegava a custar até 300% a mais do valor estabelecido pela tabela do SUS", explicou o procurador-geral do Estado em exercício, Charles Weston.

Na prática, a nova decisão impede que o médico receba valores acima do estabelecido na tabela SUS, o que acirrou ainda mais os ânimos da categoria. Segundo o presidente do Sinmed, os profissionais ficaram revoltados com a decisão, o que culminou na decisão desta segunda-feira. "Em outros Estados há uma complementação. A saúde é de responsabilidade de todas as esferas de governo, e elas têm que fazer sua parte e investir. Alguém tem que pagar a conta", diz. "A Justiça quer obrigar os hospitais a exigirem que o médico trabalhe pelo preço da tabela SUS. Estamos parados há oito meses e nenhum profissional sentiu o impacto financeiro dessa paralisação. Os valores pagos são irrisórios", afirma Wellington Galvão.


Alagoas deve ser o primeiro Estado do país a não contar com médicos credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em greve há oito meses, os profissionais do Estado decidiram, de forma unânime, sair em massa da lista de prestadores de serviço do SUS. A assembleia aconteceu na noite desta segunda-feira (2) na sede do Sindicato dos Médicos (Sinmed). Em Alagoas, 94% da população não tem plano de saúde e depende dos serviços públicos.

Maior maternidade de AL pode perder pediatras

A crise na saúde pública de Alagoas chegou à única maternidade pública que atende parturientes e bebês de alto risco. Na última sexta-feira, 15 pediatras prestadores de serviço da Maternidade-Escola Santa Mônica decidiram entregar os cargos. Eles alegam que o Estado não estaria cumprindo com o salário acordado com os profissionais contratados sem concurso público. Além disso, o hospital está sem neurocirurgiões há dois meses


Em Alagoas existem pouco mais de 300 médicos credenciados ao SUS. De acordo com o Sinmed, esse número já foi de 1.400. Segundo os profissionais, os valores pagos estão defasados em até 1.600%. "O preço pago por uma consulta hoje é de R$ 2,47. Não dá para se trabalhar por um valor desses. Não queríamos deixar a população na mão, mas alguém tem que pagar a conta do serviço prestado", analisa Wellington Galvão, presidente do Sinmed.

Entre todas as especialidades, os anestesistas são os que estão mais avançados no processo de descredenciamento. "Já temos coletadas todas as assinaturas desde julho, quando teve início o movimento. Não entregamos ainda porque houve a paralisação e preferimos aguardar as negociações, que não avançaram", afirma o presidente da cooperativa de anestesistas de Alagoas, João Lisboa.

Segundo Galvão, a partir desta terça-feira (3) um grupo de profissionais vai se dividir em equipes para visitar os hospitais do Estado e recolher as assinaturas dos médicos. "A gente analisava a possibilidade de pedir esse descredenciamento pelo próprio sindicato, mas juridicamente não é permitido; ele tem que ser feito individualmente. Mas já recolhemos dezenas de assinaturas hoje e vamos conseguir as demais para entregarmos os pedidos juntos. Terá o mesmo efeito", afirma o sindicalista, que espera estar de posse do pedido de pelo menos 90% dos profissionais até o fim do mês.

Para Lisboa, os valores praticados pelo SUS "obrigam" os profissionais a tomarem este caminho. "Esse movimento tentou melhorar os valores pagos pelo SUS, mas não conseguimos. Vamos ter uma reunião na quinta-feira (5) e vamos decidir se entregamos logo o pedido ou se esperamos os demais colegas", explica João Lisboa.

Entenda a crise na saúde
Por conta da greve, todas as consultas e procedimentos cirúrgicos pelo SUS estão suspensos, exceto os casos urgentes. Segundo o Sinmed, cerca de 4.000 procedimentos deixaram de ser realizados somente este ano. A única unidade que está atendendo aos alagoanos pelo SUS é o Hospital Universitário (HU), mas o local está superlotado e não atende à demanda de pacientes.

Durante 40 dias, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, os médicos chegaram a suspender a paralisação em Alagoas, a pedido da Defensoria Pública do Estado, e tentaram uma negociação de complemento nos valores da tabela do Estado e do município de Maceió. Porém, as negociações não avançaram e a greve voltou.

Como Estado e município não aceitaram complementar com recursos próprios os valores da tabela SUS, o Ministério Público Federal ingressou, em dezembro de 2008, com uma ação na Justiça Federal, que aceitou o pedido e obrigou a prestação de serviços sob responsabilidade dos governos estadual e municipal. Porém, na semana passada, a Procuradoria Geral do Estado reverteu a obrigação do Estado de prestar esse serviço.

Em nova liminar, a Justiça Federal acatou o pedido do governo e proibiu os hospitais de repassarem qualquer recurso a mais que aquilo indicado na tabela do SUS. Com isso, os médicos passam a ser "obrigados" a trabalharem pelos valores estabelecidos pelo sistema, sem nenhum complemento de verba estadual, municipal ou mesmo particular.



Jornal da Unicamp

Trote da Cidadania é um orgulho para a Unicamp, diz reitor Tadeu Jorge

Fotos:
e edição de imagens: Everaldo Silva

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[2/3/2009] Ao receber nesta segunda-feira (2) os ingressantes de 2009, o reitor José Tadeu Jorge destacou a importância do Trote da Cidadania. “Esse evento tem alcançado um destaque especial na sociedade e, também, nos organismos que estimulam esse tipo de prática”, afirmou Tadeu. Ele lembrou que quando chegou à Unicamp, como aluno, em 1971, não havia trote nem cidadania. “Vivíamos em plena ditadura militar e ter cidadania era algo excepcional”, comentou. No auditório 3 do Centro de Convenções da Unicamp, o reitor fez em uma breve apresentação da Universidade, mostrando aos novos alunos imagens como a do lançamento da pedra fundamental e também do campus de Barão Geraldo nos dias atuais. “Temos uma interação muito forte com a sociedade”, assegurou Tadeu. Veja a programação completa no site da Semana do Trote.

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Atenção maroleiros do Planalto, vem macro marola por aí....

Liberation
Économie 02/03/2009 à 18h24

Mini-krach à la Bourse de Paris

Déprimé par le secteur financier, le CAC 40, qui recule de 4,48%, enregistre sa deuxième plus forte baisse de l'année. Et retrouve son niveau du 13 mars 2003. Les autres marchés européens ont aussi souffert. La Bourse de Paris a lourdement chuté ce lundi, le CAC 40 perdant 4,48%, pour tomber au plus bas depuis le 13 mars 2003, dans un marché déprimé par l'état de santé du secteur financier.

L'indice vedette a lâché 121,02 points à 2.581,46 points, dans un volume d'échanges peu étoffé de 3,047 milliards d'euros. Il avait déjà fini en net recul vendredi, perdant 1,54%.

Le CAC 40 connaît sa deuxième plus forte baisse en 2009, après celle du 14 janvier (-4,56%) et tombe au plus bas depuis le 13 mars 2003 (2.554,71 points). De leur côté, Londres a cédé 5,33%, Francfort 3,48% et l'Eurostoxx 50.

La place parisienne a dégringolé tout au long de la séance, troublée par l'annonce de l'augmentation de capital du géant bancaire mondial HSBC, puis par la publication par l'assureur américain AIG d'une perte abyssale de près de 100 milliards de dollars pour 2008.

Parmi les valeurs financières, BNP Paribas a perdu 9,31%, à 23,57 euros.

(Source AFP)


Le Figaro

  • La Bourse de Paris chute et retrouve son niveau de 2003

    T Dong
    02/03/2009 | Mise à jour : 20:00

    Crédits photo : AP

    Le CAC 40 clôture en baisse de 4,48% et rejoint son plus bas niveau depuis 6 ans. L'état de santé de l'économie américaine, après la publication d'un PIB décevant, préoccupe les investisseurs.

    Journée ordinaire de chute des indices à Paris. Le CAC 40 clôture en forte baisse de 4,48% à 2581 points, plombé par les valeurs financières, dans le rouge vif suite à l'augmentation de capital de la banque HSBC et après l'annonce de résultats jugés décevants. L'indice n'est désormais plus très loin de ses plus bas de mars 2003, lorsque le CAC (analyse technique) flirtait avec les 2400 points.

    Vendredi, les Etats-Unis ont publié un produit intérieur brut américain en chute de 6,2% au quatrième trimestre en rythme annuel, contre 3,8% initialement annoncé. Le marché attendait un recul de seulement 5,4%. L'économie américaine est toujours embourbée dans la récession et ce ne sont guère les propos du président de la Réserve Fédérale, la semaine dernière qui vont rassurer les opérateurs. Ben Bernanke avait certes indiqué que l'on pouvait «raisonnablement» espérer que la récession prenne fin aux Etats-Unis en 2009. Mais il avait dans le même temps indiqué qu'une reprise véritable de l'activité n'interviendrait pas avant 3 ans.

    Pas plus prolixe, Jean-Claude Trichet, président de la Banque centrale européenne, indiquait de son côté à la radio irlandaise Newstalk que 2010 «serait une année au cours de laquelle nous pourrions observer une reprise». Ces propos n'ont en tout cas pas plus rassuré le marché des changes, où l'euro perdait du terrain face au dollar, consécutivement au rejet de l'idée d'un grand plan d'aide pour l'Europe de l'Est par les dirigeants européens. Il évoluait ainsi à 1,2597 contre 1,2673 vendredi.

    En France, les experts du ministère de l'Économie prévoient désormais un recul de 1,5% du PIB, en raison du fort ralentissement de l'économie mondiale et des investissements en berne des entreprises.

    Les bancaires en queue de peloton

    Seules Essilor (+0,97%) et Sanofi-Aventis (+0,44%) sortent la tête de l'eau. Les 38 autres titres de l'indice phare de la Bourse de Paris perdent du terrain. PPR qui se maintenait à la mi-séance lâche finalement 2,01%.

    Les valeurs bancaires ferment la marche. La publication des résultats inquiétants du groupe britannique HSBC, et l'annonce de sa recapitalisation à hauteur de 12,5 milliards de livres, entraînent BNP Paribas (-9,31%), Société générale (-7,79%), Crédit agricole (-7,19%) et Dexia (-4,70%) au tapis.

    Fortis holding, l'Etat belge et BNP Paribas ont reporté au 6 mars l'échéance du Protocole d'Accord d'octobre qui expirait le 28 février. Les négociations se poursuivent.

    Vivendi (-0,61%) a dégagé un bénéfice net 2008 en recul de 0,8% à 2,6 milliards d'euros. La perte nette ressort à 1,38 milliard d'euros au 4e trimestre. Le résultat opérationnel ajusté de Vivendi devrait fortement progresser en 2009, selon la société. Dans une interview accordée au journal Le Figaro, Jean-Bernard Lévy, président du directoire de Vivendi, précise que ces bons résultats sont dus aux positions de leader dans chacun des métiers du groupe et à une bonne maîtrise des coûts.

    Dans une interview au Journal du Dimanche, François Pérol a qualifié de «régulières» les conditions de sa nomination à la tête de l'entité fusionnée Caisse d'Epargne-Banques populaires. Il souligne qu'il n'était «pas demandeur» de ce poste. Les investisseurs restent inquiets. Natixis, la filiale des deux banques, perd 12,7%.

    La Commission européenne s'est déclarée satisfaite samedi des garanties présentées par la France concernant l'absence de caractère protectionniste portant sur son plan d'aide aux constructeurs automobiles. Le plan, annoncé le 9 février, prévoit d'accorder 7,8 milliards d'euros d'aides au secteur, dont 6 milliards de prêts à taux préférentiels pour Renault (-6,81%) et PSA Peugeot Citroën (-2,31%). Par ailleurs, les ventes de voitures en France ont chuté de 13,1% en février. PSA affiche une baisse de 13,8% et Renault de 13%.

    Le Conseil de Surveillance de PSA a examiné la rémunération des membres du Directoire. Celle-ci restera inchangée cette année par rapport à 2008, à 1,03 millions d'euros pour le Président et à 618000 euros pour les autres membres du Directoire.

    Ipsen (-11,4%) a dégagé un chiffre d'affaires 2008 de 971 millions euros et un bénéfice de 147,2 millions euros.

Uma bibliografia mínima sobre corrupção na Itália e no mundo. É de bom alvitre consultar, para não supor que só no Brasil existe a coisa.


Author
Patrizia Corvino

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Altro materiale è stato tratto dai seguenti siti internet:
http://www.camera.it
*http://www.dirittobancario.it
http://www.europarl.eu.int
http://impresa-stato.mi.camcom.it
http://www.seco.admin.ch.it
http://www.transparency.org
http://Worldbanck.com

Em São Paulo e no Brasil, se tornou "chic" apoiar o PT e Lula. Uma revista trouxe depoimentos de socialites, retomados por mim no artigo abaixo.

Correio Popular de Campinas, 15/11/2005.

De como o PT virou saco de risada

Roberto Romano

Peça em um ato. O ambiente se divide em dois: sala de redação e mesa de restaurante chic. Duas falsas loiras, com ar de peruas, trocam cumprimentos pela eleição presidencial.

“- Oi Elite, tá boa? Saudade... - minhum, minhum…

- Tô boa imprensa e você? Saudade... minhum, minhum…

- Então, contentinha com a eleição do Lula? Que chic, mulher! Gracinha o presidente, terninho Ricardo Almeida e tudo tudo! Mudaram a imagem dele, o Lula não parece mais tão agressivo. Desde que eleito, tranquilizou muito as pessoas. Tá todo mundo torcendo para que dê certo. Também, querida, a situação é complicada. Se a gente não entrega os anéis, os dedos vão embora... não se pode mais ter o carro desejado ou sair com a jóia de que se gosta nem de dia. Sempre houve pobre na rua, mas agora chegou a um ponto que incomoda. Tinha um, agora tem dez. Eu vou ao McDonalds e não consigo comer, de tanta criança pedindo dinheiro. Me embrulha o estômago.

- Certo! Você não pode mais ser feliz. Na rua, é degradante ver pais de família desesperados pedindo esmola. No trânsito, não dá nem para paquerar. Com esses vidros pretos, ninguém se vê...

- Agora a coisa melhora. Com o Lula, os pobres encontrarão o seu lugar. Nada como a gente ter ajuda de alguém que veio de lá... Espera um pouco, tá passando helicóptero. Oi? O Lula veio de lá, conhece as necessidades dessa gente. Ao mesmo tempo, pode-se dizer que circula no poder há 20 anos. É o melhor mediador que a gente podia ter nesse momento. Tenho muita fé nele.

- Claro, segundo a minha analista, as pessoas que tinham horror a esse personagem passaram a acreditar nele como mediador entre o Brasil que eles conhecem e o Brasil de que eles têm medo. Minha analista é chiquérrima!

- Ela é in !

- Mas a vida não tá fácil. A gente não pode ceder aos desejos... outro dia, no jantar do nosso people ao PT, senti um tesão tão grande de estar perto do Lula, que, não fosse meu marido me tirar dali, ficaria até de madrugada. Pedi, depois, as fotos da festa, porque queria pendurar na parede de casa.

- Comigo não é assim, cê sabe o quanto sô seletiva. Votei no Serra, mas agora, chique é apoiar Lula. É dele que o Brasil precisa. Estou muito otimista.

- Cê tem razão quanto à seletividade, também sou assim! Mas o Lula melhorou muito o visual e as idéias, deixou aquela pose de assustar criancinha e as idéias... humm, que limpeza! Eu o vi de longe no Gallery em 1980, quando ainda era metalúrgico. Tive simpatia pela pessoa, mas, na época, não votaria nele nem para síndico de prédio.

- É, infelizmente, a gente dele não muda. Veste mal, fala errado, tudo muito podre! Lula vai resolver a questão da pobreza, mas tem de quebrar ovos para fazer omelete. O problema das crianças pedintes, por exemplo, só se resolve com rigoroso controle da natalidade, mas a igreja não vai gostar nada disso. A verdade é que as pessoas colocam filhos no mundo porque rendem esmolas.

- É minha filha, mas nesse governo tucano, todo mundo perdeu. Mesmo os ricos estão inadimplentes. Você vai ao Harmonia (*)e vê uma porção de gente com sapatinho gasto. Horror!

- A gente precisa apoiar o Lula, porque ele mostrou ser capaz de mudar. O Ricardo Almeida é detalhe. Mudou muito, muito, muito. Você sabe, não quero baixar o padrão, quero que todo mundo suba.”

Corte rápido: numa CPI qualquer, Silvio Pereira estapeia Delubio e lhe arranca fios de barba, doido pelo sumiço do sonhado Land Rover, penhor de subida na escala social. Deputados petistas acusam a imprensa e a oposição: “golpismo, golpismo, golpismo... ismo, ismo, ismo, ismo...”. Baderna geral, surras e palavrões na “Casa do Povo”.

Baixa o pano. Entra a voz de Lula evocando rigorosas investigações, invencionices jornalísticas, denuncismo. Uma turma de idiotas repete o coro, nela, incluindo-se filósofos e donos da ética na política, tranformada em frangalhos obscenos. Entram assessores com dinheiro na cueca, outros vestidos apenas com fraldas infantis, jurando inocência pura. Cheiro de cachaça no ar, espargida sobre a platéia por militantes petistas. Surge, devagar, uma voz cantando Adoniran Barbosa: “... saudosa maloca, maloca querida, dindindonde nós passemo, dias feliz da nossa vida…”.

(*) Clube da elite paulistana.

Nota: todas as falas acima são absolutamente verídicas. Para tristeza dos que ainda têm vergonha na cara.

Roberto Romano é professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp

Jornal da Unicamp

Robôs interagem com o público em instalação na Galeria de Arte no dia 5

[19/2/2009] Um projeto novo no Brasil e que promete empolgar o grande público terá apresentação inédita no espaço da Galeria de Arte Unicamp (Rua Sérgio Buarque de Holanda, s/n – no andar térreo do prédio da Biblioteca Central) no próximo dia 5, às 12h30. Trata-se da instalação Aural, um ambiente evolutivo aplicado ao som de trajetórias robóticas que põem em cena câmeras, os olhos da instalação, e apresenta algumas possibilidades do que pode ser uma visão robótica. A iniciativa é coordenada pelos pesquisadores que atuam em arte e tecnologia da Universidade, Artemis Moroni (do Centro de Tecnologia da Informação “Renato Archer” – CTI) e Jônatas Manzolli (do Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora – Nics).

Essa exibição permanece no local até o dia 20, quando três músicos farão a estréia da obra “Variações robóticas”, que foi composta por Manzolli e com alguns trechos produzidos pelo Aural. O som da marimba, piano digital e cello se entrelaçará com os acordes evolutivos do Aural. Pela primeira vez acontece a integração da música criada pelo conceito de processos evolutivos e do sistema de visão artificial. Uma comunidade de robôs produz juntos sons e imagens.

O usuário que participar dessa instalação poderá, através do desenho de uma curva do mouse, disparar uma cadeia de eventos sonoros. O projeto, abraçado pela Fapesp e Pibic, foi desenvolvido para criar texturas sonoras que se auto-organizam a partir de interações simples com os agentes do sistema, os robôs móveis.

No Aural, as trajetórias geradas pelos robôs são associadas às estruturas sonoras de um ambiente chamado JaVOX. Em computador, o usuário faz desenhos de curvas, associando a elas trajetórias que guiam a produção sonora. Tais curvas são transmitidas para um robô-mestre, o Nomad, percorrer numa arena monitorada por um sistema de visão artificial.

Outros robôs móveis, iCreates, estarão presentes no ambiente. Em caso de colisão, o iCreate se afasta. Este comportamento é observado pelo sistema de visão artificial, que monitora as trajetórias dos robôs, enviando-as de volta para o JaVOX. Assim, o fluxo de informação parte e retorna para ele. A amplificação sonora é realizada no entorno do espaço onde os robôs navegam e, para isso, são empregadas duas caixas acústicas e uma placa de som conectada a um computador central. A instalação Aural consiste na descrição do processo de “sonificação” através de populações de clusters e acordes, criando novas sonoridades a cada passo.

De acordo com Manzolli, nos primórdios da era da arte computacional, destacou-se, no mundo, o professor da Unicamp Valdemar Cordeiro. Foi ele quem dirigiu a primeira pesquisa em computador no país, em 1968, à frente de uma equipe de matemáticos, físicos, artistas e engenheiros, utilizando os meios eletrônicos para programação de arte. Em 1971, o professor deu um passo muito importante ao promover uma exposição internacional de arte de computador. E a proposta se expandiu.

NO BLOG IT'S ABOUT NOTHING....

Cartão do Bolsa-Família era usado na compra de drogas no Piauí

PARAFRASEANDO ALGUÉM, A BOLSA FAMÍLIA É O ÓPIO DO POVO. MUITO DIALÉTICO, NÃO ACHAM? RR


O Globo

TERESINA - O cartão Bolsa-Família, criado pelo Governo Federal como uma das formas de erradicar a pobreza no país, estava sendo usado em Parnaíba, na região norte do estado do Piauí, a 350 quilômetros da capital Teresina, como garantia de pagamento de drogas em 'bocas' (posto de venda) de maconha. Uma operação conjunta realizada pelas polícias Militar e Civil encontrou diversos cartões na casa de um homem suspeito de envolvimento com o tráfico na região.

De acordo com a polícia, os cartões foram encontrados na casa de Fabiano Alves Pereira. Segundo informações prestadas pelo chefe de investigações do 2º distrito policial de Parnaíba, Astrogildo Fernandes, a polícia chegou até o esquema após a denúncia do roubo de uma bicicleta. A vítima informou aos policiais que a bicicleta estava escondida numa residência localizada na rua 1, no bairro Nova Parnaíba, onde morava Fabiano Alves Pereira.

Uma equipe de policiais civis e militares foi até o local e lá encontrou a bicicleta roubada - que já estava sendo desmanchada - além de maconha, R$ 82,00 em dinheiro e cartões do programa Bolsa-Família. Segundo Pereira contou aos policiais, os cartões tinham sido deixados por viciados e traficantes que cuidavam de 'bocas de fumo' menores, como garantia de pagamento da droga comprada 'fiado'.

Segundo os policiais, no dia da liberação do dinheiro do Bolsa-Família, Pereira acompanhava o dono do cartão até uma casa lotérica, onde o dinheiro era sacado e ele recebia a sua parte. O acusado foi preso e encaminhado para a delegacia, onde foi autuado em flagrante e em seguida encaminhado para a Penitenciária Fontes Ibiapina, onde ficará aguardando uma decisão da justiça. - É lamentável que o cartão do bolsa-família seja usado como moeda de troca - disse o policial Astrogildo Fernandes.

Poderia bancar o 'engraçado' e dizer que esse cartão já é usado para comprar drogas faz tempo: votos para Lula e seus aliados. Mas a situação é mais séria do que se pensa. Quando esses cartões não são emitidos para fantasmas e desviados para uma única pessoa, eles já são usados para comprar bebidas alcoólicas e drogas. O cartão em si é uma espécie de droga, pois vicia as pessoas no ócio e a dependerem do Estado-pai.

domingo, 1 de março de 2009

NO BLOG DE MARTA BELLINI.....e perguntar não dói. Onde foi parar o jornalista que matou a namorada diante do mundo?

Uma doença a violência...

Imagem: Duas Fridas

Mulheres continuam sendo vítimas da violência doméstica
Levantamento inédito do Ministério da Saúde sobre atendimentos nas emergências dos hospitais de 35 cidades nos 27 estados comprova que a violência em casa foi a causa número um de atendimentos de emergência entre mulheres. Em segundo lugar vêm tentativas de suicídio e maus-tratos, que o Ministério da Saúde define como violência repetida. Leia mais em Violência doméstica é maior causa de atendimentos femininos em emergências

No It's abouth Nothing, comentário na mosca, ou como dizem os norte americanos "Bingo !".

Domingo, 1 de Março de 2009

Gasto com Imposto de Renda subiu até 5 vezes mais que a inflação em 12 anos

O Globo
RIO - De 1996 a 2008, o crescimento do gasto da família brasileira com o Imposto de Renda (IR) chega a 451,8%, cinco vezes mais que a correção de preços no período, de 84,15%, segundo estudo da consultoria Ernst & Young. É o que mostra reportagem de Danielle Nogueira, publicada neste domingo no jornal O Globo.

A disparidade resulta da combinação de dois fatores que seguiram caminhos opostos ao longo desses 12 anos: o reajuste da tabela de IR abaixo da inflação e o aumento dos salários acima do índice de preços. Uma distorção que, na avaliação de tributaristas, só será corrigida com reajustes complementares da tabela. - Com a política do governo Lula de elevar o mínimo, as famílias passaram a ganhar mais. No entanto, como a tabela (de IR) não acompanhou a inflação, muitas passaram a um novo patamar nas faixas de alíquotas de IR e tiveram seu poder de compra reduzido devido ao maior gasto com impostos - diz o gerente sênior da Área Tributária da Ernst & Young, Frederico Good God.

Entre 1996 e 2008, a tabela do IR foi reajustada em 44,5%, praticamente a metade da inflação acumulada no período medida pelo IPCA, do IBGE. Isso significa defasagem de 39,65%. O salário mínimo, por exemplo, seguiu na direção contrária: subiu 270% nos últimos 12 anos. Quanto mais baixa a renda, maior foi o salto no valor pago de IR.

Tudo isso para a farra com o dinheiro público: mordomias, viagens, diárias de comitivas, vaigens eleitoreiras e repasse de dinheiro para bandos e quadrilhas como o MST. O maior protesto que o trabalhador e o empresário sério brasileiro poderia fazer contra o governo era não pagar impostos. Teria que ser organizado e bem feito. Gostaria de ver como os 'donos do poder' fariam para sustentar seu modo de vida.

Uma entrevista que dá o que pensar. Merece leitura e reflexão.

São Paulo, domingo, 01 de março de 2009





Notícia urgente
Diretor da "Nouvel Observateur", umas das mais prestigiosas revistas da Europa, Jean Daniel fala da amizade com Albert Camus e diz que a crise levou o jornalismo a perder seus paradigmas



A capacidade que o jornalista tem de fazer o mal é devastadora


JUAN CRUZ

A sala de trabalho de Jean Daniel é repleta de fotos, e entre todas se destacam as que guarda de seu mestre, Albert Camus, que não apenas é seu conterrâneo como também uma fonte constante de inspiração.Daniel dedicou um livro a ele, que está saindo agora em espanhol: "Camus na Contracorrente", uma homenagem ao jornalista e intelectual que foi Nobel de Literatura e, ao mesmo tempo, um livro de estilo para o exercício do jornalismo.

No livro há uma imagem -da qual não há fotos- em que se vê Camus entrando numa boate com seus colegas do jornal "Combat", que fazia a resistência à ocupação nazista de Paris. Eles tinham feito uma boa edição nesse dia, e Camus estava exultante. Ao entrar no bar, exclamou: "Vale a pena lutar por uma profissão como esta!".

Jean Daniel tem uma trajetória longa como jornalista, talvez o mais influente da França em alguns momentos, sobretudo como diretor e cabeça pensante da "Le Nouvel Observateur", uma revista elitista que ele decidiu converter em periódico de grande tiragem sem reduzir sua ambição cultural. Aos 88 anos, conserva todas as suas faculdades alertas, escreve seus artigos, viaja, apresenta livros e vive em contato permanente com a revista. E com a realidade.

Atrás de sua cadeira está a primeira página do "New York Times" do último 5 de novembro; o diário o cita em sua primeira página como respeitado esquerdista europeu que escreveu sobre "o épico glorioso de Barack Obama", e Daniel está feliz com esse recorte, que sublinhou. E sobre aquela frase de Camus? Vale a pena lutar por este ofício?

PERGUNTA - Como deve ser a relação do jornalista com o poder?

JEAN DANIEL - Os jornalistas estão entre o poder e a história. E hão de saber como funciona o poder, com a condição de que o fascínio não caia na indulgência e na corrupção. Respeitadas essas condições, é muito interessante ver como funciona um homem que detém todos os poderes. Nesse momento é preciso desconfiar de tudo, até do mínimo detalhe. É difícil julgar com rigor e objetividade pessoas que estão à sua frente. Já me ofereceram de tudo: uma casa no México, por exemplo. Na Tunísia, também quiseram ser muito amáveis comigo. Mas a relação do poder com a imprensa é um problema nos dois sentidos. Já conheci épocas em que havia corrupção entre os jornalistas, mas conheci períodos em que os jornalistas eram acossados. Um homem com poder é um homem que esconde alguma coisa, e é preciso descobrir o que é. É um equívoco pensar que sempre há um crime. Existem os dois excessos, e hoje existe o excesso de transparência: não se sabe que crime existe, mas é preciso descobri-lo. É verdade que um ditador esconde tudo, e nosso papel é descobrir o que ele esconde. Mas já se passou dos limites: quando levada ao extremo -ou por virtude ou por vício-, a transparência chega à violação da vida privada. E há uma intromissão nova, a da fotografia na vida íntima. Quando se ultrapassam os limites, chega-se a aberrações. Veja o que aconteceu agora com Milan Kundera, o grande romancista tcheco, acusado de ter denunciado um companheiro. Ele tinha 21 anos na época; agora tem 79. Não havia provas. Os jornalistas foram a Praga e não encontraram provas. Mas saiu uma manchete junto a uma grande foto de Kundera: Kundera "teria sido"... E, com esse verbo no futuro do pretérito, mais a enorme foto e a manchete, Kundera passa a "ser". O texto em si era honesto, mas o leitor se atém apenas à imagem e à força da condicional. Jornalismo é escrita, é texto. Mas naquela informação havia apenas a força da imagem, a força do título e a força do tempo verbal. Talvez o jornalista fosse honesto, mas veja só o resultado...

PERGUNTA - É o princípio da calúnia...

DANIEL - Sem dúvida, só que hoje a calúnia se apoia nas novas tecnologias.

PERGUNTA - Na difusão de rumores...

DANIEL - Não é exatamente isso. Alguns anos atrás, sim, se produzia a divulgação de rumores, um termo que começou com Beaumarchais [1732-99, autor da peça "O Barbeiro de Sevilha"]. Mas hoje a novidade está na apresentação das notícias. Você liga a televisão e vê um rosto. O que essa pessoa fez? E depois de ver o rosto, alguém diz: "Fulano foi acusado de...". Sem provas. Não é apenas a difusão do rumor, é a força que se confere à apresentação do rumor.

PERGUNTA - A internet é um instrumento que difunde rapidamente tudo o que toca.

DANIEL - Sim, possibilita a multiplicação do rumor.

PERGUNTA - Qual é sua posição sobre o futuro da imprensa a partir do surgimento desse instrumento poderoso?

DANIEL - Se eu soubesse! Saber isso seria muito importante para muitas pessoas, inclusive os editores de revistas e jornais. É verdade que existe uma crise da imprensa; é possível que os jornais de hoje se tornem complementos da internet. A realidade será a internet. Essa é uma possibilidade. Já com o livro não vai acontecer o mesmo. Já ficou comprovado que as pessoas querem segurar um objeto como esse nas mãos. Existe algo de mágico no livro -a forma, as páginas.

PERGUNTA - Em que a internet contribui para o jornalismo?

DANIEL - Para os jornalistas, a internet traz o gosto pela velocidade. A possibilidade de qualquer pessoa responder a qualquer pessoa. Ou o fato de que todo mundo possa ser jornalista e, nesse caso, que os próprios jornalistas deixem de acreditar neles mesmos, porque são questionados a todo momento. Está se produzindo um descrédito na função do jornalista.

PERGUNTA - Que se preparou para ser jornalista.

DANIEL - Todo esse itinerário de preparação, que terminava num estatuto de prestígio e autoridade do jornalista, está sendo destruído pela aparição repentina de alguém que encontra uma foto e a coloca na internet. E essa foto pode destruir alguém. Há vantagens, não para o jornalista, mas há vantagens. É o sonho da opinião pública, pois se abre uma possibilidade infinita de se expressar. Mas o que eu dizia com relação ao perigo que existe nessa situação é algo que me preocupa.

PERGUNTA - Camus dizia que o jornalismo é a informação crítica. Talvez a velocidade possa mudar essa definição de jornalismo.

DANIEL - Não é forçosamente mau reagir diante das opiniões. Além disso, essa velocidade proporciona uma visão imediata do sentir popular. Nem tudo é negativo. Pode-se saber instantaneamente se o que escrevemos desperta interesse. Mas a verdade é que todo mundo está com medo.

PERGUNTA - Em seu livro sobre Camus, leem-se quatro diretrizes que resumem as obrigações de um jornalista: "Reconhecer o totalitarismo e denunciá-lo. Não mentir e saber admitir o que se ignora. Negar-se a dominar. Negar-se sempre, sob qualquer pretexto, a praticar qualquer tipo de despotismo, incluindo o provisório". Quais são, para o sr., as obrigações de um jornalista hoje?

DANIEL - A lista de Camus ainda é válida. O que é preciso acrescentar a ela? Provavelmente a capacidade de conhecer as novas armadilhas da tecnologia. Quando Camus enumerou essas obrigações, ainda não existia a televisão. E o reinado da imagem mudou tudo, incluindo a forma de escrever. Imagine um romancista que escrevesse um romance e em cada parágrafo alguém lhe dissesse que seu nível de audiência estava caindo ou subindo. Escrever em razão da reação imediata do leitor! A grande inovação que intensificou os temores enunciados por Camus é a simultaneidade, a onipresença, o fato de que, quando alguém fala, faltam segundos para que a Terra toda saiba o que diz. Isso é algo extraordinário.

PERGUNTA - O sr. diz que a ameaça à vida privada é o pior defeito do jornalismo atual.

DANIEL - Há muita gente que pensa que a transparência é algo muito importante e que, se a vida pública se misturou à vida privada, o leitor tem o direito de conhecê-la. Há pessoas de alto nível que pensam que, se [o premiê italiano, Silvio] Berlusconi mistura sua vida pública com seus interesses privados, temos o direito de conhecer detalhes desses fatos. Há pessoas que não são desonestas, mas que pensam dessa forma. E isso nos pode levar muito longe.

PERGUNTA - Por isso o sr. diz que um jornalista tem um poder injusto.

DANIEL - Naturalmente, muito frequentemente é assim. A capacidade de fazer o mal que tem o jornalista é devastadora. Em um dia ou em uma hora se pode desmontar uma reputação. É um poder terrível.

PERGUNTA - E como se pode limitar esse poder sem chegar à censura?

DANIEL - É uma apreciação difícil, que depende, em primeiro lugar, do diretor de Redação, do redator-chefe, do chefe de departamento, da forma como se concebe o periódico. Isso acontece dentro de quatro paredes; não existe uma lei para isso.

PERGUNTA - Como Camus, o sr. adverte contra os furos de reportagem: é melhor averiguar do que publicar uma notícia que não é certa. Não é preciso ser o primeiro.

DANIEL - É melhor ser o segundo, mas verídico, do que o primeiro, mas equivocado. Todo mundo quer ser o primeiro. Na época de Camus, havia um grande assunto, a violência, e ele queria aprofundar-se mais nisso; a questão dos furos ficava em segundo lugar. Conversamos muitas vezes sobre isso: quando acabará o mal, como se reage a uma agressão. Chega-se a imitar o inimigo? Que futuro terá nossa causa se empregarmos as mesmas armas que nossos inimigos? E o jornalista? É honesto quando utiliza meios que considera inaceitáveis quando usados por outros? Hoje temos perguntas semelhantes. O que fazemos com o Irã? Temos que fazer como o Irã para combater o Irã? A pergunta é se estamos condenados ou não, hoje, a imitar os meios empregados pelos inimigos. Camus me interessou e continua a me interessar porque sua grande preocupação tem a ver com o modo como o jornalismo precisa enfrentar o grande tema de nossos tempos: a violência. Cada texto fundamental sobre o jornalismo deveria vir acompanhado de uma filosofia da violência.

PERGUNTA - O sr. diz que o jornalismo consiste em viver a história enquanto ela se faz. Como vê a história se fazendo hoje?

DANIEL - Perdemos os instrumentos da previsão; essa é a maior novidade. Não existe ciência econômica, não há conhecimento analítico financeiro -todos erraram. Há dez anos todos vêm errando. Perdemos os instrumentos de previsão e nos faltam paradigmas. Lévi-Strauss me disse isso e eu o escrevi: a ciência é importante, todo mundo se alegra com isso, mas nada é verdadeiro porque o mundo se tornou imprevisível. É o que ele dizia.

PERGUNTA - Inclusive com relação a Obama?

DANIEL - Sobretudo com relação a Obama. Quem havia previsto Obama?


A íntegra desta entrevista saiu no "El País". Tradução de Clara Allain.


Correio Popular de Campinas, 01 de março 2009


Publicada em 1/3/2009

Cidades
HC zera fila de transplante de córnea

Busca ativa de doadores e aumento nas captações reduzem espera apenas para o período de exames

Delma Medeiros
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
delma@rac.com.br

O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) zerou sua fila de transplante de córneas. Com isso, os pacientes que necessitam do procedimento têm que esperar apenas o tempo necessário para os exames. Foi o caso da bacharel em letras Taísa Andrade de Souza Silva, de 24 anos. Vítima de cerotocone, distúrbio que deforma a córnea e leva à perda gradativa da visão, ela fez o transplante no dia 22 de janeiro. “Fazia tratamento na Unicamp há uns seis anos, com lente de contato. Depois que decidimos pelo transplante, esperei apenas uma semana, o tempo indispensável para os exames”, conta.

Taísa diz que já não enxergava nada com o olho esquerdo, por isso a indicação do transplante. “A lente faz a correção do olho direito, mas não funcionava mais para o esquerdo”, explica, animada com a recuperação. “Os médicos me disseram que até estar com 100% de visão leva uns seis meses. Mas, no teste que fiz na semana passada, já enxerguei até a quarta linha. E antes não via nada”, comemora.

Zerar a fila é a meta da Central Nacional de Transplantes, órgão do Ministério da Saúde. Para a responsável pelo Banco de Olhos do HC, a oftalmologista Denise Fornazari, o êxito é reflexo do trabalho da Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Unicamp. “O aumento efetivo das captações é indispensável para esse resultado positivo”, avalia Denise. Segundo ela, apenas 15% das doações são espontâneas e a grande maioria depende da busca ativa realizada pela organização.

Já para o coordenador da OPO, Helder Zambelli, o mérito é das assistentes sociais do hospital e das campanhas de divulgação na busca ativa de doadores. “O serviço social se engajou nesse processo, são os grandes responsáveis pelo aumento de doações no HC, onde realizam trabalho de campo de maneira efetiva”, afirma. De acordo com Zambelli, o número de doadores de múltiplos órgãos aumentou 30% no último ano, o que leva ao crescimento da cultura da doação, principalmente a de córnea.

Desde 2000, o Centro de Notificação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) passou a distribuir as córneas pelo Sistema Nacional de Transplantes. “As doações são gerenciadas pela Secretaria de Estado da Saúde e enviadas para a Central de Transplantes, que as distribui para as filas regionais”, diz Denise. No Estado de São Paulo existem quatro filas regionais, na grande São Paulo, em Campinas, em Sorocaba, que abrange a área de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, e em Botucatu.

Hoje, a fila em todo o Estado tem cerca de 190 pacientes, número pequeno comparado às 6.207 cirurgias realizadas no ano passado, o que resulta na rapidez de atendimento e redução de espera. Antes, como a fila era muito longa, os pacientes eram orientados a se inscreverem no início do tratamento. Assim, na eventualidade de complicações, estariam mais próximos à cirurgia.

O Banco de Olhos da Unicamp começou a transplantar em 1991. Desde o primeiro ano, quando foram realizadas 35 cirurgias, até 2008, o HC transplantou 1.568 córneas, das quais 106 no ano passado.

A ginecologista e obstetra Miyo Fukui Assato, de 58 anos, está em contagem regressiva para o transplante de córnea. Ela teve uma úlcera ocular que provocou cerotocone e deformidade na córnea esquerda. E o transplante é a melhor opção. “Só esperei o tempo da cicatrização. Agora, estou apta para a cirurgia, marcada para o dia 11”, diz a médica, que afirma estar tranquila com o procedimento. “Estou ótima. O pessoal é muito experiente e competente. E saio com a expectativa de zerar o problema visual.”

Hospital recebe prêmio de destaque

O HC da Unicamp conquistou, em fevereiro, o prêmio Destaque em Transplantes, como uma das unidades recordistas do Interior em números de cirurgias e captação de órgãos. O evento foi no auditório José Ademar Dias, na Secretaria de Estado da Saúde, em São Paulo. O hospital ficou em primeiro lugar como o que mais realizou transplantes de fígado e rim fora da Capital. Incluindo a cidade de São Paulo, ocupa o terceiro lugar e, no País, a quinta colocação. No ano passado, foram realizados 54 transplantes de fígado e 70 de rim no HC. Segundo a médica Ilka Santana Boin, responsável pelo setor de transplante hepático da Unicamp, essa premiação é fruto do aumento de doações de órgãos no período de um ano. “Dobramos o número de transplantes realizados pelas equipes”, afirma.

Além dessas premiações, o médico aposentado pelo hospital, Luis Sérgio Leonardi, que foi coordenador da Unidade de Transplante Hepático, recebeu das mãos do governador José Serra (PSDB) uma homenagem de destaque da Secretária da Saúde como o pioneiro do transplante de fígado, feito no HC em 1997. (DM/AAN)