segunda-feira, 7 de março de 2011

De Rerum Natura...

Segunda-feira, 7 de Março de 2011

Especulações extraterrestres (mais uma)


É mais uma aparente notícia fabulosa da astrobiologia: Richard B. Hoover, cientista da NASA, afirma ter encontrado evidências de vida extraterrestre num meteorito. A Fox News teve o exclusivo da divulgação (o que não augura nada de bom ao nível de notícias de ciência!) e os meios de comunicação social portugueses foram atrás da festa num estilo ligeiramente pior, vinculando a própria NASA à descoberta, algo que não aconteceu (vejam-se os artigos nos jornais i e JN assim como na TSF).

Diga-se antecipadamente que esta notícia tem de ser tratada pela esfera da ciência, tem o seu "tempo de maturação e análise" e, portanto, qualquer tipo de comentário ou conclusão deverá ser, para já, precipitada. Porém, há dois pormenores que devem ser salientados:
1. Os resultados desta investigação foram publicados no Journal of Cosmology, uma publicação com claros problemas de credibilidade científica, algo que o Carlos Oliveira já tinha reparado há meses. Aliás, um dos mais interessantes (do ponto de vista do seu trabalho na área da divulgação científica) astrónomos americanos, Phil Plait, também acentua no seu blogue:
In my opinion, The Journal of Cosmology has published articles in the past that can charitably be called "shaky" (like this anti-Big Bang paper). One of their editors, Chandra Wickramasinghe, has made some pretty outrageous claims about NASA and life in space (links to some of his other odd claims can be found at that page as well). However, this does not necessarily mean that Hoover’s work is any more suspect than any other scientific claim! But it does mean I will cast an especially-skeptical eye on claims made in papers published by them.

Aliás, não sabemos sequer se o Journal of Cosmology estará a operar na clandestinidade (ironia, claro), pois foi o próprio que anunciou a sua morte (a 14 de Fevereiro deste ano), atribuindo culpas irracionais e conspirativas à NASA. Será o último e estrondoso fôlego antes do fim anunciado? A própria linha editorial do seu "editor-chefe" é também posta em causa por David Dobbs aqui.

Coloca-se, portanto, a seguinte questão: este artigo teria sido aprovado pelas revistas científicas "tradicionais"? Passaria a análise céptica e crítica (sim, com as suas falhas, é certo...) dos seus editores?

2. Há dois comentários que gostaria de colocar aqui sobre a questão científica em si; eis o conhecido biólogo P.Z. Myers:

Reading the text, my impression is one of excessive padding. It's a dump of miscellaneous facts about carbonaceous chondrites, not well-honed arguments edited to promote concision or cogency. The figures are annoying; when you skim through them, several will jump out at you as very provocative and looking an awful lot like real bacteria, but then without exception they all turn out to be photos of terrestrial organisms thrown in for reference. The extraterrestrial 'bacteria' all look like random mineral squiggles and bumps on a field full of random squiggles and bumps, and apparently, the authors thought some particular squiggle looked sort of like some photo of a bug. This isn't science, it's pareidolia. They might as well be analyzing Martian satellite photos for pictures that sorta kinda look like artifacts.

Nada meigo, Myers ironiza:

I'm looking forward to the publication next year of the discovery of an extraterrestrial rabbit in a meteor. While they're at it, they might as well throw in a bigfoot print on the surface and chupacabra coprolite from space. All will be about as convincing as this story.
While they're at it, maybe they should try publishing it in a journal with some reputation for rigorous peer review and expectation that the data will meet certain minimal standards of evidence and professionalism.
Otherwise, this work is garbage. I'm surprised anyone is granting it any credibility at all.

Por seu lado, Rosie Redfield, uma das biólogas que mais contestou a famosa notícia da bactéria de arsénico, também já se pronunciou sobre este estudo:

He spends a lot of text discussing the morpohlogical similarities of these filaments to cyanobacteria, but I don't regard these similarities as worth anything. Filamentous bacteria are very morphologically diverse, and additional variations in appearance are likely to result from inconsistent preparation for electron microscopy. It's probably pretty easy to find a bacterial image that resembles any fibrous structure. In the absence of any statistical evidence to the contrary, it's prudent to assume that such similarities are purely coincidental.

The author tacks on quite a bit of other less-than-compelling information intended to support his claim that life from space is plausible. For example, he shows photos of colonies of coloured microorganisms to support his argument that the colours seen on the surfaces of Europa and Enceladus are biological in origin.

E acrescentou esta pequena nota sobre o editor do Journal of Cosmology:

Chandra Wickramasinghe is the journal's Executive Editor for Astrobiology, and presumably is the Editor responsible for this article. I heard him give a talk pushing panspermia about 10 years ago (the audience was an undergraduate science society at Oxford). The talk was very slick but dreadfully bad as science. The evidence he cited to support his arguments wasn't actually untrue, but he twisted everything to make his arguments seem stronger than they were. He argued like a lawyer - his only goal seemed to be convincing the audience that his conclusion was correct, regardless of the contrary evidence that an unbiased consideration of the evidence would provide. Thus I wouldn't trust his scientific judgment about anything concerning astrobiology.

Estamos, portanto, perante mais um eventual mau serviço à ciência (leia-se, oportunamente, o ponto de vista colocado pelo AstroPT); sublinho a palavra "eventual" pois o Journal of Cosmology prometeu publicar todos os comentários que receber sobre este estudo, permitindo, assim, que haja seriedade no meio disto da confusão. E, caso se venha a concluir que se trata apenas de um mau trabalho feito em nome da ciência, esperemos que os nossos meios de comunicação social possam entender este episódio de uma maneira didáctica...

Outro artigo de J.R. Guedes de Oliveira.

OPERADORES OU EXERCITORES DO DIREITO?

J. R. Guedes de Oliveira

De uns tempos para cá, utilizando-se do modismo que corriqueiramente impera na área jurídica, passou-se a utilizar a palavra “operador”, como designação de todos aqueles profissionais que militam na referida área.

Com isto, já não se chama advogado o bacharel em Direito, mas, contudo, operador do Direito - homem ou mulher que, detendo o título de formando em Ciências Jurídicas, faz o seu trabalho na ação e nas lides correlatas.

As universidades e faculdades de direito, engajadas nesta nova nomenclatura, orientaram o seu corpo docente a utilizar a palavra, mais por questão de modernidade, que pelo real significado da mesma.

Não seria, então, apenas uma questão de semântica, se não houvesse, para tanto, palavras mais apropriadas em nossa vastíssima língua. São cerca de 10.000 verbetes que possuímos, invejando países que, por exemplo, nem sabem o que significa “saudade”.

Diremos, desta forma, errônea a aplicação de “operadores do Direito”, que denota diretamente à pessoa que opera (intervém). Isto, na realidade, seria mais prático para o médico-cirurgião, o dentista-cirurgião e outros afins, pois, costumeiramente, estão a realizar as suas intervenções operatórias, tendo como objeto seus pacientes físicos.

Caímos na besteira de apropriar-se de um verbete completamente destoado da razão profissional do advogado e, em extensão, daqueles que fazem o direito na sua forma completa, como os magistrados, os tratadistas, os consultores, enfim todos aqueles que professam pelas ciências jurídicas.

Em razão do emprego tão ineficaz e da mal colocação da palavra, denota-se existir um balbuciar som intangível, soando até como um mal-estar na pronúncia e, ainda, na vida corrente daqueles que mourejam nas lides. Cremos, em verdade, ser um exemplo de vanglorismo ardil, demonstrando a qualquer interlocutor uma posição de superioridade, o que não condiz com o aspecto de nobreza que deve nortear o profissional do Direito.

O que se vê, em verdade, é uma espécie de aberração de uso, parecendo-nos não existir uma alternativa e mistura-se o que realmente intervém (operador) e o que exercita (o advogado), senão vejamos:

A Enciclopédia Baden – 5ª edição, 1977 (direção editorial de Orlando Vicente):

Operador: que opera; aquele ou aquilo que opera. Ex.: aquele que, nos estúdios, está encarregado da filmagem.

Exercitor: exercer, professar, praticar. Ex.: desempenhar uma atividade profissional

O Dicionário Escolar da Língua Portuguesa – 10ª edição, 1976 (de Francisco Silveira Bueno):

Operador: que opera. Ex.: médico-cirurgião.

Exercitor: que patrica, que exerce, que professa.

O Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa – 11ª edição, 1976 (de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira):

Operador: que opera; sujeitar-se a operação cirúrgica; obrar; executar uma operação.

Exercitor: exercer, professar, por em ação; fazer valer; praticar.

O Dicionário Prático Ilustrado da Lello - 1966 (de José e Edgar Lello):

Operador: que, ou aquele que faz operações cirúrgicas ou químicas.

Exercitor: adestrar-se por meio do estudo ou de exercícios; professar, praticar (cargo ou função); tornar destro pelo exercício.

A Grande Enciclopédia Larousse Cultural – 1ª edição, 1998:

Operar: que opera; executa. Realiza uma ação, executa ou opera um cálculo. Procede a uma intervenção cirúrgica.

Exercitor: que exerce uma profissão, o que exercita. Empreendedor.

O Dicionário de Sinônimos na Língua Portuguesa – 1ª edição, 1914 (de Rocha Pombo):

Operar: quando produz sobre alguma coisa o efeito que lhe é próprio, então é operar. Operar anuncia ação que depende de atividade.

Exercitar: é mais genérico e designa toda e qualquer ação de “aumentar as aptidões”, a capacidade, a força, o vigor, numa virtude.

O Dicionário Jurídico – 1ª edição, 1998 (de Maria Helena Diniz):

Operar: submeter-se a uma intervenção cirúrgica. Fazer uma operação farmacêutica, cirúrgica. Executar.

Exercer: desempenhar uma função. Levar a efeito um direito. Usar de prerrogativas ou poderes.

Na Constituição Federal de 1988, encontramos:

“Preâmbulo: Nós, representantes do povo brasileiro, ......destinado assegurar o exercício dos direitos...”.

Na extensão desta nossa Constituição, desde o Poder do Executivo, salienta-se o exercício das atribuições, dentro de cada competência.

Nos Estatutos da Advocacia e a OAB encontramos, em todas as suas disposições, a menção do exercício da advocacia, como fundamental para a prática profissional, o que se traduz, efetivamente, em “exercitor do Direito”. Mais, ainda, quando se trata da OAB, como exercício de um serviço público federal, no corpo da lei.

O eminente e saudoso Dr. Moacyr Amaral Santos, assim disse:

“Figura singular a do advogado, a um tempo servidor da justiça, assistente técnico e procurador do cliente. Seu traço característico é o de servir à justiça, como técnico do direito. E porque serve ao Estado, e porque função específica deste é a de fazer justiça, no exercício de sua profissão exerce o advogado um múnus público. Por reconhecer-lhe essa característica é que o Estado lhe confere o privilégio do exercício do ius postulandi”.

Diante de tudo isso que acabamos de dizer, não resta alternativa senão eliminarmos, de vez, com a imprópria prática do verberte “operador” e passarmos a utilizar “exercitor”, todo aquele profissional que faz o direito e pratica os atos atinentes à sua tão nobre profissão. Recomenda-se, portanto, que a própria OAB, como legítima representante da classe e norteadora dos atos postulatórios da classe, se preocupe em modificar este indevido uso, demonstrando, com toda nobreza e bem salutar com os cânones da nossa língua, a devida alteração. Isto, em nome da certeza e objeto que a palavra exercitor tem de conotação léxica. É o que propomos, de vez por todas.

Marta Bellini...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Inflação ou especulação?


Do site Carta Maior LEIA MAIS AQUI


Especuladores da fome fazem preço dos alimentos aumentar

Não são apenas más colheitas e mudanças no clima; especuladores também estão por trás dos preços recordes nos alimentos. E são os pobres que pagam por isso. Os mesmos bancos, fundos de investimento de risco e investidores cuja especulação nos mercados financeiros globais causaram a crise das hipotecas de alto risco (sub-prime) são responsáveis por causar as alterações e a inflação no preço dos alimentos. A acusação contra eles é que, ao se aproveitar da desregulamentação dos preços dos mercados de commodities globais, eles estão fazendo bilhões em lucro da especulação sobre a comida e causando miséria ao redor do mundo. O artigo é de John Vidal.
John Vidal - The Observer

Há pouco menos de três anos, as pessoas da vila de Gumbi, no oestede Malawi, passaram por uma fome inesperada. Não como a de europeus,que pulam uma ou duas refeições, mas aquela profunda e persistente fome que impede o sono e embaralha os sentidos e que acontece quando não se tem comida por semanas. Estranhamente, não houve seca, a causa tradicional da mal nutrição e fome no sul da África, e havia bastante comida nos mercados. Por uma razão não óbvia o preço de alimentos básicos como milho e arroz havia quase dobrado em poucos meses. Não havia também evidências de que os donos de mercados estivessem estocando comida. A mesma história se repetiu em mais de 100 países em desenvolvimento.

Continue a ler AQUI

Do excelente J.R. Guedes de Oliveira, o texto abaixo.

O ADVOGADO E A ÉTICA

J. R. Guedes de Oliveira



Há algum tempo, um jornal da capital paulista fez uma pesquisa para saber qual seria o tipo de profissional menos confiável. Não deu outra: advogado.

Esta pesquisa revelou que a população não confia neste profissional. Com isso, surgiram piadinhas de mau-gosto de toda forma. A internet está cheia delas, como, por exemplo:

• De dois herdeiros, o advogado é o terceiro.

- O casal que estava em separação, faleceu e foi para o céu. Lá, ainda desejava continuar o processo de separação. Mas São Pedro confidenciou que, infelizmente, não havia advogados no céu.

Historicamente, há uma explicação desse estigma ou pecha que nos impingiram. É que, com o famigerado Golpe de 64, ficamos até 1985 atrelados ao império do militarismo. O regime de exceção imposto ao país, levou os exercitores do Direito a um total desespero, com um evidente retrocesso. Relegados a um plano secundário os advogados tiveram que procurar outros afazeres, para não morrer de fome.

É claro que com a abertura política, reativou os valores jurídicos e se iniciou uma nova era, a de prosperidade para o advogado. É claro que, com isto surgiram os inescrupulosos e aproveitadores da reabertura. Uma parte desse número de profissionais, praticavam a antiética, cobrando altos honorários e, assim, criou-se este estigma.

Mas ninguém falou de outros profissionais. Não houve, ainda, uma pesquisa para falar de engenheiros incompetentes, de médicos inescrupulosos, de economistas picaretas, de químicos pérfidos, de políticos safados, de contadores desonestos, de professores enganadores, e aí vai.

Portanto, não somos a “laranja podre” desta sociedade que cobra propinas para tudo. Cobramos valores e lutamos pelos nossos clientes, como os novos Sobrais Pintos do país.

Mas, para falarmos sobre este tema, teremos que, primeiramente, descrever o que significa ética.

Assim, temos:

“Ética, parte da filosofia que estuda os atos humanos do ponto de vista de apreciação quanto à distinção do bem e do mal”.

“Ética é a investigação geral sobre aquilo que é bom”.

“Ética é o objetivo de facilitar a realização das pessoas”.

“Ética é a ciência da moral”.

“Ética é o conjunto de princípios e regras morais que regulam o comportamento e as relações humanas”.

Na Filosofia do Direito, temos:

“1º -Estudo dos valores morais e dos princípios ideais do comportamento humano.

2º - Deontologia – estudo dos deveres profissionais.

3º - Ciência dos costumes.

4º - Conjunto de prescrições admitidas por uma sociedade, num determinado tempo.

5º - Ciência que tem por objeto a conduta humana.

6º - Juízo de valor relativo à conduta humana.

7º - Ciência do comportamento moral do ser humano no convívio social.

8º - Teoria ou investigação de uma forma de comportamento humano”.

E, ainda, na Ética do Advogado, temos:

“Preceitos regulamentadores da conduta do advogado, no exercício da profissão”.

A Ética chega a se confundir com a Moral, se observarmos a afirmativa de Durkheim, quando ele nos diz:

“Tudo que é relativo aos bons costumes ou às normas de comportamento admitidas e observadas, em certa época, numa dada sociedade”.

Mas fiquemos tão somente com a Ética, descrevendo-a tal como ela deve existir no campo do profissional do Direito, especificamente ao Advogado.

Então, temos:

Código de Ética da OAB – conjunto de preceitos fundamentais para o exercício profissional e o comportamento da classe, em razão do seu dever para consigo mesmo e à sociedade.

Aqui salientamos, além dos deveres para consigo mesmo, os deveres para com o seu cliente, para com os seus colegas, para com o juiz, para com o Ministério Público, para com a polícia, para com os peritos e para com os cartorários.

Além de toda uma gama de preceitos e condutas, incluí-se o sigilo profissional, uma forma de suma importância para a relação advogado-cliente.

De uma forma geral, a ética é algo, muitas vezes, utópica. É fácil explicarmos esta afirmativa, quando encontramos (e não muito!) em nosso meio, profissionais inescrupulosos, que se utilizam do direito e de suas prerrogativas para praticar, descaradamente, a antiética, como falamos no início.

Num universo de 400 mil advogados no Brasil, inescrupulosos são poucos. Uma estatística, por exemplo, diz que dos 160 mil advogados só no Estado de São Paulo, apenas 2% não aplicam a ética. No entanto, os outros 98% seguem rigorosamente a prática da ética, mesmo porque o Tribunal de Ética da OAB é algo implacável.

Foi o filósofo Aristóteles, aluno e discípulo de Sócrates, quem primeiro falou sobre este tema, escrevendo, inclusive, três obras com o título de “Ética”. Dizia ele ser o comportamento do homem perante o seu meio, dentro da moral necessária neste mesmo meio e no seu devido tempo.

Mas a dinâmica do mundo, após a revolução industrial, trouxe novos paradigmas da concepção de ética e moral, e, com isso, as divergências claras e evidentes do que seria ética e do que seria antiética.

Vamos, aqui, colocar um exemplo interessante, passado há algum tempo. Para tanto, reproduzimos, na íntegra, a matéria do Jornal do Senado:

Título: Jefferson renuncia a verba para despesas.

“O senador Jefferson Péres (PDT-AM) comunicou ao Plenário ter enviado ofício ao presidente do Senado, renunciando a verba indenizatória de R$ 12 mil mensais, fixada como teto no final do ano passado para os senadores arcarem com gastos em seus estados. O parlamentar enfatizou que a aprovação dessa verba pela Comissão Diretora não constitui ilegalidade e que seu gesto não continha censura a nenhum senador que aceite o benefício, já concedido há algum tempo na Câmara dos Deputados.

No entender de Jefferson Péres, se a Comissão Diretora que dirigiu o Senado até o início deste ano tivesse submetido o ato à deliberação do Plenário, apenas para legitimá-lo, “porque legal ele é”, ele teria votado contra. Daí por que considerou que seria hipocresia, sendo contra a instituição desse benefício, usufruir do mesmo.

- Não seria uma atitude correta da minha parte – lembrou, acrescentando que não utilizará essa verba até o final do seu mandato”.

Com isto, observamos o lado ético/moral do ilustre senador pelo Amazonas, numa época em que os cofres públicos andam abalados e pedindo arrego pelo descaso anterior.

Finalizando, não poderíamos deixar de registrar a nossa grande preocupação concernente aos escritórios de advocacias que estão se instalando no país, vindo, principalmente, dos Estados Unidos. São poderosas organizações que utilizam de advogados brasileiros para levar nome de fachada mas que, às escondidas, tomam o nosso serviço e se espalham de maneira avassaladora, mormente quando se trata de seguros, propriedade intelectual, propriedade industrial, agora em perdas e danos. Enfim, invadem o nosso mercado e nos colocam numa posição de submissão. É isto que chamamos, também, de antiética desgraçadamente.

domingo, 6 de março de 2011

Enviado por Alvaro Caputo... O Alon que prepare o lombo. Ele, para o petismo oficial, passa a integrar a "midia golpista". Simples assim.

Risco de reindexação (06/03)

Alon Feurwerker no Correio Brasiliense
O país desviou-se da rota. E persiste a dúvida sobre como Dilma vai dar o tranco para
recolocar o trem no trilho
O debate econômico percorreu os dois primeiros governos do PT centrado na tensão entre o Banco Central e os críticos. Num certo momento houve também a disputa entre catastrofistas e marolistas (os da marolinha). Foi o cenário do pior erro econômico da administração Luiz Inácio Lula da Silva: a resistência a baixar radicalmente os juros na passagem de 2008 para 2009.
Não fosse a obsessão pela versão da marolinha, houvesse um pouco mais de catastrofismo, talvez o BC não tivesse podido se refugiar na redoma defensiva para manter o juro estratosférico, supostamente para combater uma inflação importada. Um risco inflacionário que -comprovado depois- nunca existiu.
Mas o passado é para os historiadores. Dele interessa apenas saber -e agora os números confirmam- que o governo esticou o esforço anticíclico de 2009 para criar um 2010 não apenas bom, mas ótimo.

Gerou nas eleições um ambiente econômico artificial, uma assimetria entre consumo e produção. Um ambiente insustentável no tempo, como bem mostra a fatura da inflação deste 2011
A situação mais complicada é na indústria, que apesar da festividade geral só agora alcança o patamar do fim de 2008. Para usar uma terminologia velha, foram dois anos perdidos. E sem luz no fim do túnel das exportações, dada a resistência granítica de um real que insiste em galgar a escada contra o dólar
Tem gente que não liga, pois a agricultura continua exportando bem e nas finanças, então, nem se mede a alegria. Ou mede-se. Sem falar na farra de consumo permitida pelo dólar barato. Do ângulo de um certo projeto de país, conformado com a subalternidade e com a reprodução, em pleno século 21, da ilusão de ser o “celeiro do mundo”, está tudo muito bem
Mas será? O desafio econômico colocado diante de Dilma Rousseff nesta primeira metade de mandato é razoável.

Projeções de crescimento medíocre com pressão inflacionária, juros subindo e o real idem. Contas externas em déficit crônico, agravando de forma também crônica a dependência do capital vindo de fora. Nos bons tempos -quando as coisas eram chamadas pelo nome- seria denunciado como desnacionalização maciça.
E o mais preocupante é não notar no governo disposição para enfrentar com firmeza ou criatividade. Parece haver certa tendência à acomodação. Inclusive no Banco Central, que aparenta estar engrossando o "me engana que eu gosto", perseguindo o teto da meta de inflação e não o centro. Para não sacrificar o já magrinho crescimento projetado este ano
É opção política. O risco? De reindexação geral. Uma coisa é economia desindexada com inflação na faixa de uns 3%. Outra coisa é trabalhadores e empresários aceitarem pacificamente as perdas quando a inflação dobra, sobe para o segundo andar e fica lá um bom tempo.

Se a festa vai ser um andar acima, é natural que todos tentem subir.


Bateu no bolso

O Ministério do Trabalho especializou-se na produção de boas estatísticas para o governo. Politicamente úteis. Mas agora apareceu um problema grave. Como é possível o seguro-desemprego decolar numa era de emprego em alta?
De duas uma. Ou o problema está nas estatísticas ou está nas concessões do benefício. Talvez tenha chegado a hora de um pente fino nos números fornecidos pela instituição. O oportuno esforço intelectual e administrativo poderia inclusive elucidar um mistério bastante repisado aqui
Esta semana saiu o PIB de 2010. Foi 7,5%. E o Ministério do Trabalho (MTE) afirma que em 2010 se criaram menos de 2,5 milhões de empregos, quando o cômputo é feito pela metodologia tradicional do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)
Em 2009 o PIB andou para trás, foi negativo em 0,6%. Em 2009 o MTE afirma ter sido criado um milhão de novos empregos.Como uma economia que cria quase um milhão de empregos quando contrai 0,6% cria menos de 2,5 milhões quando expande 7,5%? Agora invertendo. Como uma economia que cria menos de 2,5 milhões de empregos quando cresce 7,5% cria quase um milhão quando contrai 0,6%?

Autonomia

Desde que a Força Sindical e outras centrais decidiram criar problemas para o governo do PT na votação do salário mínimo a CUT lembrou que é a favor de acabar com o imposto sindical.

Com as cautelas necessárias (sabemos o que se pode fazer com "pesquisas") eis um alerta aos democratas.

Exclusif.

Sondage : Marine Le Pen en tête au 1e tour de la présidentielle

J.Cl. | Publié le 05.03.2011, 13h42 | Mise à jour : 06.03.2011, 15h03

ARCHIVES. Marine Le Pen arrive en tête au premier tour de la présidentielle selon un sondage Le Parisien-Aujourd'hui en France sur les intentions de vote.

ARCHIVES. Marine Le Pen arrive en tête au premier tour de la présidentielle selon un sondage Le Parisien-Aujourd'hui en France sur les intentions de vote.
| ARCHIVE LP/A.AUBOIROUX
| ARCHIVE LP/A.AUBOIROUX">Zoom

Coup de tonnerre sur la présidentielle ? Selon un sondage réalisé par l'institut Harris Interactive pour «le Parisien» -«Aujourd'hui en France» à paraître ce dimanche, Marine Le Pen arrive en tête des intentions de vote au premier tour de la présidentielle avec 23%. Elle devance et Martine Aubry, crédités tous deux de 21%.

Si le premier tour du scrutin se déroulait dimanche prochain, le scénario du 21 avril 2002 serait même dépassé. Jean-Marie Le Pen était arrivé en seconde position au premier tour après et devant Lionel Jospin.

Bayrou crédité de 8%, Villepin et Joly de 7%

Dans cette enquête, le président du MoDem, François Bayrou, arrive en quatrième position des intentions de vote (8%), suivi au coude à coude par l'ancien Premier ministre Dominique de Villepin, qui a rendu sa carte de l'UMP, et l'eurodéputée Europe Ecologie-Les Verst Eva Joly, crédités de 7%. Olivier Besancenot (LCR) et Jean-Luc Mélenchon (Parti de gauche) obtiennent 5%.

Sur le terrain, le capital sympathie de l'héritière du FN progresse

La nouvelle présidente du Front national, qui a succédé à son père mi-janvier et annoncé, dans la foulée, qu'elle se sentait légitime à représenter le FN dans la course à l'Elysée, avance ses pions depuis des semaines, séduisant de plus en plus parmi les classes populaires.

Sur le terrain, l'héritière de Jean-Marie Le Pen «passe bien», son capital sympathie augmente. Ainsi au salon de l'Agriculture, sa visite a-t-elle été très suivie, et ne s'est pas accompagnée des remarques désobligeantes habituelles. Elle semble bénéficier d'une actualité politique dense, voire cacophonique : à la démission de Michèle Alliot-Marie sur fond de révolution tunisienne, se sont ajoutés le débat sur la laïcité, qui se concentre sur la place de l'islam en France, et l'inquiétude de vagues d'immigration du Maghreb vers l'Europe et la France.

Ce sondage devrait en tout cas renforcer ceux qui, à droite, jugent dangereux que la majorité présidentielle lance tous azimuts ces discussions, destinées à couper l'herbe sous le pied des frontistes. Patrick Devedjian par exemple, craint que le FN ne devienne «le centre de gravité» de ces débats.

Lors d'une conférence de presse organisée samedi à Lille après la publication de notre sondage, Marine Le Pen a triomphé. «Il existe une courbe qui me laisse penser que de toutes façons Nicolas Sarkozy perdra cette élection présidentielle. Je pense qu'il ne remontera pas la pente. Il se cristallise sur lui une telle déception et un tel rejet de la part du peuple français que je pense que d'ores et déjà il est presque éliminé de ce second tour», a-t-elle affirmé.

Enquête réalisée en ligne par l'institut Harris Interactive du 28 février au 3 mars 2011. Echantillon de 1618 individus issus de l’access panel Harris Interactive, représentatifs de la population française âgée de 18 ans et plus. Méthode des quotas et redressement appliquée aux variables suivantes : sexe, âge, catégorie socioprofessionnelle de l’interviewé et taille d’agglomération et vote au premier tour de l’élection présidentielle de 2007.

RETROUVEZ LE DETAIL DES CHIFFRES, LES ANALYSES DANS LE «PARISIEN»-«AUJOURD'HUI EN FRANCE» DE DIMANCHE.

VIDEO. Pendant ce temps, Marine Le Pen fait campagne...


Lire la vidéoLire la vidéo

BBC. Quando a esquerda adoece de realismo, vende a herança por lentilhas, ocorrem coisas assim, como tb Hitler, Mussolini, etc. etc. etc. E blá-blá...

Marine Le Pen poll rating shock for French politics

Marine Le Pen speaks at National Front  headquarters in Nanterre, west of Paris, 21 February Marine Le Pen became National Front leader in January

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An opinion poll suggesting far-right leader Marine Le Pen could win the first round of next year's presidential election has caused a shock in France.

The survey for Le Parisien newspaper puts the National Front leader, who took over from her father Jean-Marie in January, ahead of all other candidates.

It gives her 23% of the vote, 2% ahead of both President Nicolas Sarkozy and Socialist leader Martine Aubry.

However, some analysts question the accuracy of the online poll.

Online surveys are arguably less reliable than telephone polling, and Le Parisien's poll assumes Ms Aubry will be chosen as the Socialists' candidate, while the party has yet to decide.

Jean-Marie Le Pen was the shock runner-up in the first round of the 2002 election, only to be massively defeated in the second against Jacques Chirac.

Unwise to ignore

Nonetheless, for the new far-right leader to be ahead of both President Sarkozy and Ms Aubry is an astonishing result, the BBC's Hugh Schofield reports from Paris.

A story on the website of the left-of-centre daily Liberation says "politicians are hesitating between prudence and panic after the poll".

On the basis of this opinion poll of 1,618 people, Ms Le Pen would automatically qualify for the second round run-off with one or other of the two mainstream party leaders.

In 2002, Jean-Marie Le Pen achieved second place, not first, in the first round, and his poll ratings were never as high as his daughter's are now, our correspondent notes.

Marine Le Pen, 42 , has proved a canny successor to her father.

Where he was a brash provocateur with a devoted but clearly circumscribed following, her trump card is a kind of woman-on-the-street ordinariness which potentially has an even wider appeal among working and middle class voters, our correspondent says.

She has been at pains to junk some of the more overtly offensive aspects of the National Front's programme.

She is riding high on the sense of dissatisfaction that is not so much a wave as a permanent condition in France, our correspondent says.

As this poll suggests, there is in the country an entrenched appetite for anti-establishment, curse-on-all-your-houses populism - which the mainstream parties would be most unwise to ignore.

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Parabéns, Marta Bellini!

domingo, 6 de março de 2011

Cinco anos!

Ontem este Blog encontrou na sua QUINTA vida. 5 anos contando o tempo de Blog UOl e Blogspot. Taí!

Marta Bellini.

Assassinatos de mulheres na Costa do marfim



Do Blog JUGULAR, Portugal aqui

Na 5ª-feira, sete mulheres que participavam numa manifestação (de mulheres), pacífica, cantando “ADO” para pedir a tomada de posse de Alassane Dramane Ouattara), o vencedor das eleições presidenciais de Novembro, foram barbaramente assassinadas pelo exército da Costa do Marfim, leal ao candidato derrotado, o presidente Laurent Gbagbo.


Alain Le Roy, que chefia as operações de manutenção de paz das Nações Unidas, confirmou a barbárie, negada oficialmente mas reconhecida por fontes do exército marfinense. Entretanto, o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Refugiados anunciou ontem que suspendeu as suas operações na região oeste da Costa do Marfim, devido a razões de segurança. "Infelizmente, deixámos de operar na região devido aos combates e à insegurança", revelou a porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming. Na véspera, o Conselho de Segurança da ONU lançou um aviso que deveria ser óbvio desde dia 3 de Dezembro: a Costa de Marfim está à beira de uma guerra civil. E confirmou que a UN continua UN-able em mais um conflito.

Marta Bellini. Taí, um bom antídoto ao carnaval político brasileiro. Só que será na boa terrinha...

domingo, 6 de março de 2011

À ação!

Do Blog de Joana Lopes, Portugal, Entre as brumas da memoria AQUI
Que fique bem claro
(desenho da Gui Felga)


… uma vez mais, que o Protesto da Geração à Rasca NADA TEM A VER com uma outra manifestação, também nascida no Facebook e que se auto-denomina
«1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política».

A primeira publicou hoje mais um Esclarecimento:


Reafirmamos a total independência do protesto face a qualquer estrutura ou movimento de cariz partidário, político ou ideológico.


Este é um protesto: Apartidário, aberto a todos os partidos e a quem não tem preferência partidária; Laico, aberto a todas as religiões e a quem não tem religião; e Pacífico!


Nunca foi enviada qualquer lista de reivindicações. O manifesto é o único documento associado ao protesto.


Não protestamos pela demissão de nenhum político ou governo.


Queremos reforçar a democracia participativa e nunca o seu contrário!


Foi também divulgada uma Carta aberta à Sociedade Civil


Carta aberta a todos os Cidadãos, Associações, Movimentos Cívicos, Partidos, Organizações Não-Governamentais, Sindicatos, Grupos Artísticos, Recreativos e outras Colectividades:


Protesto da Geração À Rasca (http://geracaoenrascada.wordpress.com/)

12 de Março às 15 horas
Avenida da Liberdade – Lisboa e Praça da Batalha – Porto


Exmos. Srs.,


O «Protesto da Geração À Rasca» surgiu de forma espontânea, no Facebook, fruto da insatisfação de um grupo de jovens que sentiram ser preciso fazer algo de modo a alertar para a deterioração das condições de trabalho e da educação em Portugal.
Este é um protesto apartidário, laico e pacífico, que pretende reforçar a democracia participativa no país, e em consonância com o espírito do Artigo 23º da Carta Universal dos Direitos Humanos:


1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.
2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.
(…)


Por isso, protestamos:
-Pelo direito ao emprego.
-Pelo direito à educação.
-Pela melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade.
-Pelo reconhecimento das qualificações, competências e experiência, espelhado em salários e contratos dignos.


Porque não queremos ser todos obrigados a emigrar, arrastando o país para uma maior crise económica e social.


Segundo o INE, o desemprego na faixa etária abaixo dos 35 anos corresponde hoje à metade dos 619 mil desempregados em Portugal. A este número podemos juntar os milhares em situação de precariedade: “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, estagiários, bolseiros e trabalhadores-estudantes.
No que concerne à educação, o acentuar das desigualdades no acesso ao ensino limita as oportunidades individuais. Milhares de pessoas são impedidas de ingressar ou obrigadas a abandonar os seus estudos. Outras ainda vivem situações de indignidade humana para conseguirem prosseguir os seus percursos académicos.


Não negligenciamos os problemas estruturais, domésticos e internacionais, que afectam a vida de muita gente na procura e obtenção de emprego. Queremos alertar para a urgência de repensar estratégias nacionais e não nos resignamos com os argumentos de inevitabilidade desta situação. É com sentido de responsabilidade que afirmamos que, sendo nós a geração mais qualificada de sempre, queremos ser parte da solução.


No dia 12 de Março, pelas 15 horas, convidamo-lo a estar presente na Avenida da Liberdade em Lisboa ou na Praça da Batalha no Porto, no Protesto da Geração à Rasca cujo manifesto abaixo citamos.
João Labrincha
Paula Gil
Alexandre de Sousa Carvalho
António Frazão

Tive oportunidade de estar, na TV Futura, com o prof. Reinaldo Gonçalves. É dos poucos acadêmicos DIGNOS do nome, no Brasil.



São Paulo, domingo, 06 de março de 2011



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CLÓVIS ROSSI

Nunca antes? Nada disso

GENEBRA -
Reinaldo Gonçalves é professor titular de economia internacional na Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos raros acadêmicos de esquerda que não se deixou cooptar por uma boquinha no governo ou até por menos, como um convite para jantar com os poderosos de turno.
Fez o que deve ser o papel do intelectual: mergulhou nos dados do IBGE e do Fundo Monetário Internacional para desafiar a propaganda governamental sobre as incríveis façanhas do governo Lula.
Montou tabelas que mostram o seguinte, em resumo apertado:
1 - Os 4% de crescimento médio do governo Lula colocam-no apenas em 19º no campeonato nacional de progresso econômico, entre os 29 presidentes desde a proclamação da República.
Perde, por exemplo, para Itamar Franco e José Sarney.
2 - Quando começou o governo Lula, o Brasil representava 2,9% do PIB mundial. Quando terminou o governo Lula, o Brasil representava 2,9% do PIB mundial. Portanto, estagnou na competição global. E ficou longe dos 3,91% de 1980.
3 - Em matéria de variação comparativa do PIB, no período 2003/ 2010, o Brasil fica em humilhante 96º lugar, entre 181 países. Está no meio da tabela e abaixo até da média mundial de crescimento, que foi, no período, de 4,4%.
4 - Em matéria de renda per capita, a do Brasil evoluiu de US$ 7.547 para US$ 10.894, entre 2003 e 2010. Mas a sua posição no ranking mundial só piorou. Estávamos em 66º lugar e caímos para 71º.
Só para cutucar o cotovelo dos "argentinofóbicos", a renda per capital da Argentina é cerca de 50% maior que a do Brasil, com seus US$15.064. E ela melhorou, do 61º lugar para o 51º.
Não quer dizer com toda a numeralha que o governo Lula foi um desastre. Ao contrário. Mas tampouco foi o milagre que a sua propaganda apregoa. Simples assim.

Marta Bellini e elio Gaspari.

A diferença entre governos, artistas e quejandos que tiveram a mão molhada por Kadafi, e a London School of Economics (e tantos outros setores acadêmicos respeitáveis) encontra-se nas cifras, só nelas. A mais antiga profissão do mundo? Difícil dizer. RR



Marta Bellini

domingo, 6 de março de 2011

Na cama com Kadafi



(Durão Barroso, Sarkozy, Obama, Cameron, Merkel e Berlusconi)

Do Blog de Joana Lopes AQUI

São Paulo, domingo, 06 de março de 2011



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ELIO GASPARI

A má aula da London School of Economics


A escola inglesa recebeu um capilé de Gaddafi e, com tantos professores, levou uma lição da Maison Dior

QUAL A DIFERENÇA entre a Maison Dior e a London School of Economics? Uma delas mostrou que é rápida e séria. Ambas são casas de grife. Uma ensina os povos a se vestir. A outra ensina as nações a gerir suas economias. Depois da Segunda Guerra, Dior mandou as mulheres vestirem saias longas, rodadas, e assim elas fizeram, da duquesa de Windsor a Evita Perón.
Com 16 prêmios Nobel no currículo, a London School of Economics era a casa de Friedrich Hayek quando ele escreveu "O Caminho da Servidão" ensinando que o planejamento central da economia levava os países à ditadura e à ruína. Infelizmente, não o ouviram logo. Passaram pela LSE John Kennedy, José Guilherme Merquior e o atual presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. FHC ganhou um título de doutor honoris causa e Mick Jagger, matriculado, caiu fora.
Nas últimas semanas, tanto a Maison Dior como a LSE foram confrontadas com maus passos. O estilista John Galliano (uma espécie de Tiririca da alta-costura), deu-se a comentários antissemitas e, em duas semanas, foi suspenso e posto na rua. Já a LSE teve que explicar por que deu um titulo de doutorado a Saif al Islam, o filho querido de Muammar Gaddafi, e levou dois anos para comprovar que ele praticara pelo menos 17 plágios.
Em 2009, depois de ter diplomado o moço, a LSE aceitou uma promessa de US$ 2,45 milhões feita por Gaddafi e Saif deu à escola mais US$ 488 mil. Se isso fosse pouco, o professor David Held, orientador do herdeiro, fez uma viagem à Líbia às custas de um programa do papai.
O diretor da LSE, Sir Howard Davies, amealhou US$ 50 mil assessorando o fundo soberano líbio. Levou o capilé em 2007, mas se esqueceu de contar. Na sexta-feira, apanhado, pediu demissão, dizendo que "foi um erro". Erro nada, foi cobiça colonial.
A LSE anunciou que devolveria o dinheiro líbio. Demitir gente como a Maison Dior fez com Galliano, nem pensar. Investigar os critérios que a escola usa para receber doações, muito menos. Fez-se tudo à moda dos clubes. Gaddafi sempre foi Gaddafi, a LSE é que não era exatamente o que se pensava.
Quando a poeira da Líbia assentar, talvez se comece a discutir as relações incestuosas entre universidades, centros de pesquisa e órgão de imprensa com ditadores. Príncipes sauditas espargem dinheiro em instituições americanas como se fossem tâmaras.
O Cazaquistão abarrota publicações respeitáveis com parolagens autocongratulatórias que elas classificam como "informes especiais". Isso para não se falar nos seminários de fancaria frequentemente montados nas capitais do circuito Elizabeth Arden. Se cada seminário desses anunciar quanto custa cada sábio-palestrante, lances como o da LSE dificilmente se repetirão.
A sabedoria convencional ensina que na Jordânia e na Síria funcionam governos policiais e corruptos. Está entendido que o rei Abdula 2º e o presidente Assad são ditadores, mas suas mulheres parecem Cinderelas de um novo tempo. A rainha Rania é ambientalista e tuiteira, com MBA pela Universidade Americana do Cairo, passagens pelo Citibank e pela Apple. É amiga de Nicole Kidman e da infalível Naomi Campbell. Festejou seus 40 anos com 600 convidados globais. Eles brindaram no deserto, pisando em areias umedecidas por jorros de pipas d'água.
Na Síria reina Asma, mulher do presidente Assad. Estudou no King's College de Londres e passou pelo fundo de derivativos do Deutsche Bank e pelo JP Morgan.
Ela se dedica a amparar o desenvolvimento rural. É o rosto cosmopolita do governo. Seu marido tem outros interesses: com tecnologia pirata paquistanesa e assistência da Coreia do Norte, montava um reator nuclear que produziria plutônio, e, com ele, umas bombinhas. Em setembro de 2007, a aviação israelense detonou-o.
Os ditadores de todo o mundo sabem que universidades ilustres e empresários endinheirados gostam de polir celebridades. O filho de Gaddafi só se tornou um quindim azedo para a London School of Economics porque ela aceitou seu dinheiro na época errada. Seus doutores precisam de uma consultoria da Maison Dior.

sábado, 5 de março de 2011

Roseli Fischmann.



São Paulo, sábado, 05 de março de 2011

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TENDÊNCIAS/DEBATES

As escolas públicas devem ter ensino religioso?

NÃO

Escola laica, liberdade e igualdade

ROSELI FISCHMANN

O lugar do ensino religioso não é na escola pública, mas na família e nas comunidades religiosas, para quem assim o quiser.
Por ser ligado ao direito à liberdade de consciência, de crença e de culto, o ensino religioso depende de ser buscado, não de ser oferecido sob a égide do Estado, por ser matéria íntima, de escolha, segundo a consciência de cada pessoa.
Daí o caráter facultativo para o aluno que a Constituição estabelece para o ensino religioso nas escolas públicas, buscando preservar tanto o direito à liberdade de crença quanto a laicidade inerente à escola pública. Razões de ordem ética, jurídica, histórica e pedagógica amparam essa posição.
Crianças pequenas, de seis anos, iniciando o ensino fundamental, têm suas consciências tenras plasmadas pela escola. Quais as repercussões de conteúdos religiosos conflitantes ao que recebe no lar, em sua compreensão do mundo?
Aprender a não fazer ao outro o que não quer que lhe façam indica formação para autonomia, valorizando a alteridade -cerne da educação. Na escola, o respeito aos outros não pode ser amparado em divindade, mesmo para quem creia.
Porque amparar-se no inefável para garantir a não violência é menosprezar a capacidade humana de respeito mútuo e a própria fé, que não depende de constrangimento e submissão. A escola pública deve explicitar o que é humano (como a ciência) como mutável, porque falível e passível de debate e discussão, sempre sujeito a aperfeiçoamento. Como a Constituição.
A possibilidade de uma PEC que retire o parágrafo primeiro do artigo 210 da Constituição é uma urgência histórica, em prol das próprias religiões. Porque, ao tentar regulamentar o não regulamentável, qual seja, o acordo entre religiões sobre o que ensinar, como conteúdo único, a Lei de Diretrizes e Bases da educação criou mais dificuldades que soluções para o que já era problemático na Constituição.
Mesmo internamente a Constituição parece inconsistente, já que o seu artigo 19 estabelece que é vedado ao Estado "estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança" e "criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si".
Promover um ensino religioso que seja ligado a denominação religiosa específica no âmbito da escola pública (como propôs o acordo da Santa Sé com o Brasil) é promover distinção entre brasileiros.
Mesmo que fosse possível cumprir a promessa de que "todas as religiões serão oferecidas", seriam desrespeitados em seus direitos os agnósticos e ateus.
Supor que seja possível tratar as religiões de forma "neutra", na escola pública, é menosprezar consequências de perseguições e raízes de guerras religiosas que a humanidade travou. Propor ensino religioso como história das religiões pode ser adequado só para jovens e não crianças, e não terá sentido se o professor conduzir o ensino privilegiando sua crença ou descrença.
A escola pública precisa ser entendida como lugar de desconstrução das discriminações que perpassam nossa cultura, de forma silenciosa ou denegada, que desrespeitam religiões e, sobretudo, seus adeptos, todos igualmente brasileiros e brasileiras.
Argumentar que a maioria "democraticamente" tem o direito de impor no espaço público sua crença e que na escola "só fará bem ter (uma certa) religião" reduz a democracia à tirania, pois nega o direito de as minorias serem integralmente respeitadas, a ponto de (como ensina Bobbio e dita a regra do jogo democrático) um dia se tornarem maioria.

ROSELI FISCHMANN é coordenadora do programa de pós-graduação em educação da Universidade Metodista de São Paulo e pesquisadora do CNPq para o tema do ensino religioso. Foi membro da Comissão Especial de Ensino Religioso do Governo do Estado de São Paulo (1995-1996).