quinta-feira, 3 de março de 2011

O Globo 03/03/2011

Comissão polêmica

Ida de acusados de corrupção para comissões ameaça democracia, diz analista

Publicada em 03/03/2011 às 23h18m

Sérgio Roxo

O deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP)/Foto de Roberto Stuckert Filho

SÃO PAULO - A volta de personagens envolvidos em escândalos de corrupção aos holofotes da cena política é um atentado à ideia de República, para Roberto Romano, professor de ética e filosofia política da Unicamp. Ele atribuiu o fato ao "anacronismo absolutista" da sociedade brasileira, em que há diferenças de direitos entre o cidadão comum e os ocupantes de cargos públicos.

( Relembre o escândalo do mensalão )

" Quem faz a lei não pode responder por uma acusação de desrespeitar a lei "

Nos últimos dias, réus em processos foram nomeados para comissões na Câmara . João Paulo Cunha (PT-SP), acusado no mensalão, foi eleito presidente da Comissão de Constituição e Justiça , uma das mais importantes da Casa. Paulo Maluf (PP-SP), procurado pela Interpol, Valdemar da Costa Neto (PR-SP), também réu no mensalão, e Eduardo Azeredo (PSDB-MG), réu no processo do mensalão mineiro, foram escolhidos para integrar a comissão da reforma política.

- Quem faz a lei não pode responder por uma acusação de desrespeitar a lei - afirma Romano.

Tais nomeações, diz, geram uma "ameaça ao Estado democrático de direito":

- A situação mostra a fragilidade da nossa República. É uma República quase de fachada.

Para o cientista político Cláudio Couto, professor do Departamento de Gestão Pública da Fundação Getúlio Vargas, essas nomeações mostram que os partidos "estão se lixando" para a opinião pública:

- É uma conduta comum a todos os partidos, tanto de oposição como situação. Não sobra ao eleitor escolher alguém que não esteja envolvido nesse tipo de situação.


Couto acredita que episódios como os das nomeações já foram banalizados pela avalanche de escândalos:

- É até difícil dizer que é um escândalo, porque se tornou algo tão rotineiro essa desfaçatez da classe política com a população. Escândalos, por definição, não podem ser coisas rotineiras.


Jornal o Estado de São Paulo.

Dilma cobrará fidelidade do PDT, segundo analistas

Gesto de não convidar legenda para reunião de líderes serviria de indício de como o Palácio do Planalto pode agir com infieis da base aliada

03 de março de 2011 | 18h 10
GUSTAVO URIBE, da Agência Estado

O anúncio da presidente Dilma Rousseff de que manterá Carlos Lupi no Ministério do Trabalho inclui, nas entrelinhas, o recado de que, a partir de agora, o governo federal irá cobrar fidelidade plena do PDT, caso a sigla pretenda manter o seu espaço na Esplanada dos Ministérios. A avaliação é de cientistas políticos consultados pela Agência Estado, que acreditam que o gesto de Dilma, em não convidar a sigla para reunião de líderes de quarta-feira, 2, é uma mostra de como o Palácio do Planalto pode agir daqui para frente com as siglas da base aliada que se mostrarem infieis ao governo.

"O recado é de que só fica próximo das benesses do governo federal quem dança a música do Poder Executivo", disse o professor de Filosofia Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Roberto Romano. "Ela vai, a partir de agora, cobrar fidelidade de verdade do PDT", acrescentou o consultor da ONG Voto Consciente, Humberto Dantas.

Após reunião com Lupi na manhã desta quinta-feira, 3, Dilma confirmou a permanência do ministro na equipe de governo e disse que eventuais problemas na base de apoio devem ser resolvidos na esfera partidária. A declaração ameniza a crise entre governo e PDT, que não foi convidado a participar da reunião com líderes da base aliada.

O veto à sigla seria uma retaliação por integrantes da legenda terem se posicionado contra a proposta do governo de um salário mínimo de R$ 545. Os especialistas não acreditam que a turbulência leve o PDT a romper com o Planalto. "O PDT, desde que morreu Leonel Brizola, se tornou um partido sem muita orientação ideológica, ele corteja o poder", disse Romano. "O partido tem uma estrutura muito próxima do poder", acrescentou.

Enviado por Alvaro Caputo...

O Brasil é o único país do mundo que tem uma esquerda perfeitamente confortável na extrema direita.


Millor




terça-feira, 1 de março de 2011

Agência Reuters

ANÁLISE-Dilma queima capital político com cortes do Orçamento

terça-feira, 1 de março de 2011 19:08 BRT
Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - Boa parte do capital político da presidente Dilma Rousseff será consumido nos próximos meses para suportar a pressão política e social decorrentes dos cortes do Orçamento deste ano, detalhados na segunda-feira pelo governo, avaliam analistas e políticos. Os cortes envolvem cerca de 85 por cento de todas as emendas dos deputados e senadores ao Orçamento deste ano e retira mais de 5 bilhões do programa Minha Casa, Minha Vida 2, ícone da campanha eleitoral de Dilma, reduzindo sua previsão de gastos de 12,7 bi de reais para 7,6 bilhões de reais. Além disso, eles atingem os ministérios da Educação e da Justiça, áreas prioritárias no discurso da petista durante a disputa eleitoral e dão munição para a oposição apontar seu antecessor, e tutor, Luiz Inácio Lula da Silva, como gastador irresponsável.

"É mais fácil fazer no primeiro ano de governo do que fazer depois, porque é possível queimar gordura com popularidade que tem no primeiro ano e acho que ela está apostando nisso. Vai queimar o capital político em torno do corte", disse o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para Roberto Romano, da Unicamp, Dilma está plantando algumas sementes que terá que colher no futuro. "O que acontece é que ela está acumulando pontos negativos. Primeiro com sindicalistas, porque eles têm que responder para suas bases e explicar o que aconteceu com o mínimo é difícil", disse Romano. "O segundo aspecto é que esse conjunto de oligarcas do Congresso tem que se explicar com prefeitos e dizer que as emendas não estão sendo pagas. E isso desde já são dois pontos complicados na agenda da presidente com o Congresso", acrescentou. Para ele, caso a inflação não responda aos cortes e demais medidas tomadas pelo governo nos próximos meses, as pressões sobre a presidente serão maiores. Romano vai além e diz que se o crescimento econômico tiver uma queda acentuada, Dilma "não mantém" o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

DILMA JÁ SABIA

Os dois cientistas políticos também avaliam que a candidata Dilma Rousseff já sabia que teria que aplicar um forte ajuste fiscal se chegasse à Presidência, mas não podia adotar um tom crítico à política de gastos de Lula. "Eu acredito que ela já sabia, mas é o tipo de assunto que não se levanta na campanha. Ainda mais no Brasil que não tem cultura do corte de gasto público", disse Couto. Para Romano, os cortes atuais são consequências das ações do governo passado. "Lula foi imprudente, penhorou o cofre da nação pra garantir a eleição de Dilma Rousseff", disse. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), dá indícios de que a forte redução orçamentária já era uma medida prevista. "Não tem disparate nisso, eu já esperava que haveria cortes no Orçamento", disse.

Mas, para o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), os cortes representam um desmentido duplo da campanha presidencial petista. "Desmente o ex-presidente e a atual presidente. Eles fixaram na campanha que não teria corte no PAC e em áreas essenciais", disse. Para Dias, o discurso da oposição apontando os "gastos exagerados" do governo ganha força com o ajuste fiscal de Dilma. As dificuldades políticas da presidente com os cortes devem começar no Congresso, já que os parlamentares tiveram 18 bilhões de reais de suas emendas cortadas. Os deputados acreditam que assim como nos anos anteriores se a receita melhorar haverá liberação. Mas, até agora, Mantega tem dito que os cortes são definitivos.

Um assessor do Palácio do Planalto, que pediu para não ter seu nome revelado, disse que o governo já está preparado para sofrer com as reclamações de prefeitos e deputados. Na quarta, Dilma deve receber no Palácio do Planalto as lideranças aliadas na Câmara dos Deputados e, garante o líder do governo, Vaccarezza, por ora, não haverá reclamação pelo corte das emendas. Mas elas já aparecem. "Cortar o braço do Estado que chega ao interior do país é um absurdo. O Estado não consegue enxergar com sua visão palaciana as necessidades dos rincões do Brasil", criticou o deputado Giovanni Queiroz (PA), líder do PDT, partido da base que teve maior número de dissidências na votação do salário mínimo.

E a pressão tende a aumentar no segundo semestre.



Correio Braziliense.


Cai confiança da população na Justiça, aponta FGV

Agência Brasil

Publicação: 01/03/2011 15:41 Atualização:

São Paulo – A confiança da população na Justiça do país caiu nos últimos três meses de 2010, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança da Justiça (ICJBrasil), elaborado pela Faculdade de Direito de São Paulo da instituição, ficou em 4,2 pontos no último trimestre do ano passado. No trimestre anterior, o índice havia apresentado 4,4 pontos.

O ICJBrasil monitora a confiança na Justiça desde 2009. Para o cálculo do índice, que varia de 0 a 10 pontos, foram entrevistados 1.570 cidadãos em Minas Gerais, Pernambuco, no Rio Grande do Sul, na Bahia, no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal.Minas Gerais foi o estado com maior confiança na Justiça (4,4 pontos). Já Pernambuco foi o estado com o menor índice (4,1 pontos).

Ainda segundo a pesquisa da FGV, de todos os entrevistados, 46% informaram já ter recorrido à Justiça ou ter alguém que mora em seu domicílio que o fez. Entretanto, 64% dos entrevistados disseram que a Justiça é pouco ou nada honesta. O levantamento aponta ainda que 78% consideram o acesso à Justiça caro. Já 59% acham que a Justiça recebe influência política.

Marta Bellini...

Uia!


Ontem, ouvi, de duas pessoas, o diálogo (no ônibus democrático) de Bauru a Maringa:
- Nossa, você já está aposentado?
- Estou. Fiz 61 anos essa semana.
- Forgado. Estamos mesmo em tempos de vaca gorda.
- É, sim, antigamente não existia aposentadoria. Agora, recebo R$535,00 de pensão.

Marta Bellini...

terça-feira, 1 de março de 2011

Cena

Cena sublime. Triste. De Annie Girardot que morreu ontem, aos 79 anos. A cena é do filme de Luchino Visconti, Rocco e seus irmãos. Annie Girardot fazia a prostituta. Cena mater. Cena, obscena. Nessa cena morre esfaqueada em uma floresta gelada. Cena que ensina. Encantou-se, Annie.

E do amigo Alvaro Caputo,a fonte de onde brotam os privilégios dos políticos e aliados, no Brasil. Brasil, um país de tolos...



O atual ministro da Fazenda tem de processar o anterior por prevaricação! Como? São a mesma pessoa? Oh!!!

Sabem aquele meu amigo economista, que costuma fazer picadinho do que diz Guido Mantega? Ele acaba de me enviar um e-mail. Assim:

Reinaldo,

a esta altura, deve ser claro que tenho mesmo má vontade para com nosso (censurei o adjetivo) ministro, mas, ao ler o detalhamento das medidas para o prometido corte de gastos, minha reação foi muito além da antipatia.

Dentre as promessas de redução de gastos, achamos pérolas como R$ 3,5 bilhões no item “Pessoal e Encargos” (total orçado: R$ 183 bilhões) e R$ 3 bilhões referentes a “Abono e Seguro-Desemprego” (total orçado R$ 30 bilhões). E como se fará para atingir isso? Por meio de:


- “Combate a desvios no Abono e Seguro Desemprego”;


- “Contratação de auditoria externa pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para as despesas com Pessoal e Encargos Sociais”;


- “Novo sistema de alerta para auditoria das despesas com Pessoal e Encargos Sociais, que emitirá avisos automáticos”;


-”Cruzamento do cadastro federal de servidores no Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (SIAPE) com o de 13 Estados e com o da Previdência para detecção de indícios de irregularidades, tais como acumulação de cargos e aposentadorias”;


-”Auditorias Especiais em finalização, com o levantamento em 61 instituições Federais de Ensino Superior sobre todas as rubricas de pagamento de Pessoal, em especial as gratificações”

Em bom português, quer cortar gastos combatendo as fraudes.

Como homem de bem que quero ser, obviamente não sou contra o combate à roubalheira. Por outro lado, imagino que o ministro da Fazenda do governo Lula deve estar sujeito a um processo por prevaricação por nada ter feito acerca de fraudes que podem alcançar até R$ 6,5 bilhões (cerca de metade do Bolsa-Família!). Segundo o Ministro da Fazenda do governo Dilma, 10% dos gastos associados ao seguro-desemprego podem ter origem fraudulenta! O mínimo que espero é que, se confirmadas as suspeitas do atual ministro, seu antecessor deveria ser processado segundo os rigores da lei. Ainda bem que temos um ministro tão vigilante, sempre na ponta dos cascos.

Por Reinaldo Azevedo

Uma grande realização do ditador venezuelano: a redução de presos ao estatuto de animais. É o que ele deseja fazer com o seu povo. Sem comentários.

São Paulo, terça-feira, 01 de março de 2011



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"Rinhas de galo" humanas em prisão chocam Venezuela

Lutas de presidiários armados até a morte, que ocorrem desde 2008, se tornam símbolo da crise carcerária no país

"Tudo acontece à luz do dia, com assistência dos carcereiros e policiais", afirma ativista que denunciou caso à OEA


FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS

Quando o mais poderoso prisioneiro da Penitenciária de Uribana, no centro da Venezuela, resolve que é o momento, o pátio interno se torna uma arena para ver dois homens lutando, munidos de facas improvisadas, até as últimas consequências.
Pode ser a qualquer hora. Os detidos são obrigados a formar plateia e os "gladiadores" não podem dizer não.
Na semana retrasada, foram dois dias seguidos de disputa, com um saldo macabro de dois mortos e ao menos 12 feridos graves.
É o chamado "Coliseu", que ocorre desde 2008 e se transformou num dos símbolos da crise do sistema carcerário venezuelano.
Há uma semana, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à OEA (Organização dos Estados Americanos), lançou o segundo comunicado em menos de quatro meses para cobrar do governo Hugo Chávez medidas "imediatas e eficazes" para deter a prática.
"Tudo acontece à luz do dia, com assistência dos carcereiros e policiais. Demonstra que são os detidos que têm o controle do presídio", conta Carlos Alberto Nieto Palma, que denunciou o tema no CIDH em 2010.
"Sabe uma rinha de galo? Pois é. É macabro. Há apostas", continua ele, que é da ONG Janela para a Liberdade. "Usam para resolver disputas de poder, de mulher, dívidas. Sabemos que em outros dois presídios também estão promovendo as lutas."
Quando o CIDH fez o primeiro apelo ao governo, em novembro, presos foram transferidos de Uribana, no Estado de Lara, mas já neste ano o "Coliseu" voltou, ainda mais violento.
É que, segundo Nieto, algumas das "regras" criadas para o "Coliseu" não estão sendo cumpridas e a luta de gladiadores-prisioneiros ficou ainda mais perigosa.
Em geral, "El Papá", como se chama quem comanda na prática a prisão e a rinha humana, estabelece que não pode haver cortes perfurantes -devem ser transversais.
E, segundo os defensores de direitos humanos, as duas mortes e os 12 feridos graves demonstram que nem tudo está sendo seguido.

FALÊNCIA
O "Coliseu", para especialistas, é o sintoma chocante da situação geral das prisões.
Segundo cifras do Ministério do Interior -as primeiras em cinco anos- são 44 mil presos para 13 mil vagas. A taxa de mortalidade dos detentos é considerada a mais alta do continente: só no ano passado, 474 presos foram assassinados nas cadeias.
Há ainda outras idiossincrasias. Permite-se que familiares dos presos pernoitem e até passem dias e semanas dentro da cadeia, dividindo espaço com detidos.
"O governo permite porque baixa a tensão na população carcerária e são os familiares que fornecem comida, roupa, coisa que o Estado não dá. Mas isso não existe."
Segundo relatos da imprensa local, o "Coliseu" de 14 de fevereiro começou para resolver um roubo a um familiar que havia passado o fim de semana em Uribana.

DEUS TE OUÇA !

Eduardo Bresciani, do estadão.com.br em Brasília

Com 81 anos, José Sarney (PMDB-AP) disse fazer um “sacrifício” no ínicio do mês ao assumir pela quarta vez o comando da Casa. Com a saúde debilitada, ele ficou metade do mês de outubro de 2010 internado em hospitais do Maranhão e de São Paulo após sofrer uma arritmia cardíaca. Na Casa, porém, parece haver setores preparados para um eventual falecimento do presidente. A Rádio Senado, inclusive, já tem pronto um obituário para colocar no ar caso o fato venha a acontecer.

O Radar Político teve acesso a uma gravação de 21 minutos com o título “Reportagem especial em homenagem ao senador José Sarney”, produzida pela equipe da rádio oficial da Casa. A Secretaria Especial de Comunicação do Senado negou que a Rádio tenha um obituário pronto e afirmou que há apenas uma “biografia” de Sarney, como haveria de todos os outros 80 senadores.

Ouça o programa na íntegra aqui.

A Secretaria, porém, não soube explicar por que os verbos do material obtido pelo Radar Político estão todos no pretérito. “Além de uma extensa vida política, Sarney se destacou nas artes. Ele era membro da Academia Brasileira de Letras desde 1980″, diz um trecho. A justificativa oficial é que pode ter havido “erro verbal”.

O material mistura entrevistas e discursos de Sarney com falas de outras personalidades políticas, como Tancredo Neves, já falecido. A gravação começa com a afirmação de que “o ponto mais alto da carreira de Sarney foi a Presidência da República”, mas antes destaca a trajetória do maranhense até chegar a este posto.

Em trecho de entrevista, Sarney afirma que o regime militar aconteceu por que “todo o país sentia que estava à beira de uma desordem coletiva”. Seu papel no regime ocupa a primeira parte do obituário, com destaque para sua primeira reeleição para o Senado em 1978. O narrador destaca que ele teve “o maior percentual de votos naquela eleição em todo o país”.

O período de Sarney na presidência da República é destacado, principalmente, com a convocação da Assembleia Constituinte. A reportagem lembra também da hiperinflação. “O lado ruim do governo Sarney foi a grave crise econômica que atingiu o pais”, diz o narrador, que lista todos os planos econômicos fracassados daquela época.

A matéria destaca que na primeira vez que presidiu o Senado, entre1995 e 1997, Sarney criou o sistema de comunicação da Casa e menciona que um plano estratégico feito em 2010 decidiu pela ampliação.

A crise do Senado, que explodiu na terceira administração do peemedebista a frente da Casa, também é lembrada na reportagem. A gravação coloca como problemas administrativos o excesso de diretores, o pagamento de horas extras no recesso e os atos secretos. O enfoque, porém, é de destacar “40 medidas” que foram tomadas pela administração Sarney para melhorar a estrutura da Casa e que Sarney foi absolvido pelo Conselho de Ética das acusações feitas contra ele. O tema é encerrado com uma afirmação dele do fim de 2009 dando a crise por encerrada. Não há qualquer menção à reforma administrativa prometida por ele e que até hoje não foi aprovada.

O material fala ainda da defesa de Sarney do Mercosul, de suas atividades literárias e de suas colaborações com veículos de imprensa. Todos os termos são usados no pretérito, apesar de ele ainda executar algumas dessas atividades.

Estado de São Paulo (jornal)

Corte em emendas dificulta relações com o Congresso

28 de fevereiro de 2011 | 19h 33

ANNE WARTH - Agência Estado

O corte de R$ 18 bilhões em emendas parlamentares anunciado pelo governo hoje correspondente a 72% do total das emendas pode dificultar as relações da presidente Dilma Rousseff com o Congresso Nacional. A opinião é do professor de Filosofia Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Roberto Romano, para quem o sistema de emendas ao Orçamento permite que o Executivo, mesmo quando tem maioria, passe por momentos em que sinta a "faca no pescoço".

"O sistema de emendas ao Orçamento é absolutamente delirante e já deveria ter sido abandonado há muito tempo, pois desorganiza as contas públicas em proveito de tratativas que interessam aos setores oligárquicos", afirmou. "Porém, com esse sistema de distribuição de recursos, é evidente que a presidente coloca um ponto negativo em seu passivo com o Congresso".

Na avaliação de Romano, a própria votação do salário mínimo, que acabou aprovado com folga, demandou um trabalho "hercúleo" para unir as forças políticas e um desgaste com os setores sindicais. "Os setores sindicais vão voltar a apoiar o governo, mas já com uma mágoa. Agora, se o governo corta essas emendas todas, acumula outra mágoa. Quando chegar ao segundo ano de mandato - o ponto de virada do Executivo -, a presidente já terá acumulado um passivo político muito grande e é preciso ver a quantas andará sua popularidade", disse.

O professor reconhece que os cortes no Orçamento são necessários devido à "falta de prudência" do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Lula, por motivos eleitorais, abriu o cofre para todas as benesses possíveis e imagináveis sem pensar muito no sucessor - se seria da oposição ou do próprio governo. Temos agora uma ação correta, uma espécie de freio de mão nas contas necessário", afirmou.

População

Romano destacou ainda que, embora o corte no Orçamento seja necessário, não costuma ser bem visto pela população. "Executivos que chegam ao fim de seu mandato com o caixa em ordem chegam absolutamente impopulares. Um exemplo disso é a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina, que entregou o caixa absolutamente em ordem, regularizou a dívida pública, fez uma política de austeridade muito grande e acabou absolutamente impopular", afirmou. "A presidente Dilma sofrerá as mesmas cobranças, e a principal será a inflação. Se ela conseguir manter a inflação em um nível razoável, terá condições de manter a popularidade do governo. O problema é que os cortes no Orçamento não garantem que isso vá ocorrer".

Para Romano, o mais grave foram os cortes no orçamento do Ministério da Educação, de R$ 3,10 bilhões, e em Ciência e Tecnologia, de R$ 953 milhões. "São setores vitais e que sofrem cortes de uma maneira estranhamente contraditória com o discurso da presidente", afirmou. "Considerando a necessidade de aumento da competitividade do produto nacional frente à enxurrada de mercadorias chinesas no País, seria mais do que estratégico manter esses recursos de Ciência e Tecnologia".



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Marta Bellini. Assisti o programa e gostei muito!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O falso rombo da previdência



Repetindo o que a mídia oculta...


Assunto: baile que as jornalistas globais levam de Lavinas

Em http://www.futepoca.com.br/


Sexta-feira, Novembro 05, 2010
Globo News, previdência e a pauta do governo Dilma
A entrevista da GloboNews com a professora Lena Lavinas, da UFRJ, cumpre duas funções
. Primeiro, mostra como a grande mídia está tentando novamente influenciar a agenda do governo eleito, inserindo uma pauta conservadora no debate, apesar da clara mensagem das urnas em favor de políticas de combate à desigualdade. Aqui, cabe lembrar que o pessoal de esquerda (também conhecido como "nóis") precisa cumprir o mesmo papel e puxar o governo para a pauta que nos interessa, especialmente uma ação mais forte no combate à desigualdade.

Aliás, já que a presidenta está falando em reforma tributária, que o debate passe pela introdução de maior progressividade nos impostos, diminuindo a carga sobre os mais pobres (e a classe média deve se beneficiar aqui, creio, do alto de minha ignorância tributária) e aumentando sobre os mais ricos. Se houver conhecedores do tema entre os leitores, por favor, contribuam.

A segunda razão para ver o vídeo é dar destaque mais uma vez à absoluta contradição entre a chamada "Dilma terá que lidar com rombo milionário na previdência" e a argumentação da professora, que nega desde o início a existência do tal rombo. Nesse ponto, destaque para o baile que as jornalistas globais levam de Lavinas, que dá uma verdadeira aula sobre previdência e seguridade social.

A terceira razão é a supracitada aula sobre um tema dos mais importantes para quem acredita na construção e consolidação de um aparato de proteção social no Brasil. Não consegui achar um jeito de reproduzir o vídeo direto aqui, por isso vai o link:

http://globonews.globo.com/videos/v/dilma-tera-que-lidar-com-rombo-bilionario-na-previdencia/1366939/


Por Nicolau às 17:38

Estado de São Paulo.

Advogados criam a sua ‘memória da resistência'

Profissionais que enfrentaram a ditadura ao defender militantes nos anos de maior repressão vão criar centro de documentação

26 de fevereiro de 2011 | 19h 53

Marcelo Godoy - O Estado de S. Paulo

Profissionais que enfrentaram a ditadura ao defender militantes nos anos de maior repressão vão criar centro de documentação

Arquivo/AE
Arquivo/AE
Julgamento de Lula em São Paulo em 1981: regime o acusava por greves ilegais

Conservar a história dos profissionais que lutaram contra a ditadura militar. Esse é o objetivo de um grupo de advogados que decidiu montar um centro de documentação com os depoimentos de advogados de presos políticos no Brasil durante a ditadura militar.

O material reunido em São Paulo, Rio, Curitiba, Porto Alegre e Recife deve servir de base para um documentário a ser dirigido por César Chalone (responsável pela fotografia do filme Cidade de Deus).

Um dos depoimentos já foi gravado. É do criminalista e diretor de teatro Idibal Pivetta. Depois devem vir os de Belisário dos Santos Junior, José Carlos Dias e Tales Castelo Branco. "Nossa ideia é entregar o arquivo para uma universidade, como a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), para qualquer pesquisador ter acesso", disse Belisário, um dos idealizadores do projeto.

De 1970 a 1983, o criminalista Belisário acostumou-se aos corredores das auditorias militares - defendeu estudantes, sindicalistas e militantes políticos como o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Só uma parte do que ele e outros defensores fizeram nesses anos está registrado nos processos. O que ficou fora, na lembrança de advogados e clientes, é um mundo cheio de denúncias contra o arbítrio das leis de segurança nacional e contra as torturas, os desaparecimentos e os assassinatos.

"Vivíamos como em uma peça de teatro: de conflito em conflito", afirmou Belisário. Havia pouco mais de uma dezena desses advogados em cada cidade importante do País. Eram poucos, mas estavam entre eles o católico Sobral Pinto, o professor Heleno Cláudio Fragoso, Pivetta e jovens como José Carlos Dias. Por tradição, não cobravam pelo trabalho. Muitas vezes foram ameaçados ou acabaram na cadeia por causa dos clientes.

O criminalista Tales Castelo Branco, de 75 anos, era um deles. Entre os seus mais de 50 clientes acusados de delitos políticos estavam o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa, a arquiteta Lino Bo Bardi e o engenheiro Ricardo Zarattini Filho, então militante do Partido Comunista Revolucionário (PCR).

"Advogar era assumir riscos. Um dia, o Zé Celso ligou para meu escritório. Disse que ia para o Dops, que o haviam convocado", disse Tales. O advogado foi encontrá-lo. Ao chegar, um investigador que Tales defendera em um processo o chamou de lado. "O senhor é advogado do moço do teatro?" Tales disse que sim. "Então tira ele daqui que ele vai ficar (preso)." O advogado pegou o cliente pelo braço e o mandou fugir. Da recepção do Dops, Zé Celso partiu para o exílio em Moçambique e em Portugal.

Risco. Tão arriscado quanto dar fuga a um cliente era apresentá-lo à Justiça Militar. Era 1968 quando a arquiteta Lino Bo Bardi teve a prisão decretada. Lina abrigara em sua casa uma reunião do que os militares chamavam de "cúpula da subversão em São Paulo". "Ela era simpatizante e emprestou a casa. Enquanto eles se reuniam, ela ficou trabalhando em sua prancheta", disse Tales. Quando tudo foi descoberto, ela foi se refugiar em Milão, sua terra natal.

Seu marido, o então diretor do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Pietro Maria Bardi, procurou o advogado. "Tive de convencê-lo a chamá-la de volta. Tinha certeza de que revogariam a prisão se ela voltasse." Tales estava certo. Lina retornou, e a Justiça Militar a absolveu.

Tales sofreu ameaças, mas nunca foi preso como Idibal Pivetta, que passou 94 dias no Destacamento de Operações de Informações (DOI), no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e no presídio do Hipódromo, na zona leste. Pivetta defendeu quase 600 acusados de participação em grupos armados e outro tanto que militava em partidos ilegais.

Também entrou com cerca de 400 ações na Justiça para passaporte para os exilados, como o dramaturgo Augusto Boal, que viveu na Argentina, Portugal e França.

Pivetta, que trabalhava com teatro universitário, encenava na zona leste a peça Rei Momo quando foi detido por agentes do DOI, que considerou o espetáculo subversivo. No DOI, Pivetta encontrou cerca de 20 clientes, a maioria alunos da geologia da USP. "Imagine a situação: eu, o advogado que devia tirá-los dali, estava preso", afirmou.

Gritos. Em 1973, Pivetta ficou na cela onde antes estivera o estudante Alexandre Vannucchi Leme, morto pouco antes pela polícia. O advogado não foi fisicamente torturado, mas presenciou muitos que foram. "O pior era a rotina, escutar os gritos."

Tão importante quanto conseguir sentenças mais brandas e absolvições de clientes era mostrar às autoridades que a prisão de alguém não era mais um segredo. "Muitas vidas foram salvas desse jeito", disse Belisário.

Depois da anistia, em 1979, a atividade dos advogados na Justiça Militar minguou. Passariam pelo banco dos réus toda a cúpula do PCB e Luiz Inácio Lula da Silva, enquadrado pelas greves que comandou no ABC. Foi assim até o fim do regime, em 1985. "Foram anos terríveis. Ninguém dormia em paz", lembra Pivetta.

'Na ditadura, advogar era denunciar tortura'

Belisário dos Santos Júnior, membro da Comissão Internacional de Juristas, fala ao 'Estado'

26 de fevereiro de 2011 | 20h 04

Marcelo Godoy - O Estado de S. Paulo

Nascido em 1948, em São Paulo, Belisário dos Santos Junior militou na Juventude Estudantil Católica (JEC) e era estudante de direito na Faculdade do Largo São Francisco, da USP, quando começou a defender presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985). Secretário da Justiça de Mário Covas (1995 a 2001), ele hoje é integrante da Comissão Internacional de Juristas.

'O clamor público salvava vidas', diz advogado

É possível comparar a atuação dos advogados de presos políticos no Brasil com os de outros países da América Latina?

Advogados de direitos humanos no Brasil atuavam na área penal. Advogar era denunciar tortura ou atuar na defesa dos processos criminais. No Peru, eram os defensores das grandes lides trabalhistas. Na Bolívia, os advogados dos mineiros. No Chile, ficavam na resistência em associações internacionais, assim como no Uruguai. Ali não havia advogados de dentro, pois eles eram perseguidos. Na Argentina, quem não saiu desapareceu.

Como era defender um cliente sabendo que ele podia ser condenado à morte?

A gente tinha no fundo uma convicção de que a pena de morte não seria aplicada. Tínhamos a confiança de que no Superior Tribunal Militar e no STF essa pena não seria aplicada e essa confiança foi justificada no caso do Ariston Lucena (militante da Vanguarda Popular Revolucionária condenado à morte pela auditoria militar de São Paulo pela morte do tenente da PM Alberto Mendes Junior), quando o ministro Alcides Carneiro e outros juízes disseram que aquela era uma situação de guerra, que a morte do tenente não era um vilipendio ao oficialato. Eles se recusaram a aplicar a pena de morte.

Era possível, então, advogar, mesmo sem o habeas corpus?

Sim. Nós inventamos a comunicação de prisão. Uma coisa que devia ser feita pela autoridade competente, os advogados faziam. O clamor público salvava vidas. Quando alguém era preso, a primeira coisa que se fazia era ligar para o advogado, para a imprensa, para o STM.



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