terça-feira, 3 de março de 2009

O Discurso, não o marolario costumeiro no Planalto.

Folha on line

Integra do pronunciamento de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) no plenário do Senado
:

"Senhor presidente, senhoras e senhores senadores, antes de iniciar meu pronunciamento, quero dar conhecimento a Vossa Excelência do teor da comunicação que ora apresento e encaminho à Mesa.

Comunicação.

Comunico a Vossa Excelência que declino das indicações feitas por parte da Liderança do PMDB para compor a Comissão de Relações Exteriores, Comissão de Educação e Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, como membro titular, e para a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, CDR, como membro suplente.

Ao chegar a esta Casa, senhor presidente, iniciando o exercício do meu mandato, procurei a liderança do PMDB, que era exercida pelo Senador Valdir Raupp, e pedi para que fosse indicado para compor a Comissão de Constituição e Justiça, representando o partido. O ex-líder é testemunha disso.

Com todo o respeito aos demais colegiados desta Casa, a CCJ é, sem dúvida, o foro mais importante do Senado Federal, onde procurei representar com dignidade o povo de Pernambuco e o meu partido. Foi um trabalho profícuo e gratificante onde pude apresentar várias proposições que tratam da reforma política, da intercepção telefônica e que altaram a Lei de Execução Penal. Fui designado a relatar mais de 50 proposições, entre as quais a reforma política, o marco regulatório do gás e a Lei de Licitações.

Destaco ainda a relatoria do Projeto de Resolução 40/2007, que previa o afastamento preventivo dos membros da Mesa em caso de oferecimento de representação que sujeitasse o Senador à perda de mandato. Proferi parecer favorável à matéria, que foi aprovada pela Comissão e por este plenário.

Ao defender este instituto que não permitia o uso do cargo para inviabilizar as investigações, angariei a insatisfação --para dizer o mínimo-- do então presidente da Casa, senador Renan Calheiros.

Para minha surpresa, após essa relatoria, fui, em companhia do senador Pedro Simon, sumariamente afastado daquele colegiado pelo líder Raupp, que, após pressão de vários companheiros do partido, da oposição e da população em geral, que congestionou a caixa postal dos senadores, resolveu reconduzir-nos a mim e a Pedro.

Não foi, portanto, com surpresa que nos dias de hoje fui informado que o atual líder afastou-me mais uma vez da Comissão de Constituição e Justiça sem sequer me comunicar oficialmente.

Tendo em vista essa atitude de retaliação mesquinha, comunico à Mesa que não aceito qualquer outra indicação dessa liderança do PMDB para colegiados nesta Casa. Nem mesmo na ditadura tive meus direitos políticos cerceados, apesar de combatê-la diuturnamente.

Agora, em pleno regime democrático, que tive a honra de ajudar a construir, sou impedido de exercer o meu mandato em sua plenitude, frustrando os milhares de pernambucanos que me confiaram a sua representação.

Esse é o primeiro preâmbulo, senhor presidente.

O segundo preâmbulo, antes do meu discurso, é que eu fui procurado pela revista Veja para fazer as páginas amarelas daquela revista no dia 10 de fevereiro. Sobre três assuntos fui instado a falar: sobre PMDB, sobre Senado e sobre governo Lula. Respondi a tudo que me foi perguntado: PMDB, Senado e governo Lula. Voltei ao Senado no dia 16, uma segunda-feira.

A imprensa foi ao meu gabinete, não convoquei a imprensa para o meu Gabinete. A imprensa me procurou no meu Gabinete. Eu disse que não tirava uma vírgula do que a "Veja" havia publicado.

Hoje volto à tribuna, com uma grande expectativa e perspectiva, e quero acrescentar que não tenho uma vírgula a acrescentar ao que já foi colocado na entrevista da revista "Veja". Não sou mesquinho, não sou pequeno. O que tinha de dizer sobre o presidente da Casa já disse; o que tinha de dizer sobre o líder do meu partido já disse. Serei mesquinho e pequeno se acrescentar mais detalhes e mais adjetivos.

Permita Vossa Excelência que passe a ler meu discurso.

Volto a esta tribuna duas semanas depois da entrevista que concedi à "Veja", na qual analisei o quadro político do Brasil. Nesse período, vi, li e ouvi as mais diversas análises sobre as minhas palavras. Levantaram teorias conspiratórias, tentaram me descredenciar.

Neste exato momento em que falo para os senhores e senhoras, sei que estão vasculhando a minha vida, investigando as minhas prestações de contas à Justiça Eleitoral e à Receita Federal. Não tenho o que esconder, pois disputei em Pernambuco algumas das eleições mais acirradas da história do Estado.

Não temo esses investigadores, apesar de considerá-los credenciados para tal função, pois de crimes eles entendem. Essas iniciativas, que têm por objetivo me intimidar, não me surpreendem nem me assustam. Tenho 40 anos de vida pública. Fui deputado estadual, deputado federal, prefeito do Recife e governador de Pernambuco, sempre com votações expressivas e com reconhecimento da maioria do povo de meu Estado. A esses arapongas digo apenas que enfrentei coisas piores quando, na década de 1970, denunciei torturas e violências praticadas pela ditadura militar.

Vocês não me amedrontam!

Estou nesta Casa há dois anos e um mês, e nada do que afirmei ao repórter Otávio Cabral, da revista "Veja", difere muito do que eu disse a alguns dos senhores e das senhoras. Nesta mesma tribuna, já critiquei a degradação pública à qual está submetido à qual está submetido o sistema político brasileiro, alertando para a desqualificação moral dos partidos políticos.

A verdade é sempre inconveniente para quem vive da mentira, da farsa e é beneficiário dessa realidade perversa. Eu constatei, senhor presidente, é preciso que se diga isso com clareza desta tribuna, eu constatei o óbvio. Apenas isso. Essa realidade exige ações corretivas correção de rumos e de práticas.

Eu não vim aqui para citar nomes, reiterar acusações pessoais. Para isso existem Polícia Federal, Ministério Público, tribunais, Tribunal de Contas da União, que devem exercer e vêm exercendo, alguns deles com eficiência essa prática.

Nunca tive, não tenho e nem desejo ter vocação para ser paladino da ética. E mais: desconfio daqueles que querem sempre pairar acima dos demais. A verdade é que fui eleito senador da República para exercer uma função política e não policial ou investigatória.

Mas quero aqui me colocar à disposição de todos aqueles que dentro e fora do Congresso Nacional defendem pensamento semelhante: aqueles que querem partir para a ação e dar um basta aos desvios no exercício da função pública. Alguns parlamentares já me procuraram com esse objetivo, alguns deles inclusive presentes neste plenário. A eles assegurei o meu apoio e o meu engajamento.

O meu objetivo, senhor presidente e para mim é uma honra tê-lo como presidente nesta hora em que eu falo, a minha admiração pela sua correção e pela sua postura, o meu objetivo primordial a minha admiração pela sua correção e pela sua postura.

O meu objetivo primordial foi atingido com a entrevista ao fazer com que uma parte expressiva da sociedade brasileira prestasse mais atenção no que ocorre no nosso país. Um quadro aterrador que até agora vinha sendo encoberto pelos bons resultados da economia.

A sociedade descobriu que vale a pena se indignar, mostrar que nem tudo está perdido, que compactuar com a corrupção não é pré-requisito para a carreira política. É extremamente necessário que algo seja feito, antes que essa degradação comprometa a nossa democracia, levando as novas gerações a um quadro de desalento para com o exercício da política.

Mais importante ainda é que essa mobilização não fique restrita à Câmara e ao Senado Federal, mas que reflita prioritariamente o desejo de toda sociedade brasileira, desejo de quem hoje se expressa por meio de cartas, de e-mails e de telefonemas. O exercício da politica não comporta, senhor presidente, espectadores. Quem não faz politica verá outros fazê-la em seu lugar, para o bem ou para o mal.

Senhor presidente, cobraram-me nomes, uma lista de políticos que não honram o mandato popular conquistado. A meu ver, essa cobrança em si já é uma distorção do papel de um parlamentar que deve ser o de lutar pela ética e por politicas públicas que façam o país avançar.

Instituições como os tribunais de contas, o Ministério Público, a Polícia Federal e a própria Imprensa têm dado uma contribuição inquestionável e valiosa nessa área.

Não sou afeito aos holofotes e à palavra fácil. Os jornalistas que cobrem os trabalhos do Senado Federal sabem do que estou falando. Mas uma coisa eu posso assegurar a Vossa Excelência: sempre tive posições claras, mesmo nos momentos mais obscuros da história do Brasil. Tenho ojeriza à passividade e à omissão.

Os recentes acontecimentos na Fundação Real Grandeza, o fundo de pensão dos funcionários de Furnas e da Eletronuclear, são uma prova clara e inequívoca do que explicitei na minha entrevista. Repito: não preciso citar nomes, pois eles vêm à tona, infelizmente, quase que diariamente.

A população que paga seus impostos não compreende o porquê da disputa ferrenha entre grupos partidários, sempre envolvendo empresas de orçamentos bilionários.

Quando ocorrem casos como o de Furnas, não dá para esquecer o que aconteceu e o que foi dito. É papel do Chefe do Executivo, no caso, o Presidente da República, instalar uma auditoria independente que coloque tudo em pratos limpos. Essa deveria ser a atitude a ser tomada, e não a de deixar a poeira baixar, esperando que a história seja esquecida, abafada por um novo escândalo escândalo, na história do Brasil, que sempre, ultimamente, tem sido incorporado à paisagem.

Celina Vargas do Amaral Peixoto, socióloga reconhecida internacionalmente, neta do Presidente Getúlio Vargas, em carta publicada pela revista "Veja", edição de nº 2.101, manifesta-se tão horrorizada quanto eu com a degradação do quadro político nacional:

"Os políticos lutavam por projetos. Brigavam dentro e fora dos partidos, por ideias e pelo poder legitimamente constituído ou não. Entendia-se que o homem público tinha uma missão a cumprir."

Ou resgatamos, senhor presidente, essa lógica para o exercício da política ou vamos continuar estampando capas de revistas e jornais da pior forma possível. Não pensem que me agradou dizer o que eu disse. Não estou convicto mas estou absolutamente convicto de que tinha que fazê-lo.

Aproveito a oportunidade para agradecer as milhares de correspondências que recebi do País inteiro em apoio à minha entrevista. Foram e-mails, cartas, telegramas, telefonemas. Expresso minha gratidão também pelas cartas enviadas aos jornais e à Revista Veja, as quais tive oportunidade e ler nos últimos 15 dias.

Senhor presidente, o exercício da política não pode ser transformado em um balcão de negócios. O que se vê hoje no nosso país é um sentimento de descrença, com a impunidade corroendo as bases da democracia.

O poder pelo poder leva ao quadro político degenerado que hoje vivemos no nosso País no qual a esperteza é mais valorizada do que a inteligência e a correção ética.

A conclusão de tudo isso é óbvia, senhor presidente, senhoras e senhores senadores. O caminho para resolver

O caminho para resolver as pendências da nossa democracia está em pauta há anos. Refiro-me à reforma política não a esse arremedo de reforma que chegou recentemente ao Congresso Nacional, que, segundo afirmam, será "fatiada". Também não me refiro à fidelidade partidária com "prazo de validade", aprovada pela Câmara dos Deputados.

Uma reforma política que se pretenda séria deve, em minha opinião, incluir e aprovar pelo menos quatro pontos: financiamento público de campanha, fidelidade partidária, fim das coligações nas eleições proporcionais e implantação da cláusula de desempenho.

O financiamento público de campanha é indispensável para evitar a interferência cada vez maior do poder econômico, que corrompe o processo eleitoral.

A proposta de reforma política, debatida há algum tempo pela Câmara dos Deputados, previa o financiamento público com um custo para a campanha eleitoral de R$7,00 por eleitor. Hoje, isso representaria um custo de aproximadamente R$914 milhões para uma eleição nacional, tomando como referência um eleitorado de 130 milhões de pessoas.

De acordo com números do Tribunal Superior Eleitoral, a campanha do ano passado custou cerca de R$2,43 bilhões. A imprensa, por sua vez, calcula que a despesa real representou cerca de cinco vezes esse valor, chegando à cifra de R$12,15 bilhões mais de doze vezes o valor estabelecido no projeto da reforma política.

Não sou ingênuo de acreditar que o financiamento público sozinho vá resolver o problema da corrupção e do desvio de recursos públicos para campanhas eleitorais. Isoladamente nenhuma dessas propostas que eu citei dará resultados amplos.

Por essa razão, questiono a chamada reforma fatiada. A fidelidade partidária, senhor presidente, por sua vez, é um instrumento para impedir o degradante festival de adesões fisiológicas. Não condeno quem esteja insatisfeito em um lugar e queira ir para outro. Mas, no caso dos partidos políticos, isso deve ser a exceção e não a regra, como tem prevalecido há alguns anos.

De todas as medidas de uma reforma política séria e objetiva, talvez a única que obteria um resultado extraordinário, isoladamente, é a proibição das coligações nas eleições proporcionais. Essas coligações são uma deformidade e uma imoralidade, existentes apenas no Brasil, onde se vota em José e se elege João.

Senhor presidente, se o Congresso Nacional fala de reforma da Previdência, todos se interessam. Recebemos milhares de e-mails, milhares de ligações telefônicas. O mesmo se aplica às reformas trabalhista e tributária. Mas a reforma política é vista pela opinião pública como algo de interesse exclusivo dos políticos.

O cidadão talvez não compreenda que a reforma política é a "mãe" de todas as reformas, justamente por assegurar o aprimoramento das instituições responsáveis pelo encaminhamento de todas elas.

Outro espaço para a degradação do exercício da política reside no Orçamento Geral da União. Sua elaboração, aprovação e execução precisam passar por uma profunda e série reformulação que estabeleça obrigações severas para o Poder Executivo.

O Parlamento não pode continuar sendo um mero atravessador de verbas públicas, com emendas liberadas às vésperas das votações que interessam ao governo.

As distorções começam na elaboração do Orçamento, permanecem na sua aprovação e atingem o auge na hora da liberação dos recursos e quando o dinheiro, que deveria ir para obras prioritárias nos municípios, escorre pelos esgotos da corrupção e dos desvios, muitas vezes com a participação dos ordenadores de despesas do Poder Executivo, indicados pelos partidos políticos.

Senhoras e senhores senadores

Eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para informar que apresentei um Projeto de Lei que proíbe que as diretorias financeiras de empresas estatais possam ser ocupadas por indicações partidárias. Minha proposta reservará esta posição com exclusividade para funcionários de carreira dessas empresas e autarquias.

Além disso, esses diretores terão que ter seus nomes aprovados pelo Senado Federal, seguindo o exemplo do que já ocorre hoje com os dirigentes das agências reguladoras.
A classe política se tivesse bom senso deveria ficar a quilômetros de distância de qualquer diretoria financeira, dos cofres.

Senhoras e senhores senadores

Deixei para a parte final deste meu pronunciamento a questão da impunidade, que considero a consequência mais nefasta do quadro de degradação da política e dos nossos compromissos políticos, sociais e éticos



03/03/2009 - 19h04

Jarbas reafirma críticas ao PMDB e diz que não aceita nenhuma comissão indicada pelo partido

Do UOL Notícias
Em São Paulo


Em discurso nesta terça-feira (3) no plenário do Senado, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirmou que não ficou surpreso ao receber a informação que seria afastado da CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) por orientação do seu partido, ao qual ele fez fortes críticas e acusações de envolvimento com corrupção em uma entrevista à revista "Veja".
  • Lula Marques/Folha Imagem

    Em seu discurso, o senador Jarbas Vasconcelos (ao fundo, à esquerda) criticou o senador Renan Calheiros (em primeiro plano). Jarbas chamou a retaliação que recebeu do PMDB de "mesquinha"


Jarbas começou o discurso dizendo que declinava do convite feito pela liderança de seu partido a assumir qualquer outro cargo em uma comissão permanente do Senado. "Não aceito qualquer outra indicação do PMDB para colegiados nessa casa", afirmou. Durante sua fala, ele fez críticas à impunidade na política.

"Não foi com surpresa que o atual líder me afastou mais uma vez, sem sequer me comunicar oficialmente", disse Jarbas referindo-se ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do partido na Casa. Jarbas chamou a retaliação de "mesquinha", e lembrou que já havia sido afastado da CCJ em outubro de 2007, junto com o senador Pedro Simon (PMDB-RS). "Nem mesmo na ditadura tive meus direitos cerceados."

Em reunião realizada hoje, a bancada do PMDB no Senado avalizou a decisão de Renan Calheiros de afastar Jarbas da CCJ, em represália às declarações do senador. Oficialmente, Renan sustenta que Jarbas será retirado da comissão porque não encaminhou ao partido o pedido para integrar a CCJ.

"Nenhuma vírgula" a mais
O senador disse que não acrescentaria mais "nenhuma vírgula" nas declarações feitas à revista "Veja". "Hoje, volto a acrescentar que não tenho vírgula a acrescentar". "Não sou mesquinho, nem pequeno. O que tinha que dizer já disse. Seria pequeno se acrescentasse mais coisas."

"Serei mesquinho e pequeno se acrescentar mais detalhes"

Jarbas não citou nomes de parlamentares que estariam envolvidos em casos de corrupção. "Não vou citar nome, reiterar acusações pessoais". O senador disse que existe a Polícia Federal, o Ministério Público e os tribunais que "exercem com eficiência essa prática". "Nunca tive, não tenho e nem desejo ter vocação para ser paladino da ética", completou o senador. Jarbas disse que não se arrepende das declarações que deu à revista e afirmou que o que fez foi "constatar o óbvio".

O senador disse que os nomes de políticos envolvidos em casos de corrupção "vêm à tona quase que diariamente". "Não preciso mencionar", disse. Vasconcelos afirmou que atingiu seu objetivo ao dar a entrevista, já que conseguiu chamar a atenção da sociedade para os problemas de corrupção. "Compactuar com corrupção não é pré-requisito para a carreira política", complementou.

"Volto a esta tribuna duas semanas depois da entrevista que concedi à 'Veja', na qual analisei o quadro político do Brasil. Nesse período, vi, li e ouvi as mais diversas análises sobre as minhas palavras. Levantaram teorias conspiratórias, tentaram me descredenciar. (...) Não temo esses investigadores, apesar de considerá-los credenciados para tal função, pois de crimes eles entendem", afirmou. "A esses arapongas digo apenas que enfrentei coisas piores quando, na década de 1970, denunciei torturas e violências praticadas pela ditadura militar."

O senador reservou parte de seu discurso também para comentar os problemas gerados pela disputa política em torno do controle do fundo de pensão de Furnas. Jarbas defendeu uma auditoria para investigar a aplicação dos recursos que compõem o fundo de pensão.

No Blog It's about nothing...Faltam no Brasil e no mundo os Erasmos, os Luteros, os Voltaires, os Diderots, e outros. Sobram salafrários.

Terça-feira, 3 de Março de 2009

Supremo condena igreja a restituir doação de fiel

De acordo com o processo, o ex-fiel, ao visitar a sede da igreja, foi "induzido" a fazer parte do "rebanho"

Agência Estado

O ministro Luís Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manteve uma sentença que condenou a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) a restituir doação de R$ 2 mil, corrigida, feita por um frequentador arrependido, o motorista Luciano Rodrigo Spadacio, de General Salgado, na região de São José do Rio Preto. Salomão recusou um recurso (agravo de instrumento) da Iurd.

Spadacio havia interposto recurso ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), após ter o requerimento de devolução rejeitado em primeira instância. O TJ-SP, então, sentenciou a Igreja Universal a devolver os recursos, julgamento contra o qual a entidade recorreu ao STJ. O ministro do STJ, na decisão, destacou que o Tribunal de Justiça esclareceu 'todas as questões pertinentes' e que a Corte superior não deve reexaminar os argumentos novamente.

De acordo com o processo, o ex-fiel, ao visitar a Igreja, foi 'induzido' a fazer parte do 'rebanho', mas, para isso, teria primeiro de 'abandonar o egoísmo e desfazer-se de todos os seus bens patrimoniais'. Como prêmio, o pastor, segundo a ação, fez a promessa de que a vida dele ficaria melhor na profissão e no terreno sentimental.


Assim, Spadacio vendeu um carro Del Rey, única propriedade que tinha, por R$ 2,6 mil, e passou às mãos do pastor dois cheques. Dias depois, arrependido, sustou uma das ordens de pagamento, de 600 reais, mas a primeira, de R$ 2 mil, já tinha sido compensada pela Igreja. A Igreja Universal, por meio da assessoria, informou que ainda há um recurso pendente no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a sentença do TJ-SP e que aguarda a apreciação pela Corte.

Edir Macedo

A Universal do Reino de Deus é uma igreja cristã protestante de tendência neopentecostal fundada em 9 de julho de 1977 pelo então pastor Edir Macedo, hoje empresário. Macedo começou os primeiros encontros num coreto do Jardim do Meier, no Rio. Com 31 anos, a Iurd tem, aproximadamente, 8 milhões de seguidores somente no Brasil, conforme a instituição. A igreja informa que tem 9,6 mil sacerdotes e emprega 22 mil funcionários em mais de 4,7 mil templos em 172 países.

Primeiro: finalmente alguém se posicionou contra a coerção imposta pelos ditos ‘bispos e pastores’ em arrancar os tostões de seus fiéis. Já não era sem tempo. Essa chantagem da teologia da prosperidade, reinante nas igrejas neopentecostais, no melhor estilo: “me dá o seu que deus lhe dará o dobro”, como se os ditos pastores e bispos fossem ‘atravessadores’ de Deus, precisa acabar. Igrejas como essa são um negócio de extorsão descarado de fazer inveja a camorra italiana. Esse foi o primeiro passo, agora falta fazer com elas paguem impostos sobre suas atitudes comerciais duvidosas, pois claramente vendem a benevolência e graça divina.

Se a moda pegar e ex-fiéis começarem a pegar de volta seu ‘investimento’ será o verdadeiro inferno para Edir Macedo, o Casal Hernandes e outros tantos comerciantes da fé espalhados Brasil afora. Suspeito que aqueles “exorcismos” de araque, teatrais não ajudarão a “tirar o demônio dos juízes”...
Para o Senado Nacional, cuja face é Calheiros e Collor, graças à esperteza de Luis Inácio da Silva. Quando o rosto da instituição voltar aos Jarbas e outros poucos representantes dignos de nosso respeito e obediência, deixaremos o luto.

Convido todos as pessoas de respeito a enviar para o Senado um sinal de luto similar.

Roberto Romano

Um senador digno de respeito, punido e isolado. É o Brasil do PT, do PMDB, do....

CONFESSEMOS: SE ISOLADO PELOS CORRELIGIONÁRIOS DO PMDB, OU MESMO EXPULSO, NÃO SERIA O MÁXIMO DE HONRA A QUE UM HOMEM PÚBLICO, HOJE, PODE ASPIRAR? NA ÉPOCA DO NAZISMO, NA INGLATERRA SURGIU UMA ANEDOTA (OS INGLÊSES TEM BOM HUMOR, O MUNDO SABE) : QUANDO APARECIA UMA BRUMA NO HORIZONTE, ELES DIZIAM: "O CONTINENTE ESTÁ ISOLADO". PARADOXO, MAS VERDADEIRO. SE O SENADOR JARBAS FOR "ISOLADO", SUA FORÇA AUMENTARÁ JUNTO À CIDADANIA HONESTA QUE PAGA IMPOSTOS. E SER PUNIDO POR CALHEIROS, O LÍDER DO MESMO COLLOR QUE HOJE RETORNA À CENA, NA BASE ALIADO DE LULLA, É MAIS DO QUE UMA HONRA. VOU ASSISTIR O DISCURSO DO SENADOR VASCONCELOS, SEM ESPERANÇAS VÃS, MAS COM SIMPATIA. O QUE NÃO FAÇO HÁ BOM TEMPO, DEVIDO AO VÔMITO INCONTIDO QUE VEM À BOCA, COM O AMARGOR DA TRISTEZA DE VER NOSSO PAÍS ENTREGUE PARA AQUELAS PESSOAS.
RR

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A bancada do PMDB no Senado avalizou a decisão do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do partido na Casa, de afastar o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado --em represália às críticas feitas pelo peemedebista ao partido. A Folha Online apurou que, durante reunião da bancada realizada nesta terça-feira, peemedebistas fizeram duros discursos contra Jarbas e manifestaram apoio à decisão tomada por Renan.

17.fev.2009/Folha Imagem
Renan destitui Jarbas Vasconcelos (foto) da CCJ do Senado após críticas ao PMDB
Renan destitui Jarbas Vasconcelos (foto) da CCJ do Senado após críticas ao PMDB

O senador Pedro Simon (PMDB-RS), um dos principais aliados de Jarbas na bancada, ouviu calado as críticas ao colega de partido. Apesar de apoiar parte dos argumentos apresentados por Jarbas contra o PMDB, Simon evitou criar desgastes com a legenda.

Na reunião, alguns senadores defenderam a expulsão de Jarbas do PMDB com o argumento de que o parlamentar não tem mais clima para permanecer no partido --apesar da Executiva Nacional do PMDB ter decidido não estabelecer punições a Jarbas depois da entrevista que o senador concedeu à revista "Veja" com duras críticas à legenda.

Os peemedebistas vão assistir juntos ao discurso anticorrupção de Jarbas no plenário do Senado, marcado para esta terça-feira, e prometeram reagir caso o senador direcione suas críticas a integrantes do partido. Jarbas, porém, não deve apontar os eventuais integrantes do PMDB que estariam envolvidos em ações de corrupção.

O senador disse que não vai citar nomes nem mencionar casos específicos de nomeações indevidas pelo PMDB. O objetivo do parlamentar, segundo ele, é advertir a legenda sobre as suas posições políticas. Jarbas também prepara um projeto de lei que impede que partidos políticos indiquem nomes para o cargo de diretor financeiro de estatais. O peemedebista disse que sua proposta inclui ainda a necessidade de que o cargo seja ocupado por funcionários de carreira que serão submetidos antes de assumirem as funções à sabatina no Senado.

Isolamento

Renan trabalha para isolar Jarbas na bancada depois que o senador fez as críticas ao PMDB. O senador chegou a afirmar que o PMDB é um "partido sem bandeiras, sem propostas nem norte" e a maioria dos seus integrantes "quer mesmo é a corrupção".

Irritado com as críticas, Renan decidiu substituir Jarbas na CCJ por outro senador que integre o bloco partidário da legenda. Oficialmente, porém, Renan sustenta que Jarbas será retirado da comissão porque não encaminhou ao partido o pedido para integrar a CCJ --ao contrário de senadores como Francisco Dornelles (PP-RJ), que vai assumir uma das vagas do PMDB na comissão. Renan estaria priorizando os parlamentares que solicitaram à liderança vagas nas comissões permanentes da Casa.

Acabou o descanso do Roque...


Uma resenha sobre O Caldeirão de Medéia, que até hoje eu não tinha lido.

Quando um assessor anônimo diz que eu não publico artigos e livros de filosofia em revistas e editoras "da área", e se permite patrulhar minha vida acadêmica, negando bolsas a meus orientandos, me pergunto se ele, pelo menos, consulta jornais. Parece que não. Ou talvez consulte apenas os jornais da sua seita. Sei lá. Segue uma resenha de livro meu, saída na Folha de São Paulo. Não conheço o autor pessoalmente, ou remotamente. Lí alguns textos dele e digo que me honrou a sua apreciação do volume. O que mostra a presença, cada vez mais rara, de gente erudita e honesta nos campi.
RR

Filosofia de guerra

Newton Bignotto
especial para a Folha

O Caldeirão de Medéia" reúne ensaios e escritos publicados em periódicos e revistas por Roberto Romano nos últimos anos. Embora não tenha sido concebido para dar ao leitor uma síntese das preocupações filosóficas e políticas do autor, o livro acaba fornecendo um painel amplo do percurso desse escritor que, desde seu primeiro livro -dedicado a estudar as relações entre a igreja e o Estado no Brasil-, sempre procurou entrelaçar questões de atualidade com estudos de problemas fundamentais da tradição filosófica.

Estudioso da filosofia moderna, Roberto Romano oferece uma visão renovada de alguns debates clássicos sobre o período em vários dos capítulos do livro. Num deles, dedicado ao problema da guerra em Hegel, percorre a tradição crítica de Meinecke a Cláudio Cesa, passando por Franz Rosenzweig e Jacques d'Hondt de maneira a fazer do recurso à tradição uma ferramenta para expor sua própria interpretação. Nesse caminho, sobressaem duas marcas constantes de seu pensamento. Em primeiro lugar, o uso da tradição interpretativa de maneira rigorosa e aberta.

Multiplicando as referências e abandonando por vezes o campo original do problema por meio da citação de outros pensadores das mais variadas épocas, o autor aumenta em muito o âmbito no qual a questão parecia estar circunscrita. Procedendo dessa forma, no capítulo mencionado, ele não se furta a chamar de hagiografia a obra de Jacques d'Hondt e a apontar o viés conservador do trabalho de Meinecke.

Ao concluir seu ensaio, entretanto, Romano, que havia mostrado a vertente belicista e autoritária do pensamento hegeliano ou pelo menos a possibilidade de entender o filósofo alemão dessa maneira, adverte ao leitor brasileiro, que poderia se embevecer com uma crítica fácil do pensador alemão, de que "deveríamos, em vez de apontar autoritarismo no filósofo, discutir a nossa "realidade" miserável". O tom forte, por vezes polêmico, de suas interpelações de nossa "realidade" é a segunda marca de seus escritos.

Embora os autores modernos sejam os que mereçam maior atenção, mesmo nos capítulos dedicados a Diderot, Voltaire ou Hobbes proliferam as referências aos pensadores gregos e medievais assim como aos autores contemporâneos. Ao analisar o problema da sátira na obra de Voltaire, Romano conduz seu leitor por um universo habitado ao mesmo tempo por Platão, Luciano e Espinosa, para apoiar uma das teses que lhe são caras e que liga o riso e a sátira à possibilidade de realizar com êxito a crítica das mentes adormecidas pelas mais variadas formas de obscurantismo.

Buscando um Descartes diferente do sisudo pai da racionalidade contemporânea, ironizando os que aceitam a pecha de mero divulgador atribuída a Diderot ou mostrando o quanto Voltaire contribuiu para solidificar o caráter libertador do Iluminismo, ele afirma, dirigindo-se mais uma vez ao público brasileiro: "Urge purificar a fé pública e imprimir os iluministas franceses. Antes de escurecer os cérebros dos estudantes com o o lero-lero irracionalista, ponha-se diante de seus olhos a saudável irreverência das Luzes, a razão satírica que atenua a loucura séria do fanatismo".

Especialista em filosofia francesa do século 18, Romano mobiliza seus pensadores para tomar posição nos debates contemporâneos. Já no primeiro capítulo ele discute a relação entre a produção das ciências -e sua incorporação pelo Estado- e a educação do povo. Deixando de lado as idéias dos que querem isolar as camadas populares do processo de desenvolvimento da esfera técnica e científica, ele mostra que essa é uma discussão essencialmente política. A simples recusa de tratar da educação das massas como uma questão relevante para a vida pública traz, segundo ele, graves consequências para a afirmação da soberania popular.

Na mesma via se inscreve a crítica repetida que o autor faz do que chama de pensamento conservador, identificado como o daqueles que têm "medo de que a população estrague a festa do poder, destruindo a segurança, a propriedade, os vínculos da tradição, as inovações técnicas que só beneficiam alguns".

Pode-se discordar de algumas teses de Romano. O retrato do Brasil, esboçado em alguns capítulos, parece por demais pessimista assim como a aproximação entre realismo e reacionarismo, sugerida no final do capítulo sobre o "sublime e o prosaico", talvez seja excessiva. Seja como for, o leitor encontrará sempre a sustentar as posições explicitadas um rico conjunto de argumentos, que constituem um convite aberto para um debate de idéias fundado na liberdade e na razão, que são o ponto de partida e o eixo do processo de investigação do autor.



O Caldeirão de Medéia
440 págs., R$ 35,00
de Roberto Romano. Editora Perspectiva.


Newton Bignotto é professor de filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais e autor de "Origens do Republicanismo Moderno" (ed. UFMG).

Os candidatos aos cabides, ou seja, a Câmara de Vereadores, insistem. Vale recordar o "passado".

São Paulo, quarta-feira, 17 de novembro de 2004



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TENDÊNCIAS/DEBATES

Eleitos e pães quentinhos

ROBERTO ROMANO

Antes das eleições, reuniram-se os vereadores de Mogi-Guaçu. Na pauta, a extinção de uma experiência pedagógica, a Câmara Jovem. Ali os moços aprenderiam a servir a cidadania. Mas alguns vereadores mirins discutiram os ritos religiosos (leitura da Bíblia e outros) que marcam a liturgia da Câmara adulta. Se o Estado brasileiro é laico, disseram, seria errado evocar símbolos clericais nos debates. Os vereadores consideraram a pergunta insuportável. A mordaça imposta aos jovens lhes ensinou que não existia liberdade de palavra no "Legislativo" a eles destinado. A lição os une aos brasileiros descrentes na democracia e que, em pesquisa atual, admitem ditaduras.

Mas aquele ensino não é o único na ata referida. Um edil propõe "valorizar o Poder Legislativo porque chegou a nossa hora. Muita gente que está lá fora gostaria muito de estar em nosso lugar. Quanta gente tem ciúmes da gente por estarmos aqui". E não é de sentir inveja? Com salários, carros, assessores, título de "Excelência", que permite atacar os que pagam impostos (os invejosos), ninguém desdenha cargos eletivos.



Se o parlamentar sente os cidadãos "comuns" como adversários, fica estabelecida uma disputa desleal



O mesmo edil denunciou o decréscimo de vereadores imposto pela Justiça: "Todos nós que vamos voltar aqui saímos do forno agora; nós somos pães quentinhos, nós fomos votados, o povo votou em nós. Se quisessem tirar a gente daqui, as urnas iriam tirar, mas, se fossem 19 vereadores, acho que todos voltariam". A confusão semântica, devida à oralidade, deve ser traduzida: o parlamentar afirma que ele e alguns colegas foram eleitos em data recente. Se o número dos vereadores fosse maior do que o permitido, o povo ainda assim neles confiaria.

Como a fé pública (a famosa "accountability" ideada pelos revolucionários ingleses do século 17, a começar por John Milton) é o campo onde o povo percebe a confiança merecida pelos que exercem um poder, é possível dizer que existe uma enorme deficiência de credibilidade no Legislativo brasileiro. Quando edis referem-se aos que estão "fora" do Parlamento como "invejosos", eles confessam pertencer a uma casta cujos privilégios deturpam a República.

Elias Canetti ("Massa e Poder") mostra que os deputados são emissários da paz no corpo social. Neste último impera a guerra de todos contra todos. A função dos eleitos é garantir uma trégua no mundo dos negócios (em que todos se matam por interesse e concorrência), das lutas entre os setores profissionais, dos ódios entre as pessoas privadas. Se, em vez de empunhar a bandeira branca, os parlamentares se julgam adversários dos que "estão fora" do poder, eles continuam naquele recinto -a luta de todos contra todos- e se mostram indignos dos cargos. Esse é o núcleo vital do necessário decoro parlamentar.

Núcleo que novamente foi desprezado com a nova investida da "base aliada" do governo, que, logo após as eleições municipais, reiterou o vergonhoso "é dando que se recebe". E os gabinetes ministeriais cedem agora porque não cumpriram em tempo certo a distribuição normal dos recursos. O único espetáculo de crescimento que observamos é o da falta do mínimo decoro na administração do país. Se deputados deixam sua dignidade de representantes do povo soberano e assumem o papel de chantagistas do Poder Executivo, escolhem o estatuto de simples particulares, o que esgarça os laços de solidariedade entre eles e os cidadãos.

É nessa hora que eleitores podem ter "inveja" dos eleitos, visto que estes últimos não garantem mais a lei que protegeria a ordem civil. Se o parlamentar sente os cidadãos "comuns" como adversários, fica estabelecida uma disputa desleal. Os pagadores de impostos não dominam o monopólio da força física (e os outros atributos do Estado, a norma jurídica e a taxação do excedente econômico), enquanto quem exerce cargo público aproveita oportunidades proibidas ou mais difíceis para os particulares, inclusive a muito possível corrupção.

Lembremos Rousseau: ou os governantes servem a cidadania soberana, ou instalam um Estado paralelo (Norberto Bobbio insistiu sobre tal ponto), que se alimenta da usurpação predatória exercida à socapa. O destino dos parasitas é desaparecer com a morte da República. Assim, acautelem-se os que se apegam aos cargos e desprezam os cidadãos.

"Pães quentinhos", conforme a fala imprudente do edil acima referido, são assados no forno do inferno em que vive a população. Calor dolorido destrói os contribuintes que perdem direitos com a cumplicidade dos representantes. O foro privilegiado instaurou no Brasil uma casta que defende interesses próprios, vende favores ao Executivo, dobra-se diante dos oligarcas e de setores mercantis. Por motivos assim, pesquisas de opinião pública colocam os Parlamentos nacionais entre os organismos com a menor taxa de confiança da cidadania.

O clamor pela reforma política começa com a fidelidade partidária: parlamentares infiéis vendem o mandato que não lhes pertence, mas ao povo. Praticam estelionato político. O eleitorado amadurece. As urnas chamuscaram os "pães", quentinhos ou amanhecidos, da política nacional. Arrogantes de todos os lados, incluindo os do PT, devem respeito a quem os sustenta com impostos. Caso contrário sairão ainda mais queimados das próximas eleições.

Roberto Romano, 58, é professor titular de ética e filosofia política na Unicamp e autor de, entre outras obras, "Moral e Ciência - a Monstruosidade no Século XVIII" (ed. Senac/São Paulo).

No Blog Josias de Souza...

03/03/2009

Senado volta do Carnaval ainda sob clima de 'guerra'

Fotos: ABr e AP

Os senadores retornam de um turbinado feriado de Carnaval submetidos à mesma atmosfera belicosa que travara o Senado durante todo o mês de fevereiro.O principal front de batalha continua sendo a comissão de Infra-Estrutura. Trava-se ali uma guerra do governo contra o governo.Disputam a presidência dois senadores do consórcio governista: Ideli Salvatti (PT-SC) e Fernando Collor (PTB-AL).

Antes do Carnaval, Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, tentara promover uma conciliação. Deu em impasse. Imaginou-se que, em meio ao baticum da semana carnavalesca, seria prossível produzir um acordo. Deu em nada. A terça-feira começa sob o signo da discórdia. “Vou para o voto de qualquer maneira”, diz a petista Ideli Salvatti.

“Estão tentado afrontar o critério da proporcionalidade. E isso é algo que nós não podemos aceitar”.

Pela praxe do Senado, o comando das comissões é rateado segundo o tamanho das bancadas. Partidos maiores têm primazia sobre os menores na ordem de escolha.É o critério da proporcionalidade de que fala Ideli Salvati. Por essa regra, a Infra-Estrutura seria do PT (12 senadores), não do PTB (sete integrantes).O problema é que o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), subvertendo os usos e costumes do Senado, prometeu a comissão a Collor. Fizera pior.

Na briga pela presidência do Senado, Renan seduzira o PTB a votar em José Sarney mediante a promessa de que Collor receberia a comissão de Relações Exteriores. Porém, o PSDB, dono da cadeira, pegara em lanças e reunira votos para surrar Collor numa eventual disputa.Pressentindo a derrota, Renan empurrou Collor para a Infra-Estrutura de Ideli. Daí o lufalufa que envenena o consórcio governista.

Nesta segunda (2), Ideli, ex-líder do petismo, trocou um telefonema com Aloizio Mercadante (SP), novo líder do PT. Decidiram que, no limite, vão à sorte dos votos.Há na Infra-Estrutura 21 senadores. O DEM, dono de três votos e avesso ao PT, prometeu a Renan o apoio a Collor. Somando-se os três senadores ‘demos’ a outros seis do PMDB e dois do PTB, Collor amealharia 11 votos. O suficiente para bater Ideli com a estreita margem de um voto. Confirmando-se esse resultado, o bloco de Lula sai da refrega trincado. “Uma coisa dessas sempre gera conseqüências”, diz Ideli.

“No parlamento, tem algumas regras de respeito que, quando são quebradas dificultam a convivência”, a senadora acrescenta. Com ou sem disputa, o Senado precisa ultrapassar a fase da composição de suas onze comissões para dar início às atividades de 2009.Em fevereiro, noves fora a eleição de Sarney, nada se fez. Nenhum projeto votado. Nenhuma reunião de comissão.

Parece claro para todos que a inoperância que resultou dos acertos subterrâneos de Renan Calheiros já foi levada longe demais. Na manhã desta terça (3), para simular normalidade, Sarney vai instalar uma comissão de acompanhamento da crise econômica. Trata-se de um apêndice estranho à estrutura do Senado. Será presidida por Francisco Dornelles (PP-RJ).

Escrito por Josias de Souza às 04h13

Blog do Noblat, o final do artigo é muito instrutivo.

Enviado por Ateneia Feijó -
3.3.2009
artigo

Reforma agrária e MST

Todo mundo era retirante, migrante de outras áreas do país já castigadas pelo latifúndio. Todos vinham com seus oito ou dez filhos descendo do Norte e Nordeste, procurando as terras gerais sem dono... Foi mais ou menos assim que Dom Pedro Casaldáliga começou a me contar sua história na prelazia de São Felix, em Mato Grosso. Na década de 70, em plena ditadura militar, ele enviara um documento à CNBB no qual denunciava a violência e o trabalho escravo naqueles confins brasileiros. Por essas e outras, transformara-se num "perigoso subversivo" controlado pela polícia federal e ameaçado de morte pelos "donos" da região.

O fato é que Casaldáliga tinha razão. Havia terra pra dedéu. Os retirantes entravam na mata, derrubavam, roçavam e iniciavam sua plantação de subsistência. De repente surgiam os jagunços do grileiro avisando que aquela terra tinha dono. Humilhavam os posseiros, destruíam casebres e roçados tocando fogo em tudo. Não havia nenhuma infra-estrutura administrativa, nenhuma organização trabalhista, nenhuma fiscalização. Restava aos retirantes recomeçar tudo mais adiante, para tudo se repetir de novo.

A Igreja, através da Comissão Pastoral da Terra (CPT), resolveu dar apoio aos trabalhadores rurais. Muitos religiosos se sobressaíram nesse trabalho, entre eles o padre Ricardo Rezende, autor de um livro impressionante: "Pisando fora da própria sombra - A escravidão por dívida no Brasil contemporâneo".

Após muitos anos de conflitos e assassinatos no campo, um acontecimento inédito marcou a história do universo rural brasileiro: o lançamento do primeiro Plano Nacional da Reforma Agrária (PNRA). Em 1985, em Brasília. Já na Nova República, com Sarney na presidência.

Naquela ocasião, a reforma agrária ainda era uma espécie de bicho-papão e o PNRA foi apresentado triunfalmente por Sarney na abertura do 4º Congresso Nacional dos Trabalhadores Rurais como uma questão econômica e não política ou ideológica. Quer dizer, tratava-se de uma solução democrática para o problema agrário brasileiro; nada a ver com comunismo ou solução socialista.

No governo Lula, foi criado o segundo PNRA. Lançado em Brasília durante a Conferência da Terra, em novembro de 2003. Este se propõe a uma visão ampliada de reforma agrária. Reconhece a diversidade de segmentos sociais no meio rural, prevê ações de promoção da igualdade de gênero, garantia dos direitos das comunidades tradicionais e ações voltadas para as populações ribeirinhas e aquelas atingidas por barragens e grandes obras de infra-estrutura. E evidencia que o meio rural brasileiro precisa se tornar definitivamente um espaço de paz, produção e justiça social. Ou seja, a reforma agrária de Lula é "uma ação estruturante, geradora de trabalho, renda e produção de alimentos, portanto, fundamental para o desenvolvimento sustentável da nação".

E aí? Aí que agora, em Sarandi, em 24 de janeiro deste ano, o MST divulgou a Carta do 13º Encontro Nacional em comemoração aos 25 anos do movimento. Nela, reafirma a disposição de continuar "a luta contra o latifúndio, o agronegócio, o capital, a dominação do Estado burguês e o imperialismo". Reafirma também a solidariedade internacional e o apoio ao "povo afegão, cubano, haitiano, iraquiano e palestino".

Parece-me que a reforma agrária deixou de ser prioridade para o MST. O conteúdo da carta deixa claro seu desejo de fazer alianças com as organizações e movimentos populares e políticos dispostos a acabar com qualquer capitalismo deste planeta. O objetivo é a construção de "uma sociedade igualitária e livre - uma sociedade socialista". Sim...

Houve um tempo em que eu era uma defensora apaixonada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Até entender que sua razão existencial passou a ser a luta em si. Os atuais militantes do MST não admitem que as pessoas pensem diferente deles; pior, imaginam que isso acontece por ódio.

Ateneia Feijó é jornalista e escritora. Trabalhou nos principais jornais e revistas do país - entre eles a extinta Manchete, o Jornal do Brasil e o Correio Braziliense

Para os sem memória, que atacam a minha suposta incoerência.

Para que alguém se recorde. QUANDO OCORREU A TROCA DE CARTAS ABAIXO, A MAIORIA DOS ÉTICOS PETISTAS SE CALOU E FEZ CARA DE MORTO. NÃO MUITO TARDE, DEPOIS, CERTO MINISTRO DE LULA ALMOÇAVA COM ACM, NO ANTIQUARIUS, RESTAURANTE DE ELITE EM SÃO PAULO, COM DIREITO A VINHO FRANCÊS ESPECIAL E TUDO O MAIS, ALGO COMUM ENTRE RASTAQUERAS. * ENFIM, O MUNDO POLÍTICO BRASILEIRO É PARA OS DONOS DO PODER, COMO DIZIA FAORO. HOJE OS MILITANTES IDIOTIZADOS PELA IDEOLOGIA IMAGINAM AGRADAR LIDERANÇAS PARA CONSEGUIR UM CABIDE OU ASSESSORIA. E MORDEM AS PESSOAS COERENTES, NO MESMO PASSO EM QUE LAMBEM AS BOTAS DE OPORTUNISTAS E TRUCULENTOS !

THIS IS THIS....
RR


* Michaelis : rastaquera

ras.ta.que.ra

adj m+f (fr rastaquouère) 1 Relativo ao rastaquerismo. 2 Que ostenta riqueza por dispendiosas exibições. s m+f Pessoa recém-enriquecida, que procura chamar sobre si a atenção por seus gastos ou luxos ostentosos; novo-rico.

É o gosto petista de exibir vinhos caros, mas sem que o exibicionista tenha cultura e gosto para usufruir com propriedade aquelas bebidas. Petista, salvo raríssimas exceções, toma champanhe com linguiça. Seus modos provam um pobre traço de ausente educação e modos. RR

ACM escreve, Roberto Romano responde


Professor da Unicamp rebate posição do parlamentar baiano e prova que ética e política podem caminhar juntas

(texto publicado no informativo da Andes nº 105, em http://www.andes.org.br)


A carta

Brasília, 16 de abril de 2001

Senhor Professor Roberto Romano

Assisti as manifestações de Vossa Senhoria em programa televisivo da GloboNews sobre corrupção, levado ao ar no último final de semana.
Embora respeite os seus pontos de vista, incumbe-me dizer-lhe que, quanto a mim, está completamente enganado. De logo registro que a comparação com o Senador Jader Barbalho é injusta e despropositada. Entendo o que o teria levado a isso. O senhor fala por ouvir dizer, mas não com conhecimento de causa.


A minha liderança na Bahia, perdoe-me a modéstia, está sempre retratada pelas pesquisas de opinião, inclusive a mais recente, em Salvador, realizada no mês passado, me dá mais de 80% da aprovação dos baianos.
Além de basear-se nas pesquisas, sugeriria que Vossa Senhoria também, na feitura de uma análise sobre determinada pessoa, como professor diligente, ouvisse os escritores da terra. No meu caso, nomes como Jorge Amado e João Ubaldo; ou os compositores da terra, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jerônimo, Vevé Calazans e dezenas de outros; ou os artistas plásticos, todos eles. E, em se tratando de um professor, valeria a pena consultar, ainda, a população de 16 a 24 anos. Sob esse aspecto, devo dizer também que, na sua própria universidade, alunos têm feito teses as mais variadas sobre o meu comportamento político e, em sua maioria, apresentando resultados positivos.


Se um dia Vossa Senhoria for à Bahia, ouvir o povo, andar pelas ruas, será lisonjeiro para mim acompanhá-lo. Aí sim, o professor de Política e Ética fará uma observação correta.


Na minha idade, as injustiças, por mais que sejam repetidas, não mudam a rota de atuação. Continuarei trabalhando pela Bahia e, a ser verdadeira sua afirmação de que 400 escolas têm o meu nome, o que não creio, terá sido porque, indistintamente, nos nossos 417 municípios existe a minha presença através do trabalho e de obras pelo engrandecimento do Estado. Seja como for, achei o número exagerado e procurarei averiguar sua observação.


Vê Vossa Senhoria que a minha discordância é salutar, pois tem o objetivo de bem informá-lo a meu respeito, especialmente porque acredito na sua sinceridade de propósitos e dedicação ao conhecimento histórico sobre a política e os políticos de nosso país.

Atenciosamente, Senador Antonio Carlos Magalhães


A resposta

São Paulo, 2 de maio de 2001

Ao Senador da República, Antonio Carlos Magalhães

Quando ocorreu o golpe de Estado, em 1964, eu tinha 19 anos. Em amargos anos aprendi, na universidade, a disciplina e o rigor da pesquisa. O livro que publiquei em 1979, fruto de um doutorado (Brasil, Igreja contra Estado, SP, Kayrós Ed.), sintetiza milhares de documentos recolhidos num processo lento e longo de investigação no qual as informações foram analisadas, confrontadas entre si e com os dados estatísticos, históricos, sociais, econômicos.


Todos os elementos do trabalho vieram de fontes sociais, arquivos, bibliotecas especializadas, laboratórios. Aprendi, portanto, a só apresentar um juízo após minuciosa observação de comportamentos, fatos, dados. Nunca escrevi um só livro ou artigo "por ouvir dizer". Essa frase, cujo conteúdo é a mim atribuído pelo senhor, foi extraída, como deve ter ouvido dizer Vossa Excelência., de Spinoza. No Tratado sobre a Reforma do Intelecto, aquele é o modo mais baixo na hierarquia dos saberes. Vossa Excelência, afeito à produção de dossiês, com base em recortes de jornais (e nossa imprensa, infelizmente, não se notabiliza pela investigação isenta e cautelosa) confunde o vosso modus operandi com o comportamento científico habitual.


Não foi este modo opinativo que me levou aos considerandos sobre o comportamento público de senadores, na atual quadra da vida brasileira, que faz enrubescer até as pedras.


Voltando à minha pequena história, mencionada acima: durante a ditadura eu lutei pela democracia e pelo Estado de Direito. Fui preso político por bom tempo. Sofri, como os brasileiros em geral, o peso dos censores, dos atentados cometidos contra os que não tinham o comando de batalhões. Verifiquei toda a arrogância dos políticos que se fortaleceram à sombra da exceção. Não foi "por ouvir dizer" que formei uma idéia bastante negativa dos que apoiaram a tirania.


E foi como cidadão que segui o procedimento de Vossa Excelência., que sempre apoiou os mais lamentáveis atentados à democracia, como o fechamento do Congresso, as pressões contra o Judiciário, a intimidação sobre a sociedade civil por meio dos Atos Institucionais, os decretos secretos etc. Testemunhei tudo isto de um lugar privilegiado, a cidadania violentada, pagando caro os desmandos do regime do qual Vossa Excelência foi campeão.


Quanto à presença de vosso nome em escolas, minhas afirmações também não se originaram "no ouvir dizer". Elas se baseiam em pesquisas cuidadosas como a publicada pelo saudoso baiano, Dr. José de Oliveira Arapiraca (nome de uma só escola no seu Estado). Tive a honra de homenagear aquele grande homem na Câmara dos Vereadores de Salvador, discursando como convidado da Casa, no momento certo. O Dr. Arapiraca, após levantamento feito na Bahia, chegou aos números alarmantes a que me referi na GloboNews, no relativo aos estabelecimentos públicos de ensino. O nome de Vossa Excelência ultrapassa numericamente, em muito, o de vultos pátrios como Rui Barbosa, Padre Vieira, Tiradentes etc. O dito livro pode ser encontrado com facilidade nas boas bibliotecas universitárias baianas. Não é preciso um levantamento especial para identificar esse desvio.


Trata-se, como enuncia o autor, de uso político, para fins de marketing, da coisa pública. Esse abuso, no plano espiritual, é tão grave quanto a subtração de bens materiais. Dominar a alma de um povo é um dos piores atentados à democracia.


Finalmente, fico surpreso com o rol dos artistas e intelectuais apresentado por Vossa Excelência em sua missiva. São os mesmos nomes inscritos no manifesto em vossa defesa, lançado nestes dias. A coincidência indica um fato: existem pessoas, no âmbito da cultura, dispostas às zumbaias e aos rapapés. É triste, mas normal num país ainda não afeito à liberdade. Sua lista e manifesto trouxeram a lembrança do célebre escrito de Julien Benda sobre a traição dos intelectuais.


Desconheço os trabalhos universitários favoráveis à Vossa Excelência feitos na Universidade de Campinas. Acho bizarra essa vossa afirmação, porque pesquisas sérias não são ideadas para definir juízos de partidos e de seus líderes. O rigor e a análise isenta constituem o único fundamento da ciência. E a Unicamp é uma pequena universidade que prima por esses prismas do rigor e da cautela, longe das seitas e das preferências ideológicas. É isso o que lhe dá credibilidade ética e científica, justamente porque nela não se confia o destino da sociedade e dos indivíduos ao "ouvir dizer" ou aos recortes de jornais, mas na lenta e dura pesquisa.


Grato pela sua missiva, digo a Vossa Excelência que tenho pela Bahia e pelo seu povo o maior respeito e admiração. Justo por isso, não tomo uma parcela, por mais expressiva que ela seja, pelo todo.

Atenciosamente, Roberto Romano

PARABÉNS, RAMIRO!

Seiscentos mil acessos merecem um brinde


Meritíssima ou meretríssima?

Não existem outras palavras para designar a razão gananciosa de Estado que dirigiu as "potências coloniais", em especial nos seculos 19 e 20, a não ser "ladroagem". A guerra do ópio é apenas uma dentre muitas ignomínias praticadas pelos "brancos superiores".

É bom ter na lembrança que na India os indianos não podiam andar pela calçada, porque ela era reserva dos "superiores"e na China os clubes inglêses tinham na porta cartazes dizendo ser proibida a entrada de cães e chineses. No mesmo passo do racismo mais do que escancarado, veio a pilhagem dos bens culturais e artísticos dos "inferiores". A ladroagem é evidente, basta visitar o Louvre, o Museu Britânico e outros redutos muito civilizadores da bela Europa.

Ridículo o viúvo do grande costureiro exigir que, para devolver o fruto da ladroeira européia, a China aceite o retorno do Dalai Lama. Uma coisa é a gana de poder dos dirigentes chineses atuais, o seu virulento imperialismo de Estado. Outra coisa é dizer que o governo teocrático do Lama seria algo com remotos matizes de democracia. Outra coisa ainda mais diferente é exigir algo só realizável em longos recursos diplomáticos ou guerra, para entregar o fruto de roubo.

O viúvo quer dar aparência de dignidade a algo nada digno de louvor. Recordo a anedota contada por Millor Fernandes, em tempos passados : um juiz recebe petição de certo advogado, na qual o causídico pouco instruído (é a regra) chama o magistrado de Meretríssimo. O juiz nega a medida solicitada e ainda explica : "meritíssimo vem de mérito. Meretríssimo vem de algo que não tem nenhum mérito". A "exigência" do viúvo é meretríssima. Nada mais.
RR


São Paulo, terça-feira, 03 de março de 2009



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foco

Colecionador chinês faz oferta falsa e sabota venda de peças pilhadas da China

China Daily/Reuters

Cai Mingchao, que sabotou o leilão de obras saqueadas

DA REDAÇÃO

O colecionador de arte chinês Cai Mingchao se identificou ontem como o comprador de duas estátuas de bronze originalmente saqueadas na China pelos Exércitos francês e britânico ao final da Segunda Guerra do Ópio (1856-60). As peças foram vendidas na semana passada em leilão de objetos de arte pertencentes ao estilista Yves Saint Laurent (1936-2008).
O objetivo da "compra", no entanto, era sabotar o leilão. Cai declarou que não pagará os cerca de R$ 86 milhões oferecidos por ele pelas peças -representando um rato e um coelho-, em protesto contra o saque realizado há quase 150 anos e considerado pelos chineses uma humilhação nacional.
As guerras do ópio foram declaradas pela Grã-Bretanha, no século 19, para forçar a China a comprar a droga, trazida da Índia por comerciantes britânicos. Em 1860, tropas daquele país e da França chegaram até o Antigo Palácio de Verão, residência do imperador chinês -que fugira, evitando a captura. Os europeus então saquearam o local, além de atearem fogo à construção.
"Quero ressaltar que esse dinheiro não pode ser pago", afirmou o colecionador. "Qualquer chinês faria o mesmo se pudesse. Fiz apenas a minha obrigação."
O governo chinês, por sua vez, declarou não ter nenhuma participação na iniciativa de Cai, embora houvesse antes protestado contra o leilão.
O viúvo de Yves Saint Laurent, Pierre Berge, havia declarado antes do evento que devolveria as estátuas se a China se dispusesse a permitir a volta do líder espiritual dalai-lama ao Tibete.
"Eles [o governo chinês] não conseguiram reaver as peças, e por isso, creio, devem ter pressionado um comprador individual", especulou Berge.
Segundo ele, com o não-pagamento, as peças devem continuar em sua residência. "Vou mantê-las lá em casa."


Com agências internacionais

segunda-feira, 2 de março de 2009

Tarso Genro e o labirinto da história, de Paulo Araújo (atual, bem atual e necessário).

Acreditamos saber que existe uma saída, mas não sabemos onde está. Não havendo ninguém do lado de fora que nos possa indicá-la, devemos procurá-la por nós mesmos. O que o labirinto ensina não é onde está a saída, mas quais são os caminhos que não levam a lugar algum. (Norberto Bobbio, em sua metáfora da política e da história como um labirinto)

O Direito do povo a governar a si próprio é um desafio contra toda verdade. A verdade é que o povo tem Direito de ser governado. (De Bonald)

Tarso Genro e o labirinto da história

No país dos bruzundangas


Em Bruzundanga o chefe do poder executivo não é chamado de presidente da República e os titulares das pastas não são designados ministros. A denominação oficial é Mandachuva da República dos Estados Unidos da Bruzundanga, o qual nomeia os demais mandachuvas de estado. Leitor crítico (isto é, equilibrado e relativista) de Lênin, separando nele o bom do ruim, o douto mandachuva da justiça ouvira dizer que no neoliberalismo o formalismo jurídico que recobre o estado de direito padece em uma indiscutível e permanente convivência com estados de exceção e que, por isso, “soberano é quem decide sobre o estado de exceção”. Assim, à Constituição de Bruzundanga, inspirada originalmente naquela de Brobdingnag, a terra dos gigantes visitada por Gulliver, o mandachuva iluminado decidiu nela inserir uma lei, a qual diz que qualquer outra lei é tornada ilegítima se não for conveniente às novas circunstâncias do permanente estado de exceção. O mandachuva da república pulou de alegria, e, mais uma vez, correu a anunciar ao povo que pela boca do Mandachuva da Justiça Deus lhe mandara a boa nova: desde agora, todos os atos do poder executivo são soberanos porque legítimos e, portanto, livres da ilegítima força normativa das leis e acima da hierarquia que as organiza e lhes dá sentido.

No parágrafo acima arrisquei uma livre adaptação da atualíssima sátira de Lima Barreto.

No labirinto da história, o caminho que leva a lugar nenhum

A disputa pela sucessão de Lula é uma importante chave para entendermos com mais clareza o que efetivamente o ministro Tarso Genro promove quando busca, sempre em nome de uma grande causa humanitária e com o pretexto de salvaguardar o bem público, livrar da cadeia o condenado pela justiça italiana Cesare Battisti. O ministro marca, desse modo, uma diferença ideológica que seria para ele um claro e positivo distintivo (afirmação de soberania nacional perante a Itália na decisão de libertar Battisti) na disputa pelo poder que se trava no Partido dos Trabalhadores. Em seu despacho de concessão do refúgio sobressai todo um embasamento teórico-jurídico retirado do intelectual nazista Carl Schmitt, mesmo que de segunda mão, isto é, recorrendo ao apud. Genro cita Schmitt em artigo escrito em 1934 ("O Führer decide o Direito"). O artigo é encomenda da propaganda nazista e anuncia a sua adesão a Hitler. Nele, o jurista antiliberal defende a dissolução do Parlamento e do Judiciário como fontes do direito e, em nome da decisão, pede a concentração dos poderes nas mãos do Führer. Talvez em um ato falho, Tarso Genro apresenta Carl Schmitt como um entre os “teóricos que não crêem (sic) na democracia liberal”, ignorando, desse modo, que para teóricos os regimes de governo não são objeto de credo ou ideologia e sim objeto de crítica ou mesmo adesão. Schmitt foi um crítico das democracias liberais antes de aderir ao nacional-socialismo. (1).

Em entrevista a Alexandre Garcia, no Espaço Aberto do canal Globo News, Tarso Genro repetiu rigorosamente o pensamento de Schmitt ao dizer que “o estado de direito convive com o estado de exceção”. Isto é, assumiu como verdade de valor axiomático algo que no seu entender seria hoje constitutivo do estado de direito: a exceção. Exemplificou com os EUA de Guantanamo e com a Itália dos “anos de chumbo”. Enfim, além de corroborar com os exemplos, ele afirmou que seguiu em seu despacho a lógica da excepcionalidade do decisionismo de Schmitt, o qual, repito, dizia que a exceção não se submete à norma jurídica (Constituição), mas está acima dela. (2)

Entre outros, Tarso Genro está na disputa pelo prêmio petista: a indicação pelo supremo líder do seu sucessor. Nada sei sobre as “internas” do petismo. Não sei dizer se seu despacho somou ou não pontos nesta disputa. Mas nem por isso o que vem sendo feito em palavras e atos pelos atuais amantes da razão totalitária é merecedor do meu silêncio. Considero gravíssimo o despacho de Tarso Genro, menos no que ele possa implicar em liberdade para Battisti e mais, mas muito mais, no que ele contém de ataques velados, servindo-se de Schmitt, aos demais poderes da República.

Não tratarei aqui do que vai nas linhas e nas entrelinhas do despacho do ministro, que é muito mais um esforço deliberado para esbulhar o pensamento democrático sobre o estado de direito do que um libelo em defesa de um injustiçado. Seguindo o caminho de Bobbio (citado em epígrafe), farei algumas considerações com base no exame de nossa história no período republicano. Contarei sobre os caminhos percorridos que não levaram a lugar algum, com exceção do inferno. Em nossa história duas ditaduras recorreram aos préstimos antiliberais de Carl Schmitt para justificar e legitimar prisões, torturas e assassinatos: a que foi ordenada por Getúlio Vargas e a que foi ordenada por militares e civis.

O constitucionalismo antiliberal prosperou no período que antecedeu a II Grande Guerra. Um dos seus mais importantes ativistas foi Carl Schmitt. No Brasil, Francisco Campos é o seu mais graduado discípulo. Este, ao contrário dos atuais epígonos, leu com bastante apuro os escritos do intelectual nazista. Não por acaso recebeu de Getúlio a incumbência de redigir a Constituição de 1937, que preparou o Estado Novo, e também foi um dos principais artífices do Ato Institucional nº 1, o ato que decidiu sobre a soberania da “revolução” no estado de exceção, conferindo aos seus agentes poder constituinte. Nestes dois trabalhos de racionalização do poder executivo que decide soberano, Francisco Campos serviu-se da lógica da exceção, seguindo rigorosamente os passos do mestre nazista. Como registro, cito a Teologia Política de Schmitt, obra na qual ele opera a analogia da decisão na exceção com o milagre, dizendo que ambos são intervenções diretas de um ente soberano situado acima dos demais em uma determinada ordem. Ambos seriam poderes transcendentes, manifestações legítimas da potência que ultrapassa os poderes legislativo e judiciário no âmbito do Estado.

Neste momento em que voltam a circular em certas tendências da filosofia as teses de Schmitt sobre o fundamento místico da política e do direito, e em total silêncio dos epígonos brasileiros sobre os nefastos resultados históricos da sua aceitação e aplicação na Alemanha e no Brasil, é útil trazer à tona a figura do político brasileiro discípulo de Schmitt. Relembrando, sempre, a sua posição como o mais destacado jurista legitimador das nossas duas ditaduras. Em O Estado Nacional Francisco Campos registra em várias passagens sua identidade de pensamento com o nazismo e com as teses antiliberais e totalitárias de Schmitt. Sigo com passagens retiradas do O Estado Nacional (3):

Como se forma a vontade dos povos

“Quem quiser saber qual o processo pelo qual se formam efetivamente, hoje em dia, as decisões políticas, contemple a massa alemã, medusada (4) sob a ação carismática do Fueher (sic), e em cuja máscara os traços de tensão, de ansiedade e de angústia traem o estado de fascinação e de hipnose.”

Sobre a liberação da potência das massas no Estado totalitário

“O que o Estado totalitário realiza é — mediante o emprego da violência, que não obedece, como nos Estados democráticos, a métodos jurídicos nem à atenuação feminina da chicana forense — a eliminação das formas exteriores ou ostensivas da tensão política. Há, porém, elementos refratários a qualquer processo de integração política. No Estado totalitário, se desaparecem as formas atuais do conflito político, as formas potenciais aumentam, contudo, de intensidade. Daí a necessidade de trazer as massas em estado permanente de excitação, de maneira a tornar possível, a todo momento, a sua passagem do estado latente de violência ao emprego efetivo da força contra as tentativas de quebrar a unidade do comando político.”

Sobre a impotência das democracias liberais

“Essas, as forças elementares (das massas) que os juristas (liberais) pretendem fascinar, não com a máscara de Medusa (5) com que os Césares paralisam o inconsciente coletivo em que se desencadeou o estado de violência pela hipnose do medo ou do terror, mas com o sortilégio de fórmulas ou de cerimônias já destituídas de qualquer significação ou substância espiritual.”

A mística totalitária e a potência de Autorictas (6)

“Já soou, quase simultaneamente, em todos os meridianos, a hora da advertência e do alerta. Já se ouve, ao longe, traduzido em todas as línguas, o tropel das marchas sobre Roma, isto é, sobre o centro das decisões políticas. Não tardarão a fechar-se as portas do fórum romano e a abrir-se as do Capitólio, colocado sob o sinal e a invocação de Júpiter, ou da vontade, do comando, da AUTORITAS (sic), dos elementos masculinos da alma, graças aos quais ainda pode a humanidade encarar de frente e amar o seu destino: AMOR FATI.”

Eis aí uma pequena seleção dos elementos que fundamentam o pensamento político de Francisco Campos, seguramente o mais fiel seguidor brasileiro de Schmitt. Observe-se, ainda, a identidade e a transposição metafórica do par amigo-inimigo, formulada originalmente por Schmitt, na associação misógina que Francisco Campos faz entre liberalismo (a afeminação que denota a permanente impotência política das democracias liberais para responder a uma situação de crise [estado de exceção]) e totalitarismo. Este, a forma do Estado forte para livrar-nos da “atenuação feminina” e liberar-nos para a autêntica, potente e guerreira alma masculina.

Francisco Campos e o caminho da ditadura no pós-64

A seguir, apresento em rápida mas importante passagem o retorno de Francisco Campos à vida pública e política, na ocasião do golpe militar de 1964.

O golpe de 1964 apresentou-se como soberano no estado de exceção (na estrita formulação de Schmitt) para impedir a tomada do poder pelos subversivos e em defesa do verdadeiro regime democrático. Não por acaso os militares e civis brasileiros contrários ao governo Goulart teriam ordenado não um golpe, mas uma “revolução”. É o que diz o Ato Institucional nº 1, cuja autoria na sua maior parte é de Francisco Campos, redator da famosa “Polaca” de 1937 e, insisto, discípulo de Schmitt. Cito o AI nº1:

“O que houve e continuará a haver neste momento, não só no espírito e no comportamento das classes armadas, como na opinião pública nacional, é uma autêntica revolução (...). A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constitucional. Este se manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como o Poder Constituinte, se legitima por si mesma (...) Ela edita normas jurídicas, sem que nisto esteja limitada pela normatividade anterior à sua vitória”.

Usurpou-se, assim, a soberania popular expressa no texto constitucional vigente e anterior ao golpe. Fica, portanto, evidente que a “revolução” de 1964 não se legitimou através do Congresso. Ao Congresso foi outorgada a sua legitimação pela violência deste ato de exceção (AI nº1), auto-instituído de poder constituinte.

Schmitt e os seus seguidores no golpe de 1964 não deixam dúvida: “Soberano é quem decide sobre o estado de exceção”. A “revolução” opera segundo a lógica da excepcionalidade. Logo, a exceção é o elemento mais relevante do que a regra (Constituição).

Para Schmitt e para os seus seguidores no Brasil a ditadura é a resposta adequada para um estado de exceção. O “contragolpe preventivo” proclamou desse modo uma nova soberania, não mais advinda do povo, não mais representada no Congresso, não mais sujeita à legalidade democrática. “Soberano é quem decide sobre o estado de exceção”. Daí que o Congresso e a ordem jurídico-política deveriam ser legitimados pelo novo soberano. Os resistentes, os inimigos da nova “vontade geral”, deveriam ser banidos da vida pública. Essa a lógica que conduziu a depuração dos elementos feminilizantes (na acepção de Campos) do ordenamento político-jurídico anterior no imediato pós-64, com as cassações de parlamentares, professores, etc. Foi essa mesma a lógica de todos os atos seguintes do poder militar, com os terríveis episódios de prisões, torturas e assassinatos.

O fascismo prospera no PT

Em outra ocasião manifestei-me contra os ataques homofóbicos do PT ao prefeito Kassab. Posteriormente, o partido emitiu uma lamentável e não menos preocupante nota de condenação aos ataques de Israel que mal disfarçava o seu apoio incondicional ao anti-semitismo do terror islâmico. Agora, com episódio referido ao despacho do ministro Tarso Genro, vem a público uma outra nota que embute, e como sempre envolta pela máscara da virtude que esconde o bandido fascista, uma justificativa da afirmação de soberania nacional em perfeita sintonia com as teses de um intelectual nazista (cito a nota: Tarso Genro “exerceu atribuição privativa que lhe é assegurada pela Constituição Federal e o fez tomando em consideração a jurisprudência firmada pelo STF”. (7) Em outras palavras, no despacho de Tarso Genro o PT reconhece o mérito do ministro para decidir sobre o que, no estado de direito, é privativo do poder judiciário, corroborando assim uma das teses nucleares de Schmitt). No despacho de Genro está todo um embasamento teórico que se beneficia até a raiz do pensamento de Schmitt.

Mas a prática política fascista no PT é uma obra em progresso, um fazer-se. O que me parece ser possível afirmar neste momento e com estes episódios é que há um consistente e perigoso movimento de afirmação fascista no PT. Reafirmo o que escrevi anteriormente a respeito dos ataques ao Kassab: o fascismo prospera no PT. É preciso parar com as meias palavras e começar chamar a coisa pelo seu verdadeiro nome: FASCISMO.

É grave que setores conservadores da sociedade brasileira busquem ativar na política os baixos instintos fascistas adormecidos nas consciências dos eleitores e dos militantes que babam. Agora, o que não tem o mínimo cabimento, e merece uma crítica duríssima, é o partido que se reivindica herdeiro de uma fantástica tradição de luta pelas liberdades e pelos direitos acionar em sua luta política interna e externa esses mesmos baixos instintos. As terríveis tentativas anteriores, bem como os seus resultados práticos, de trazer para a nossa história as concepções nazi-fascistas do Estado e da luta política foram expostas aqui com a ajuda de Francisco Campos, o nosso verdadeiro intelectual nazista. Esta a questão que deixo para todos pensarmos e que segue em caixa-alta como um grito de alerta: SE O QUE NOS ENSINA O DITO DE BOBBIO SOBRE O LABIRINTO DA HISTÓRIA É VERDADEIRO, POR QUE O MINISTRO TARSO GENRO E O SEU PARTIDO ACREDITAM QUE PODERIAM NOS LEVAR POR UM CAMINHO DIFERENTE DAQUELE QUE SOMENTE CONDUZIU PARA DITADURAS? É vergonhosa e cínica qualquer tentativa de justificar a opção política pelos métodos retirados da fedorenta latrina fascista.

Um dos desafios históricos assumidos pelos fundadores do PT nos anos 80 era trazer à sociedade brasileira uma proposta moderna da luta política circunscrita aos exatos limites do estado democrático e de direito. Olhando para presente, não é o que vemos e, tudo indica até o momento, nem veremos acontecer com o PT.

Aos 29 anos completados desde a sua fundação, o PT abraça as teses nazistas de Schmitt e realiza-se, nestes lamentáveis e preocupantes episódios, como o seu contrário exato nos anos 80.

NOTAS

(1) Em seu despacho, Tarso partilha com Schmitt uma noção que é central no seu pensamento: no instante de perigo (estado de exceção) o soberano é absoluto para criar o direito sem mediações. Hans Kelsen, jurista defensor do normativismo lógico, respondeu assim contra Schmitt: é “uma notável audácia” afirmar que o poder executivo possuiria um poder neutro e moderador dos conflitos dos demais poderes do Estado. Para Kelsen tal formulação da soberania do não seria nova, mas uma outra vestimenta para o princípio absolutista do poder monárquico. Há um bom artigo introdutório ao pensamento de Carl Schmitt: Apontamentos sobre o pensamento de Carl Schmitt: um intelectual nazista. Cândido Moreira Rodrigues. In: http://www.cchla.ufpb.br/saeculum/saeculum12_art06_rodrigues.pdf.

Cito o autor: “Apresentaremos um esboço de alguns pontos do pensamento do jurista alemão

Carl Schmitt, fundamentalmente no período da República de Weimar e parte do regime nazista. Será dada maior atenção à sua relação com o conceito de decisão e como tal conceito permeou seus escritos em torno da crítica ao liberalismo/parlamentarismo de Weimar; atentaremos ainda para sua defesa da existência de um Estado Forte como produto da inevitabilidade existencial, da distinção social entre amigos-inimigos e de uma homogeneidade racial e “democrática”, idéias que serviram de esteio ao regime nazista. Tomamos como base de análise as seguintes obras suas em edições mais recentes: A Ditadura 1921, Teologia Política 1922, A Situação intelectual (espiritual) do sistema parlamentar atual 1923 e O Conceito do Político 1927. Objetivamos, com assim, contribuir para uma reflexão mais atenta a respeito de um certo “revisionismo schmitiano” que busca, por todos os meios, apresentá-lo como pensador democrático e minimizar sua ligação com o regime nazista, no período de 1933 a 1936 quando esteve ligado ao partido de Hitler. Com isso, se objetiva alertar para o reavivamento de suas idéias de extrema direita, sobretudo em países como Alemanha, Áustria, Itália e, mais recentemente, nos Estados Unidos. Na reflexão sobre pontos de seu pensamento, nos apoiaremos nos escritos de pensadores como Richard Wolin, Kal Löwith, Nicolas Tertulian, Heinrich Meier, Jean-Luc Evard, Jürgen Habermas e no Brasil, Roberto Romano e Bernardo Ferreira.”

(2) Recomendo fortemente assistir a entrevista com o ministro Tarso Genro.
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM956301-7823-DEBATE+SOBRE+O+ASILO+POLITICO+CONCEDIDO+A+CESARE+BATTISTI,00.html

(3) Sirvo-me de edição eletrônica não paginada da obra de Francisco Campos.
http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/chicocampos.html#5.
Para edição impressa, Campos, F. O Estado Nacional. José Olympio Editora, RJ, 1941.
Há um bom artigo sobre o período do Estado Novo que contempla a trajetória política de Francisco Campos e seus vínculos com Vargas e outros intelectuais e políticos amigos.
Direito e Literatura: Vargas, o Estado Novo, a Lei de Segurança Nacional e o habeas corpus em favor de Olga Benário Prestes. A história entre foices, martelos e togas. Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy.
http://www.eneascorrea.com/news/150/ARTICLE/1218/1/2007-08-06.html

(4) Medusa é uma figura monstruosa do mundo mitológico da Grécia antiga que possuía o poder de transformar pelo olhar em estátuas de pedra as pessoas que a encarassem diretamente nos olhos, isto é, sem mediação. No contexto em que o mito é ativado, sobressai o seu poder de aterrorizar (associado ao de Hitler e inexistente nos líderes liberais) e petrificar pelo terror a massa alemã. Nesta passagem, uma evidente concepção da política que nega na população a capacidade do uso da razão para decidir por livre vontade. Atira-se, desse modo, o conjunto da população no terreno da irracionalidade, o que, por sua vez, exigiria do governante o comportamento que petrifica pelo terror as massas que apenas se movem pela irracionalidade. Uma face terrífica que pode ser vista, mas quem a vê sem a necessária mediação da razão deixa de ser humano, petrifica-se na adoração do líder. Presente em todo o texto de Francisco Campos o conservadorismo de Donoso Cortés, fonte fundamental para Schmitt. “Para o pensamento conservador, a soberania popular é o perigo e o grande vício do liberalismo e das luzes democráticas” (cf. Cândido Moreira Rodrigues, op.cit.)

(5) Isto é, pelo terror. Cf. nota anterior

(6) No direito romano auctoritas é uma certa legitimação que provém de um saber que é outorgado aos cidadãos Possuem Auctoritas os entes com capacitação moral para decidir sobre o que é melhor e útil para os cidadãos.

(7) In: Bancada apóia decisão do governo de conceder asilo a Cesare Battisti.
http://www.informes.org.br/noticia.php?id=7876



Por sugestão do Blog Panorama, a "notícia"velha, a UNE lulista é pelega, nada mais.


R$ 10 milhões para amansar a UNE



Leandro Colon -

Correio Braziliense

Publicação: 02/03/2009 10:18 Atualização: 02/03/2009 10:22

A União Nacional dos Estudantes (UNE) ganhou na loteria no governo Lula. O repasse do Poder Executivo à entidade aumentou em 20 vezes nos últimos cinco anos. A soma dos recursos públicos transferidos chega aos R$ 10 milhões no período. Em contrapartida, as sexagenárias manifestações independentes e de críticas ao governo federal desapareceram. No lugar, sobra bajulação. Fotos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com dirigentes da entidade são exibidas com pompa no site da UNE.

O crescimento da verba recebida do governo foi meteórico. Os recursos saltaram de R$ 199 mil em 2004 para R$ 4,5 milhões no ano passado. Mas não parou por aí. O montante tende só a crescer em 2009: R$ 2,5 milhões já foram depositados na conta da UNE neste ano, segundo levantamento obtido pelo Correio no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). Nada mal para quem recebeu cerca de R$ 1 milhão em oito anos do governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Transferidos para a UNE em 12 de janeiro passado, R$ 786 mil foram destinados à realização de shows e debates em São Paulo e Rio de Janeiro. Mas nenhuma apresentação foi feita até agora, admite a presidente da UNE, Lúcia Stumpf (PCdoB). Em 5 de junho de 2008, o governo liberou o pagamento de R$ 435 mil para o projeto Sempre Jovem e Sexagenária. Segundo Lúcia, o recurso de quase meio milhão de reais será usado para fazer um livro sobre a história da militância estudantil secundarista. A UNE tem até junho para concluir esse projeto. A reportagem pediu à presidente da entidade algum elemento referente ao que já foi feito até hoje. Não houve retorno até o fechamento desta edição. Ela apenas garantiu que o projeto vem sendo executado. “Tem pesquisadores e historiadores fazendo a busca de material e redigindo. Será um livro histórico”, afirma.

Braço político

A presidência da UNE está nas mãos do PCdoB há mais de 15 anos. O partido tem como representante no governo o ministro dos Esportes, Orlando Silva, que presidiu a entidade estudantil entre 1995 e 1997. Em janeiro passado, o ministério comandado por ele liberou R$ 250 mil para patrocinar a bienal de cultura da UNE, realizada naquele mês em Salvador.

Cerca de R$ 6,2 milhões do dinheiro público repassado pelo governo Lula saíram dos cofres do Ministério da Cultura. Pelo menos seis convênios com a entidade foram alvos de tomadas de conta especial, um processo administrativo interno aberto sempre que aparece indício de irregularidade que possa dar prejuízo ao órgão público. Um deles refere-se à participação da UNE em paradas de orgulho gay em 2006. Cerca de R$ 37,5 mil foram repassados à entidade e até agora a prestação de contas não foi aprovada.

O outro processo é mais antigo ainda. Trata da verba de R$ 173 mil para gravação de CDs e compra de equipamentos da Bienal de Cultura e Arte de 2003. Em novembro do ano passado, o ministério abriu uma tomada de conta especial. A tramitação do convênio revela que a pasta chegou a contestar a gravação de 2 mil CDs, e não 4 mil, como previa o projeto inicial apresentado pela UNE. O ministério abriu outro procedimento parecido em 1º de dezembro do ano passado para averiguar pendências na condução do convênio Cinema Une em Movimento. A entidade recebeu R$ 436 mil há dois anos para realizar em 2007 um circuito de filmes nacionais em universidades. A prestação de contas foi entregue somente no último em 12 de dezembro.

A entidade estudantil também se aventurou pelo orçamento da saúde. No segundo semestre do ano passado, a UNE recebeu R$ 2,8 milhões do Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer uma caravana pelo país. O objetivo foi abrir um debate e realizar ações ligadas à saúde. “Percorremos os 27 estados discutindo cultura, saúde e educação, visitando 41 universidades públicas e privadas no Brasil”, justifica a presidente da entidade.