











A falência do marxismo
(*) Roberto Romano da Silva
Não gosto de analisar livros recentes. Prefiro esperar e ver como reagem no rarefeito ar acadêmico. Tenho comigo um belo texto de 1991. Eu o acompanhei desde bem antes. Seu autor estudou na pós-graduação da Unicamp. Aluno raro porque unia a gentileza ao cuidado acadêmico com as regras, as fontes de trabalho, etc. Estive como examinador na sua qualificação quando a pesquisa amadureceu e se transformou em doutoramento. Naqueles dias o trauma do enterro inglório da URSS era recente. Muitas pessoas que hoje se proclamam livres do marxismo e da esquerda recitavam o rosário da famosa DIAMAT (Dialética Materialista). Com muita coragem o jovem autor apresentou uma rigorosa análise do ideário marxista, tendo em conta o teórico Lucio Colleti. O nome do jovem, originário de Santa Catarina, é Orlando Tambosi.
O livro traça, antes de tudo, um panorama das doutrinas marxistas na Itália, em suas raízes mais fortes, como é o caso de Croce. Depois, discute os escritos fragmentários de Gramsci que permitia, ao usar noções vagas sobre a sociedade civil e o papel dos intelectuais orgânicos, atenuar a grosseria do marxismo oficial, cujos jogos entre “infra” e “super” estrutura permitiam parolar sobre tudo e de nada dar conta no mundo efetivo. Perto de Roger Garaudy (aquele mesmo que afirmava, piorando o materialismo do século 18, que o cérebro secreta o pensamento como o fígado a bilis) e de Jean Kanapa (aquele outro que delatou em Sartre tendências filo-imperialistas norte-americanas, porque o autor da Crítica da Razão Dialética ousara recusar o estupro da Tchecoslováquia) Gramsci era um portento especulativo. Mas o colosso tinha pés de barro.
As suas fraquezas foram apontadas por Lucio Colletti. Como sempre, em se tratando de seitas, o crítico não foi ouvido. Ocorre na Itália e na Europa o debate sobre socialismo e democracia. Gramsci coqueteou com Hegel, via Croce, o que fazia do seu ideário uma receita de adesão ao “necessário encadeamento histórico”. O futuro estava garantido (como denunciou Regis Debray) o que fez do marxismo uma receita de aceitação do presente, desde que dirigido pelos gloriosos líderes do proletariado. Parêntesis: hegelianismo e aceitação do fato coincidem, o que leva aos realismos indigentes dos militantes, sempre dispostos a quebrar os ovos alheios quando se tratava de fritar o omelete da “boa história”. Não por acaso Nietzsche caçoa dessa crença : “olhem os joelhos dos hegelianos, gastos de tanto serem dobrados diante da necessidade histórica!”.
A crítica de Galvano Della Volpe, virulentamente anti-hegeliano, suscita o debate sobre os elos entre Hegel e Marx, com direito à uma visita ao museu do materialismo romântico tardio, cujo ícone era Feuerbach. O exame da contradição dialética atingiu, era inevitável, a cabeça dos teóricos italianos e europeus. Sofísticos ao máximo, escapando simuladamente das denúncias kantianas sobre os paralogismos da razão, Hegel e discípulos “dialetizam” tudo, tudo engolem com sua lógica absoluta, tudo explicam. Mas tudo fica inexplicado porque a dialética foge da epistemologia. Ela opera sem limites ou regras. É delírio racional tão idiotizante quando os devaneios do metafísico.
É disso que se trata: o marxismo, “herdeiro” da bela dialética não passa de metafísica selvagem, pão para toda boca pois explica a natureza e a cultura, com ajuda de meros truques como a passagem da quantidade para a qualidade e quejandos. Como a feitiçaria não escapa do mundo, em especial do político, a tal escolástica não explicou nem moveu o Estado italiano, um dos mais complexos da história moderna (quem leu Maquiavel, sabe).
Orlando Tambosi segue Lucio Colletti na desmistificação a raiva da ciência (“burguesa”) presente no PC. As determinações kantianas ajudaram a denunciar a enfermidade pan-lógica e metafísica. E nas suas últimas páginas, ele extrai as lições de Kant, ainda na linha de Colletti. Mas o mesmo Colletti extrai de Max Weber um ensino até hoje ignorado pelos militantes e acadêmicos da chamada esquerda : “a tensão entre a esfera da ciência e a dos valores da salvação religiosa é incurável”. Os marxistas falavam em “ciência” quando faziam fervorinhos religiosos, dobravam a espinha para a raison d´État soviética. Diziam “natureza” e “realidade”, quando suas categorias eram metafísicas. No campo hegeliano original tais noções eram coerentes, visto o “idealismo objetivo” de Hegel fundamentar-se no Espirito que tem sua Epifania no Estado. Nos escritos marxistas, eram apenas e tão somente lambões especulativos, a folha de uva que escondia a nudez do infalível Partido. Dessa experiência emburrecedora, quem pensa não tem saudade. Nome do livro? O declínio do marxismo e a herança hegeliana (Editora da Universidade Federal de Santa Catarina,1999). Título muito respeitoso com um defunto que não merece velas de libra. Em italiano, o nome é claro e distinto: Perché il marxismo ha fallito, porque o marxismo faliu... (Milano, Mondadori, 2001). Leitura obrigatória para quem deseja pensar o passado de uma ilusão.

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MARX Ontem e hoje.
E amanhã?
Roberto Romano – A utopia técnica enquanto política tem a idade de Platão, basta atentar bem para a forma e o conteúdo da República. O Renascimento, época das utopias (Morus, Campanella, Bacon) definiu o modelo tecnológico e político da modernidade (o famoso knowledge and power meet in one baconiano). As ideologias clássicas, pelo menos as geradas no século XVII francês, inglês, alemão, foram todas ligadas às técnicas. O liberalismo é ininteligível sem a passagem pela tecnologia e pelo ordenamento mecânico do universo e da sociedade. Recolhemos hoje o resultado de uma cultura milenar que se apóia no símile da máquina e do mundo.
Ao contrário do que afirmam Heidegger, Hans Jonas e outros pensadores que devem, no entanto, ser estudados com respeito e cautela, penso que as representações técnicas precisam ser valorizadas ao máximo. O retorno às formas primitivas de cultura sendo uma impossibilidade, resta introduzir, como aliás proclamam alguns românticos mais lúcidos, entre eles Novalis, “alma na máquina”.
Roberto Romano – Entre a democracia interna, exposta em termos homiléticos, e a sua prática, há um abismo. Veja-se o PT: os dirigentes todo poderosos nada viram, nada ouviram, nada cheiraram, nada tocaram, nada perceberam no partido e no governo, do presidente de honra aos líderes menores. Tudo foi efetivado sem consultas às bases, do “recurso não contabilizado” às decisões governamentais sobre o superávit primário atual.
O centralismo “democrático” é apenas um outro nome para “ditadura”, com os frutos previsíveis em todo coletivo que proíbe o debate real, a crítica, o acesso a todos os dados. Quem forneceu os “recursos não contabilizados”? Quando este e demais segredos forem abertos pelo próprio partido aos militantes e ao público, será possível dizer, sem provocar gargalhadas, que ele é democrático.
Roberto Romano – Quando o marxismo ainda era uma doutrina prestigiosa nos campi, alguns estudantes exigiram que “numa universidade marxista, se estudasse Marx”. Errado. Em primeiro lugar, uma universidade pública não é marxista nem bakuninista, nem liberal ou católica.
Roberto Romano – Creio que ele “não dá conta” de todos esses problemas difíceis. Como, aliás, ninguém pode se jactar de conhecer todo o universo implicado na pergunta acima. Alguns cenários globais podem ser produzidos para ajudar a intelecção do mundo atual, mas a busca dos elementos empíricos e a sua análise com auxilio de conceitos, definem um processo longo, penoso, que exige trabalho interdisciplinar prudente e aberto ao diálogo.
No mundo inteiro surgem instituições, movimentos e grupos dedicados a pensar o mundo atual. As análises publicadas não trazem muita esperança, mas também não jogam medo absoluto no futuro imediato. Apenas para ficar na questão dos recursos naturais e, nela, o problema das águas. Sem petróleo (algo que motiva os piores conflitos bélicos em nossos dias) é possível a sobrevivência da humanidade, pois energias alternativas existem e podem ser aprimoradas. Mas sem água desaparece a vida humana. Vastas populações estão condenadas à morte certa no mundo. Ensaios de cooperação entre países e movimentos políticos opostos trazem alguma esperança neste setor. Em Israel, técnicos e cientistas palestinos e israelenses trabalham em conjunto para recuperar as fontes hídricas da região. Algo semelhante pode ser feito em todos os continentes. Mas isso exige muito saber técnico e muito diálogo entre partidos, governos, Estados. Note-se que falamos de efetividades econômicas que determinam o destino de coletivos inteiros. E muitos pensadores marxistas ou não marxistas podem ajudar na tarefa de entender e administrar esses desafios.
Vendredi soir, pendant son spectacle, il a invité sur scène et sous les applaudissements le négationniste Robert Faurisson. La ministre de la Culture Christine Albanel se dit «consternée».
Libération.fr avec source AFP
Le 23 mars 2007 à Paris, lors d'une conférence de presse avec Jany Le Pen, l'épouse de Jean-Marie Le Pen. (AFP)
On n'avait plus entendu parler de lui depuis l'histoire du baptême de sa fille avec comme parrain Jean-Marie le Pen. Le silence n'aura pas duré bien longtemps: vendredi soir, Dieudonné, déjà condamné pour ses propos sur la mémoire de la Shoah, a décidément touché le fond.
A la fin de son spectacle au Zénith de Paris, Dieudonné déclenche une ovation en l'honneur de Robert Faurisson négationniste Robert Faurisson, qui conteste depuis plus de 30 ans la réalité de l'Holocauste. Faurisson est accueilli sur scène par une accolade et un «prix de l'infréquentabilité et de l'insolence» lui est remis par une personne déguisée en déporté juif.
«Vos applaudissements vont retentir assez loin (...) Votre présence ici et notre poignée de main sont déjà un scandale en soi», lance Dieudonné devant 5.000 spectateurs.
La ministre de la Culture et de la Communication, Christine Albanel a fait part dimanche dans un communiqué de sa «consternation».
GAZA — Israeli airstrikes against Hamas facilities in Gaza continued for a second day on Sunday and the death toll rose to more than 280 as Israel retaliated for rocket fire from the area with its most severe campaign against Palestinian militants in decades.
Palestinian prisoners fled after an Israeli missile struck the Hamas security compound known as the Saraya in central Gaza City on Sunday. More Photos »
Palestinian protesters threw stones at Israeli soldiers in clashes near Jerusalem on Saturday. More Photos >
The Palestinian groups again launched barrages of rockets and mortars into Israel on Sunday, extending their reach further than ever before, and the Israeli government approved the emergency call up of thousands of army reservists in preparation for a possible ground operation.
Speaking before the weekly cabinet meeting in Jerusalem, Israeli Defense Minister Ehud Barak said the army “will deepen and broaden its actions as needed” and “will continue to act in Gaza.”
Among the 30 or more targets hit Saturday night and early Sunday was the main security compound and prison in Gaza City known as the Saraya; metal workshops throughout Gaza; Hamas military posts; and the house of a chemistry professor from Gaza’s Islamic University. The Hamas-owned Al-Aqsa television station was also struck, as was a mosque that the Israeli military said was housing armed men and was being used as a terrorist operation center.
Palestinian officials said that most of the dead in Gaza were security officers for Hamas, including two senior commanders, and that at least 600 people had been wounded in the attacks.
The prime minister of Israel, Ehud Olmert, said on Sunday that “the patience, determination and stamina” of the residents of Israelis would, in the end, determine the success of the military and diplomatic campaign against Hamas.
Two rockets fell in the vicinity of the major Israeli port city of Ashdod, almost 25 miles north of Gaza, a military spokeswoman said. Others landed in the coastal city of Ashkelon. Several Israelis were lightly wounded by shrapnel. The hundreds of thousands of Israeli citizens now within rocket range have been instructed by the authorities to stay close to protected spaces and an emergency has been declared.
Israeli military officials said that the airstrikes, which began on Saturday morning, were the start of what could be days or even months of an effort to force Hamas to end its rocket barrages into southern Israel.
After the initial airstrikes, dozens of rockets were fired into southern Israel sending thousands of Israelis into bomb shelters. One man was killed on Saturday in the town of Netivot, the first death from rocket fire since it intensified a week ago.
A number of governments and international officials, including leaders of Russia, Egypt, the European Union and the United Nations, condemned Israel’s use of force and also called on Hamas to end the rocket fire. But in strong terms, the Bush administration blamed Hamas for the violence and demanded that it stop firing rockets.
Early Sunday morning in New York, the United Nations Security Council issued a statement expressing concern about the escalation of the conflict and calling on both parties for an immediate end to all violence. The statement came after envoys of the 15-member council met for over four hours in a closed session, Reuters reported.
A military operation had been forecast and demanded by Israeli officials for weeks, ever since a rocky cease-fire between Israel and Hamas fully collapsed a week ago, leading again to rocket attacks in large numbers against Israel and isolated Israeli operations here.
Still, there was a shocking quality to Saturday’s attacks, which began in broad daylight as police cadets were graduating, women were shopping at the outdoor market, and children were emerging from school.
The center of Gaza City was a scene of chaotic horror, with rubble everywhere, sirens wailing, and women shrieking as dozens of mutilated bodies were laid out on the pavement and in the lobby of Shifa Hospital so that family members could identify them. The dead included civilians, including several construction workers and at least two children in school uniforms.
By afternoon, shops were shuttered, funerals began and mourning tents were visible on nearly every major street of this densely populated city.
The leader of the Hamas government in Gaza, Ismail Haniya, said in a statement that “Palestine has never witnessed an uglier massacre.” Later, in a televised speech, he vowed to fight Israel. “We say in all confidence that even if we are hung on the gallows or they make our blood flow in the streets or they tear our bodies apart, we will bow only before God and we will not abandon Palestine,” he said.
In Damascus, Syria, Hamas’s supreme leader, Khaled Meshal, said in an interview with Al Jazeera television that he was calling for a new Palestinian intifada against Israel, including the resumption of suicide attacks within Israel for the first time since 2005. Hamas, he said, had accepted “all the peaceful options, but without results.”
“We wanted to attack military targets while the terrorists were inside the facilities and before Hamas was able to get its rockets out that were stored in some of the targets,” said a top Israeli security official, briefing a group of reporters by telephone on condition of anonymity.
An injured Palestinian was helped from the rubble after an Israeli airstrike struck Rafah in the Gaza Strip on Saturday. More Photos >
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DA ENVIADA A PORTO ALEGRE O mineiro Luis Fernando Ribeiro de Sousa, 32, cresceu e até hoje vive no meio militar. É um capitão do Exército que acredita que a democracia pode melhorar as Forças Armadas. Ele integra um movimento que defende mais participação política na corporação, e se prepara para concorrer em 2010 a deputado federal. Para evitar punições, ele falou à Folha enfatizando que todas as idéias são pessoais e não representam a corporação. (ANA FLOR) ![]() FOLHA - Como surgiu esse movimento? FOLHA - Qual o objetivo do movimento? FOLHA - Querem mais democracia no Exército? FOLHA - Querem menos disciplina? FOLHA - O Exército está boicotando o movimento? FOLHA - Ao falar em participação política dos militares, não há como não se lembrar da ditadura... FOLHA - O que é o capitanismo? FOLHA - Quantos os senhores são? FOLHA - Como os senhores estão se organizando para 2010? FOLHA - Quando você entra nas Forças Armadas, você sabe do regulamento ao qual deve se submeter. |
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Boas festas