quinta-feira, 30 de junho de 2011

Marta Bellini.



quinta-feira, 30 de junho de 2011

Para lembrar os economistas:



Joana Lopes lembra:




«A democracia nasceu em Atenas quando Solon perdoou as dívidas dos pobres»

Quem o recorda é Mikis Théodorakis, num belíssimo texto de que falarei mais tarde.


Quanto à batalha de ontem em Atenas, nem vale a pena mostrar imagens, já que elas
alimentaram, largamente, televisões e jornais – o sangue vende.


Para já (hoje regressarei inevitavelmente ao tema), apenas uma chamada de atenção para um severo comunicado da Amnistia Internacional, que denuncia a desproporção dos meios utilizados pela polícia.


Com dedicatória para os que falam da barbárie dos gregos e se regozijam por nós, os portugueses, sermos mais mansos do que a nossa tia.


(Reminder: Solon aboliu a escravidão por dívidas e modificou o código de leis de Drácon, que já não era seguido por causa de sua excessiva severidade.)

Sobre o escândalo de Campinas.

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Notícias - Jornalismo


Comissão Processante

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Comissão Processante - 30/06/2011

Professor de Ética e Filosofia da Unicamp acredita que a defesa do Prefeito deveria ser mais sólida
Roberto Romano declara que em relação às contradições apresentadas é necessário investigar a fundo.

De acordo com o Professor, todo o episódio envolvendo o esquema de fraudes na cidade de Campinas, compromete a credibilidade do eleitor que escolheu o Prefeito por duas vezes.


Rosana Lee



quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sobre a turma chic, que na verdade busca alguns bilhões no cofres públicos, e que merece risos.., não Roque?

Em São Paulo e no Brasil, se tornou "chic" apoiar o PT e Lula. Uma revista trouxe depoimentos de socialites, retomados por mim no artigo abaixo.

Correio Popular de Campinas, 15/11/2005.

De como o PT virou saco de risada

Roberto Romano

Peça em um ato. O ambiente se divide em dois: sala de redação e mesa de restaurante chic. Duas falsas loiras, com ar de peruas, trocam cumprimentos pela eleição presidencial.

“- Oi Elite, tá boa? Saudade... - minhum, minhum…

- Tô boa imprensa e você? Saudade... minhum, minhum…

- Então, contentinha com a eleição do Lula? Que chic, mulher! Gracinha o presidente, terninho Ricardo Almeida e tudo tudo! Mudaram a imagem dele, o Lula não parece mais tão agressivo. Desde que eleito, tranquilizou muito as pessoas. Tá todo mundo torcendo para que dê certo. Também, querida, a situação é complicada. Se a gente não entrega os anéis, os dedos vão embora... não se pode mais ter o carro desejado ou sair com a jóia de que se gosta nem de dia. Sempre houve pobre na rua, mas agora chegou a um ponto que incomoda. Tinha um, agora tem dez. Eu vou ao McDonalds e não consigo comer, de tanta criança pedindo dinheiro. Me embrulha o estômago.

- Certo! Você não pode mais ser feliz. Na rua, é degradante ver pais de família desesperados pedindo esmola. No trânsito, não dá nem para paquerar. Com esses vidros pretos, ninguém se vê...

- Agora a coisa melhora. Com o Lula, os pobres encontrarão o seu lugar. Nada como a gente ter ajuda de alguém que veio de lá... Espera um pouco, tá passando helicóptero. Oi? O Lula veio de lá, conhece as necessidades dessa gente. Ao mesmo tempo, pode-se dizer que circula no poder há 20 anos. É o melhor mediador que a gente podia ter nesse momento. Tenho muita fé nele.

- Claro, segundo a minha analista, as pessoas que tinham horror a esse personagem passaram a acreditar nele como mediador entre o Brasil que eles conhecem e o Brasil de que eles têm medo. Minha analista é chiquérrima!

- Ela é in !

- Mas a vida não tá fácil. A gente não pode ceder aos desejos... outro dia, no jantar do nosso people ao PT, senti um tesão tão grande de estar perto do Lula, que, não fosse meu marido me tirar dali, ficaria até de madrugada. Pedi, depois, as fotos da festa, porque queria pendurar na parede de casa.

- Comigo não é assim, cê sabe o quanto sô seletiva. Votei no Serra, mas agora, chique é apoiar Lula. É dele que o Brasil precisa. Estou muito otimista.

- Cê tem razão quanto à seletividade, também sou assim! Mas o Lula melhorou muito o visual e as idéias, deixou aquela pose de assustar criancinha e as idéias... humm, que limpeza! Eu o vi de longe no Gallery em 1980, quando ainda era metalúrgico. Tive simpatia pela pessoa, mas, na época, não votaria nele nem para síndico de prédio.

- É, infelizmente, a gente dele não muda. Veste mal, fala errado, tudo muito podre! Lula vai resolver a questão da pobreza, mas tem de quebrar ovos para fazer omelete. O problema das crianças pedintes, por exemplo, só se resolve com rigoroso controle da natalidade, mas a igreja não vai gostar nada disso. A verdade é que as pessoas colocam filhos no mundo porque rendem esmolas.

- É minha filha, mas nesse governo tucano, todo mundo perdeu. Mesmo os ricos estão inadimplentes. Você vai ao Harmonia (*)e vê uma porção de gente com sapatinho gasto. Horror!

- A gente precisa apoiar o Lula, porque ele mostrou ser capaz de mudar. O Ricardo Almeida é detalhe. Mudou muito, muito, muito. Você sabe, não quero baixar o padrão, quero que todo mundo suba.”

Corte rápido: numa CPI qualquer, Silvio Pereira estapeia Delubio e lhe arranca fios de barba, doido pelo sumiço do sonhado Land Rover, penhor de subida na escala social. Deputados petistas acusam a imprensa e a oposição: “golpismo, golpismo, golpismo... ismo, ismo, ismo, ismo...”. Baderna geral, surras e palavrões na “Casa do Povo”.

Baixa o pano. Entra a voz de Lula evocando rigorosas investigações, invencionices jornalísticas, denuncismo. Uma turma de idiotas repete o coro, nela, incluindo-se filósofos e donos da ética na política, tranformada em frangalhos obscenos. Entram assessores com dinheiro na cueca, outros vestidos apenas com fraldas infantis, jurando inocência pura. Cheiro de cachaça no ar, espargida sobre a platéia por militantes petistas. Surge, devagar, uma voz cantando Adoniran Barbosa: “... saudosa maloca, maloca querida, dindindonde nós passemo, dias feliz da nossa vida…”.

(*) Clube da elite paulistana.

Nota: todas as falas acima são absolutamente verídicas. Para tristeza dos que ainda têm vergonha na cara.

Roberto Romano é professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp

Roque e uma das vergonhas do elo entre "membros nobres"da sociedade e o lulopetismo.

O Globo


Vladimir Palmeira não aceita volta de Delúbio Soares ao PT e deixa o partido

Plantão | Publicada em 28/06/2011 às 19h25m

O Globo (opais@oglobo.com.br)

RIO - Em carta entregue nesta segunda-feira ao presidente do Diretório Municipal do PT do Rio de Janeiro, Vladimir Palmeira comunicou o seu desligamento do partido. Ele cita a volta de Delúbio Soares - expulso em 2005 por envolvimento no escândalo do mensalão - como o motivo principal de sua saída. " (...) a volta ao partido de Delúbio Soares, justamente expulso no ano de 2005, me impede de continuar nele. Pela questão moral, pela questão política, pela questão orgânica. Pela questão moral porque é evidente que houve corrupção: Não se pode acreditar que um empresário qualquer começasse a distribuir dinheiro grátis para o partido (...)", diz trecho da carta.

ESPECIAL: Políticos notáveis deixaram o PT em meio aos escândalos e crises

Vladimir lutou contra o regime militar e foi preso em duas ocasiões. Em setembro de 1969, ele foi trocado pelo embaixador americano, Charles Elbrick, sequestrado pelo grupo guerrilheiro de esquerda MR-8, com mais quatorze presos políticos.

Vladimir Palmeira é um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e foi eleito deputado federal constituinte. Em 1993, foi líder da bancada do PT na Câmara. Em 2006, o então petista saiu candidato ao governo do estado do Rio, mas perdeu a eleição para Sérgio Cabral (PMDB).

Leia a carta de desfiliação de Vladimir Palmeira:

"Ao Diretório Muncipal do PT-R.J.

Meu caro Alberis,

Venho, por meio desta, me desfilar do PT. Não o faço por divergências políticas fundamentais, embora minha carreira minoritária seja de todos conhecida. Sempre me coloquei mais à esquerda da linha oficial, mas nada que, nas circunstâncias brasileiras, me levasse a deixar o partido. No entanto, a volta ao partido de Delúbio Soares, justamente expulso no ano de 2005, me impede de continuar nele. Pela questão moral, pela questão política, pela questão orgânica. Pela questão moral porque é evidente que houve corrupção: Não se pode acreditar que um empresário qualquer começasse a distribuir dinheiro grátis para o partido. Exigiria retribuição, em que esfera fosse. O procurador federal alega que são recursos oriundos de empresas públicas, sendo matéria agora do STF. Mas alguma retribuição seria, ou a ordem do sistema capitalista estaria virada pelo avesso.

Pela questão política porque o PT assumiu um compromisso com a sociedade, quando apareceram as denúncias: o compromisso de punir. E sustentamos que punimos. Punição limitada, na opinião dos petistas do Rio de Janeiro, que por seu DR pediram mais dureza, ao mesmo tempo que apontavam o caminho da Constituinte exclusiva para a reforma política imprescindível. Punição limitada, repito, mas efetiva.

Pela questão orgânica, porque o ex-tesoureiro não só agiu ilegalmente com relação à sociedade, mas violou todas as normas de convivência partidária, ao agir à revelia da Executiva Nacional e do Diretório Nacional.

A volta de Delúbio faz com que todos se pareçam iguais e que, absolvendo-o, o DN esteja, de fato, se absolvendo. Ou, mais propriamente, se condenando, ao deixar transparecer que são todos iguais.

Não creio que o sejam.

Já tinha definido que sairia caso o ex-tesoureiro voltasse. Mas, em primeiro lugar, tive que advertir amigos e companheiros mais próximos, sob pena de lhes causar embaraços. Por outro lado, o governo Dilma entrou em crise, em função das acusações contra Palocci. Sanada a crise, comunicados os companheiros, posso, afinal, lhe entregar esta carta.

Mando um abraço para você e para todos os que, dentro do PT, lutam por uma sociedade mais justa.

Rio de Janeiro, 27 de junho de 2011.

Vladimir Palmeira"



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Alguem de respeito. Fora do PT.


Vladimir Palmeira decide deixar PT após volta de Delúbio

Um dos fundadores da sigla, ex-deputado disse que partido 'renegou' decisão tomada há seis anos, quando o ex-tesoureiro foi expulso

29 de junho de 2011 | 18h 08
Bruno Boghossian, de O Estado de S.Paulo

RIO - O ex-deputado federal Vladimir Palmeira, um dos fundadores do PT, decidiu deixar a legenda em protesto contra a readmissão do ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares. Palmeira, que atuou no movimento estudantil durante a ditadura militar, disse que se sentiu "logrado" pela executiva nacional petista, que havia expulsado Delúbio por seu envolvimento no escândalo do mensalão, mas aceitou seu retorno à sigla.

"O partido renegou o que havia decidido há seis anos. Nós fomos para a linha de frente para defender o partido, que havia decidido expulsá-lo. Agora, quando o partido volta atrás, você fica sem cara", disse Palmeira, que foi deputado federal constituinte e deputado federal, chegando a ser líder do PT na Câmara. Em 2006, candidatou-se ao governo do Rio de Janeiro e ficou em quarto lugar. No ano passado, disputou vaga de deputado federal, mas não se elegeu.

Palmeira se disse decepcionado com a mudança de postura do partido diante do escândalo, considerado um dos episódios mais graves de sua história. "Na prática, a expulsão do Delúbio virou uma suspensão. Fizeram jantares em homenagem a ele e, no fim das contas, ele sequer foi punido", avaliou.

Segundo Palmeira, que é economista e professor, o retorno do ex-tesoureiro "é uma demonstração de que o PT está evoluindo mal", o que teria tornado sua permanência na sigla insustentável. "Hoje, o partido não tem mais tendências políticas. Você tem uma divisão constante em grupos com interesses pontuais, que votam como bem entendem, como foi o caso do debate do Código Florestal", afirmou. "Acredito que esses problemas ainda vão se agravar e é por isso que eu estou saindo."

O ex-deputado disse que ainda não decidiu se vai se filiar a outra legenda, mas descartou retornar ao PT. Para ele, as divisões dentro da legenda prejudicam os projetos do governo da presidente Dilma Rousseff. "A falta de unidade do PT certamente prejudica o governo. Todo partido muda quando chega ao governo, mas nesse caso, a mudança foi institucional demais."

De Roberto Guedes, uma trilha para entender a história. Compreender não significa aprovar, acho.

VISITAS DE CHÊ AO BRASIL

J. R. Guedes de Oliveira

Para lembrar o revolucionário Chê, de sua estada no Brasil, situo-o em três tempos: 1952, 1961 e 1966. Na falta de maiores informações, que caberia melhor pesquisa, deixo de fazê-la o ano de 1951. Como se tem notícia, Chê esteve então trabalhando em leprosário da Amazônia, na sua famosa viagem por toda América Latina. Este tempo, entretanto, é obscuro e fica a dúvida da veracidade, cabendo uma melhor e mais larga pesquisa.

Seja como for, as passagens de Ernesto “Chê” Guevara sempre foram de totais desencontros, de mistérios tais, de sombrios momentos e de interessantes perguntas e reflexões. O argentino trazia sempre em seu bolso as anotações de tudo o que realizava. Contudo, nem sempre estas anotações, de cunho pessoal, ou melhor, de segredo de Estado ou de pessoas, ficaram expostas ou colocadas à posteridade.

Então, aqui apresento o que sei e o que ainda é objeto de pesquisa para revelar a total verdade. Mas passado tanto tempo, será que isto virá à tona?

1952 – “O Rapaz Argentino” – O jovem Guevara, de 24 anos, pela primeira vez chegava ao Brasil. Em pequeno depoimento do consagrado jornalista Sebastião Nery, com o título de “O Rapaz”, reproduzo esta sua passagem e os desígnios que lhe sucederiam, como combatente:

“Gaia Gomes era diretor artístico da Rádio América de São Paulo. David How trabalhava com ele. Uma tarde, entrou lá um rapaz de cabelos negros, olhos grandes, esbugalhados, bigode ralo e barbicha fina.

Argentino, trazia para Gaia uma carta de apresentação de Alberto Castillo, médico e cantor de tango em Buenos Aires. Não queria emprego. Também era médico, estava precisando de uma passagem para a Guatemala, onde pretendia ajudar o governo revolucionário de Jacobo Arbenz.

Gaia e David fizeram uma “vaquinha” na rádio e compraram a passagem. Nos dias que passou em São Paulo, o rapaz de bigode ralo conheceu o deputado Coutinho (creio que Júlio), paulista de Rio Preto, autor do segundo projeto de reforma agrária apresentado no Congresso (o primeiro foi o de Nestor Duarte).

Com a passagem e o projeto, o rapaz de barbicha fina embarcou para a Guatemala. Lá, acabou trabalhando no Instituto Nacional de Reforma Agrária e aplicando os ideais do deputado Coutinho. Em 1954, um golpe militar, montado nos Estados Unidos e dirigido pelo coronel Castillo Armas, derrubou o governo de Arbenz. O rapaz de cabelos negros fugiu para o México.

Em 1958, ele apareceu em Cuba, na Sierra Maestra, ao lado de Fidel Castro e Camillo Cienfuegos. Derrubado o ditador Batista, o rapaz de olhos grandes, esbugalhados, implantou a reforma agrária em Cuba, baseado no projeto do deputado Coutinho, paulista de Rio Preto,

O rapaz chamava-se Ernesto “Chê” Guevara”.

1961 – “A Grã-Cruz de “Chê Guevara” – De volta da Conferência de Punta del Este (reunião da OEA), no Uruguai, Guevara atendia à gentileza do Presidente Jânio Quadros, para uma visita de cordialidade. O convite lhe havia sido feito através do Embaixador Clemente Mariano e Brasília se enfeitava pela presença do revolucionário de Sierra Maestra.

- “Terei muita satisfação em rever o meu amigo Jânio Quadros”- havia dito, antes de partir para o Brasil.

A notícia logo se espalhou e havia uma certa dúvida do Presidente da República recebê-lo no aeroporto, já que seria quebra de protocolo. Guevara não era chefe de Estado. Entretanto, autoridades do país o recepcionaram com honras militares, à vista de inúmeros populares e admiradores do legendário revolucionário.

Trajando o seu tradicional uniforme verde-oliva e sua famosa boina basca na cabeça, Guevara passa a tropa em revista, perfilada no aeroporto. Às primeiras horas do dia subsequente, sobe a rampa do Palácio do Planalto em volta de uma dezena de autoridades, ao lado do Ministro Macedo Soares, do corpo diplomático brasileiro.

Jânio Quadros o recebe condignamente, expressando a sua simpatia e amabilidade para com o então titular da Indústria de Cuba. Guevara o agradeceu pela posição assumida pelo Brasil em favor da autodeterminação de Cuba. É no momento preciso que o herói de Santa Clara recebe a mais alta honraria brasileira: a Grã-Cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul.

Diz o Presidente da República, ao colocar-lhe a faixa:

“Vossa Excelência tem manifestado em várias oportunidades o desejo de estreitar relações econômicas e culturais com o povo brasileiro. Esse é, também, o nosso propósito e a nossa deliberação, assumida no contato que tive com o Governo e o povo cubanos. O Governo e o povo brasileiros manifestam nosso apreço com essa alta condecoração.”

Visivelmente emocionado, Guevara responde:

“Como revolucionário, sinto-me profundamente honrado. Não posso considerar esta honra como pessoal, mas feita à nossa revolução, ao nosso Governo e ao nosso povo.

Cumprindo uma agenda apertada, o líder revolucionário fez breves declarações aos jornalistas e interessou-se pelas obras de Brasília, manifestando perplexidade a tão arrojado empreendimento arquitetônico de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.

Guevara é convidado a almoçar no Riacho Fundo com o Prefeito do Distrito Federal, Paulo de Tarso. Em seguida sobrevoou a cidade num helicóptero e embarcou logo depois para Havana. Contudo, este embarque direto para Cuba, ainda não foi devidamente esclarecido. Há enormes dúvidas, já que existem estudos e comprovações de que “Che” Guevara tinha orientação direto de Fidel Castro para pousar no Pará, a fim de atear fogo num cartório de registro de nascimento, na cidade de Tracuateua.

Eis, aqui, o que o pesquisador Edilson Silva Oliveira, da Universidade de São Paulo - Campus de São Carlos, afirma, através de matéria publicada nas páginas de jornais, inclusive do site do PCdoB:

“A história do Fidel brasileiro pode ser resumida da seguinte forma: Angel Castro, pai original de Fidel Castro, chegou de barco a Tracuateua nos anos 20, e conheceu Delfina, uma elegante jovem por quem se apaixonou. Eles tiveram um filho, Fidel Castro, que nasceu nas plácidas margens do Rio Quatipuru, em 1926, onde viveu até quase os 4 anos de idade. Depois disso foi com a família para a cidade de Iquitos, no Peru, onde seu pai tinha outra mulher.

Fidelito, como era conhecido no Brasil, passou então boa parte da adolescência em terras peruanas, convivendo com três irmãos e suas mães - porque o pai fugiu das duas esposas e foi para Cuba. No começo da década de 50, Fidel foi parar em Cuba, não se sabe por que, e acabou liderando a revolução socialista de 1959.

O pesquisador acha difícil a comprovação do fato, pois que Che Guevara (um dos principais mentores da revolução cubana) e seus companheiros atearam fogo no cartório da cidade nos anos 60, onde estava a verdadeira certidão de nascimento de Fidel, para impedir que a verdade viesse à tona e os cubanos descobrissem que seu maior líder era, na verdade, um tupiniquim.

Edílson Silva Oliveira conta que ouvia histórias sobre os parentes de Fidelito desde que tinha 7 anos de idade e resolveu investigar a fundo a informação. A notícia contagiou de tal forma a cidade que uma banda local chamada Quero Mais criou uma música que conta a história sobre o Fidel brasileiro e suas andanças por Tracuateua.

A teoria de Edílson, no entanto, não bate com os dados históricos colhidos pela pesquisadora carioca Cláudia Furiati, autora de única biografia autorizada de Fidel. Em entrevista, ela disse que "a história do Fidel brasileiro parece bastante interessante e fantasiosa, mas colide com alguns dados históricos".

Cláudia diz ter encontrado duas certidões de nascimento do líder cubano. A primeira aponta o nascimento no dia 13 de agosto de 1927 na província de Cueto, em Cuba. A segunda, com data posterior, teria sido feita sob encomenda para que Fidel passasse uma séria na frente dos colegas de classe.

Ela não encontrou nenhum indício que desse suporte à teoria de Edílson. Mas não rejeitou completamente essa hipótese. "Não vi registros de passagens de Fidel pelo Brasil em sua infância, mas isso pode ter acontecido."


Com base em depoimentos de supostos parentes e um par de fotos antigas de Fidel, Edílson enviou um pedido de exame de DNA à Universidade Federal do Pará (UFP) em março do ano passado. Ele queria provar sua tese comparando o DNA de um suposto tio do estadista chamado Dagoberto, que morava em Tracuateua. Mas este morreu pouco tempo depois que o pedido foi feito, e o exame não pôde ser realizado.

"Ele (Edílson) pediu algo que não tem o menor fundamento histórico. E quer provar a relação de parentesco de pessoas que não querem, nem estão interessadas, em comprovar tal parentesco. É apenas uma esquisitice", diz o professor Sidney Santos, professor de Genética Humana da UFP, claramente mal-humorado por ter de falar novamente sobre o caso.

Ele afirma que já cansou de receber telefones de jornalistas que ligam de todo o Brasil e do exterior para saber da história do Fidelito, e tem uma opinião muito clara sobre a possibilidade de Fidel ser brasileiro. "Acho que o nome correto para isso é sandice."

A possibilidade de o estadista ser brasileiro chegou aos ouvidos da imprensa internacional, e espanhóis, japoneses entre outros desembarcaram no Pará atrás de entrevistas com os envolvidos. O periódico catalão La Vanguardia chegou a publicar uma reportagem sobre o caso, mas o jornalista deixou claro que a história "do reino encantado da Fidelândia", como chamou em seu texto, é completamente inverossímil. E diz que Edílson é o principal responsável por este "delírio tropical".

"Os japoneses vieram de Tóquio e só chegaram depois de quatro dias de viagem. O problema é que, assim que chegaram, o Dagoberto morreu, e eles não conseguiram fazer a matéria", conta Edílson.

A morte de Dagoberto, aos 102 anos, jogou por terra a possibilidade de um exame de DNA imediato, mas não abalou a fé do pesquisador. Já pensando numa futura exumação do corpo, ele decidiu enviar um ofício ao Comando Geral da Polícia Militar do Pará, pedindo que seja providenciada "vigilância permanente no cemitério" para garantir a segurança dos restos mortais de Dagoberto. E explica seus motivos:

"(Solicito) pela importante razão de que os restos poderão sumir e isso modificaria a história da origem daquele Líder Cubano (Fidel )." Sobre a infância de Fidel, Edílson garante que era das mais felizes. "Ele uma criança que vivia às margens de um rio, era cuidado por uma babá, passeava de canoa e brincava nos campos. Falava português, mas depois passou para o 'portunhol', já que foi para o Peru aos 3 anos e 6 meses de vida. Vivia feliz", conta o paraense.

Ele diz que a cidade ficou apavorada quando soube, em 1959, que o inocente e feliz Fidelito havia liderado uma revolução. "De repente mandaram umas cartas para o Brasil, pouco depois da revolução de 1959, dizendo que o Fidelito era o máximo líder da revolução cubana. Aí ficaram desesperados aqui na cidade. As pessoas viam as fotos e gritavam: é o Fidelito, é o Fidelito!"

Edílson candidatou-se a deputado estadual pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro) em 2006, mas não conseguiu se eleger apesar do atraente bordão que usou para amealhar votos dos eleitores: "De Tracuateua para Nova Fidel".

"Quero mudar o nome (da cidade) para que Tracuateua fique conhecida nacionalmente e internacionalmente. Isso provocaria o aumento de turistas na região, geraria renda e garantiria centenas de empregos à população", diz o pesquisador, que conta com apoio de políticos locais para pôr em prática seu projeto.


Em seus planos, uma estátua gigante do estadista seria erguida, e haveria um caminho turístico que levaria o visitante até as raízes brasileiras de Fidel - a casa onde morou, a escola que freqüentou, o rio onde nadava, etc. Com a morte de Dagoberto, sua missão ficou mais difícil, mas ele garante que não desistirá. Até porque, se depender de Fidel, o parentesco nunca será reconhecido.

"Fidel nega sua real nacionalidade em função de sua luta pelo povo cubano. Ele saiu do Brasil, via Peru, para salvar os cubanos da tirania americana, razão pela qual o povo deu a este herói a cidadania cubana. Por isso ele jamais poderá dizer que é brasileiro", acredita Edílson.”

Duas coisas ficam no ar, sem que, até agora, tenhamos uma resposta de Fidel Castro:

1º. - Nunca ele se propôs ao exame do DNA. Isto, evidentemente, encerraria a questão. O silêncio e a recusa é uma condenação explícita. E, o que mais nos surpreende, é que o pesquisador possui uma série de documentos significativos, sem o que, evidentemente, seria impróprio tal afirmativa.

2º. - Nunca, desde 1959, quando ele assumiu o governo em Cuba, fez qualquer malgrado ao Brasil. Todos os governos que passaram pelo Brasil, desde 1959, com exceção de 1964 a 1985, sempre foram alvos de especial deferência do governo cubano, particularmente por Fidel Castro, inclusive com as suas costumeiras vindas ao país. Todo tipo de cooperação, sem restrições e, no campo das universidades, um estreito compromisso de leal parceiro, bem como nos investimentos nacionais em Cuba. Sem contar, ainda, com a vastíssima fila de brasileiros ilustres que fizeram ou fazem parte de sua acolhida e admiração.

1966 – “A Última Viagem de “Chê” – Utilizando a ligação ferroviária entre Campinas e Corumbá, Guevara fez a sua última viagem. Este episódio, muito bem descrito pelo emérito jornalista João Batista César, foi estampado no Jornal “Correio Popular”, num encarte, com o título de “O dia em que Che esteve em Campinas”. Matéria histórica, para a compreensão dos últimos tempos do herói, valho-me da oportunidade para reproduzir na íntegra:

“No dia 9 de novembro de 1966, Che Guevara está circulando pelo hall da Estação Central de Campinas. Aguarda o trem que o levará a Corumbá. De lá, ele entrará na Bolívia por Santa Cruz de la Sierra e se reunirá com revolucionários de vários países. Depois de anos de preparativos o foco guerrilheiro será instalado no altiplano boliviano. O ponto de partida para a revolução continental.

Apesar da importância do momento, Che aparenta tranquilidade. Está acostumado a andar disfarçado. Desde o momento que abandonou o cargo de Ministro da Indústria do governo revolucionário de Cuba, três anos antes, seu paradeiro é uma incógnita. Em toda parte do mundo o aparato policial-militar se prepara para rechaçar sua presença. Os revolucionários de esquerda sonham com sua chegada para deflagrar a luta armada em seus países. Desde que proclamara sua intenção de instaurar mil Vietnãs pelo mundo, “Che” tornou-se um mito. No entanto Che está na velha estação de Campinas. Usa a identidade falsa de Adolfo Mena Gonzáles, um comerciante uruguaio, a serviço da OEA. Ao lado de Che vêm dois oficiais cubanos: o capitão Harry Villegas e o tenente Carlos Coelho, seu ajudante pessoal e guarda-costas desde os tempos da guerrilha de Sierra Maestra.

Mas “Che” prefere conversar com o arquiteto brasileiro Farid Helou enquanto aguarda a partida da composição. Pede informações sobre Campinas, um ponto-chave na rota para a Bolívia. Che está preocupado em estabelecer uma sólida retaguarda no Brasil.

A ligação ferroviária entre Campinas e Corumbá vinha sendo usada pelos guerrilheiros desde 1963, quando se esboçou o primeiro fogo guerrilheiro na Bolívia. Era uma entrada rápida e segura para os padrões da época. Pelo trem os revolucionários entravam no país, se comunicavam com o resto do mundo, e se abasteciam com suprimentos enviados por malotes diplomáticos.

“Che” Guevara desembarcou em Viracopos no dia 7 de novembro, às sete horas da noite, com seus dois acompanhantes. Foi recebido por Farid Helou que os levou a São Paulo num DKW. Lá, ele tinha importantes contatos a realizar”.

Não se sabe, ainda, o que de fato ocorreu nas reuniões que “Che” realizou na capital paulista. Sabe-se, contudo, que foram poucos, mas muito poucos, os que estiveram com ele, em razão do cerco que então havia sobre o seu paradeiro.

Dias depois desse encontro, “Che” Guevara chegou à Bolívia ainda portando documentos falsos com o nome de Adolfo Mena Gonzáles, diplomata. De Havana (Cuba) passara por Moscou (ex-URSS), Praga (ex-Tchecoslováquia, atual República Tcheca). Viena (Áustria), Frankfurt (Alemanha), Paris (França), Madri (Espanha), São Paulo (Brasil) e La Paz (Bolívia).

De La Paz, ele seguiu de avião para Cochabamba e, depois, de jipe, até as margens do rio Ñancahuazú. Ali tiveram início os preparativos da guerrilha. No dia 23 de março de 1967, o primeiro choque com soldados do Exército, alertado sobre a presença de homens armados na região. Sete militares foram mortos e 14 capturados. Os militares passaram então a receber treinamento de oficiais americanos.

Os guerrilheiros foram cercados em La Higuera. No dia 8 de outubro, “Che” e mais dois de seus homens foram capturados. No dia seguinte, 9 de outubro de 1967, há 40 anos, o sargento Mário Terán disparou-lhe uma rajada de metralhadora quando “Che” ainda estava deitado no chão da escola. Levaram o cadáver para Vallegrande onde foi exposto sobre um tanque da lavanderia de um hospital. Ali ele teve as mãos amputadas para serem comparadas com as digitais que estavam na Argentina. Terminava um ciclo de presença viva do comandante “Che”, com o seu ideário em longo tempo:: “Hasta la volta!”.

Ainda permanece dúvidas quanto a sua viagem direto à Corumbá e, depois, para a Bolívia. Segundo alguns estudiosos, há uma afirmação de que ele passou por Imperatriz, no Maranhão. Historiadores locais, da cidade do sul do Maranhão, afirmam que ele se hospedou numa pensão de conhecida senhora, permanecendo por alguns dias na cidade.

O que há mais de interessante e chama a atenção, foi a afirmativa de muitos moradores de Imperatriz de que, na cidade, “Che” Guevara conheceu uma linda jovem e com ela teve um filho.

Estive em Imperatriz, pesquisando este detalhe, principalmente no conhecido “Beira Rio” (parte antiga da cidade), às margens do caudaloso e histórico Tocantins. Muitos afirmavam que uma senhora moradora da região, não escondia de que seu filho era de um relacionamento mantido com um médico argentino, revolucionário, que se chamava Ernesto Guevara. Se concreto esta afirmativa, estaria ele, hoje, com 45 anos de idade (5 anos mais novo que a Aleida Guevara, que tem 50 anos).

À título de curiosidade, o livro “As Mulheres na Vida de Chê Guevara”, do pesquisador e emérito escritor gaúcho Roberto Rossi Jung, nos diz da relação dessas que permearam a sua vida. O relato é surpreendente:

“As mulheres que povoaram os caminhos do Che foram todas de muita fibra e com espírito de decisão. Nenhuma foi mera aventura amorosa; todas tiveram enorme significação para o heroico guerrilheiro. Por isso, eis uma lista, conforme registrou o autor do pequeno grande volume de 140 páginas: Celia de la Serna y Llosa (mãe de Che; comunista, rebelde, obstinada, com certeza a quem o filho saiu; Celia (‘irmã’); Ana María (‘irmã menor’); Berta Gilda Infante, a Tita (‘companheira de estudos’, com quem manteve ‘estreita relação de amizade’; ela entrou em profunda depressão psíquica após a sua morte, deslocando-se para a Bolívia’; suicidou-se); Carmen Córdoba Iturburu de la Serna, La Negrita (prima, a ‘primeira experiência amorosa’, quando Ernesto tinha quinze anos), Celia Sanchez (‘companheira de ações guerrilheiras’); Beatriz (a tia, ‘que o recebia como a um filho’); María Del Carmen Ferreyra, a Chichina (namorada, em 1950, com quem pretendia casar-se, mas foi passado para trás); Hilda Gadea (peruana, exilou-se na Guatemala; primeira esposa, com quem teve a primeira filha, Hilda Beatriz; divorcia-se de Hilda; a Hilda mãe morre em 1974 e Hilda filha, em 1995); Zoila Rodriguez García (a guajira campesina, com a qual tem um romance); Aleida March (‘sua mulher’, a segunda, em 1959; pedagoga e ativista cubana de cujo matrimônio nasceu a sua filha mais velha, Aleida Guevara March, médica); Haydée Tâmara Bunke Bider, ou Tânia, a Guerrilheira (que teve alguns amantes, com indícios de que também o Che; utilizou vários pseudônimos, entre os quais os nomes supostos de Haydée Bidel, Laura Gutiérrez, Vittoria e Martha Iriarte), uma argentina de nascimento que vai atuar como intérprete, em Berlim, e lá conhece o Comandante, em 1960, quando este chefiava uma delegação comercial; teria ela, no futuro, importante papel na vida do revolucionário; foi depois parar em Cuba; voltando à América do Sul, assumiu a luta armada, até o trágico desfecho de todos guerrilheiros na Bolívia; Lilia Rosa López (cubana com quem o Che teria tido um filho, de nome Omar Khayyan, em 1964)”.

Realmente, como falei anteriormente, são nebulosas as descrições e relatos, cabendo, portanto, uma mais apurada pesquisa. O fato é que tanto Fidel Castro como Ernesto Guevara jamais revelaram a verdadeira trajetória de suas vidas. O que sabemos, em toda extensão, são biografias dirigidas, metodicamente selecionadas, ao bom prazer e do “não obsta” dos biografados, como bem sois representar a da pesquisadora Cláudia Furiati. Sabemos (e muito bem), que nem sempre a biografia com o crivo do biografado espelha o retrato fiel de sua pessoa ou de sua personalidade. Mas isto já um outro assunto.

J. R. Guedes de Oliveira, ensaísta, biógrafo e historiador.

E-mail: guedes.idt@terra.ccm.br

Marta Bellini...

Rio, maio de 1968

quarta-feira, 29 de junho de 2011

NOFA!



Bastidores do poder 29/06/2011 do BLOG DE JOSIAS DE SOUZA AQUI

WikiLeaks: Câmara de Brasília é ‘refúgio de canalhas’
Pública


Em telegrama enviado a Washington em agosto de 2004, a embaixada dos EUA no Brasil descreve a Câmara Distrital de Brasil em termos nada lisonjeiros.

Assina o documento John Danilovich, que respondeu pela embaixada até 2005. Ele descreve no texto a cassação do deputado distrital Carlos Xavier (PMDB).

Era a primeira vez que o legislativo brasiliense passava um mandato na lamina. “Um malandro a menos na galeria”, anotou Danilovich no título do telegrama.

Na opinião de Danilovich, tratava-se de uma providência alvissareira, “dada a notoriedade da Assembleia em ser um refúgio de canalhas”.

Carlos Xavier escalara o cadafalso nas pegadas do assassinato de um menor que trabalhara na campanha dele e mantivera um caso amoroso com sua mulher.

O embaixador americano enxergou a cassação com olhos de dúvida. Poderia ser o início de uma tendência anti-impunidade.

Ou “meramente serviu para desenhar uma linha: que assassinos, pelo menos, não serão tolerados na Assembléia Distrital”.

Deve-se a divulgação do documento à agência de jornalismo ‘Pública’. Em parceria com o WikiLeaks, a entidade divulga novo lote de papéis sobre o Brasil.

No caso da Câmara de Brasília, as palavras do embaixador Danilovich revelaram-se premonitórias.

O mensalão do DEM, escândalo subsequente, comprovaria à saciedade a existência de uma banda “canalha” no legislativo brasiliense.

Tomada pelos papéis já veiculados pela ‘Pública’, a diplomacia americana cultiva em relação ao Brasil interesses múltiplos.

O papelório enviado a Washington discorre sobre temas que vão de o reuniões com ministros às desavenças do PSDB. Há mais curiosidades que revelações.

Por exemplo: em telegrama datado de 5 de maio de 2008, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) é descrito como um privatista.

Apadrinhado por Sarney, Lobão acabara de ser nomeado por Lula. E a embaixada definiu-o assim: “Um amigo da indústria e a favor da privatização do setor elétrico”.

Ou assim: “Um ex-jornalista e político sem experiência na área de energia, em particular, que se comprometeu a se cercar de especialistas no assunto”.

A certa altura, o texto faz menção a um curioso telefonema “de cortesia” disparado pelo ministro ao embaixador Americano:

“Lobão se mostrou positivamente inclinado para formalizar negócios com os EUA”.

Noutro documento, de 16 de maio de 2008, afirma-se que o Brasil flertava com “apagões”…

…E critica-se o rigor ambiental que emperrava a concessão de licenças para a construção de hidrelétricas.

Antes de aproximar-se de Lobão, a embaixada achegara-se a uma de suas antecessoras na pasta: Dilma Rousseff.

Guindada ao cargo por Lula em 2003, alvorecer do primeiro mandato da Era petista, Dilma foi recebida na embaixada dos EUA por seis diplomatas.

O encontro virou um relatório, datado de 4 de setembro de 2003. Informa que Dilma discorreu sobre o modelo energético brasileiro e as mudanças que esboçava.

Discutia-se à época um novo marco regulatório para o setor, enviado posteriormente ao Congresso a bordo de duas medidas provisórias.

O texto não deixa dúvida quanto ao interesse dos EUA. A embaixada movia-se, informa o documento, na defesa de duas empresas americanas: NGR e Duke Energy.

Dilma mereceu bons adjetivos: “determinada”, “confiante” e “orgulhosa da transparência” que imprimira ao debate sobre a reformulação do setor energético.

Noutro documento, de outubro de 2009, a embaixada reproduz conversa da então encarregada de negócios Lisa Kubiske com um diretor da Vale.

Chama-se Guilherme Cavalcanti. Respondia pela diretoria de Finanças Corporativas da ex-estatal. Lero vai, lero vem falou de Lula.

Disse que o então presidente da República imiscuia-se na gestão da Vale, pressionando a empresa a investir em siderurgia e fertilizantes.

“Fomos pressionados pelo governo a produzir aço”, disse Cavalcanti, segundo o texto da embaixada.

“Mas eles parecem ter se apaziguado com nosso investimento de mais de US$ 1 bilhão em siderurgia.” Erro.

Sob Dilma, o governo mexeu-se para levar à bandeja o escalpo de Roger Agnelli, ex-mandachuva da Vale.

Cavalcante assiste aos resultados da intervenção a partir de outra cadeira. Hoje, responde pela diretoria de Finanças e Relações com Investidores.

- Em tempo: Aqui, você lê sobre documento que relata diálogos mantidos com Aécio Neves antes da campanha presidencial de 2010. Ele fala de José Serra…

…Aqui, um telegrama sobre o movimento Cansei, ironizado até por FHC. Aqui, texto sobre aborto.

…E aqui, relato produzido pela representação diplomática dos EUA no Vaticano em 2007, às vésperas da visita do papa Bento 16 ao Brasil.

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terça-feira, 28 de junho de 2011

Tá brincando comigo! Não me diga que irão tirar meu cérebro, como o fizeram com o grandão ao lado! Buáááá....

Modelo mirim chora ao desfilar para a grife Smalto durante a semana de moda masculina de Paris para o Verão 2012. O pequeno atravessou a passarela de mãos dadas com o top mineiro Alexandre Cunha (25/06/2011) Jacques Brinon/AP

Thiago Coser...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Brazil




Coins, coins, coins. Thinking about John Heartfield´s collage showing Hitler eating gold coins through a throat also made with coins. More and more coins. I do really think that this modest tribute to my country has something to do with the lack of design in our political and public systems. Of course it´s part of the logic embedded deep on every city hall, every public department on the land. By design we, simple users, can have the hability to search, find out and have easy acess to information. On the lack and corruption the bureaucracy and dumb organization starting from folders, search engines, ugly and grotesque public web sites, desnecessary hard especific terms of lawyers, philosophers, ministers, artists, etc. this are the dark tools to lock the power we should have by design. And now all the official documents going straight through into oblivion...obviously our governments and every single person who have achieved some litte power and influence in the social field don´t like the basics concepts of design running freely in our daily lives.

De Rerum Natura...

Terça-feira, 28 de Junho de 2011

Onde o céu encontra a Terra


Divulgamos um interessante artigo de Guilherme de Almeida, professor aposentado de Física, sobre a linha do horizonte, que está incluído nos recursos do Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho: aqui.

Resumo:

A imensidão dos grandes espaços abertos faz-nos pensar que o horizonte está muito longe: a várias dezenas de quilómetros, para algumas pessoas, mais longe ainda para outras. Neste artigo mostra-se que não é assim e dão-se indicações para calcular a distância até essa linha "onde o mar e o céu se tocam", utilizando conceitos geométricos simples.

Nunca antes neste país...

28/06/2011 - 10h56

Inadimplência sobe em maio, e cheque especial lidera alta de juro


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EDUARDO CUCOLO
DE BRASÍLIA

As condições de financiamento tiveram nova piora por conta das medidas anunciadas pelo governo desde novembro para segurar o consumo e a inflação.

Pesquisa mensal do Banco Central mostra que os juros bancários subiram pelo 6º mês consecutivo em maio.

Nesse período, a taxa média para empresas e consumidores passou de 34,8% para 40% ao ano, maior desde fevereiro de 2009, quando estava em 41,3% ao ano. A inadimplência subiu pelo segundo mês, para 5,1%.

O custo do crédito ao consumidor ficou estável em relação a abril, em 46,8% ao ano. Para as empresas, subiu para 31,1% ao ano.

Entre as linhas detalhadas pelo BC, o destaque foi a alta do cheque especial, que subiu 25 pontos percentuais em 12 meses, para 185,4% ao ano, maior desde abril de 1999.

Nos últimos 12 meses, o crédito cresceu 20,4%. No mês passado, a expansão foi de 1,6%. O estoque de financiamentos chegou a R$ 1,8 trilhão (46,9% do PIB).

Em relação aos novos empréstimos, houve queda de 5,3% na comparação entre abril e maio pela média diária.

Segundo o BC, o crédito bancário manteve a trajetória observada desde o início do ano, registrando em maio "desempenho equilibrado", nos empréstimos com e sem subsídio e nos segmentos pessoa física e jurídica. Também houve equilíbrio entre bancos públicos e privados.


Do site Abordagem Policial.

Além do machismo covarde e canalha, que une criminosos e autoridades, ocorre a burrice das "otoridades"do escalão baixo. Como lembrava Pedro Aleixo: "o guarda da esquina". Certa feita, 24 horas depois de assaltado em casa, fui de novo assaltado na Avenida Faria Lima. Fui à mesma delegacia em que estivera no dia anterior para registrar o fatídico BO. Ninguém no atendimento e, na fila, eu e um motoboy que tivera seu celular surrupiado pela força. Enquanto esperava, sons de música na sala ao lado, gente entrando e saindo. Depois de 40 minutos, cheguei até a porta de onde brotava alegria. Era a festa de aniversário de alguém. Perguntei a alguém da sala se eu não poderia ser atendido, visto que outras providências deveriam ser tomadas (bloqueio de cartões bancários, etc). Uma pessoa veio em minha direção, com gestos de poucos amigos. Mandou-me seguí-la até uma sala. Com falas bruscas, sentou-se diante do computador (de primeira geração, jurássico como diriam as tietes de Roberto Campos, o Bob Fields) e me pediu a lista dos documentos roubados. "Mas com tantos documentos em seu bolso, você só poderia mesmo ser roubado!". Rezei dez voltas do roseano "Jesus, manso e humilde de coração"e repliquei : "primeiro, peço respeito, como pagador de impostos. Devo ser tratado pelo senhor como senhor. Não temos intimidade alguma que justifique o 'você'utilizado pelo senhor. Segundo, a vítima aqui sou eu. E digo que, nos dois assaltos que sofri, não havia um policial sequer em todo o meu bairro e na Avenida Faria Lima. Talvez todos estivessem comemorando aniversários". A pessoa moderou o péssimo humor e apressou a escrita do BO. E voltou para o convescote em hora de trabalho. Quando saí, o motoboy ainda esperava, agora na companhia de vários outros cidadãos. E a música tocava no prédio. Imaginei o tratamento dado aos que, por timidez ou cabresto, não têm a idéia de interromper festinhas e quejandos nos serviços públicos brasileiros. Outra nota: em qualquer repartição do Brasil, atrás dos balcões, é visível o cartaz infame que ameaça: "destrato a funcionário público, tanto tempo de cadeia". E não existe nenhum com os dizeres : "desrespeito pelo cidadão, tal penalidade". É a terra do abolutismo vagabundo, da corrupção e da violência contra os que são excorchados por impostos e, na exata medida, não têm direitos, tem deveres como dizia o ditador sanguinário chamado Getúlio Vargas. É o "guarda da esquina", que por sua vez, se borra nas calças diante dos "guardas pretorianos", e demais tiranetes que exercem o "pudê". RR


A vítima se tornando criminosa

28jun2011 Em: Reflexão Autor: Danillo Ferreira

Ser assaltado, estuprada, lesionado ou sofrer qualquer tipo de crime gera prejuízos que vão além da simples perda de algum bem material ou mesmo das possíveis feridas físicas. A dimensão psicológica das vítimas sempre é afetada substancialmente, fazendo com que seus hábitos e rotinas sejam alterados pelo trauma sofrido. Daí a necessidade do trabalho de amenização deste momento, seja pelos policiais que atendem a ocorrência nas ruas, seja pelos policiais de investigação, que colherão informações com a vítima.

Um dos discursos que muitas vezes se ouve entre o senso comum é o que acusa a vítima de ser culpada pelo crime. Sim, quem nunca ouviu frases do tipo “se estivesse em casa e se vestisse com uma roupa decente não tinha sido estuprada!”? Ou então “foi roubado porque quis, se não estivesse falando no celular na rua isso não tinha ocorrido!”?

Naturalmente, existem medidas e posturas que podem prevenir a atuação criminosa de pessoas mal intencionadas, porém, é demais tornar a vítima responsável pela ação delitiva da qual só tirou prejuízos: físicos, psicológicos e materiais, principalmente nos momentos imediatamente posteriores ao crime.

Com a atuação repressiva dominando a prática do policiamento no Brasil, via chamado dos cidadãos através das centrais telefônicas, o mínimo que se pode exigir de nossos policiais é a ponderação e excelência no atendimento pós-crime, já que a polícia costuma ser acionada depois do delito já consumado. O primeiro e absurdo passo para estragar este “feijão com arroz” é posicionar a vítima no lugar de culpada. É tudo que o autor do crime quer.


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Nota

Quando se trata de seres humanos, todos mortais, a crítica deve ser mantida, mesmo após a ida da pessoa para os braços de Abraão. O costume nacional (hipócrita) exige que de falecidos só o elogio deve restar. Errado. Os vivos têm o direito e a obrigação de conhecer os fatos, os feitos, os ditos de quem deixou de ser. Mesmo os seus erros são uma riqueza que não lhes pertence, mas à humanidade. Quando eu deixar este vale de lágrimas (penso por no meu testamento) exigirei que ninguém da universidade compareça ao funeral. Os amigos estarão proibidos, porque desejo que retenham de mim o que em mim viam. E os inimigos, ah! não quero que eles me vejam morto, o seu desejo perene! Quanto ao que eu fiz, escrevi, disse, são coisas que já estão fora de meu domínio há muito tempo. Na verdade, assim que uma coisa é feita, dita, escrita, deixa de ser propriedade, torna-se domínio público. É por tal motivo, penso, que Pascal critica os que dizem "meu livro". Ele recomenda: "nosso livro". E tem razão, porque as criticas (sobretudo elas) integram o trabalho efetivado. Assim, quem critica impensadamente, ou por fanatismo, deveria lembrar o seguinte: os xingatórios, as análises enviezadas, os ataques sem base lógica ou empírica, serão comparados aos textos que o autor deixou. Os leitores poderão ter uma visão sinótica das teses e das antíteses. E aí...pode ficar ruim para os que seguem a ideologia, a crença, os partidos, etc.

RR

Nada tenho a retirar da entrevista. Infelizmente.

Entrevista da Caros Amigos discute financiamento nas Universidades

Entrevista da Revista Caros Amigos com o professor de filosofia da Unicamp, Roberto Romano. Publicada na segunda edição da Caros Amigos Grandes Entrevistas.

O professor fala sobre órgãos de fomento, limitação da liberdade de pesquisa, corrupção nas Fundações e privatização das Universidades.


Para ver a entrevista na íntegra, clique aqui.


"O MINISTRO PAULO RENATO MENTE"

Este filósofo, professor da Unicamp, sabe e sente na pele o que está acontecendo com a universidade brasileira. O quadro é mais que comprometedor, ultrapassa o limite da falta de responsabilidade. E só não vê quem não quer.

Marina Amaral - O senhor tem sido um dos maiores críticos do ensino superior no Brasil e até usou a expressão "genocídio programado"...

Roberto Romano - O que aconteceu nestes últimos seis anos no Brasil foi um desmonte programado, intencional, racional, de todo um sistema de produção de saberes. O ministro Paulo Renato chegou a dizer na revista Exame que seria ótimo imitar a Coréia, não incentivar cursos de pós-graduação no país e mandar gente, por exemplo, para Harvard, porque era mais barato. Isso esconde o quê? Esconde o desmonte dos laboratórios, esconde a produção de remédios, esconde a pesquisa sobre AIDS, sobre o câncer, sobre uma série de coisas que estavam sendo feitas aqui. Há certos cientistas, nada radicais, como o senhor Ésper Cavalheiro, pró-reitor da Universidade Federal Paulista, que diz: "O dinheiro do Pronex (Programa Nacional de Excelência) não vem e eu tenho tecido cerebral apodrecendo no laboratório". Isso eu chamo de genocídio programado.

(...)

Roberto Romano - Então, nesse sentido, a ética intelligentsia brasileira é a ética de servir ao sinhozinho. Essa é a ética, a de produzir uma imagem de si como bastante radical para ter condições de negociar depois uma adesão retumbante.

Milton Santos - Não será também a ética da subserviência à intelligentsia forânea hegemônica?

Roberto Romano - Ah, sim, o senhor pôs o dedo na ferida: temos uma intelligentsia que coloca para si mesma o padrão internacional, e que vive aqui num eterno banzo de uma França não existente. Enquanto isso, convive muito bem com a casa-grande.

Roberto Romano - ...fiz parte da avaliação da CAPES deste ano da Filosofia.

Milton Santos - Filosofia da USP ou do Brasil inteiro?

Roberto Romano - Do Brasil todo. Até agora, o comitê de avaliação era soberano. A partir deste ano, não, você tem acima dos avaliadores um conselho superior. E esse conselho superior estabeleceu determinados parâmetros do que é ciência, do que é pesquisa, do que não é etc. Antes, os avaliadores tinham sempre a possibilidade de se comunicar com os programas e dizer: "Olha, está faltando tal coisa, tal dado etc.".. Agora chegamos e estava tudo no computador, o que existia eram dados do computador. E antigamente as notas eram A, B, C, A+, também era uma bobagem, mas enfim... Aí recebemos a seguinte ordem: "A nota será numérica, de 0 a 7; 7 apenas aqueles programas que tenham condições de ‘concorrer internacionalmente’ (ri) em termos de produção científica".. E o que tínhamos eram os dados do computador. Não existiam pessoas, não existiam instituições, não existia nada, existiam números. Publicou cinqüenta artigos, foi a não sei quantos não sei o que etc. etc. e o peso específico. E um dos elementos que contam é o tempo de titulação dos alunos. Então, se um programa, por exemplo, levou em média quatro anos e meio, ele perde pontos. Note, não sou fanático da qualidade, acho que quantidade também tem um elemento muito importante. Mas você absolutamente recusa esse critério, a possibilidade do erro. Quer dizer, um menino vai fazer doutorado na área de biologia. Ele parte de um conhecimento, ele tem informes, ele tem um orientador que é uma pessoa responsável etc. etc. Mas ele não vai programar o sistema lógico restrito. Ele vai encontrar elementos que são imponderáveis, que podem inclusive colocar por terra todo o aparato intelectual que ele movimentou na produção do projeto. E vai ter de recomeçar, e muitas vezes é dessa maneira que se faz ciência. Você nega aquelas verdades estabelecidas ou mostra que aquelas verdades não abrangem todo o real. Ora, isso está negado, porque, se alguém ficar mais cinco meses revendo a sua tese, às vezes nem revendo hipóteses mas revendo a própria tese, o seu programa perde pontos. Havia um sistema de cooptação do número de bolsas com a nota da CAPES, que agora está desvinculado. Agora, você não tem mais relação entre a produção e a nota. E recursos. Antigamente, se um programa obtinha nota A, ganhava direito a determinado número de bolsas. Hoje, não, ele pode ter nota 7 e esse direito não está garantido, porque o conselho superior vai decidir.

Marina Amaral - E quem é esse conselho superior?

Roberto Romano - O conselho superior tem sumidades que me dispenso de dizer o nome, porque...

Marina Amaral - Mas são reitores, pessoas ligadas ao governo?

Roberto Romano - Que são ligadas ao governo, evidentemente. Mas que haja grande refinamento intelectual... Alguns até têm uma formação boa, é uma produção boa mas são de uma arrogância! Vou dar um exemplo: no caso da Filosofia, não demos nenhum 7, demos nota 6 para seis programas. Aí recebemos um papel assim, sem timbre, sem nada, onde uma das pessoas, que agora é assessora do Bresser Pereira no CNPq, redigia assim: "Senhor coordenador e membros. Não é possível que tais e tais programas - no caso, Federal do Rio Grande do Sul, Federal do Rio de Janeiro e PUC do Rio de Janeiro – sejam nota 6, porque não tem o número de publicações adequado. Providencie sobre isso". E nem assinado!

Milton Santos - Agora, os que são normais, desculpe a pergunta, não deveriam se recusar a comparecer nesses comitês? Há dez anos que não vou lá. A minha discordância com a sua observação de agora é o tempo, porque há dez anos que vi que é impossível estar lá, que esse processo já estava se delineando há dez anos. De indução, e agora de um consenso que permitiu que o senhor fosse lá, e que ao meu ver não deveria ter ido.

Marina Amaral - E essa CAPES é constituída como?

Roberto Romano - Ela é uma instituição do Ministério da Educação, e teve como função inicial justamente melhorar o padrão de formação dos professores, dos pesquisadores.

Milton Santos - Foi o Anísio Teixeira que idealizou isso, não foi?

Roberto Romano - Anísio Teixeira. E pouco a pouco ela começou a assumir uma atitude de financiadora.

Milton Santos - De policiamento do trabalho.

Sérgio Pinto de Almeida - De distribuição de verbas também.

Roberto Romano - Sim, sobretudo de distribuição de verbas. Bolsas de estudo, dinheiro para projetos, um projeto de curso, de trabalho etc.

Milton Santos - Me parece que dentro das universidades, talvez em função das novas condições de realização do trabalho acadêmico, é que essas pessoas que se renovam nos postos de comando, que distribuem as notas, que organizam o nosso trabalho impondo normas, inclusive prazos, constituem um grupo que tem uma certa autonomia de existência, e que se opõe à idéia da universidade. Isso é grave. E aí já engato com outra questão: será que estamos abdicando do dever da crítica interna, buscando só criticar o ministério, mais não sei o que, mais as agências, mas as próprias universidades recusam essa crítica interna? Acho que um dos objetos da crítica interna seria ver essa produção interna de buroprofessores. Quer dizer, são aqueles indivíduos que sai um, entra outro, mas é o mesmo grupo, que é inútil como esses pró-reitores quase todos, que são pessoas inúteis porque são intermediários dos quais não necessitamos na realidade, e que são um estorvo inclusive à produção intelectual.

Roberto Romano - A universidade não consegue autonomia por causa desses grupos.

Milton Santos - Que são internos a ela. E eles não deixam o debate se fazer.

Roberto Romano - Agora, tem outro elemento que é grave e que normalmente os universitários não gostam de conversar, que é o problema das fundações. Não vou nem falar da USP, porque sei que aquilo lá é um horror. Aquilo lá dá vários contos policiais e várias coisas mais. Na Unicamp tem a Funcamp, você tem uma série de "amps" lá dentro. Essas fundações são mantidas com dinheiro da universidade, ou com dinheiro da FAPESP, ou com dinheiro do CNPQ ou com o dinheiro da CAPES. Então são dinheiros públicos que estão ali.

Milton Santos - Das empresas também.

Roberto Romano - Das empresas também. Tem um lá, chamado de Uniemp, que é uma beleza. Mas, na última reitoria, toda vez que a oposição queria, no conselho universitário, examinar as contas das fundações, o reitor retirava de pauta. E chegou-se a dizer que eram entidades com direito privado. É uma monstruosidade jurídica. Não existe. O que aconteceu? Essas fundações distribuem os dinheiros para pesquisa, para os grupos etc., evidentemente para quem é amigo do rei. Agora, no caso do funcionalismo, muitas nomeações eram feitas por ali. No caso do Baneser, também teve esse negócio. Publiquei um artigo na Folha de S. Paulo, que dizia: "É preciso furar esse tumor na universidade".

Marina Amaral - Mesmo os projetos que são escolhidos pelas fundações para ser financiados, não é?

Roberto Romano - Exatamente. Agora, esse anonimato serve para você não prestar conta dos dinheiros, mas serve também para você cortar idéias, perseguir inimigos, "definir" um rumo definido do saber.

Sérgio Pinto de Almeida - E você aprova um tipo de pensamento.

(...)

Milton Santos - Vou fazer um adendo. Tomei nota de duas ou três questões que vou ter de fazer. Estou preocupado com a dificuldade de a escola privada realizar seus objetivos comuns e democráticos sem saber muito o que quer dizer, hoje. Mas o que é hoje a universidade pública? Será que as nossas ainda são? Será que a USP ou a Unicamp ainda são entidades públicas, ou a gente teria de redefinir?

Roberto Romano - Perfeito, porque o que eu ia começar a dizer é que a grande novidade que o pró-reitor de graduação da Unicamp anunciou, e foi festejado com página inteira da Folha de S. Paulo, foi que os cursos de graduação da Unicamp estariam voltados para o mercado. E, portanto, haveria uma flexibilização para que os nossos estudantes pudessem competir no mercado etc. etc. A uma universidade como a Unicamp, que tem um conjunto de doutores e de pesquisadores importantíssimo, o que significa essa decisão? Aí a pergunta: foi referendada pelo conjunto dos professores essa modificação? Ou esses professores assistem ao trabalho desses tecnoburocratas de tal modo que ficam infensos, na verdade executam ordens como se viessem de Deus todo-poderoso, e se dizem impotentes. Quer dizer, há um controle... Quando você tem um pró-reitor de graduação que propõe uma flexibilização da grade curricular para o mercado, você já tem então embutida toda uma decisão que vem da cúpula. Pouco importa se as pessoas que dão nome a isso são progressistas ou não. Agora, a questão da aposentadoria é outra coisa em que suscito muita antipatia no meio docente. Porque acho um escândalo moral um professor que recebeu dinheiro do Estado ou da sociedade, acho que é da sociedade, durante vinte anos, que fez uma universidade pública de alta qualidade, que foi muitas vezes para o estrangeiro, fez doutorado, voltou, recebeu verba da CAPES, do CNPq e da FAPESP, com 47 anos de idade ele se aposenta e vai se empregar, como é o caso do reitor da USP, Roberto Lobo, em Mogi das Cruzes, vendendo uma coisa que não é dele. Desculpe, o professor Milton é uma sumidade, mas o que ele sabe está vinculado ao que o povo brasileiro pôs nele em termos de aposta. Não é propriedade privada. A questão do público, acho que você tem toda razão, pensamos o nosso diploma, o nosso saber como propriedade privada, pequena propriedade privada, você vai lá e vende e tal. Só que nesse ponto a coisa está complicada, porque há uns quatro anos um professor titular que se aposentasse nas universidades paulistas e fosse trabalhar na universidade privada recebia uns 15.000 dólares e tal, e hoje está chegando aos 4.000.

Milton Santos - Está barateando...

Roberto Romano - Claro, é a lei do mercado: quanto mais oferta, diminui o salário. (risos)

Wagner Nabuco - Com esse quadro todo, qual a perspectiva?

Roberto Romano - Não venham os privatistas com a universidade privada. Porque aí a coisa é muito pior. O Conselho Federal de Educação foi fechado por corrupção explícita dos donos das universidades privadas. Fiz parte de uma comissão de reconhecimento de uma universidade pública do Paraná, a Unicentro. E nós, a comissão, nos demos três anos para fazer o parecer inicial. E vimos coisas espantosas. Por exemplo, havia um curso de informática. E só existiam dois computadores. (risos) O professor de matemática da Unicamp disse: "Não posso aprovar um curso de informática com dois computadores". Aí o reitor pro tempore, porque não podia ser reitor ainda, nos chamou e disse: "Tem um problema sério aqui. É que o Requião (que era governador do Estado) brigou com a Xerox e brigou com a IBM. Como ele não pode proibir este negócio, ele baixou uma norma interna, de boca a boca, que todos os órgãos públicos não irão utilizar produtos da IBM e da Xerox. Então, os dois computadores que estão aí foram comprados com o dinheiro da CAPES, que é federal, e isso vai nos dar um tempo. Esperem, por favor, porque ele está saindo para ser candidato e o vice-governador já nos disse que vai nos oferecer isso". Então esperamos mais seis meses, e o curso de informática teve os seus cinqüenta computadores necessários para funcionar. Quer dizer, é esse tipo de coisa que o Executivo nacional faz. Eu disse o Requião, mas podíamos colocar qualquer nome. Então, nessa linha levamos três anos para fazer o reconhecimento dessa universidade e, quando fizemos, sabíamos que ela tinha defeitos terríveis. Por exemplo, fiquei encarregado da biblioteca. Eles listavam como obra fundamental de teoria as obras do general Emílio Garrastazu Medici. Precisei explicar longamente que como documento talvez, mas como base teórica..., coisa nessa linha. Nesse ínterim, pipocou reconhecimento de universidades privadas no Estado do Paraná que era uma maravilha. Cursos de medicina, então, era um em cada esquina. Isso se faz à custa de dinheiro, dada essa corrupção na universidade privada, dada essa ideologia de privatização, essa pronunciada preferência da grande imprensa em relação a isso. O fato de o Roberto Lobo ter saído da USP e ido para Mogi da Cruzes deu esse charme, mas que pesquisa aquilo lá está fazendo? Que ensino? Eu estava numa mesa da SBPC, estava presente a doutora Eunice Durham (risos), e eu disse: "As universidades privadas de São Paulo funcionam ao ritmo de ‘O mundo gira e a Lusitana roda’, porque, quando vem uma inspeção do MEC, as bibliotecas são emprestadas umas para as outras". Aí a professora Eunice disse que eu estava fazendo uma caricatura. Mas, na Universidade Tibiriçá, a biblioteca fica atrás do caixa! E a biblioteca da faculdade tem isto aqui, (mostra um espaço mínimo) entre a Enciclopédia Barsa e não sei o que mais. Você só pega o livro se estiver em dia com o caixa, e a biblioteca é ridícula, não existe, aquilo não é laboratório coisa nenhuma! Então, não há motivo para ter medo de fazer crítica à universidade pública, porque efetivamente a privada tem coisas terríveis.

Marina Amaral - São duas coisas diferentes a universidade privada e a pública?

Roberto Romano - Por definição, o que é privado tende a formar elementos para, no caso da luta social, garantir os interesses de quem é privado. Agora, tem uma coisa também, que venho dizendo há bom tempo e que as pessoas não levam muito em conta. É um pouco falácia dizer que a universidade brasileira forma as grandes elites econômicas. Filho de rico, mesmo, não de classe média, estuda na GV ou estuda em Harvard, Cambridge etc. Não estuda na USP. Existem levantamentos na própria USP dizendo que o nível salarial de boa parte dos pais dos estudantes não é lá muito elevado. Tem esse aspecto. É preciso tomar um pouco de cuidado, o mal, no meu entender, não é tanto o fato de existir gente rica nas escolas públicas, porque o problema é anterior, data da luta social e da luta econômica. O problema é que a universidade está financiando sistematicamente essa classe média que tem como horizonte a si mesma, a sua pequena propriedade. Nessa linha, não vejo saída, sou um pouco religioso, e digo: "É necessário que haja uma metanóia por boa parte da universidade". Quer dizer, uma conversão da mente. Porque, se continuarmos pensando dessa maneira, a defesa da universidade pública gratuita etc., sem outros bemóis no seu interior, vamos caminhar para o suicídio, porque a classe média vai procurar a sua saída, não existe nenhum mecanismo possível nessa linha, não vejo uma forma de obrigar a pessoa a devolver o dinheiro que foi aplicado nela. Se os professores não se sentem compromissados, se se aposentam com 47 anos de idade, é um escândalo, se os próprios professores fazem isso...

Sérgio de Souza - Ou vão fazer assessoria.

Roberto Romano - Vão fazer assessoria, vão ganhar dinheiro, vão fazer parceria com a iniciativa privada. E agora, nesse projeto de reforma da universidade, esse negócio das organizações sociais que estão planejando, as universidades seriam transformadas em organizações que não seriam do Estado e também não seriam propriamente empresas, seriam "organizações sociais". Mais ou menos isso, o picaretol sempre começa por aí. E essas organizações sociais teriam determinada quantidade de dinheiro, básica, e procurariam junto ao próprio Estado ou à iniciativa privada os meios que faltam.

Marina Amaral - Essa é ruim.

Roberto Romano - Já há várias. O CNPq é uma organização social. Essas coisas estão sendo feitas.

Roberto Freire - Mas o dinheiro vem do Estado, não é? Do CNPq, por exemplo?

Roberto Romano - O elemento básico é o seguinte: o Estado coloca o dinheiro, e aí teremos a parceria com a iniciativa privada.

Wagner Nabuco - Eleva a produção...

Roberto Romano - Eleva a produção, tira a universidade da crise – são receitas miraculosas, fantásticas!!

Milton Santos - Poder pagar corretamente...

Roberto Romano - Pagar bem seus professores... professor Milton, já existe uma coisa que é monstruosa: foram reunidas as nove universidades ditas de pesquisa do país.

Sérgio Pinto de Almeida - Quais são, professor?

Roberto Romano - Unicamp, USP, UFRGS, Unesp, UFMG, UFRJ, UnB, Unicesp (federal de São Paulo), PUC-RJ. Elas já se reuniram mais de dez vezes, reitores, pró-reitores, todos, e já definiram um plano de salvação delas. E dentro desse plano você tem a terceirização de serviços, tem a privatização de serviços etc. etc., e o que os reitores dizem quando são criticados é: "Bom, mas preciso pagar melhor os meus professores, senão os perco, eles vão para o exterior". Até quando? Sempre digo, não é o corpo docente inteiro da UFMG ou da USP etc., mas a sua direção decretou que essas nove são mais excelentes que todas as outras. E que, se as outras forem destruídas, tudo bem, porque elas estão salvas. Isso é uma coisa horrorosa. E essas universidades não terão os entraves burocráticos das outras. Que de fato são entraves e são burocráticos. Agora, você não vai resolver isso colocando a universidade na beira da esquina do mercado. Se você acha que é isso, você está perdido.