terça-feira, 25 de outubro de 2011

Marta Bellini. Pois é...sic transit...e tem idiota que acredita no "lado bom"...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

E ... será que irão ao enterro?

Fotos cap-tiradas daqui Meditação na Pastelaria

Marta Bellini. Com agradecimentos pelo texto abaixo, que vai à carótida dos que exibem aspas, têm aspas na testa, querem impor aspas na testa alheia..

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Deselogio das aspas

Repetindo o texto de Rui Bebiano sobre as aspas. Para aprender mesmo! Para meu pró-reitor despreferido.

Deselogio das aspas

por Rui Bebiano aqui


Crónica publicada em 2002 na revista electrónica NON!, aqui retomada com pequenos retoques.
Não é fácil sinalizar a escrita. Arrumar as palavras, separando-as com pontos, vírgulas, pontos & vírgulas, hífenes ou travessões, mais dois pontos, parênteses, colchetes… reticências. Mas também com aspas (« »), esse adorno – análogo às comas duplas ou vírgulas dobradas (” “), usadas sobretudo para citar ou introduzir expressão em língua estranha – que confere um valor significante diverso do habitual à palavra ou à expressão que entre elas se intromete. Com «indecorosa» intenção normativa, D’Silvas Filho, autor de um Prontuário editado pela Texto, declara que a aposição das aspas constitui uma prática que serve para grafar «termos ou expressões que se devem evitar, termo estrangeiro, reserva no que se escreve (ortográfica, fonética, semântica, eventualmente autoria)». Preceito que a ser seguido com rigor, neste tempo de contínua chocalheira da fala e da escrita, faria do nosso entendimento um labirinto cravado de minas e armadilhas.
De inegável utilidade pública na construção de sentidos esconsos e álibis, as aspas, sinais de vida fácil e atribulada, são muitas vezes objecto de abuso. Abre aspas, por dá cá aquela palha, fecha aspas. Solícitas, sem pudor, servem para contornar insultos, podendo afirmar-se na sua companhia que o senhor director «é um valente “pulha” (entre aspas)!». Noutros momentos, ouvimos o comentador desportivo afirmar que “Cristiano Ronaldo saltou para cima do adversário. «Para cima» entre aspas, naturalmente”. Ou então lemos, nas letras grossas de um jornal regional especializado no desperdício obtuso das referidas sinalefas, que «os turistas espanhóis “invadiram” Coimbra». Não fossemos nós, azamboados leitores, pensar que, por ablação das ditas, o avançado do Manchester United se tivesse dedicado a subverter em pleno relvado a homofobia dominante no mundo do futebol. Ou que os castelhanos tivessem esquecido a padeira Brites e decidido preencher a linha de confusão urbanística que se alonga do Choupal até à Lapa com postos militares avançados, camuflados como simpáticas tendinhas de tapas e bocadillos.
Existem, todavia, maneiras menos hilariantes de abusar das aspas. Elas propagam-se, para abreviar a descrição, em três sentidos possíveis: o primeiro define-as como instrumentos destinados a contornar a pobreza da retórica, o segundo relaciona-as com a desresponsabilização do discurso, o último associa-as à incapacidade para afirmar processos de conhecimento próprios e não tutelados. Mas, nestas coisas de formular «verdades», nada melhor do que ser claro para dissipar a escuridão (dispensando-se aqui as aspas por ter o leitor entendido já que não estou a falar do tempo nocturno).
Remendar a retórica. Esta é uma estratégia vulgarizada, que podemos ouvir em diversas situações. Ora o orador e, faltando-lhe o exacto termo ou a figura de linguagem adequada, adianta a aproximação aspada. Proclama assim: «Porque serão justamente os cidadãos menos favorecidos, senhores deputados, aqueles que têm menos hipóteses de se eximir ao ónus dos impostos? É caso para dizer, usando a sabedoria popular, que quem se [faltando-lhe neste preciso momento o termo] “prejudica” (entre aspas) é o mexilhão!». Também apresentadores televisivos, professores, conferencistas, advogados e outros profissionais da fala recorrem com frequência a este expediente, de toda a vez que lhes escapa a palavra certa ou entendem ornamentar o verbo sem correrem grandes riscos.
Desresponsabilizar o discurso. O sentido aqui é outro, aparecendo, seja na escrita ou na oralidade, naquele exacto momento em que se depara algum temor de que à palavra ou à expressão utilizada se possa atribuir um sentido que não aquele, um pouco menos taxativo, que se lhe quer dar, suscitando o descontentamento ou o despeito de alguém. Afirma o eventual «prevaricador» (com aspas): «Considero a atitude anteriormente tomada como uma “asneira”, podendo vir a afectar “pesadamente” o futuro desta instituição. Sinto-me, pois, algo “constrangido” em relação à possibilidade de lhe conceder o meu aval.» Usa-se frequentemente em certas reuniões de trabalho ou nas actas públicas das mesmas.
Recusar a criatividade. Esta é a situação menos vulgar mas de mais pesadas consequências. Traduz uma incapacidade, demonstrada na produção de discursos de natureza interpretativa, para contrariar formas de conhecimento dominantes e produzir novos conceitos ou alargar os existentes. A construção de formas de saber diferenciadas e o encontro com realidades e lógicas anteriormente desconhecidas, conduzem a que se criem novas palavras ou expressões, muitas vezes usadas de maneira necessariamente experimental, que correspondem à afirmação de leituras possíveis e legítimas. Aqui é preciso assumir a queda das aspas. Por exemplo, a noção de campo criada por Pierre Bourdieu – aquele pedaço do mundo social que é regido por leis e códigos próprios – não pode ser confundida com a paisagem do Campo de trigo com corvos, o último quadro de Vincent Van Gogh. Não sendo preciso acompanhá-la, para que percebamos a diferença, desses tristes e incómodos sinais da ortografia.
As aspas são pequenos demónios que tornam mais pobre e mais opaca a comunicação. Num hipotético futuro serão abolidas ou cairão de podres. Até lá, o melhor que temos a fazer é evitar usá-las como grilhões da palavra ou instrumentos da tolice



Generación Y

perez_roque

Imagen tomada de wn.com/

Hace apenas 4 años, el ex canciller Felipe Pérez Roque protagonizaba en Naciones Unidas las jornadas contra el embargo norteamericano a Cuba. Era su voz la que explicaba los privaciones comerciales, económicas y financieras derivadas de éste. El exaltado funcionario exponía lo que muchos conocemos al dedillo: las múltiples afectaciones que acarrean estas limitaciones –desde 1962– a la industria, al desarrollo tecnológico y a la propia salud pública. Pero nada decía el entonces ministro de Relaciones Exteriores sobre el cerco interno que padecemos, sobre ese otro muro de censura y castigo que poco tiempo después se abatiría también sobre él.

El simple hecho de elegir la palabra “embargo” o preferir la más tremebunda de “bloqueo” ya marca una posición cuasi ideológica. Tan manipulado ha sido el asunto en la prensa nacional que el gobierno no reconoce siquiera que entre quienes disienten del sistema muchos se oponen además a las restricciones comerciales de Estados Unidos hacia la Isla. En Granma se da por sentado que aquellos que exigimos una apertura política aplaudimos ipso facto la existencia del embargo. De ahí tantas caras de extrañeza cuando se escuchan nuestros propios argumentos para que éste sea levantado cuanto antes; esas razones que Felipe Pérez Roque nunca dijo en la ONU y que sólo conoció cuando pasó a ser un canciller defenestrado.

La prolongación por cinco décadas del “bloqueo” ha permitido que cada descalabro que hemos padecido sea explicado a partir de él, justificado con sus efectos. No obstante, su existencia no impide que en las lujosas mansiones de la nomenclatura abunde el whisky, los congeladores estén abarrotados y los autos modernos descansen en los garajes. Para colmo, el cerco económico ha contribuido a alimentar la idea de plaza sitiada, donde discrepar viene a equipararse a un acto de traición. El bloqueo exterior ha robustecido así el bloqueo interior.

Deseo que la votación de hoy en Naciones Unidas sea favorable a quienes deseamos que tal absurdo termine, especialmente a esos que consideramos el fin del embargo como un golpe definitivo al autoritarismo bajo el que vivimos. La delegación oficial, por su parte, lo interpretará de otra manera: aplaudirá satisfecha, declarará que esta constituye “otra victoria de la Revolución”. En La Habana mientras tanto –lejos de las miradas- ciertos jerarcas celebrarán con Johnny Walker y engullirán algún delicado aperitivo “Made in USA”.




segunda-feira, 24 de outubro de 2011


Post antigo de um site, comentando entrevista comigo sobre a "universidade"federal do ABC, promessa de Lula...

Universidade pública só
atrapalha temário urgente

DANIEL LIMA 12/04/2004

A forçada de barra à criação da Universidade Pública Federal do Grande ABC despreza o elementar critério de prioridades socioeconômicas, mas encontrou na sensatez e no juízo de um acadêmico de ponta a resposta que já demos aqui neste espaço.

É certo que as declarações do professor Roberto Romano, doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Altos Estudos de Paris, não foram do agrado do jornalista Danilo Angrimani, do Diário do Grande ABC, que, seduzido por uma claque de deputados e professores universitários, tem tentado introduzir o assunto como artigo de primeira necessidade na cesta de grandes problemas da região.

Como se o desemprego e a violência urbana devessem ser atirados às traças. Como se o parque de universidades públicas e privadas locais não pudesse ser adaptado à produtividade educacional voltada à competitividade sistêmica de uma região em transe.

A rasa tentativa de dar caráter de unanimidade à universidade pública gratuita patrocinada pelo repórter que se especializou nos últimos tempos em cobrir o caso Celso Daniel não resistiu à profundidade de Roberto Romano. Entretanto, Angrimani, desses profissionais fuçadores e geralmente bem informados, não aceitou o conteúdo incômodo da própria entrevista que preparou para os leitores do Diário de ontem.

Tanto que a manchete da página “Professor aponta valor da universidade” e o texto que abre a matéria induzem o leitor a acreditar em algo menos importante do que de fato o é. Fosse a entrevista sintetizada na manchete e no texto de abertura, o título não poderia ser diferente de algo como “Professor recomenda estudos de viabilidade para a universidade do Grande ABC”.

Querem um exemplo claro e cristalino dessa assertiva? Vamos então à última pergunta do repórter e à resposta integral do entrevistado:

Diário – O que será preciso para o governo federal criar efetivamente uma universidade pública no Grande ABC?

Romano – Digamos que seria mais estratégico perguntar o que o Grande ABC pode fazer para levar ao governo federal propostas realistas de universidade pública aqui. Não tenho receitas de ação. Isso seria tola arrogância de minha parte. Mas creio ser importante, em primeiro lugar, que as autoridades dos municípios do ABC reúnam setores acadêmicos, empresariais, sindicais etc. para pensar o que seria mais adequado à região. Uma pauta pode ser definida, na qual entrassem estudos de viabilidade, custos, pretensões dos poderes públicos e da indústria, do comércio.

Simultaneamente, um amplo debate com os contribuintes, os cidadãos. Finalmente nunca chegar ao Ministério da Educação e demais ministérios e órgãos federais sem saber exatamente o que se deseja. Caso contrário, os recursos serão de mais árdua apropriação, as justificativas serão menos eficazes. Evidentemente, o trabalho inteiro deve ser acompanhado e apoiado pelos deputados, senadores, vereadores (e também pelo poder judiciário que pode fornecer boas técnicas de viabilização jurídica) de modo permanente. Pressões devem ser feitas sem tardança, por exemplo, na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados em Brasília.

Estilingada
Mesmo sem ter a experiência prática do economista do Banco Mundial William Easterly, autor do livro “O Espetáculo do Crescimento” mencionado na semana passada neste espaço como cérebro a serviço da quebra de unanimidades burras, o professor Roberto Romano dá uma estilingada no ufanismo voluntarioso com que se pretende conduzir a questão da universidade pública do Grande ABC.

A idéia já antiga, de uns tempos em que tanto o governo do Estado quanto o governo federal ainda tinham algumas reservas para investimentos em educação, não passa de slogan mal-ajambrado nestes dias de vacas tributárias obesas mas por demais comprometidas com gastos sem maiores critérios.

Os políticos federais e locais eleitos no Grande ABC ainda não conseguiram formular em defesa da universidade pública absolutamente nada que ultrapasse o terreno da superficialidade. Especialmente em dois campos minados.

Primeiro: qual seria o perfil da universidade pública do Grande ABC, região que vive tormenta de transformações socioeconômicas à qual a quase totalidade das chamadas inteligências, inclusive acadêmicas, ainda não conseguiu entender, quanto mais explicar e oferecer respostas?

Segundo: de onde sairão os recursos financeiros, quando se sabe que os cofres federais estão à míngua e, pior, as escolas federais de Ensino Superior vivem a pão e água na maior crise administrativa, financeira e mesmo curricular da história?

Até prova em contrário — ou seja, até que as condições mínimas sugeridas por Roberto Romano sejam atendidas — e também até que argumentos bem esgrimidos arranquem o fígado da experiência teórica e prática do economista do Banco Mundial, qualquer movimento que se ensaie em favor da universidade pública federal do Grande ABC não passará de jogo de cena.

Um jogo de cena irritante, porque afasta ainda mais a necessidade de o Grande ABC debater questões muito mais substantivas. A desindustrialização ainda renitente, por exemplo. A barafunda social, por exemplo. A criminalidade que nos desloca para os últimos postos dos municípios economicamente mais importantes do Estado, por exemplo?

Só essas três questões multiplicam-se por dezenas de pontos a serem atacados. E ficamos perdendo tempo com idealizações burras.

Precisamos sim é de um Plano Marshall, com o suporte estratégico das universidades que já temos espalhadas pela região. Até porque, o pouco que se preparou até agora em defesa da universidade pública do Grande ABC tem um viés antidesenvolvimentista — no sentido econômico dos conceitos. Teríamos mais diplomados desempregados ou evadidos.

domingo, 23 de outubro de 2011

Entrevista antiga, do ano passado. Mas vale recordar que existe, sim, fascismo de esquerda...

Entrevista

Ideal fascista está sendo retomado, alerta filósofo

Roberto Romano, professor de Ética e Ciência Política da Unicamp

Publicado em 21/11/2010 | Rogerio Waldrigues Galindo

Um velho espectro político volta a rondar o mundo ocidental, com riscos inclusive ao Brasil. E seu nome é fascismo. O alerta é do filósofo e professor de Ética e Ciência Política Roberto Romano, da Unicamp. Ele vê na atualidade o renascer de uma preocupante onda de interesse acadêmico por obras de intelectuais que ajudaram a construir a base teórica dos Estados totalitários surgidos na Alemanha e na Itália no período entre as duas Guerras Mundiais.

O ponto principal de preocupação de Romano é o interesse renovado pela obra do jurista e filósofo Carl Schmitt. Autor “maldito” durante muito tempo por defender a ditadura como melhor forma de governo, o teórico alemão começa a ser revisto em universidades. A intenção seria aproveitar algumas ideias dele, jogando “a parte podre fora”. Para Roberto Romano, porém, isso é inviável.

Glossário

Confira alguns termos-chave no pensamento do filósofo Roberto Romano:

Nazismo

Surgiu na Alemanha depois da I Guerra Mundial, da qual o país saiu arrasado. Numa crise financeira sem precedentes, o líder do partido nazista, Adolf Hitler, foi visto por muitos alemães como uma solução radical para o caos. No poder, Hitler implantou uma ditadura, que pregava a superioridade racial dos arianos e a morte dos inimigos.

Fascismo

Regime totalitário surgido na Itália, entre a I e a II Guerra, que defende a subordinação do povo a um líder, a disciplina como comportamento e a ditadura. O termo fascismo serve hoje para designar hoje uma série de governos com o mesmo perfil.

Liberalismo

Sistema político baseado na defesa das garantias individuais e na existência de um Estado de Direito, em que a lei é igual para todos, com destaque para a ideia de Constituição, que limita o poder do soberano e do próprio povo.

Marxismo

Ideário baseado nos escritos de Karl Marx, filósofo e economista alemão que, no século 19, defendeu a criação de um Estado forte que fosse capaz de impedir a desigualdade entre os homens. Pressupunha a instalação de uma ditadura do proletariado, da proibição da propriedade privada e da distribuição de renda por meio da intervenção estatal. Resultou no comunismo.

Carl Schmitt

Jurista e filósofo alemão (1888-1985), autor de obras que deram base ao governo nazista na Alemanha. A teoria de Schmitt previa um governo forte, ditatorial, em que o líder fosse capaz de, a todo momento, optar por caminhos não previstos pela lei. Para ele, a política estava acima do Direito, e o chefe de Estado não poderia, para ser eficiente, ser limitado por uma Constituição.

Segundo ele, em boa parte dos casos, os defensores de Schmitt surgem de “órfãos de Marx e do stalinismo” – ainda interessados em derrotar o liberalismo.

Romano diz ainda que o temor com o renascimento dessas ideias é ainda maior diante do clima de irracionalismo criado por alguns fanáticos religiosos, da alta taxa de desemprego, do enfraquecimento dos Estados nacionais e da violência social do mundo atual. Ele afirma também que a visão do adversário político como inimigo a ser derrotado, perigosamente inserida na campanha presidencial brasileira deste ano, é uma amostra do risco do renascimento de radicalismos totalitários no país.

O senhor afirma que há um renascimento do interesse pelo pensamento nazista no mundo. De onde vem esse interesse?

Da perda dos paradigmas éticos e políticos que nortearam os séculos 19 e 20. Com o enfraquecimento do liberalismo no início do século 20, surgiram propostas de ordenamento da sociedade com maior ênfase nos coletivos, e não tanto nos indivíduos e grupos. A sociologia romântica acentuou os laços comunitários contra a vida urbana e industrial, com seu “Estado máquina” [nazifascista]. Essa sociologia é um dos muitos pontos que ajudaram a edificar, nos estratos mais reacionários, uma ideia de coesão e disciplina vertical. E, nesta ideia, a vontade seria a diretriz, não a racionalidade.

De modo geral, [György] Lukacs [pensador marxista húngaro] descreveu a mudança de modelos, do racional para o irracional. Ele mesmo, como discípulo de [Max] Weber [alemão, considerado o pai da sociologia], havia procurado uma saída para a ordem mecânica e burocrática do mundo moderno. Encontrou na revolução proletária internacional. Na outra ala dos seguidores de Weber, na sua direita, encontravam-se sociólogos e juristas reacionários como Carl Schmitt. Schmitt, que também criticava as formas mecânicas e liberais, serviu momentaneamente aos nazistas.

Nos anos 70 do século 20, pensadores que, na esteira da crítica à União Soviética deixaram de aceitar pressupostos do pensamento marxista, passaram a ver nos escritos de Carl Schmitt um instrumento para continuar a recusa do liberalismo. Órfãos de Marx e do stalinismo, eles acentuam a resistência às formas liberais do Estado, sem no entanto acreditar mais numa “revolução proletária internacional”. Esses escritores ajudam a estabelecer o relativismo, a corrosão dos padrões éticos e se colocam como geradores do éter de ideias que paira sobre os movimentos nazifascistas. É preciso lembrar que esses movimentos jamais deixaram de existir na Alemanha, na Europa, no mundo. Os demais, não saídos do campo marxista, partilham os mais variados matizes do pensamento conservador ou francamente reacionário, não aceitam as luzes, a democracia, etc. Estes últimos são os que mais gasolina injetam nos movimentos irracionalistas e fascistas que hoje se apresentam na cena mundial.

Quais são os indícios desse novo interesse por esse pensamento?

Obras de autores como Schmitt são editadas na Europa, na Ásia, nos EUA, na América do Sul. Seminários, publicações jurídicas ou supostamente filosóficas se espalham, sempre com o mote de, inicialmente, livrar Schmitt e seus pares da “pecha” de nazistas. Teses universitárias surgem, e tomam como dados inquestionáveis os dogmas do decisionismo político e jurídico; as teses sobre a política como exercício da inimizade; os “desvios” da modernidade no pensamento liberal e socialista democrático, etc.

O que pregam esses intelectuais?

Pregam o afastamento imediato das mediações jurídicas e políticas liberais e o reforço do poder decisório dos líderes que movem o Executivo. Em suma, pregam a ditadura do Poder Executivo nas matérias estratégicas dos países, em detrimento do Legislativo e do Judiciário.

O senhor afirma que os intelectuais que tentam fazer um “renascimento” da obra de Carl Schmitt tentam separar o resto de sua obra, evitando a defesa da ditadura, por exemplo. Isso é possível?

Não. Mesmo autores irracionalistas escrevem textos que se caracterizam como um todo. Impossível arrancar do decisionismo schmittiano a sua atribuição ao chefe de Estado de poderes ditatoriais.

Qual o risco real de um grupo de intelectuais defenderem ideais como os que levaram à ditadura de Hitler na sociedade atual?

Embora a conjuntura seja outra, e não exista mais a bipolaridade geopolítica entre comunismo e nazifascismo, a crise que gerou naquela época os movimentos totalitários se apresenta agora, em outra face, mas tão corrosiva quanto nos anos 20 do século passado, no campo dos valores, das instituições, das ciências. Massas sem emprego, desindustrialização comandada e em proveito do capital financeiro, corrosão dos Estados, violência social, preconceitos, fanatismos, irracionalismo religioso sectário, todos elementos são férteis sementeiras de ódio. E permitem pensar e agir na política como se ela fosse uma guerra civil, não como uma instância de diálogo e cooperação entre cidadãos que discordam mas buscam o bem coletivo. No fascismo, o “bom coletivo” é o meu. Os demais devem ser derrotados e expulsos da cena pública e, mesmo, da vida.

Esse interesse existe também no Brasil? Onde?

Em nossas universidades existem muitos pesquisadores e professores que apresentam o pensamento de Schmitt como algo “neutro”, que não traria nenhum perigo para a ordem democrática. Sou contra escritores como Yves-Charles Zarka, um mestre do pensamento filosófico e político atualmente, que recomenda retirar os textos de Schmitt das prateleiras, em livrarias e bibliotecas. Creio ser preciso ler aquele autor, e todos os autores relevantes na história de nosso tempo. Mas uma coisa é ler; outra é aceitar e espalhar as doutrinas genocidas.

Agora, pensemos um pouco sobre a última campanha eleitoral para a Presidência – com os insultos, os ataques de lado a lado, a redução dos concorrentes a inimigos – para perceber os possíveis frutos da corrosão nos movimentos políticos, se eles aceitarem a tese de que o outro deve ser aniquilado. É bom recordar que, em nosso caso, todos os partidos que lideraram as campanhas saíram da esquerda, sendo notával a ausência, nelas, de elementos conservadores. Neste vácuo, a pregação fascista (intolerante, racista a pretexto de ser regionalista) toma fôlego, à espera de seu momento certo.

A tensão étnica e religiosa que ressurge na Europa, especialmente com o crescimento do Islã, tem a ver com esse pensamento?

Sim. O Islã é visto como o inimigo, na ausência do comunismo. Mas o inimigo pode ser qualquer religião, ideologia, partido político. A redução da política à dimensão de uma guerra gera apenas a fratura no social e no Estado.

Como combater esse tipo de ideal que vem ressurgindo?

A única forma de combater eficazmente o fortalecimento fascista é viver a democracia, mesmo com todos os seus defeitos. Qualquer apelo ao voluntarismo, à radicalização das próprias teses em detrimento da voz alheia, da redução dos que pensam diferente ao estatuto de inimigo, resultam em favor dos que consideram impossível o convívio democrático respeitoso, nos parâmetros dos direitos humanos. A única fórmula para combater o fascismo, em pensamento e atos, é viver e valorizar a democracia.

Estado. Esporte nacional, e o partido se excede nele...

Esporteduto' montado por PC do B controla verba do governo federal

Partido ocupa postos-chave na área esportiva pública e se beneficia de programa do Ministério do Esporte

22 de outubro de 2011 | 23h 06

Daniel Bramatti e Julia Duailibi - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O mapa de repasses do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, revela que o ministro Orlando Silva alimentou com verbas federais a rede de militantes que, nos últimos anos, o PC do B instalou em postos-chave do nicho esportivo no setor público. Nos últimos dois anos, prefeituras e secretarias municipais de Esporte controladas pelo partido estiveram entre as maiores beneficiadas por recursos do Segundo Tempo, criado para promover atividades físicas entre estudantes.

Veja também:
link Em Goiás, secretaria de aliado está sob suspeita
link PC do B expande no Rio hegemonia sobre setor

A presença de comunistas nas duas pontas do "esporteduto" não é casual: mesmo antes de fincar bandeira na Esplanada dos Ministérios, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o partido havia estabelecido como estratégia concentrar no setor esportivo praticamente todas as reivindicações de cargos nas esferas federal, estadual e municipal.

Entre as prefeituras, de janeiro a outubro de 2011, a que recebeu o maior repasse per capita do Segundo Tempo foi a de Sobral (CE), cidade em que o coordenador do programa é um ex-candidato a vereador e dirigente municipal do PC do B. Foi quase R$ 1,5 milhão para uma população de cerca de 188 mil moradores, segundo levantamento do Contas Abertas, entidade especializada na análise de contas públicas.

Militantes do PC do B também administram os recursos liberados pelo ministério em Goiânia (R$ 2,2 milhões) e Fortaleza (R$ 980 mil), duas capitais nas quais o partido conseguiu nomear os secretários de Esporte por causa de acordos com o PT, que governa as duas cidades. Na capital cearense, o secretário é suplente de vereador e professor de história; em Goiânia, advogado e dirigente partidário.

Em números absolutos, Belo Horizonte é a líder no ranking das verbas deste ano, com R$ 2,6 milhões. Lá, o PC do B só não ocupa ainda a Secretaria de Esportes porque sua criação está pendente de aprovação pela Câmara. O partido já acertou a adesão ao governo do prefeito Márcio Lacerda (PSB), além do apoio à sua reeleição.

No ano passado, Sobral também esteve na lista das maiores beneficiadas pelo Segundo Tempo - recebeu o terceiro maior repasse. Em sexto lugar apareceu o município goiano de Anápolis, administrado pelo PT, onde a diretora financeira da Secretaria de Esportes é a presidente municipal do PC do B. E, no décimo posto, estava a cidade de Juazeiro, na Bahia, cujo prefeito também é comunista.

sábado, 22 de outubro de 2011

Deus lhe pague, STF!

Início do conteúdo

Motorista bêbado atropela e mata dois garis na Marginal Pinheiros

PM não informou se o motorista do carro foi preso. Uma pessoa ferida está no PS Santa Marcelina

22 de outubro de 2011 | 10h 43
Priscila Trindade, do estadão.com

Veja também:
link Balanço: acidentes provocados por motoristas embriagados

Duas pessoas morreram e uma ficou ferida após terem sido atropeladas na manhã deste sábado, 22, na Marginal do Pinheiros, no acesso à Ponte Ary Torres, em São Paulo. O acidente aconteceu por volta das 7h40, na pista expressa, sentido Interlagos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, as vítimas eram garis. Eles trabalhavam no local quando o carro invadiu o canteiro da pista. Dois deles morreram na hora. O helicóptero Águia, da Polícia Militar, pousou na via para socorrer a terceira vítima, que foi levada para o pronto-socorro Santa Marcelina. Ainda não há informação sobre seu estado de saúde.

O motorista do carro é bancário e será indicado por homicídio. Ele se recusou a passar pelo teste do bafômetro, mas, segundo o tenente da PM, Luís Gomes, o motorista apresentava sinais de embriaguez, como olhos avermelhados e fala pastosa. Além disso, foram encontradas garrafas de bebidas alcoólicas no veículo. O acidente aconteceu após ele sair de uma festa em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Às 12h, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que a faixa da esquerda da marginal permanecia interdita. No horário, o motorista encontrava 2,7 km de congestionamento, sentido Interlagos, do local do acidente até a Ponte Eusébio Matoso.

Correio da Cidadania, para ser lido com a devida atenção.

"Mas, infelizmente, uma parte da esquerda segue tendo uma atração psicopolítica por ditadores assustadores, especialmente aqueles que são de esquerda. Não pensamos que os regimes do bloco bolivariano são ditaduras e apoiamos as reformas em curso. Não gostaria de ver o nosso ministro ou a bandeira da Bolívia sob a imagem do ditador sírio. E no caso, como dizia Rafo Bridge, eu não mudei para a oposição.". (Final do artigo...RR).


A ALBA e seus chanceleres na Síria, desta vez no caminho errado
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Escrito por Pablo Stefanoni
Sábado, 15 de Outubro de 2011

Acredito que é necessário ser claro neste ponto: a presença do ministro Ivan Canelas em Damasco para apoiar a ditadura síria de Al Assad é incompatível com valores de uma esquerda emancipatória e refere-se às velhas teses da guerra fria: apoia-se um governo com base em considerações puramente geopolíticas, sem preocupação com o que pode ser opressivo para o seu povo se a sua posição é, em teoria, "antiimperialista".


Sem dúvida, a presença de ministros de Relações Exteriores e ministros da ALBA na Síria deixa este bloco de governos latino-americanos no caminho oposto da revolução democrática árabe, de jovens, mulheres e trabalhadores mobilizados. Enquanto os ministros se reuníam com o ditador as balas seguiam alcançando os opositores nas ruas.


Seria bom conhecer as fontes com as quais se informaram os enviados da ALBA para sustentar que tudo é obra de uma grande conspiração midiática pró-imperialista. Por acaso entrevistaram mais fontes além dos funcionários de Al Assad, alguns dos quais, provavelmente, pertenciam à temida Mukhabarat, a polícia secreta?

O historiador e escritor libanês Fawaz Trabusli explica que a rebelião síria é basicamente rural. “Existe uma relação explosiva entre crescimento demográfico e desemprego, sobretudo no campo”. Os enviados da ALBA percorreram estas zonas rurais? Seguramente não.

Tampouco entrevistaram Trabulsi, que explica em uma entrevista no diário Jaddaliva - acessível inclusive em castelhano: “ao contrário da retórica síria, de ser uma força anti-imperialista (mumana'a) na região, a economia síria sob Bashar al-Assad foi neoliberalizada muito rapidamente e da pior maneira possível, com altos níveis de corrupção e controle monopolista. As indústrias de transformação que geralmente davam trabalho aos jovens dimiuíram e a economia se tranformou numa economia rentista. Sem dúvida existem camadas da burguesia que se beneficiaram, e chegou-se a um certo bem-estar em segmentos das classes médias. Mas por outro lado, houve um aumento constante da pobreza e da marginalização no setor rural e agrícola. É por isso que as regiões mais pobres da Síria estavam prontas para se mobilizar imediatamente... Move-os (também) um sentimento de discriminação contra a população de maioria sunita. Move-lhes um sentimento de repulsa contra um regime de repressão e sanguinário que os humilha".


O Ministro das Relações Exteriores venezuelano, Nicolas Maduro, falou de uma conspiração midiática. Eu só ouvi uma vez um repórter da TV síria – justamente entrevistando Chavez há apenas alguns anos - e com aqueles poucos minutos que me lembro, o comentário de Maduro não pode gerar senão um sorriso. Será que o ministro Canelas assistiu pelo menos cinco minutos de televisão em seu hotel, junto com seu tradutor? Se o tivesse, pelo menos teria qualificado suas opiniões. Sabemos que uma viagem não é o suficiente para ver tudo, você vê o que quer (ou tem que) ver.

Depois da experiência do socialismo no século XX, e os esforços de pensar o socialismo do século XXI (que entre outras coisas, deveriam deixar para trás as ligações e justificativas de regimes autoritários), nao deixa de ser preocupante que o bloco supostamente mais dinâmico da esquerda continental tenha tão poucos reparos em apoiar uma ditadura e dar as costas a milhares de jovens que colocam o corpo em sua luta contra a tirania, pela dignidade e liberdade. E contra um regime no qual, como um oficial militar sênior disse ao Le Monde Diplomatique, o partido, a burocracia estatal e o exército estão agora subordinados aos serviços de inteligência.


Mas, infelizmente, uma parte da esquerda segue tendo uma atração psicopolítica por ditadores assustadores, especialmente aqueles que são de esquerda. Não pensamos que os regimes do bloco bolivariano são ditaduras e apoiamos as reformas em curso. Não gostaria de ver o nosso ministro ou a bandeira da Bolívia sob a imagem do ditador sírio. E no caso, como dizia Rafo Bridge, eu não mudei para a oposição.

Pablo Stefanoni é jornalista e editor do Le Monde Diplomatique Bolívia.

Retirado de Rebelión
Tradução: Daniela Mouro, Correio da Cidadania.

Última atualização em Sábado, 15 de Outubro de 2011

Estado

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O pêndulo, a centralização e a República

22 de outubro de 2011 | 3h 05

LUIZ WERNECK VIANNA, Professor-pesquisador da PUC-Rio. Email: lwerneck096@gmail.com - O Estado de S.Paulo

Seria de supor que algumas correntes liberais brasileiras, ao menos as de "casco duro" - para se utilizar de uma expressão jocosa introduzida pelo ex-presidente Lula em nosso vocabulário político -, manifestassem alguma relação de empatia com a posição firmada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), uma vez que no cerne da controvérsia sobre que papel deve desempenhar o Conselho Nacional de Justiça no controle do exercício da magistratura está a antinomia centralização/descentralização, que, desde o Império, acompanha a nossa História.

No caso, uma vetusta tradição liberal, cuja mais incisiva formulação se tornou clássica com a publicação de A Província, em 1870, de Tavares Bastos, uma denúncia dos males da centralização administrativa, que ainda ecoa no não menos clássico da nossa bibliografia liberal Os Donos do Poder (1958), de Raimundo Faoro, denúncia que, a partir de outros porta-vozes, vai ressurgir nas lutas contra o autoritarismo político do regime militar e encontrar tradução nas demandas municipalistas dos movimentos políticos e sociais apresentadas ao legislador constituinte de 1988.

A Carta de 1988, redigida num tempo em que ainda se ouviam as vozes de Tancredo Neves e de Ulysses Guimarães - "as pessoas vivem nos municípios e não na União" -, além de fazer girar o pêndulo em favor da descentralização, combinava a democracia representativa com a de participação e abrigava, em nome da justiça social, postulações de direito material, protegidas constitucionalmente por alguns instrumentos criados com essa finalidade. A igualdade, pela primeira vez em nossa História, encontrava estatuto próprio como um ideal coletivo a ser perseguido por políticas de Estado.

A igualdade tem suas urgências e os recursos para atendê-las eram e são escassos. Nada de surpreendente, portanto, que os tempos subsequentes à promulgação da Carta de 88, que nos trouxe de volta a descentralização, depois de décadas de vigência do princípio que lhe era oposto, comecem a assistir, agora num cenário de democracia política institucionalizada, ao movimento do pêndulo em direção à centralização administrativa, diante de uma sociedade cada vez mais enredada nas agências estatais e dependente delas.

Tais efeitos perversos da afirmação da agenda da igualdade não são incomuns, constatados por dois dos maiores fundadores da teoria social moderna, Tocqueville e Marx, que, malgrado a radical diferença existente entre eles, convergiram no diagnóstico - o primeiro, em O Antigo Regime e a Revolução, o segundo, em O 18 Brumário de Luis Bonaparte - de que a asfixiante centralização que tomou conta da sociedade francesa após a Revolução de 1789 - a revolução da igualdade - era um dos seus frutos negativos. Para ambos, porém, a centralização não é filha, em linha direta, da igualdade, mas da falta de República e da livre vida associativa que lhe é própria. Sem ela as postulações por igualdade são interpretadas pelo Estado que as concede à sua discrição e a partir de um cálculo em que suas conveniências são levadas em alta conta, entre as quais a de sua política de legitimação.

A revolução democrática brasileira, que tomou forma na Carta de 88, resultou da articulação de uma ampla coalizão política, que, em suas lutas por liberdades civis e públicas, abriu passagem para a emergência de uma vigorosa movimentação dos setores subalternos em torno dos seus interesses, logo que começaram a se emancipar dos controles coercitivos a que estavam sujeitos. Tal movimentação persistiu ao longo do processo de transição para a democracia e da sua subsequente institucionalização, mantendo a esfera pública sob pressão, inclusive em suas manifestações eleitorais, no sentido de reforçar as postulações por direito material que procediam de várias regiões da vida social.

Com a escora dos fundamentos constitucionais igualitários, essas pressões se fizeram irresistíveis. Diante da escassez de recursos da Federação e dos imperativos de urgência reclamados pela sociedade, mesmo que na ausência de um plano definido, inicia-se, então, um novo giro em favor das tendências centralizadoras. Seu carro-chefe será o das agências públicas de âmbito nacional, como o Sistema Único de Saúde (SUS), decididamente uma política igualitária de largo alcance, que se torna um paradigma dominante em termos de outras políticas sociais, como no caso das políticas de educação e de segurança, para não falar das políticas assistenciais do tipo do programa Bolsa-Família, todas com baixa ou nenhuma participação ativa da sociedade.

De modo quase invisível à percepção imediata, tem-se instalado uma estatolatria doce, justificada e legitimada por sua destinação social. Nessa batida, sem sequer se mencionarem os graves problemas tributários, a Federação cede espaços à União e a sociedade abdica de sua autonomia em favor do Estado. A tendência à centralização torna-se universal e não poupa nenhuma região da vida social: há problemas de segurança, chamem-se as Forças Armadas, embora o Haiti não seja aqui; há corrupção no Judiciário, apele-se ao Conselho Nacional de Justiça, passando por cima das Corregedorias dos tribunais, tidas de antemão como suspicazes, e sem que sequer se esbocem tentativas de mobilização das corporações profissionais dos operadores do Direito e de setores da sociedade a fim de exigirem exemplar correição.

A República democrática tem seus custos sociais e políticos e um dos mais elementares deles é o de criar e preservar as condições para a auto-organização do social, com a sociedade e suas instituições empenhadas na solução dos seus problemas e desafios, forma com que nem sempre se chega mais rapidamente ao objetivo, mas, como o demonstra sobejamente a nossa já longa experiência republicana, é muito melhor e mais segura.

Estado. Disse apenas o que seus pares falam à socapa, rindo dos idiotas que pagam impostos.

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Vereador diz levar vida de príncipe com dinheiro público

Rodson Lima afirma que todos os políticos viajam como dinheiro público

21 de outubro de 2011 | 17h 08

Antonio Carlos Garcia, de Agência Estado

O vereador de Taubaté (SP) Rodson Lima (PP), 49, afirmou, em Aracaju, que está na capital sergipana "tendo uma vida de príncipe". Hospedeado no Aquarius Hotel, na praia de Atalaia, Lima está na cidade para o XVIII Encontro da Associação Brasileira das Escolas do Legislativo de Contas (ABEC), cujo tema é planejamento estratégico. Em sua página no Facebook, o vereador diz que comemora o fato de estar hospedado em um hotel três estrelas, com tudo pago com dinheiro público. Segundo ele, todos os políticos viajam como dinheiro público.

Veja também:
link ESPECIAL: Veja faxina contra corrupção
link ÁUDIO: Ouça a primeira parte da entrevista com o vereador
link ÁUDIO: Qual príncipe você é?

Rodson Lima comemora estar em um hotel três estrelas - Alan de Carvalho
Alan de Carvalho
Rodson Lima comemora estar em um hotel três estrelas

"A presidente Dilma Roussef estava na África com o dinheiro público. Senadores viajam com qual dinheiro? Com o público. Só que eles não têm coragem de falar isso. Eu quis falar, então pessoas maldosas não entenderam e acabaram distorcendo o que eu disse. Sou eternamente grato, porque é o povo que me proporciona isso", disse o vereador.

Apesar de já está inelegível e respondendo a 14 processos na Justiça Eleitoral, Rodson Lima, afirmou que se o povo de Taubaté desejar, ele será reeleito novamente. Rodson já é vereador há 14 legislaturas. "Sou oriundo da classe baixa, tenho um escritório, ambulância, caminhão de mudança para o povo. Sou caminhoneiro, estou vereador. Eu seria um demente se fosse escarnecer desse povo que me ajuda", disse.

"Aracaju é muito melhor que eu esperava. Povo hospitaleiro, sol ardendo", destacou. Rodson ressaltou que a cidade é muito hospitaleira e que pretende retornar com a família.

Questionado se era o príncipe personagem de Exupéry (O Pequeno Príncipe) ou de Maquiavel (O Príncipe), Rodson foi taxativo: "Eu sou o de Exupéry que se tornou um grande príncipe. Ele descobriu que o mundo não é tão pequeno como ele pensava. Que o mundo tem coisas boas, como Aracaju e Sergipe". O vereador disse que usou o transporte coletivo e ficou impressionado com o sistema integrado, em que o passageiro pode pagar apenas uma passagem e circular por toda cidade, desde que pare dentro dos terminais.

Generación Y

Generación Y es un Blog inspirado en gente como yo, con nombres que comienzan o contienen una "i griega". Nacidos en la Cuba de los años 70s y los 80s, marcados por las escuelas al campo, los muñequitos rusos, las salidas ilegales y la frustración. Así que invito especialmente a Yanisleidi, Yoandri, Yusimí, Yuniesky y otros que arrastran sus "i griegas" a que me lean y me escriban.

Los finales

alcantarilla

Imagen tomada de elpais.com

Ceausescu se iba en su helicóptero, Sadam Husein se ocultaba en un hueco, el tunecino Ben Alí huyó al exilio, Gadafi se fugaba en un convoy y terminó escondido en un desagüe. Los autócratas escapan, se van, no se inmolan en los palacios desde los que dictaban sus arbitrarias leyes; no mueren sentados en las sillas presidenciales con la banda de tela roja cruzándoles el pecho. Siempre tienen una puerta escondida, un pasadizo secreto por el que se escabullen cuando sienten el peligro. Por décadas construyen su búnker secreto, su “punto cero” blindado o su refugio bajo tierra, pues temen que ese mismo pueblo que los aplaude en las plazas puede ir a por ellos cuando les pierda el miedo. En las pesadillas de los dictadores, los demonios son sus súbditos, los abismos toman forma de turbas que quieren derribar sus estatuas, escupir sobre sus fotos. Estos señores despóticos sufren de un sueño ligero por estar atentos a los gritos, a los golpes contra su puerta… viven –de presagiarla– muchas veces su propia muerte.

Me hubiera gustado ver a Muamar el Gadafi frente a un tribunal, encausado por los crímenes que cometió contra su país. Creo que la muerte violenta de los sátrapas sólo les otorga un halo de martirio que no merecen. Deben quedar vivos para escuchar el testimonio público de sus víctimas, ver a sus países marchar sin el estorbo que ellos representaban y comprobar la veleidad de los oportunistas que un día los apoyaron. Deben sobrevivir para presenciar el desmontaje de la falsa historia que reescribieron, observar como las nuevas generaciones empiezan a olvidarlos y recibir sobre sí la diatriba, el escarnio, la crítica más feroz. Linchar a un déspota es salvarlo, otorgarle una puerta de salida casi gloriosa que le evita el castigo perdurable de ser juzgado ante la ley.

Continuar el ciclo de la crispación que estos tiranos han sembrado en nuestras naciones resulta extremadamente peligroso. Matarlos porque han matado, agredirlos porque nos han agredido, prolonga la violencia y nos convierte en seres como ellos. Ahora que las imágenes de un Gadafi ensangrentado y balbuceante recorren el mundo, no hay un solo totalitario que no se mire asustado en el espejo de ese final. Por estos días, las órdenes de reforzar los túneles secretos y de ampliar los planes de fuga deben rondar por más de un palacio presidencial. Pero cuidado, los dictadores tienen muchas formas de escapársenos y una de ellas es la muerte. Mejor que sobrevivan, que se queden y así comprobarán que ni la historia ni sus pueblos los absuelven jamás.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Reinaldo Azevedo.

Mais depressa aprendeu o Ocidente a justificar a barbárie dos que o Oriente a apreciar a democracia

Há outro vídeo chocante, que a VEJA Online botou no ar já ontem à noite, com Muamar Kadafi. Ele está ferido, derrotado, mas se nota que está lúcido. Ainda passa a mão na cabeça e certifica-se do sangue que escorre. Foi executado logo depois. Se quiserem ver, está aqui.

Já escrevi quão constrangedor e degradante para a condição humana é o conjunto da obra. Alguns idiotas estão dizendo que eu, que costumo ser tão implacável, fiquei de coração mole e que lastimo esses eventos porque, afinal, sou um crítico de Barack Obama etc. e tal. Eu defendi a guerra do Iraque, por exemplo (não vou reabrir esse capítulo; ver arquivo do blog), e igualmente censurei o triunfalismo homicida quando Saddam Hussein foi executado, em dezembro de 2006, há quase cinco anos, e o presidente dos EUA era George W. Bush.

Meus valores não mudam com o vento nem estão atrelados a um partido, a uma causa, a uma “luta”. O que mais deploro nas esquerdas, já escrevi aqui centenas de vezes, é justamente o relativismo moral. Não seria eu um relativista. Eu não gosto de relativistas. Não confiaria a eles a minha vida, a minha carteira ou aquele último bombom que deixei para comer na madrugada. Se preciso, um relativista rouba o meu dinheiro, entrega-me aos cães e come o meu doce. Ele só precisa se convencer de que o “povo” precisa da minha carteira, da minha vida e do meu bombom. Por isso não sou também amigo deles. Se julgarem necessário, não hesitarão em trair a minha confiança.

Sim, senhores! Posso compreender, sem jamais justificar, as circunstâncias em que as coisas se deram, os ódios acumulados, os ressentimentos no front da batalha… Mas não compreendo nem justifico a asquerosa reação dos ditos líderes mundiais, especialmente deste patético Barack Obama — hoje o perigo nº 1 a ameaçar o Ocidente —, diante de uma execução extrajudicial. As armas da Otan ajudaram o jihadismo a chegar à cúpula do poder líbio.

Se alguém quer saber qual é o perfil do novo poder na Líbia, basta prestar atenção às palavras de Mahmoud Jibril, chefe do governo de transição. Mesmo depois de as imagens terem corrido o mundo, evidenciando a execução, ele insistiu na versão oficial, segundo a qual Kadafi morreu numa troca de tiros. As imagens diziam uma coisa, e ele, com um ar muito sério e compenetrado, dizia outra.

Há pessoas que preferem afastar de si dilemas éticos e morais transferindo para terceiros a responsabilidade das escolhas que não conseguem fazer: “Eu tenho pena é das vítimas dele, isto sim!”, dizem. Eu também! Sempre o tratei aos pontapés aqui — quem o chamava de “amigo e irmão” era o Apedeuta. Sou contra, sim, a pena de morte, mas não é o destino dele em particular que me mobiliza e constrange. Eu insisto: a Líbia fez uma guerra civil — com a ajuda de EUA, França, Reino Unido e Otan — para pôr um fim ao arbítrio, às execuções extrajudiciais, aos massacres. Quem matou Kadafi, na melhor das hipóteses, foi a Lei de Talião. Um dado adicional: foram os franceses que atacaram o comboio em que ele tentava fugir, reiterando o desrespeito à resolução da ONU.

Oponho-me à pena capital — é um desses valores, como é a minha rejeição ao aborto, que estão na raiz de muitas outras escolhas que faço. Mas não ignoro que estados democráticos, com vigência plena do estado de direito, a apliquem. A única escolha ética aceitável dos rebeldes, JÁ QUE ATUAVAM EM PARCERIA COM A OTAN, QUE ESTAVA ALI COM MANDADO E MANDATO DAS NAÇÕES UNIDAS, era garantir a Kadafi o que ele jamais garantiu a seus inimigos: um julgamento justo. Teria sido certamente condenado, talvez à morte. É diferente de matar um adversário como se mata um porco.

Não são os muitos crimes cometidos pelo algoz de antes e eventual vítima de agora que vão determinar se faço esta ou aquela opção. EU NÃO PERMITO QUE BANDIDOS COMO KADAFI DECIDAM O QUE PENSO OU NÃO.

Encerro notando que certa herança marxista, presente mesmo em algumas cabeças no geral lúcidas, pretende que a história esteja sempre numa espécie de marcha para a frente, rumo ao progresso. Assim, a dita Primavera Árabe, de que aquele evento de ontem deve ser, então, o espinho, representaria a chegada dos árabes à Ágora inevitável da democracia. Lamento, meus caros! A democracia ainda não chegou aos árabes, mas, com certeza cristalina, a barbárie foi celebrada ontem pelas democracias. Com a execução extrajudicial de Kadafi, quem venceu foi o método Kadafi.

Mais depressa o Ocidente se tornou justificador do arbítrio do que os vários Orientes aprendizes da democracia. Kadafi está morto, mas vive naqueles que o mataram. Mais cinco anos de mandato, Obama levará o mundo à beira do caos. Se Deus e o eleitorado americano quiserem, seremos poupados deste arrogante diluidor de instituições e valores. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

O Estado de São Paulo.

Dilma decide tirar Orlando Silva, mas quer manter PC do B no Esporte

Presidente convocou reunião de emergência no Planalto na noite desta quinta ao voltar de missão na África; comunistas iniciam ofensiva contra PT para manter comando da pasta

21 de outubro de 2011 | 7h 28

João Bosco Rabello, Vera Rosa e Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Preocupada com a crise no Ministério do Esporte, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião de emergência logo que chegou de Angola, na noite desta quinta-feira, 20, com a coordenação política do governo. Apesar de não ter convicção do envolvimento do ministro Orlando Silva em fraudes nos convênios da pasta, Dilma está certa de que o desgaste político é irreversível. Ela decidiu substituir Orlando, mas a tendência é que mantenha o ministério com o PC do B.

Veja também:
link PC do B usa programa na TV para se defender de denúncias de corrupção
link Bosco: Crise é oportunidade para reformas ministerial e administrativa
link ESPECIAL: Os escândalos de corrupção do governo Dilma

Dilma ouviu os relatos do ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, sobre o andamento das investigações na Polícia Federal e no Ministério Público. A pedido de Orlando, a Advocacia-Geral da União impetrou queixa-crime contra o policial militar João Dias Ferreira e o motorista Célio Soares Pereira, que o acusam de desvio de recursos no programa Segundo Tempo.

"Nós temos de ter muita serenidade nessa hora porque não apareceu nenhuma prova contra o Orlando", disse o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, momentos antes de participar da reunião com Dilma, no Palácio da Alvorada. Carvalho afirmou que o governo não planeja tirar o ministério do PC do B.

A saída de Orlando, porém, é considerada questão de tempo pelo Palácio do Planalto. Auxiliares de Dilma suspeitam de ações da Fifa e da CBF para desgastar o ministro, mas o PC do B vê o dedo do PT na operação e avisou que abrirá guerra contra o governador petista do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, caso seja abandonado à própria sorte.

Ainda em Angola, Dilma defendeu Orlando e o PC do B, definido por ela como um aliado histórico. "Não se faz apedrejamento moral de ministro", afirmou. "Temos de apurar os fatos, temos de investigar. Se apurada a culpa das pessoas, puni-las. Agora, isso não significa demonizar quem quer que seja, muito menos partidos que lutaram no Brasil pela democracia." Dilma qualificou como "tolice" os comentários de que o governo está em rota de colisão com o PC do B.

Orlando deve conversar nesta sexta-feira, 21, com Dilma. "Estou vivendo um verdadeiro linchamento moral e vou até o fim para lavar a minha honra", disse o ministro, que se reuniu ontem por cinco horas com a cúpula do PC do B. Nas fileiras comunistas, um dos nomes cotados para substituí-lo é o da ex-prefeita de Olinda (PE) Luciana Santos, hoje deputada. Era ela que Dilma gostaria de ter chamado quando montou a equipe.


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

No Blog da Rede Aljazeera...para ler e pensar.

[QODLink]
By Gabriel Elizondo in on Mon, 2011-02-21 19:09.
Photo by GALLO/GETTY

At the glistening corporate high-rise headquarters of a few giant Brazilian companies, it’s a good bet some executives are sweating right now as they watch with keen interest events unfold in Libya.

Brazil’s biggest and most influential engineering and construction companies are also some of the most important players in construction projects in the northern African country that is now embroiled in a bloody citizen uprising against the 40-year rule of Muammar Gaddafi.

Now many of these Brazilian companies are scrambling to figure out if they should get their workers out of the country, and wondering if potentially billions of dollars in business deals are at risk.

Back in 2003 when UN sanctions were lifted against Libya, the main obstacle for Brazilian businesses to do business in that country was also dismantled. It opened up an opportunity for multi-nationals to explore what was previously mostly an untapped market flush with money to spend, especially on re-building a crumbling country. Since 2003, Libya has invested, by some accounts, more than $120bn in infrastructure projects, which has provided fertile ground for Brazilian construction companies.

Of the nearly 600 Brazilians living in Libya now, according to the foreign ministry, it’s safe to say almost all of them work for one of three Brazilians companies: Odebrecht, Andrade Gutierrez or Queiroz Galvão.

Odebrecht, with world-renowned expertise in building everything from dams to airports, currently employs some 5,000 people in Libya, and 200 Brazilians. Odebrecht was one of the first major Brazilian companies to get contracts in Libya in 2007, worth back then an estimated $1.4bn. The company currently has highly sought after contract to build terminals at Tripoli’s international airport as well as a major beltway highway, or ring road, as it’s called.

Late on Monday, Odebrecht said they were putting into place mandatory evacuations for the nearly 5,000 staff they have in Libya.

But as recent as a couple years ago, other Brazilian engineering and construction heavyweights followed Odebrecht’s lead and rushed into Libya. They include, Queiros Galvão and Andrade Gutierrez. Queiros Galvão at one time had six different infrastructure contracts in the country worth hundreds of millions, according to the company. Like Odebrecht, they currently have thousands of staff in country, including about 200 Brazilians. They, too, have been helping employees who wish to evacaute.

Andrade Gutierrez, according to reports, won three infrastructure contracts in Libya in 2009 worth at least $600m. A company media representative did not respond to my request for more information.

OAS, another Brazilian construction giant, last year was planning on setting up a subsidiary in Libya. The status of those plans are uncertain, as no company representative could be reached.

And Petrobras, the state controlled oil giant, has exploration operations in Libya since 2005, according to the company. They have a 70 per cent equity stake in one exploratory block they run as a consortium. On Monday, company president Sergio Gabrielli said only 10 Brazilians work for Petrobras in Libya, and there are no disruptions in operations and no plans for evacuations.

Diplomacy leads to business

For years since the sanctions were lifted against Libya, Brazil has been quietly building diplomatic and economic ties with Libya. It was culminated in July 2009 when former President Luiz Inacio Lula da Silva visited Libya and took with him 90 business representatives from his country.

Da Silva’s often repeated passionate calls against the neoliberal economic powers, and calls over the years for enhanced south-south trade and investment, was a message Gaddafi received warmly. On the trip in 2009, Lula called Gaddafi a ‘brother’ and ‘friend’ and, in turn, the Libyan leader welcomed Brazilian businesses with open arms. (Da Silva was far from the only world leader to cozy up to Gaddafi during that time).

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Photo: Gaddafi and Lula da Silva in 2009 [Ricardo Stuckert/PR]

And it has paid off, for both sides: Between 2003 and 2009, Brazilian exports to Libya increased by 289 per cent, while Brazilian imports from Libya grew by 3,111 per cent, according to a report last year in Estado newspaper.

Brazil’s new president, Dilma Rousseff, has mostly remained mum on international affairs in her first three months in office. But the Brazilian foreign ministry sent out a statement last Friday calling for the Libyan government to 'protect the right of free expression of the protestors' and avoid violence. (Brazil sent out similar statements related to Egypt, and Tunisia as well).

But violence and uncertainty remain in Libya, and as of Sunday the Brazilian government had a plane on standby waiting approval from Libyan aviation authorities to evacuate its citizens, according to its ambassador.

At the same time, Brazilian business executives, who rushed into Libya not too long ago, now are having to take stock of where things stand. And they likely will come to the realisation that it wasn’t an economic downturn or bad business model that might have disrupted their best intended plans, but rather a people’s revolution.

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