domingo, 31 de agosto de 2014

Roberto Romano Sobre estadistas e poderosos, jornal O Estado de São Paulo, 31 de agosto, 2014


Sobre estadistas e poderosos

Roberto Romano - O Estado de S. Paulo 

31 Agosto 2014 | 08h 19 

A falência da fé pública e do Estado, no mundo e no Brasil, gera a falta de políticos dignos do respeito cívico. Raras pessoas podem ser vistas como lideranças fidedignas, capazes de orientar as massas que pagam impostos e quase nada recebem em troca. John J. Mearsheimer afirma algo que deveria ser óbvio: “As democracias operam melhor quando incluem um mercado razoavelmente eficaz de ideias, que só funciona quando os cidadãos têm informações seguras e existem altos níveis de transparência e honestidade” (Why Leaders Lie: the Truth about Lying in International Politics). A prova de que a legitimidade sofre um abalo em nossos dias a temos no fato de que a maior parte dos políticos e partidos, quando apanhados com a mão no pote, prefere atacar... a moral pública, aplicando-lhe um sufixo comum na boca dos sofistas. Falar contra o roubo do erário seria apenas... Moralismo!

E segue a degradação da República com os maquiavéis nanicos que procuram não apenas sujar os próprios dedos, mas impor a bandalheira como algo positivo, tendo em vista miragens sublimes como a melhoria econômica, a governabilidade, etc. A hegemonia do Poder Executivo, em todos os Estados democráticos modernos, tem corroído a língua e os costumes políticos. No Brasil o problema é ainda mais grave.

Em nossa terra, com os resquícios das prerrogativas imperiais, o Executivo federal prejudica a Justiça e adquire votos no Parlamento com 30 dinheiros. Ele gera e gere a traição do mandato popular em troca de recursos orçamentários. Na balança dos Poderes, o peso maior pertence à Presidência da República. O Supremo Tribunal Federal (STF), cuja missão seria a de preservar a Carta Magna, não raro agiu como ator numa Realpolitik que tolerou abusos ditatoriais, de Vargas a 1968.

Nossos presidentes, caso pudessem, repetiriam a fala de Tiago 1: o governante “tem poder de vida e morte; julga acima dos súditos em todos os casos e só deve prestar contas a Deus”. Francis Bacon diz que os juízes devem ser leões sob o trono. Infâmias foram cometidas pela Justiça no Estado moderno. Uma coleta de julgamentos tirânicos é trazida por H. Fernandez-Lacôte (Les Procès du Cardinal de Richelieu, 2010). John Campbell traz uma outra amostra de capachos togados (Atrocious Judges. Lives of Judges Infamous as Tools of Tyrants and Instruments of Oppression, 1856). Magistrados em demasia agiram como escabelo do trono. Mas nem todos.

Evandro Lins e Silva foi juiz e nunca se calou diante dos poderosos. Ao contrário dos supostos democratas que odeiam a imprensa, ele defendeu jornalistas de 1934 até o seu último alento. Ao lado de Sobral Pinto, penetrou a alma brasileira ao acolher oposicionistas, desde 1932. No Supremo, Evandro julgou presos políticos relevantes: Mauro Borges, Plínio Coelho, Seixas Dória, Miguel Arraes, Vieira Neto, Sérgio Rezende, Caio Prado Júnior, Niomar Muniz Sodré, Ênio Silveira. Os ditadores deram-lhe alto prêmio ao arrancá-lo do STF. O poder brasileiro sempre procurou domesticar juízes, no Império e na República.

Fui à missa de sétimo dia, quando um grupo pequeno rezou pela alma de Evandro. A solenidade seguiu o decoro ritual. Mas o sacerdote, no sermão que deveria honrar o morto, incensou o governo. O padre falou muito tempo das qualidades excelsas do ministro da Justiça, de corpo presente, e pouco se referiu a Evandro. Meus sentimentos passaram de indignação à vergonha alheia, à tristeza de constatar uma atitude comum na Igreja anterior ao Concílio Vaticano II, o elo indissolúvel entre trono e altar. Consolei-me com a lembrança do espetáculo celeste: Evandro sendo recebido por Pedro, o primeiro papa, com a simplicidade dos justos que ignoram cortes e cortesanias. A lisonja é ignorada no céu. Ela domina o inferno.

A missa seguiu adiante e chegou a hora em que todos se ajoelham. No banco em frente ao meu estava Plínio de Arruda Sampaio. Espanto fulminante: ainda existia gente ética na vida política nacional! A prova? As solas dos sapatos de Plínio eram não apenas gastas, mas com evidente furo. Um homem que esteve nos mais elevados postos do governo, cuja presença foi estratégica na construção da ordem civil, vivia na humildade franciscana! Comparados aos arrivistas de nossas instituições, os hábitos modestos de Plínio ressaltavam uma personalidade alegre, combativa, altaneira. Ele gastou as solas dos sapatos porque seguia ereto, sem rastejar como os realistas que infestaram os partidos por ele fundados e que depois abandonou, à cata de sonhos e realidades mais dignas.

Plínio não era um sectário das agremiações. Integrou partidos que prometiam a melhoria dos padrões políticos vigentes, mas os deixou quando eles se tornaram caricaturas de si mesmos. Sem intolerâncias ou alergia ao diálogo, ele soube manter a coerência, essencial no político prudente. Sua honestidade era um desafio perene aos companheiros que sucumbiram ao poder imediato. Assim, jamais caiu nas malhas do mercado político nem vendeu ideais como produtos de pacotilha.

Ele praticou, ao longo da vida, o que ensina Norberto Bobbio: “Num Estado democrático, a moralidade pública não é apenas obrigação moral ou jurídica, mas também uma obrigação política por excelência imposta pelo princípio que regula a vida do governo democrático, e que o distingue de toda outra forma de governo até hoje existente, o princípio do ‘poder público’” (L’Utopia Capovolta).
A crise dos Estados atuais manifesta-se sobretudo na falta de lideranças democráticas com sentido moral. Podem ser contados nos dedos os políticos, magistrados, parlamentares que merecem o título de estadista. Escasseiam pessoas como Evandro Lins e Silva e Plínio de Arruda Sampaio. A leniência diante da “privatização do público” (a expressão é de Bobbio) ainda causará muitos estragos nas instituições brasileiras. Quem viver verá.

ROBERTO ROMANO É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, É AUTOR DE ‘O CALDEIRÃO DE MEDEIA’ (PERSPECTIVA)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Thiago Coser

Revista Fecomércio. Adalberto Piotto entrevista Roberto Romano

Roberto Romano discute voto e participação popular (Revista FecomercioSP | Agosto 2014)

Published on Aug 25, 2014

O filósofo Roberto Romano é o convidado da edição de agosto do programa Revista FecomercioSP. O envolvimento democrático, o papel do voto e o sistema político/eleitoral brasileiro são alguns dos temas discutidos. O programa conta ainda com a participação do presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, para debater o cenário representativo, financiamento público de campanhas e a obrigatoriedade do voto. Acompanhe!

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Roque


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Tribuna da Bahia

Odiados enquanto vivos, políticos viram quase santos depois da morte

por
iG São Paulo
 
Publicada em 26/08/2014 11:08:51
 
Centro das atenções neste ano eleitoral, os partidos políticos e o Congresso Nacional são as instituições mais mal avaliadas do Brasil, segundo pesquisa divulgada em junho pelo Datafolha. Embora seja difícil encontrar um cidadão disposto a elogiar um político, é tradição no País - e em toda a América Latina - santifica-lo depois que ele morre.

As milhares de pessoas que se aglomeraram em frente ao caixão de Eduardo Campos em frente à sede do governo de Pernambuco, em Recife, há uma semana, não continham as lágrimas. Vestidos com as cores da bandeira do Brasil ou com camisetas com o rosto do ex-governador, militantes pernambucanos se confundiam com peregrinos ao empunhar a bandeira do PSB em uma mão e o rosário na outra.

Desde a madrugada, muitos eleitores justificavam o choro, as orações e os cânticos religiosos ao afirmar que era como velar um membro da própria família. "Tomei um choque quando soube de sua morte”, lamentava na ocasião a aposentada Elisabeth Sousa, de 65 anos. “É como se ele fosse um parente meu."

Apesar de a comoção ter sido maior em Pernambuco, Eduardo Campos passou a ser tratado como um político quase sem defeitos em todo o Brasil, que parou para assistir e a ler sobre os detalhes do velório, enterro e, principalmente, o drama da família, composta por mulher e cinco filhos.

Professor de filosofia política da Unicamp, Roberto Romano acredita que o Brasil e a América Latina ainda estão na cultura barroca, absolutista quando se trata de lidar com a morte. "A exploração desse aspecto macabro é muito comum no Brasil. É uma tradição sul-americana. Basta se recordar da mobilização com as mortes de Getúlio Vargas, Simon Bolívar, Hugo Chávez, Evita Perón", enumera. "A cobertura televisiva da morte de Tancredo Neves foi um espetáculo horrendo."

O professor cita o prêmio Nobel Elias Canetti para apontar outras razões para a comoção provocada por um político que acaba de perder a vida. Ele diz que "um político poderoso é um sobrevivente" porque encarna a forma mais acabada de poder e, por isso, cada político tem de matar simbólica, moral e até fisicamente seu adversário, sempre candidato a poderoso.

Enquanto o concorrente está vivo, ele é uma ameaça combatida pelo adversário e por seus seguidores, mas tudo muda com a morte. "Ele abre espaço para o outro e deixa de ser uma ameaça, com potencial de se transformar em aliado se seus adeptos puderem ser cooptados." A troca de beijos de Dilma e Aécio no velório de Campos é citada como exemplo.

Psicóloga especialista em luto, Ana Cristina Fraia afirma que, quando uma pessoa famosa morre, as pessoas identificadas com ela querem acreditar que o luto é dela também porque, assim, sua vida parece mais importante do que realmente é. “É a sensação de que ‘nasceu no meu Estado, estamos ligados. Se ele é importante, eu também sou’”, explica ela. “Mas é preciso cuidado para que essa identificação não se torne uma coisa doentia. No fundo, é apenas o preenchimento de um vazio existencial.”

Família Campos

Há 11 anos coordenadora do Amigos Solidários na Dor do Luto, em Curitiba (PR), Zelinda de Bona lamenta a situação vivida pela família de Campos, que precisou assumir compromissos públicos e políticos em vez de viver o luto. "A ficha começa a cair agora, depois do enterro. Durante a comoção nacional, a família ainda estava em estado de choque porque, rodeada por pessoas, não há tempo para vivenciar um fato tão violento e traumatizante."

Do que pôde acompanhar pela mídia, a especialista viu a força de Renata Campos, a viúva. "Ela tem sido uma mãe inteira. Não ficou chorando, reclamando da vida. Ela está mostrando para os filhos que eles podem contar com ela." Ana Cristina calcula em um ano o período de qualquer luto em parentesco de primeiro grau. “Alguns se recuperam antes, outros demoram mais.”
  1. Paraiba.com.br

    Odiados enquanto vivos, políticos viram quase santos depois da morte

    Tribuna da Bahia-1 hora atrás
    Professor de filosofia política da Unicamp, Roberto Romano acredita que o Brasil e a América Latina ainda estão na cultura barroca, ...

domingo, 24 de agosto de 2014

El Tiempo. Bogotá


Marina Silva podría sacar a Dilma Roussef de la presidencia de Brasil

La candidata del Partido Socialista Brasileño reemplazó al titular, tras su muerte trágica.

Marina Silva podría sacar a Dilma Roussef de la presidencia de Brasil
Foto: EFE
Marina Silva podría sacar a Dilma Roussef de la presidencia de Brasil
Un trágico accidente aéreo cambió el escenario para las elecciones presidenciales del próximo 5 de octubre en Brasil. La muerte del candidato del Partido Socialista Brasileño (PSB) Eduardo Campos el 13 de agosto provocó un remezón tal en el juego electoral que perturbó la cierta tranquilidad que había logrado la presidenta Dilma Rousseff de cara a su reelección.

Campos, que en todas las encuestas aparecía en el tercer lugar con un 11 por ciento de pico máximo de popularidad, por detrás de la actual mandataria (36 por ciento) y de Aécio Neves (21 por ciento), del Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB), será reemplazado por Marina Silva, carismática líder de la izquierda, que desde sus inicios en la política se distinguió por luchar contra la corrupción y los vicios de la clase dirigente del momento.

Originaria del estado amazónico de Acre, Silva, de 56 años, se caracterizó en los 80 por unirse al ambientalista Chico Mendes en su lucha por desalojar a las grandes empresas madereras y caucheras que arrasaban con el ecosistema regional.

En 1985, Silva decidió unirse al Partido de los Trabajadores (PT), fundado por Luiz Inácio Lula da Silva en 1980. En 1990 fue elegida como diputada estatal y en 1994 se convirtió en senadora por Acre con una de las más altas votaciones de la historia, derrotando a gamonales tradicionales.

Al llegar al poder el PT en 2003, Silva fue designada como ministra de Medio Ambiente, cargo del que renunció en el 2008 por la falta de presupuesto del gobierno para los asuntos relativos a su cartera. Un año después rompió con el partido de Lula.

Se unió al Partido Verde, con el cual desafió en el 2010 a Rousseff, y, aunque no llegó a la segunda vuelta, logró 20 millones de votos.

En el 2013, ya por fuera de los verdes, no pudo inscribir su nuevo grupo político, Red de Sostenibilidad, por lo que accedió a un acuerdo programático con el PSB de Campos, no sin contratiempos.

“El PSB es un partido muy pequeño y los de la coalición también. Tiene muchas divisiones internas, con intereses regionales muy particulares, y la propia Marina perturbó un poco en el comienzo de la campaña rehusándose a hacer ciertos acuerdos y poniendo en muchas ocasiones condiciones dificilísimas de aceptar”, afirma el analista Roberto Romano, profesor de Ética Política de la Universidad Estatal de Campinas.

El panorama se complicó tras la muerte de Campos, ya que muchos dirigentes del PSB, entre ellos el presidente de la colectividad, Roberto Amaral, no querían que Marina se hiciera cargo de la candidatura por sus posiciones radicales en cuanto al manejo del Gobierno.

“Marina Silva es una dirigente bastante competitiva que llena las expectativas de un número muy alto de votantes cansado de la clase política tradicional, lo que le da un aval muy grande para llegar a la segunda vuelta junto a Dilma Rousseff”, asegura, por su parte, Fernando Farías de Azevedo, analista político de la Universidad Federal de São Carlos.
Neves, ¿el gran afectado?
Antes de la muerte de Campos, Aécio Neves se ubicaba en todas las encuestas en un sólido segundo lugar detrás de Rousseff, pero la intempestiva llegada de Silva al renglón principal de la contienda podría sacar a los ‘tucanos’ de la competencia, incluso en la primera vuelta.

“Las encuestas iniciales hechas por Datafolha ya dan una pista sobre ello. Eduardo (Campos) ya tenía un porcentaje alto de votantes fijos y estaba conquistando a los que inicialmente tenían la intención de votar en blanco. El reto de Marina es seguir capturando votantes, no solo de Aécio Neves, sino de la misma Dilma Rousseff”, dice Farías de Azevedo. Según Datafolha, Silva resultaría elegida con un 47 por ciento frente a un 43 de Rousseff en la segunda vuelta, que se podría llevar a cabo el 31 de octubre.

No obstante, el analista Bolívar Lamounier, de la firma Augurium Análisis, Consultoría y Emprendimientos, ve mucho potencial aún en el candidato Neves.

“En estos primeros días del horario electoral de televisión hay un equilibrio entre Marina y Dilma, y Aécio Neves tiene un amplio potencial de crecimiento. Por lo tanto, cualquier dupla de los tres candidatos en contienda puede pasar a la segunda vuelta con oportunidades de ganar”, afirmó.
Dilma y la fuerza del PT

“Los presidentes en Brasil son emperadores que elegimos cada cuatro años y que tienen los pies de barro, porque dependen del apoyo del Congreso y el que lo controla son las oligarquías regionales”, asegura Romano.

Desde 2003, el PT se ha asociado con buena parte del empresariado de los estados más importantes del país, como São Paulo, Río de Janeiro y Minas Gerais, lo cual le dio una solvencia económica enorme, sumada al ejercicio del poder.

“En estas elecciones no solo el PT como partido, sino también la presidenta Rousseff han accionado la máquina del Estado hasta casi el límite de la legalidad, por ejemplo al confundir sus viajes de campaña con supuestas misiones referentes a su cargo”, asevera Lamounier.

No obstante, la radicalidad de Silva y su poca apertura a las alianzas electorales le podrían jugar una mala pasada. “Marina Silva es más dogmática que política. Bajo esta premisa, siente más el dictar reglas que el acomodarse a un juego establecido. Eso la puede perjudicar”, afirma Romano.

Difícil infancia

Criada por sus padres, Pedro Augusto y María Augusta, en medio de las grandes plantaciones de caucho en la aldea de Breu Velho, en su natal estado de Acre, Marina Silva perdió a dos de sus diez hermanos por sarampión y malaria y una hepatitis casi le cuesta su propia vida en la juventud.

“Siempre tuve miedo a la muerte antes de tiempo. Luché con ella desde que nací”, dijo en una entrevista para la edición brasileña de la revista ‘Rolling Stone’ publicada el 8 de septiembre del 2010.

LUIS ALEJANDRO AMAYA E.
Subeditor Internacional

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

IHU.Unisinos

 

"Estamos na terceira guerra mundial. Em capítulos". Entrevista coletiva do Papa a bordo do avião de volta da Coreia

Texto na íntegra da entrevista coletiva concedida pelo Papa Francisco a bordo do avião que o levava de volta a Roma, após sua visita pastoral à Coreia do Sul.
 
Fonte: http://bit.ly/VDUjt7  
A entrevista está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 19-08-2014. A tradução é de André Langer.











1. As vítimas do afundamento do ferry sul-coreano Sewol e o risco de ser utilizado

Quando você se encontra diante da dor humana, tem que fazer o que seu coração o leva a fazer. Então, dirão: fez porque tem alguma intenção política. Pode-se dizer tudo, mas quando se pensa nestes homens e mulheres, nestes pais e mães que perderam filhos, irmãos e irmãs... diante da dor tão grande de uma catástrofe, meu coração – sou sacerdote, já sabe – me diz que tenho que me fazer próximo.

Sinto-o dessa maneira. Sei que o consolo que posso dar com uma palavra minha não é um remédio, não devolve a vida aos que morreram. Mas a proximidade humana nestes momentos nos dá força, há solidariedade.

Recordo que, como arcebispo de Buenos Aires, experimentei dois desastres: um era um incêndio em uma boate [a boate Cromañón], em que morreram 193 jovens. Outra vez foi um desastre com os trens. Nesse momento senti a mesma necessidade de estar próximo. A dor humana é forte e se nestes momentos tristes nos aproximamos, nos ajudamos mutuamente. Tomei isto (assinalando para o arco amarelo na capa). Tomei-o para me solidarizar com eles. Alguém me disse: “é melhor tirá-lo, você deve ser neutro”. Mas quando senti o sofrimento humano dei-me conta de que não se pode ser neutro.

2. Os ataques do Isis [Estado Islâmico do Iraque e do Levante] contra as minorias cristãs no Iraque e as bombas estadunidenses

Nestes casos, nos quais há uma agressão injusta, só posso dizer que é lícito “deter” o agressor injusto. Destaco o verbo “deter”, não digo bombardear, fazer a guerra, mas detê-lo. Os meios com os quais se pode deter deverão ser avaliados. Deter o agressor injusto é lícito. Mas devemos ter memória: quantas vezes, sob o pretexto de deter o agressor injusto, as potências se adonaram dos povos e fizeram a guerra de conquista. Uma só nação não pode julgar como se detém um agressor injusto.

Depois da Segunda Guerra Mundial nasceu a ideia das Nações Unidas; é ali onde se deve discutir e dizer: ‘Há um agressor injusto? Parece que sim. Então, como vamos detê-lo?’ Só isto, nada mais. Em segundo lugar, as minorias. Obrigado por ter usado esta palavra. Porque me falam de cristãos, os que sofrem, os mártires. Sim, há muitos mártires. Mas aqui há homens e mulheres, minorias religiosas, não são todos cristãos, e todos são iguais perante Deus. Deter o agressor injusto é um direito que a humanidade tem, mas também é um direito que o agressor tem de ser detido, para que não faça mal.

3. A possibilidade de uma visita ao Iraque, na zona de conflito

Estou disposto a ir ao Iraque e creio poder dizê-lo: quando com meus colaboradores soubemos da notícia desta situação, das minorias religiosas e também naquele momento que o Curdistão não podia receber tanta gente, pensamos muitas coisas. A primeira coisa foi escrever o comunicado feito pelo padre Federico Lombardi. Depois, esse comunicado foi enviado a todas as Nunciaturas para que fosse transmitido aos governos. Em seguida, escrevemos ao secretário-geral das Nações Unidas e decidimos mandar um enviado pessoal, o cardeal Filoni, ao Iraque. Ao final, dissemos que, se fosse necessário depois da viagem à Coreia, poderia ir para lá; era uma das possibilidades. Estou disposto! Neste momento, não é a melhor coisa a se fazer, mas estou disposto a isso.

4. As relações entre a Santa Sé e a China; a possibilidade de uma viagem papal

 
Fonte: http://bit.ly/VDUjt7  
Quando, na ida, estávamos para sobrevoar o espaço aéreo chinês, fui à cabine e um dos pilotos me mostrou um registro e me explicou que faltavam apenas 10 minutos para entrar no espaço aéreo chinês e que tínhamos que pedir autorização (uma coisa normal que é preciso fazer sempre com cada país) e vi como pediam a autorização e como respondiam; fui testemunha desse momento. O piloto disse: agora parte o telegrama, não sei como fez, mas o fez. Depois me despedi dos pilotos e voltei a sentar-me e rezei tanto por esse belo povo chinês: um povo sábio. Penso em todos os grandes sábios chineses, penso na história de ciência, de sabedoria...

Também nós, os jesuítas, temos nossa história ali, como Matteo Ricci... Se quero ir à China? Mas, claro! Amanhã! Nós respeitamos o povo chinês. A Igreja pediu somente a liberdade para o seu ministério, para o seu trabalho. Nenhuma outra condição. E depois não devemos esquecer a carta fundamental para o problema chinês, aquela que o Papa Bento XVI enviou aos chineses. Essa carta ainda hoje segue sendo atual. Faz bem voltar a lê-la. A Santa Sé sempre esteve aberta aos contatos, sempre, porque tem um verdadeiro afeto pelo povo chinês.

5. As próximas viagens e a esperança de vê-lo na Espanha, em Ávila, em 2015

Este ano temos previsto a viagem para a Albânia. Vou por dois motivos importantes. Em primeiro lugar, porque conseguiram fazer um governo (pensemos nos Bálcãs), um governo de unidade nacional, entre muçulmanos, ortodoxos, católicos, com um conselho inter-religioso que ajuda muito e que é equilibrado. Senti como se minha presença fosse uma ajuda a esse nobre povo. O segundo motivo é este: pensemos na história da Albânia, o único dos países comunistas que em sua Constituição tinha o ateísmo prático. Se tu ias à missa, era inconstitucional!

Além disso, me dizia um dos ministros, foram destruídas (e quero ser preciso com o número) 1.820 igrejas, ortodoxas e católicas. Naquele tempo muitas igrejas foram transformadas em cinemas, teatros, salões de festa. Eu senti que tinha que ir, e um dia é preciso fazê-lo. Depois, no próximo ano, quisera ir à Filadélfia, ao encontro das famílias, e também fui convidado pelo presidente dos Estados Unidos para o parlamento estadunidense e também pelo secretário das Nações Unidas a Nova York (talvez as três cidades juntas: Filadélfia, Washington e Nova York). Os mexicanos querem que vá nessa ocasião também à Virgem de Guadalupe, e se poderia aproveitar, mas não está certo. E, finalmente, à Espanha. Os reis me convidaram, o episcopado me convidou, mas ainda não decidimos.

6. A relação com Bento XVI

Encontramo-nos. Antes de partir fui visitá-lo. Duas semanas antes, enviou-me um escrito interessante e pedia a minha opinião. Temos uma relação normal. Porque ao redor desta ideia, que talvez não seja do agrado de alguns teólogos (eu não sou teólogo), creio que o Papa emérito não é uma exceção. Eu creio que o Papa emérito segue sendo uma instituição, porque a nossa vida se alonga e a uma certa idade já não se tem a capacidade para governar bem, porque o corpo se cansa... A saúde talvez seja boa, mas já não se tem a capacidade de tratar e resolver todos os problemas de um governo como o da Igreja... E se eu sentisse que já não posso continuar? Faria o mesmo. Rezarei, mas creio que faria o mesmo. Somos irmãos, e já lhe disse que é como ter um avô em casa, por sua sabedoria. É um homem de sabedoria. Faz-me bem escutá-lo. E ele me anima bastante.

 
Fonte: http://bit.ly/VDUjt7  
7. Como se sentiu quando saudou esta manhã as sete “confort women”? Ver-se-ão em Nagasaki no ano que vem?

Seria bonito, bonito! Fui convidado pelo governo, assim como pelo episcopado. O sofrimento... Remonta-se a uma das primeiras perguntas. O povo coreano é um povo que não perdeu a dignidade. Era um povo invadido, humilhado. Sofreu guerras e se divide. Com tanto sofrimento. Ontem, quando fui ao encontro com os jovens, visitei o museu dos mártires. É terrível o sofrimento destas pessoas. (Mártires), simplesmente por não quererem pisotear a cruz. É um sofrimento histórico. A capacidade de sofrer deste povo é parte da sua dignidade. Houve inclusive atualmente estas mulheres idosas na frente, na missa. Pensar que com a invasão foram levadas, quando crianças, aos quartéis, para serem exploradas. Elas não perderam sua dignidade. Hoje, estavam ali as mulheres idosas, mostrando seu rosto do passado vivido. É um povo forte em sua dignidade. Mas voltamos a estas coisas dos mártires, do sofrimento, e destas mulheres: estes são os frutos da guerra!

Hoje, nos vivemos em um mundo em guerra por todas as partes! Alguém me dizia: ‘Você sabe, padre, que estamos na terceira guerra mundial, mas em pedacinhos. Em capítulos’. É um mundo em guerra onde se cometem estas crueldades. Uma vez se falava sobre a guerra convencional, agora já não conta. Não digo que as guerras convencionais sejam algo bom, não. Mas hoje vai a bomba e mata o inocente junto com o culpado, a criança junto com a mulher, com a mãe, mata a todos. Mas, paremos para pensar um pouco no nível da crueldade: aonde chegamos? Isto deveria nos espantar. Não é para dar medo. O nível de crueldade da humanidade neste momento espanta um pouco.

Hoje, a tortura é um dos meios quase ordinários nos comportamentos dos serviços de inteligência e em alguns processos judiciais. E a tortura é um pecado contra a humanidade, um crime de lesa humanidade. Digo aos católicos: torturar uma pessoa é um pecado mortal, é pecado grave. Mas é muito mais: é um pecado contra a humanidade. A crueldade e a tortura. Gostaria muito que vocês, em seus meios, fizessem uma reflexão sobre qual é, hoje, o nível de crueldade da humanidade, e sobre o que pensam sobre a tortura. Creio que faria bem a todos nós refletir sobre isto.

8. Você tem uma vida cheia de compromissos. Pouco descanso, nada de férias. Viagens massacrantes. É preciso preocupar-se com o ritmo que leva?

Sim, há quem já me alertou. Eu passei as férias em casa, como faço normalmente. Uma vez li um livro, interessante, que se intitulava: “Alegra-te por ser um neurótico’. Eu também tenho alguma neurose e é preciso curá-la bem, eh? A minha é que sou um pouco apegado ao meu habitat. A última vez que saí para fazer férias, com a comunidade jesuíta, foi em 1975. Sempre faço férias, mas no meu habitat, mudança de ritmo: durmo mais, leio coisas que gosto, ouço música, rezo mais. E isto me descansa. Em julho, fiz muito tudo isto. É certo, no dia que tinha que ir ao Gemelli, até 10 minutos antes tinha que ir, mas não pude. Foram dias muito cheios. Agora sei que tenho que ser prudente. Tem razão...

9. Quando a multidão gritava Francisco!, no Rio, respondia: Cristo! Cristo! Como vive a imensa popularidade de que goza?

Eu a vivo agradecendo ao Senhor de que seu povo seja feliz, esperando o melhor para o povo. Vivo-a como generosidade do povo, do verdadeiro povo... Internamente, procuro pensar em meus pecados, em meus erros, para não me deixar levar por isso, porque sei que isto durará como eu, dois ou três anos, e depois... a casa do Pai! Vivo-a como presença do Senhor no meio do seu povo que usa o bispo, que é o pastor do povo, para manifestar muitas coisas. Vivo-a com mais naturalidade que antes, porque ficava um pouco assustado.

10. Como vive no Vaticano, além do trabalho?

Procuro ser mais livre. Há reuniões de trabalho, mas a vida para mim é o mais normal que pode ser. Gostaria de sair mais, mas não é possível. E depois, em Santa Marta, levo a vida normal de trabalho, de descanso, de conversas... Se me sinto prisioneiro? Não. No princípio, sim, mas depois caíram alguns muros... Por exemplo (sorri): o Papa não podia usar o elevador sozinho, imediatamente alguém vinha para acompanhá-lo! ‘Tu, vai para o teu lugar, que eu desço sozinho!’ E se acabou a história. É assim... a normalidade, a normalidade.

11. Seu time, o San Lorenzo, ficou campeão da Libertadores pela primeira vez. Como está vivendo esta sensação?

É uma boa notícia, depois do segundo lugar no Brasil! Fiquei sabendo em Seul, me disseram. E me disseram que na quarta-feira estarão na audiência pública. Para mim, o San Lorenzo é o time para quem toda a minha família torcia.

12. A próxima encíclica dedicada à defesa da criação

Conversei sobre esta encíclica com o cardeal Turkson e também com os outros. E pedi a Turkson que reunisse todas as contribuições que tivessem chegado. Antes da viagem, o cardeal me entregou o primeiro rascunho. É desse tamanho, um terço a mais que a Evangelii Gaudium. É o primeiro rascunho. Trata-se de um problema nada fácil, porque se trata da custódia da criação também da ecologia (há ecologia humana); pode-se falar com certa segurança, mas até certo ponto. E depois vêm todas as hipóteses científicas, algumas bastante seguras e outras não. É uma encíclica que deve ser magistral e deve seguir em frente só com as seguranças, com as coisas sobre as quais estamos seguros. Se o Papa diz que o centro do universo é a Terra e não o Sol, se equivoca, porque está dizendo uma coisa que cientificamente não está correta. É o que acontece agora; devemos fazer um estudo parágrafo por parágrafo. Creio que será menor, porque é preciso ater-se ao essencial, que é o que se pode afirmar com segurança. Pode-se acrescentar nas notas de rodapé que sobre este ou aquele argumento há esta ou aquela hipótese. Mas dá-lo como informação, não no corpo de uma encíclica, que é doutrina e deve ser segura.

13. Uma nova pergunta sobre a divisão forçada, “confort women” e sobre a divisão da Coreia
Atualmente, estas mulheres estavam ali porque apesar de tudo o que sofreram têm dignidade e queriam mostrar o rosto. E pensei isto, pensei na guerra e na crueldade das guerras, em que estas mulheres foram exploradas, foram escravizadas com toda esta crueldade. Pensei na dignidade que têm e também o muito que sofreram, e o sofrimento é um legado. Os primeiros mártires da Igreja disseram que o sangue dos mártires é semente de cristãos. Vocês, os coreanos, semearam muito, muito, por coerência. Vê-se agora o fruto dessa semente dos mártires.

Sobre a Coreia do Norte, sei que é uma dor, sei disso com certeza, que há alguns parentes, muitos parentes não podem se encontrar, isto dói, isso é verdade. É uma dor que divide o país.
Hoje, na Catedral, no lugar em que coloquei as vestimentas para a missa, havia um presente que me deram, uma coroa de espinhos de Cristo feita com arame farpado que divide em dois lados a única Coreia. E o levamos no avião, mas é um presente que levo... o sofrimento da divisão de uma família dividida. Como disse ontem, em declarações aos bispos, e o recordo: ainda temos esperança, as duas Coreias são irmãs e falam o mesmo idioma. Quando falamos o mesmo idioma, é porque se tem a mesma mãe, e isso nos dá esperança. O sofrimento da divisão é grande. Entendo e rezo para que termine.

14. A beatificação do arcebispo salvadorenho Romero

 
Fonte: http://bit.ly/VDUjt7  
A causa estava bloqueada, dizia-se que por prudência, na Congregação para a Doutrina da Fé. Agora já não. Passou à Congregação para os Santos e segue o caminho normal de um processo; depende de como se movam os postuladores. É muito importante fazê-lo rapidamente. Porque eu gostaria que se esclarecesse quando há um martírio ‘in odium fidei’, por confessar o Credo ou por fazer as obras que Jesus nos manda fazer com o próximo. Este é um trabalho de teólogos, que o estão estudando. Por trás de Romero está Rutilio Grande e há outros. Outros que foram assassinados e que não têm a mesma estatura de Romero; é preciso distinguir teologicamente tudo isto. Para mim, Romero é um homem de Deus. Deve-se continuar o processo, o Senhor deve dar um de seus sinais; se o quer fazer, o fará. Agora os postuladores devem se mexer, porque já não há impedimentos.

15. O fracasso da Oração pela Paz: imediatamente depois os mísseis e bombas sobre Gaza

A oração pela paz não foi absolutamente nenhum fracasso. Estes dois homens são homens de paz, são homens que acreditam em Deus e que viveram muitas coisas feias, muitas coisas feias, e estão convencidos de que a única via para resolver os problemas é a da negociação, do diálogo, da paz. Foi um fracasso? Eu creio que a porta está aberta. A paz é um dom de Deus, que merece o nosso trabalho, mas é um dom. E preciso dizer a toda a humanidade que a mesa da negociação é importante, mas também o é a da oração. Mas isto é conjuntural. Esse encontro não era uma conjuntura; é um passo fundamental da atitude humana, uma oração. Agora, a fumaça das bombas e das guerras não deixa ver essa porta, mas a porta permanece ali, aberta, desde aquele momento. Creio que Deus, creio no Senhor, essa porta está aberta, e peçamos que nos ajude.

Roque



terça-feira, 19 de agosto de 2014

XXI Semana de filosofia da UFG e XVI Semana de integração da graduação e pós-graduação

XXI Semana de filosofia da UFG e XVI Semana de integração da graduação e pós-graduação

Data: 10 junho , 2014
Universidade Federal de Goiás
semanadefilosofiaufg2014@gmail.com
A Semana de filosofia da UFG é realizada anualmente e ininterruptamente desde 1993 e, desde 1998, apresenta-se também como Semana de integração da graduação e pós-graduação. Os principais objetivos são a divulgação e a discussão dos resultados de pesquisas desenvolvidas não apenas por professores e alunos da nossa instituição, mas também por pesquisadores de referência nacional, por meio de conferências, palestras e minicursos.

Para sua vigésima primeira edição, que ocorrerá entre os dias 25 e 29 de agosto de 2014, a Semana de Filosofia da UFG destaca a questão dos 50 anos do golpe militar, sem fazer disso tema único. Sua programação contempla as diversas áreas da filosofia e as diferentes linhas de pesquisa e contará com atividades culturais, comunicações de professores e estudantes de graduação e pós-graduação, além de minicursos, conferências, e mesas-redondas sobre temas variados.

Taxa de inscrição (ouvintes): R$ 5,00 (cinco reais)

25 Ago 2014 > Ocorrerá em 76 dias
25 Ago 2014 29 Ago 2014
06 Jun 2014 15 Jul 2014
XXI SEMANA DE FILOSOFIA E XVI SEMANA DE INTEGRAÇÃO GRADUAÇÃO/PÓS-GRADUAÇÃO DA FACULDADE DE FILOSOFIA DA UFG
Programação preliminar de conferências, minicursos e atividades. Em breve divulgaremos a programação das mesas-redondas e das comunicações. 

25/08 às 18:45 h – Solenidade de Abertura e recital
The Music of Friedrich Nietzsche – Maria Lúcia Roriz e Geraldo Márcio (UFG)

25/08 às 20:00 h – Conferência de abertura
O Golpe, perene estado de exceção – Prof. Roberto Romano da Silva (Unicamp)
26/08 e 27/08, das 8:00 h às 10:00 h – Minicurso 1

O significado do diálogo na filosofia platônica – Prof. Roberto Bolzani Filho (USP)
26/08 e 27/08, das 14:30 h  às 16:30 h – Minicurso 2

Fontes da Estética no século XVIII: Um panorama a partir de Baumgarten e Kant – Prof. Miguel Gally de Andrade (UnB)
28/08 das 8:00h às 12h15 – Minicurso 3

A filosofia e o seu ensino – Prof. Ricardo Nascimento Fabbrini (USP)
28/08, das 18:30 h às 21:30 h -  Minicurso 4

A Exceção: Dispositivo biopolítico de controle e governo das populações – Reflexões entorno ao pensamento de Giorgio Agamben – Prof. Castor M. M. B. Ruiz (Unisinos)

29/08, às 10:15 h – Conferência de encerramento
Pensar em tempos de dispersão hiperconectada – Profa. Maria Cristina F. Ferraz (UFRJ)

29/08 às 22:00 h – Festa de encerramento
Philosophers Party Hard – 3ª edição


Auditório Lauro Vasconcelos, Faculdade de Filosofia, UFG, Campus Samambaia

 
FAFIL – Semana de filosofia 
Comissão Organizadora da Semana de Filosofia 2014 (RENATO MOSCATELI, WELLINGTON DAMASCENO DE ALMEIDA, GERALDO ALVES TEIXEIRA JUNIOR, FÁBIO FERREIRA DE ALMEIDA, KARINE DE ASSIS OLIVEIRA SOARES e VITAL FRANCISCO CELESTINO ALVES)
Chamada para comunicação: normas
As propostas devem ser apropriadas para uma comunicação de 20 minutos, e os proponentes devem enviar dois arquivos separados, contendo obrigatoriamente as seguintes informações:

Arquivo 1:
  • Título;
  • Três palavras-chave;
  • Nome do autor;
  • Titulação do autor (graduando, bacharel/licenciado, mestrando, mestre, doutorando ou doutor);
  • Instituição;
  • Endereço Eletrônico do autor; 
  • Quando for o caso, indicar se a proposta é necessariamente para apresentação no período noturno
Arquivo 2:
  • Título;
  • Três palavras-chave;
  • Resumo de comunicação com no mínimo 300 e no máximo 800 palavras

Todas as propostas deverão estar nos formatos .doc ou .docx e serão recebidas impreterivelmente até o dia 15 de julho de 2014, pelo e-mail: semanadefilosofiaufg2014@gmail.com .Pede-se que o campo ‘assunto’ seja preenchido com “proposta de comunicação”.
O resultado da avaliação das propostas de comunicação será divulgado até o dia 10 de agosto de 2014. As propostas aprovadas serão publicadas no caderno de resumos do evento (com ISBN),
Para garantir a participação no evento, os autores das comunicações aprovadas deverão fazer o pagamento, por meio de depósito bancário, da taxa de inscrição para comunicação, no valor de R$ 10,00 (dez reais), se estudante de graduação, ou R$ 20,00 (vinte reais), se estudante de pós-graduação. O prazo final para o pagamento das inscrições de comunicação é 15 de agosto de 2014, e o comprovante de depósito deverá ser enviado para o e-mail da Semana. Em caso de desistência, não haverá devolução do valor pago.
Universidade Federal de Goiás
Faculdade de Filosofia
Centro Acadêmico de Filosofia UFG
CAPES

Paraíba Total

Congresso Nacional de Procuradores dos Estados e do Distrito Federal será realizado em João Pessoa

40ª edição acontece de 9 a 12 de setembro, no Centro de Convenções e reunirá juristas de renome nacional
 
 
Foto: Internet

O Estado da Paraíba vai sediar pela primeira vez o Congresso Nacional de Procuradores dos Estados e do Distrito Federal. O evento, que chega à sua 40ª edição, acontece entre os dias 9 e 12 de setembro, no Centro de Convenções Poeta Ronaldo Cunha Lima e reunirá grandes nomes do segmento de todo o País, em João Pessoa. A organização é da Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do DF (Anape), junto com a Associação dos Procuradores do Estado da Paraíba (Aspas-PB).

O Congresso reunirá em torno de mil participantes. Entre eles, todos os procuradores Gerais dos Estados brasileiros, representantes da advocacia pública, nas três esferas (federal, estadual e municipal), membros da advocacia privada e de gestões estaduais e municipais. O tema do evento este ano será “A Autonomia, Probidade e Ética na Gestão Pública”.

A anfitriã do evento e presidente da Aspas-PB, a procuradora de Estado Sanny Japiassú, comentou que a expectativa é das melhores para que a Paraíba possa receber e sediar esta edição do Congresso Nacional dos Procuradores. “É um evento tradicional, consolidado no meio jurídico, que reunirá grandes nomes da advocacia pública pela primeira vez em nosso Estado. Será um momento em que discutiremos a importância da autonomia para os membros da categoria, a exemplo da tramitação da PEC 82 no Congresso Nacional, da ética e da defesa das prerrogativas dos procuradores dos Estados”, adiantou a presidente.

O 40º Congresso Nacional dos Procuradores tem o apoio de diversas entidades. Entre elas, o Conselho Federal e da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Paraíba (OAB-PB), a Procuradoria Geral do Estado da Paraíba (PGE-PB), a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), a Associação dos Procuradores de João Pessoa (APJP), a Escola Superior de Advocacia Professor Flósculo da Nóbrega (ESA/PB), A Caixa dos Advogados e o Convention Bureau João Pessoa.
Inscrições abertas - As inscrições para o Congresso estão abertas e podem ser realizadas pelo site do evento (www.congressoanapeparaiba.com.br/inscricao). Na mesma página, ainda estão disponíveis a programação geral e opções de hospedagem para os participantes vindos de outros estados.

Pelas mídias sociais, o evento pode ser acompanhado pelo Facebook (CongressoAnapeParaiba), Instagram (CongressoAnapePB) e Twitter (@CongressoAnape).

Programação -  A solenidade de abertura do evento está prevista para as 19h do dia 9 de setembro (terça-feira) e contará com o pronunciamento do vice-presidente da República, Michel Temer, seguido da aula espetáculo de Jessier Quirino.

A programação dos demais dias do evento contará ainda com várias palestras de renomados especialistas, reuniões técnicas, apresentação de teses, assembleia geral da Anape, plenárias, além de happy hours com show de artistas como a cantora e instrumentista Lucy Alves. Os detalhes da programação estão neste link:  http://www.congressoanapeparaiba.com.br/programacao.

Palestras – A programação acadêmica do 40º Congresso Nacional de Procuradores dos Estados e do Distrito Federal contará apresentações dos seguintes palestrantes:

Luis Roberto Barroso - Ministro do Supremo Tribunal Federal Livre-docência - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ. Pós-Doutorado. Harvard University, HARVARD, Estados Unidos. Doutorado em Direito (Conceito CAPES 6). Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, Brasil. Título: Transformações do direito constitucional contemporâneo: revisão dos conceitos fundamentais e elementos do novo modelo, Ano de obtenção: 2008. Mestrado em Master Of Laws.Yale University, YALE, Estados Unidos. Professor Titular de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Professor Visitante da Universidade de Brasília - UnB. Graduação em Direito pela UERJ. Mestre (Master of Laws) pela Yale Law School. Doutor e Livre-Docente pela UERJ. Estudos de Pós-Doutorado na Harvard Law School. Professor Visitante da Universidade de Poitiers, França (fev. 2010) e da Universidade de Wroclaw, Polônia (out. 2009). Experiência acadêmica na área de direito público em geral, incluindo teoria constitucional, direito constitucional contemporâneo, interpretação constitucional, controle de constitucionalidade, direito constitucional econômico, administrativo e regulação.

Tércio Sampaio Ferraz Júnior - Possui doutorado em Filosofia - Johannes Gutemberg Universitat de Mainz (1968) e doutorado em Direito pela Universidade de São Paulo (1970), graduação em Filosofia Letras E Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo (1964), graduação em Ciências Jurídicas E Sociais pela Universidade de São Paulo (1964). Atualmente é consultor da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, professor titular da Faculdade Autônoma de Direito, professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor aposentado da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Direito, atuando principalmente nos seguintes temas: direito, democracia, poder, constituição e ordem econômica.

Flávia Piovesan - Doutorado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1996) e mestrado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1993). É professora doutora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo nos programas de Graduação e Pós Graduação em Direito; visiting fellow do Human Rights Program da Harvard Law School (1995 e 2000); visiting fellow do Centre for Brazilian Studies da University of Oxford (2005); visiting fellow do Max-Planck-Institute for Comparative Public Law and International Law (Heidelberg, 2007 e 2008) e Humboldt Foundation Georg Forster Research Fellow no Max-Planck-Institute for Comparative Public Law and International Law (2009-2011). Membro Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana; membro da UN High Level Task Force on the implementation of the right to development; e membro do OAS Working Group para o monitoramento do Protocolo de San Salvador em matéria de direitos econômicos, sociais e culturais. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direitos Humanos, Direito Constitucional e Direito Internacional, atuando principalmente nos seguintes temas: direitos humanos, Direito Constitucional, Direito Internacional, proteção internacional e proteção constitucional. Procuradora do Estado de São Paulo. 

Leonardo Carneiro Da Cunha - Pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Doutor em Direito pela PUC-SP. Mestre em Direito pela UFPE. Professor adjunto da Faculdade de Direito de Recife (UFPE), nos cursos de graduação, mestrado e doutorado. Membro do Instituto Ibero-americano de Direito Processual – IIDP e do Instituto Brasileiro de Direito Processual – IBDP. Diretor de Relações Institucionais da Associação Norte e Nordeste de Professores de Processo – ANNEP. Procurador do Estado de Pernambuco, advogado e consultor jurídico. Integrante da Comissão de Juristas que auxilia a Câmara dos Deputados na revisão do Projeto do novo Código de Processo Civil. 

Roberto Romano - Livre-docência - Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP. Doutorado em Filosofia - L'École des Hautes Études en Sciences Sociales (1978). Atualmente é professor titular ms6 da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Ética e Política, além de História da Filosofia, atuando principalmente nos seguintes temas: ética, democracia- ciência política, crise universitária, crise política, religião e universidade pública.

Heleno Torres - Livre-Docente de Direito Tributário (USP), Doutor em Direito do Estado (PUC-SP), Mestre em Direito, com distinção, (UFPE) e Curso de Aperfeiçoamento em Direito Tributário Internacional (Università di Roma La Sapienza). Professor Titular de Direito Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). 

Serviço:
40º Congresso Nacional de Procuradores dos Estados e do Distrito Federal
Data: 9 e 12 de setembro
Local: Centro de Convenções Poeta Ronaldo Cunha Lima, em João Pessoa
Informações e programação: www.congressoanapeparaiba.com.br

Rádio Aparecida

Rádio Aparecida promove Seminário de Formação Política

PortalR3

Para comemorar seus 63 anos, a Rádio Aparecida promove no próximo dia 08 de setembro, data de seu aniversário, um Seminário de Educação Política. O evento será realizado no Teatro do Centro Unisal de Lorena, a partir das 19h.

O palestrante será o professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp (Universidade de Campinas), Roberto Romano. O tema do seminário será “Democracia e o sistema político brasileiro”. 

A realização do evento faz parte da política da Rádio Aparecida que é de formar e informar seu ouvinte.E a formação política do eleitor faz parte da nossa tradição. O seminário é aberto ao público em geral e, em especial, aos jovens universitários de todo Vale do Paraíba. A entrada é franca.

O Seminário é uma realização da Rádio Aparecida em parceria com o Centro Unisal de Lorena, que está localizado na rua Dom Bosco, 284 – Centro – Lorena/SP.

Programação – Seminário de Educação Política

Data: 8 de setembro
Hora: 19h
Local: Centro Unisal de Lorena (Rua Dom Bosco, 284, centro)

Golpe de 64


Revista Rolling Stone

Em Nome de Deus

Enquanto os principais candidatos à Presidência correm atrás do eleitorado evangélico, políticos religiosos trabalham para levar o rebanho de fiéis das igrejas para as urnas
Em Nome de Deus
Ilustração Lézio Júnior Veja a galeria completa
 
por Leandro Prazeres | Ilustração Lézio Júnior

Temidos e, ao mesmo tempo, cobiçados. Os evangélicos brasileiros estão prestes a protagonizar um momento-chave nas eleições deste ano, com a força de aproximadamente 23 milhões de eleitores. Cerca de 22% da população (42 milhões de pessoas, ou quase um em cada quatro brasileiros) se declarou evangélica no último censo, realizado em 2010. Conectados às redes sociais e abastecidos por uma máquina midiática poderosa, os políticos que representam essa massa sabem que, nas igrejas, têm mais do que um rebanho de fiéis – têm possibilidade de votos. Se parte dos brasileiros ainda não sabe se segue em direção à esquerda ou à direita, os eleitores da bancada evangélica parecem ter em mente exatamente para onde ir e em quem votar.

Em 2010, por exemplo, foram eleitos 70 deputados federais e três senadores que levantaram a bandeira da religião na hora de arregimentar votos. Se fossem todos do mesmo partido, seriam tão fortes quanto gigantes como o PT e o PMDB. Apesar de defenderem interesses comuns, na política e fora dela os evangélicos compõem uma massa heterogênea, dividida em diversos outros grupos. Há pelo menos três grandes ramificações: os evangélicos tradicionais (que podem ser batistas, presbiterianos, protestantes, luteranos ou metodistas), os pentecostais (Assembleia de Deus, Deus é Amor, Igreja do Evangelho Quadrangular) e os neopentecostais (Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Renascer em Cristo). Este último grupo é o que mais cresce no Brasil, e se diferencia dos pentecostais por adotar, segundo eles, hábitos mais “liberais”, e acreditar na chamada Teologia da Prosperidade, que enfatiza o caráter abençoado da riqueza.

A participação de religiosos na política brasileira não é novidade e os católicos foram os pioneiros. Mas, ao longo das últimas décadas, a Igreja Católica mudou seu modo de atuação, preferindo os bastidores. Os evangélicos, por sua vez, passaram a disputar eleições em números cada vez maiores: em 2014, pelo menos 270 pastores vão concorrer a cargos eletivos, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). “Antes, representantes religiosos não se envolviam em disputas eleitorais ou políticas porque isso fazia parte da estrutura de pensamento deles à época”, diz o filósofo Roberto Romano, um dos maiores especialistas brasileiros na relação entre religião e política. “A separação da esfera do sagrado e do secular era um elemento importante.”

O chamado mais claro para que os evangélicos saíssem do isolamento político parece ter vindo de um velho conhecido do público: o bispo Edir Macedo, fundador e dirigente da Igreja Universal do Reino de Deus. No livro Plano de Poder (editora Thomas Nelson Brasil, 2008), Macedo conclama os fiéis a participar da vida política e a pôr em prática um projeto que é “de Deus”. Parecendo ter tirado inspiração de clássicos como O Príncipe, de Maquiavel, e de passagens bíblicas, Macedo é didático: “Mobilização é poder”. Para especialistas, o crescimento da bancada evangélica no Congresso acontece dentro de uma intrincada combinação de fatores, entre os quais estão o crescimento da população evangélica no Brasil, que triplicou entre 1980 e 2010; a dubiedade do Estado laico brasileiro; e o desgaste do velho debate político entre esquerda e direita. “A Constituição diz que o Brasil é laico, mas pede a proteção de Deus. Isso é muito irônico”, afirma Romano. Christina Vital, socióloga e professora da UFF (Universidade Federal Fluminense), enfatiza que o debate entre esquerda e direita perdeu o sentido para algumas pessoas. “Hoje, a forma de mobilização social mais forte no Brasil e em vários países do mundo não se dá mais em torno de partidos ou sindicatos. Hoje ela é religiosa”, constata.

Para o pastor Everaldo Pereira, candidato do PSC à Presidência da República, a divisão entre direita e esquerda “é ultrapassada”. “O Brasil é um país diferente. Talvez isso fizesse algum sentido na Europa, quando começou, mas o país é hoje uma mistura de coisas”, ele acredita. Pereira é pastor da Igreja Assembleia de Deus do Rio de Janeiro e, durante o governo de Anthony Garotinho (1999-2002), foi subchefe da Casa Civil. Pesquisas recentes lhe dão em torno de 3% das intenções de voto. Parece pouco, mas o candidato conta com aliados poderosos – ao que indica a força de alguns de seus apoiadores, ele poderá surpreender. Em julho deste ano, Silas Malafaia, um dos mais midiáticos pastores do Brasil, divulgou um vídeo apoiando Pereira. O aval de Malafaia é um dos mais desejados entre os políticos evangélicos. Presente sobretudo na TV e na internet, ele não tem o menor pudor em indicar e criticar políticos. Foi Malafaia quem protagonizou um duelo com a jornalista Marília Gabriela durante o programa de entrevistas De Frente com Gabi, em fevereiro do ano passado, no qual disse amar os gays “da mesma forma que ama os bandidos”. Mas não só Everaldo Pereira está disposto a olhar para eleitores evangélicos – os principais candidatos à Presidência já deram início a tentativas de abocanhar fiéis em um jogo de xadrez no qual os “bispos” é que são as peças mais importantes. Todos atrás de um eleitorado que, segundo pesquisa do Datafolha, é três vezes mais propenso a votar em candidatos indicados pela igreja do que os católicos.

Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, vem mantendo conversas com líderes da Assembleia de Deus no Rio de Janeiro e em outros estados. Em 2010, parte dos representantes da Assembleia, uma das mais poderosas igrejas entre as pentecostais, seguiu com o então candidato José Serra (PSDB). O time de Dilma Rousseff (PT) também se articula para buscar votos nessa esfera. Em 2010, a então candidata obteve o apoio da Igreja Universal do Reino de Deus. Um dos principais líderes da IURD, Marcelo Crivella (PRB-RJ), foi alçado ao cargo de Ministro da Pesca e hoje é um dos principais candidatos ao governo do Rio de Janeiro. “Os principais candidatos dialogam, e muito, com esse segmento”, explica Christina Vital. “Eles procuram as lideranças, porque sabem que elas podem influenciar o voto, ainda que seja ingênuo imaginar que os fiéis votem o tempo todo da forma como o pastor indica.”

Não é difícil entender por que a ascensão da bancada evangélica no Congresso causa tanta gritaria. A explicação está em algumas das principais ideias defendidas pelo segmento, já que a maioria é contra o aborto, as leis anti-homofobia e a união homoafetiva. Uma pesquisa realizada em 2013 pelo instituto Datafolha indicou que até 24% dos evangélicos eram contra o projeto de lei que criminalizava a homofobia. Até 68% não aceitavam a união civil homoafetiva e 72% achavam que uma mulher que interrompesse a gravidez deveria ser processada.

O pastor Everaldo Pereira já se manifestou contrariamente à discussão sobre a legalização do aborto e criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) por ter decidido a favor dos direitos civis das uniões estáveis entre parceiros do mesmo sexo. “A legislação vigente já trata do aborto suficientemente. Quanto à união homoafetiva, creio que o STF extrapolou suas atribuições”, diz. “As bandeiras do aborto e da união homoafetiva se tornaram emblemáticas para alguns grupos evangélicos”, declara Christina Vital. “Eles fazem da afirmação religiosa um instrumento de chegada ao poder. Isso é legítimo. O problema é quando essa identidade afeta a discussão de políticas públicas que deveriam ser universais, como as políticas em relação ao aborto, às drogas e aos direitos do movimento LGBT.” Foi isso o que aconteceu em 2010, quando as eleições caminhavam para uma vitória tranquila de Dilma Rousseff no primeiro turno até que segmentos religiosos passaram a questionar o posicionamento da presidente em relação ao aborto.

Pivô de alguns dos momentos mais tensos do Congresso em 2013, o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) diz não entender por que o crescimento da bancada evangélica é visto com apreensão por uma parcela da sociedade. “Eu acho curioso isso. A maioria das pessoas não se preocupa em saber qual a religião dos seus políticos, mas, no nosso caso, isso parece incomodar as pessoas”, ele declara. Em 2013, Feliciano era quase um anônimo na Câmara dos Deputados. Em março daquele ano, no entanto, o nome dele ganhou todas as manchetes depois que um acordo entre os partidos governistas terminou com a indicação dele para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, uma das mais simbólicas e importantes. É lá que são discutidos projetos relacionados aos direitos das mulheres, dos negros, dos indígenas e do movimento LGBT. Historicamente, ficava com o PT ou com partidos identificados com a defesa dos direitos das minorias. Quando Feliciano, contrário ao aborto, à união homossexual e a favor da redução da maioridade penal, assumiu o comando da Comissão, a reação foi imediata.

O que se seguiu foi um embate pesado. Partidos historicamente ligados à defesa dos Direitos Humanos, como o PSOL, protestaram. O caso ganhou os holofotes. Houve manifestações, gente presa e virais contra Feliciano na internet, que se transformou em uma espécie de “inimigo público número 1” poucos meses antes das manifestações de junho de 2013. A expressão “não me representa”, usada inicialmente para criticar o parlamentar, virou bordão. Feliciano confessa que ocupar o comando da Comissão era estratégico para fazer seu partido aparecer. “A gente não sabia aonde ia dar. Foi um massacre. Sofri retaliações de todos os lados. Só o meu partido ficou ao meu lado. Mas hoje estou colhendo bons resultados”, afirma. “Os mesmos partidos que me criticaram em março de 2013 vieram conversar comigo em novembro. Sabe o que é andar pelo parlamento e te chamarem pelo nome? Isso é fantástico. Me tornei uma liderança evangélica nacional.” Feliciano sabe que ele é, atualmente, uma figura muito mais conhecida no cenário político do que o pastor Everaldo, e diz que, embora nutra o sonho de disputar a Presidência da República, este ainda não é o momento. “Eu não tenho a experiência necessária e estou 100% engajado na candidatura do pastor Everaldo, que tem muito mais experiência que eu. Se eu saísse agora, seria queimar um cartucho à toa. Nossa meta é aumentar a bancada e fortalecer o segmento”, explica.

Distante das comemorações e dos planos de Feliciano, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) afirma estar preocupado com a perspectiva de que a bancada evangélica possa crescer entre 20% e 25% na próxima legislatura. Wyllys garante que não tem nada contra a participação dos evangélicos na política, mas que teme que o aumento da bancada se dê com a chegada do que ele chama de “fundamentalistas religiosos”.

“A gente senta para discutir algum tema da esfera pública e os fundamentalistas falam que a Bíblia está acima da Constituição. Se esse crescimento vier junto com os fundamentalistas, aí eu acho que a gente corre o risco de retroceder em direitos que demoramos muito para conquistar”, afirma. Para o filósofo Roberto Romano, a índole autoritária de alguns grupos religiosos, sobretudo na forma como eles se relacionam com as demandas pelos direitos da comunidade LGBT e dos adeptos de religiões de matriz africana, é um ponto a ser considerado. “Até pela natureza do nosso sistema político, os governos têm feito concessões a esses grupos [evangélicos]. Dependendo do crescimento deles, essas concessões podem ser maiores e aí, se você for um liberal, que acredita na separação da religião e do Estado, tem motivos para ficar preocupado”, diz.

Cobiçados por uns e temidos por outros, Marco Feliciano e Everaldo Pereira afirmam que não é medo o que eles querem despertar nas pessoas, sobretudo aquelas ligadas a setores mais liberais da sociedade. “Eles não precisam ter medo da gente. Eles só precisam fazer algo que nunca fizeram: nos respeitar”, decreta o deputado. O pastor Everaldo adota o discurso de candidato e responde seco quando questionado sobre a possibilidade de parte do eleitorado temer o crescimento da presença dos evangélicos no poder. “Eu sempre votei independentemente da religião das pessoas. Por que as pessoas deveriam ter medo de votar na gente?”, questiona. “Nunca temi nenhum governante e não acho que as pessoas deveriam ter medo de nós. Quero ser o presidente de todos os brasileiros, não apenas dos evangélicos.” Cauteloso, o filósofo Roberto Romano afirma que dificilmente os religiosos poderiam se transformar em maioria no Parlamento, mas admite que as eleições deste ano são uma prova de fogo. “Na política, não há vácuo de poder. O desgaste das velhas forças abre espaço para as novas. Em 2014, vamos ver até onde vai o poder deles.”

Conservador Sim, e Daí?

O Pastor Everaldo Pereira disputa a presidência levantando “as bandeiras da família tradicional”

Surfando na onda de popularidade formada com a escolha de Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o pastor Everaldo Pereira (PSC) disputa pela primeira vez a Presidência da República. Em um rápido bate-papo, ele revela que não tem medo de se assumir como conservador.
O senhor se assume como conservador. Não teme ser mal interpretado?

De maneira nenhuma. Eu defendo as bandeiras da família tradicional e de uma reforma do Estado brasileiro, com o enxugamento da máquina. Comigo não tem essa história de “rasgue o que eu escrevi, o que eu disse não vale mais”. Eu sou isso aí, e pronto

Se eleito, pretende fazer algo a respeito da decisão do STF, que concedeu o direito à união civil de pessoas do mesmo sexo?

Eu defendo a Constituição e ela diz que o casamento só pode ser entre um homem e uma mulher. O STF extrapolou a Constituição.

Mas o senhor faria algum movimento para mudar essa decisão do STF?

Vou defender o que está na Constituição.

Qual seu posicionamento em relação ao aborto?

Sou defensor da vida desde a sua concepção e acredito que a legislação brasileira já trata desse assunto suficientemente

É a favor da redução da maioridade penal?

Sim. Eu mesmo já encaminhei várias propostas anteriormente nesse sentido. É claro que não vamos tratar um garoto que roubou um celular igual a um delinquente com menos de 18 anos que assassinou um monte de pessoas.

Diário do Comércio, 19/agosto/2014

Marina deve se preparar para o embate


Roberto Romano / Patrícia Cruz/LUZ - 09/09/2010
 
Se o início de agosto foi trágico, o fim dele será difícil. Tanto para Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) como para a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, provável candidata do PSB após a morte de Eduardo Campos. Em pesquisa do Datafolha divulgada ontem, a ex-senadora aparece em empate técnico – tanto com Aécio Neves no 1º turno (ela com 21% e ele 20%) quanto com Dilma Rousseff no 2º turno (ela com 47% e a petista com 43%), já que a margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

"Marina vai levar muita pancada agora porque ela tira Aécio do 1º turno e pode tirar Dilma no 2º", afirma o historiador e professor de Ciências Sociais da UFSCar, Marco Antônio Villa. "Pancada vem, a questão é: quem vai bater primeiro?", acrescenta o professor de Filosofia Política da Unicamp, Roberto Romano.

Segundo ele, Dilma não poderá ser tão ferrenha com Marina porque, num 2º turno, terá que disputar os eleitores que preferiram a ex-senadora ao tucano Aécio.

PRIMEIRO GOLPE

Para Glauco Peres, doutor em Ciência Política pela USP, quem vai bater primeiro em Marina será Aécio . "É emergencial para Aécio porque ele precisa garantir o 2º turno", aposta. "Já Dilma prefere bater no tucano, porque o desgaste batendo em Marina seria muito grande e ela não quer um índice de rejeição maior do que o que ela já tem", acrescenta.

Roberto Romano, da Unicamp, diz que tanto tucanos quanto petistas irão desqualificar a capacidade de Marina de governar, tática que ele classifica como "desleal". "Falar que alguém não tem capacidade de governar por nunca ter tido cargo público mostra que você não quer renovação política", sustenta o professor.

RAZÃO X EMOÇÃO

A boa colocação de Marina no Datafolha chegou a ser relacionada com a emoção popular após a morte trágica de seu antecessor, Eduardo Campos, e vista como uma espécie de compensação. Mas, para os especialistas ouvidos pelo DC, a emoção pouco tem a ver com o resultado das intenções de voto.

"Claro que houve uma superexposição de Marina desde quarta-feira, há um lado emocional forte, mas deve ser levado em consideração que ela já tinha 27% dos votos na pesquisa feita antes dela se tornar vice de Campos", lembra Villa. "Digamos que a emoção é um acréscimo, até porque ela é bastante conhecida de longa data, teve votação expressiva em 2010", afirma Romano.

DESAFIOS

Marina Silva saiu abruptamente do PT após ter sido ministra do Meio Ambiente, discordou veementemente do Código Florestal por entender que o texto favorecia o agronegócio e, dissonante de todos os partidos políticos, tentou criar o seu – "à sua imagem e semelhança", na definição do atual candidato à Presidência da República pelo PV , Eduardo Jorge (partido no qual Marina conquistou quase 20 milhões de votos em 2010).

"Ela vai ter que pesar muito cada fala, cada gesto. Se ela acentuar muito os seus próprios valores, suas próprias doutrinas, ela pode contrariar a vontade do PSB e perder força", diz Romano.

Para o cientista político da USP, a economia não será problema para Marina Silva, que terá ajuda de assessores mais liberais, como Eduardo Giannetti da Fonseca, mas sim a maneira como colocará seu discurso ambiental, como lidará com o agronegócio e como convencerá o eleitor de sua moderação.

"O grande problema é ser convincente. O Código Florestal, por exemplo, que ela foi contra, como agora vai desdizer? E mesmo que diga o contrário, as pessoas vão acreditar nisso?", questiona Glauco Peres da Silva, da USP.

ALIANÇAS

Costurar alianças difíceis de engolir será uma das maiores provas de fogo de Marina Silva. "Manter a aliança feita por Campos com Geraldo Alckmin e ver Marina subindo no palanque ao lado do tucano vai ser difícil", afirma Glauco.

A ex-senadora, antes de Eduardo Campos anunciar oficialmente sua aliança com o tucanato paulista, afirmou que não queria de nenhuma forma uma aliança com Alckmin. Mas, pouco depois, Campos fechou apoio e, Marina, contrariada, não permitiu que sua imagem fosse impressa em santinhos da dobradinha Alckmin-Campos nem participou de ações de campanha com Márcio França (PSB), vice de Alckmin. "São 30 milhões de votos, ela não pode desprezar", afirma Roberto Romano sobre o eleitorado em São Paulo que vota, majoritarimente, no tucano. "Se Aécio conseguir colar sua candidatura na do Alckmin, ele vai se dar bem", acrescenta Marco Antônio Villa, da UFSCar.

Outras alianças que Marina precisa manter, segundo eles, são a com o PROS, no Rio de Janeiro, com o PHS, em Minas Gerais, e apoiar o PSB em Pernambuco. "Ela não pode deixar de fazer alianças como essas, pode tentar mudar alguns termos se mostrando uma candidata viável de ser eleita, mas não sei qual é o limite, ela não pode impor muito", afirma Glauco, que questiona se as alianças costuradas por Campos ficarão como estavam.
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