quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Observatório da Imprensa 04/11/2010






Quinta-feira, 4 de novembro de 2010
ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 614 - 2/11/2010
Jornal de Debates







OI NA TV: RESCALDO DAS URNAS
Reconciliação, o mapa do caminho

Por Lilia Diniz em 4/11/2010

Após uma das campanhas eleitorais mais acirradas das últimas décadas, o Brasil escolheu no domingo (31/10) o próximo presidente da República. Em sua primeira eleição, Dilma Rousseff (PT) derrotou o candidato oposicionista José Serra (PSDB) com 56% dos votos. Marcada por escândalos, dossiês, trocas de acusação e ataques de todo tipo, a campanha eleitoral de 2010 entrará para a história como a que menos colocou em pauta as propostas dos candidatos para o Brasil. Temas como educação e segurança ficaram em segundo plano, sobretudo no segundo turno, quando as discussões sobre religião a descriminalização do aborto predominaram no cenário político. A mídia tradicional foi um ator importante nesta conjuntura. Acusados de parcialidade tanto por petistas quanto por tucanos, os jornais impressos contribuíram para elevar os ânimos nas semanas que precederam ao pleito.

Já as mídias sociais, que chegaram a ser apontadas como uma ferramenta revolucionária para a mobilização da população e na discussão de projetos dos candidatos, na prática revelaram-se um ambiente propício para a circulação de especulações e baixarias. Após a contagem dos votos, observam-se os movimentos iniciais de aproximação entre as forças políticas dominantes. Em seu primeiro discurso como presidente eleita, ainda no domingo à noite, Dilma Rousseff estendeu a mão para a oposição. O Observatório da Imprensa exibido ao vivo pela TV Brasil na terça-feira (2/11) discutiu o papel da mídia na conciliação nacional que será necessária após a escolha do novo presidente.

Alberto Dines recebeu no estúdio do Rio de Janeiro o cientista social Renato Lessa. Professor titular de Teoria Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), Lessa é presidente do Instituto Ciência Hoje e pesquisador associado do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Em São Paulo, participaram os filósofos Roberto Romano e Roseli Fischmann. Romano é graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) e tem doutorado na Escola de Altos Estudos de Paris. É professor titular da Unicamp na área de Ética e Filosofia Política. Escreveu vários livros e artigos sobre ética e teoria do Estado. Roseli Fischmann é doutora em Filosofia e História da Educação pela USP, estuda a tolerância e o combate à discriminação, em particular religiosa, e o racismo, sendo pesquisadora do CNPq para o tema do Estado laico. É professora da USP e da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

Imprensa no palanque

Antes do debate ao vivo, em editorial, Dines avaliou o papel da mídia no período pré e pós-eleitoral. "A imprensa foi empurrada para o palanque e agora precisará de algum tempo para desencarnar do papel de beligerante", disse. "Ameaçada, viu-se forçada a revidar e ao revidar, perdeu o senso de equilíbrio e esqueceu alguns de seus deveres. A presidente eleita, Dilma Rousseff, garantiu na comemoração da vitória que não permitirá ameaças à liberdade de expressão. Foi uma manifestação importante destinada a desarmar os espíritos." Para Dines, a conciliação nacional após o pleito traz embutida a questão da coragem: "Conciliar exige coragem, boas intenções não são suficientes para unir um país que nesta refrega eleitoral, ao contrário das anteriores, saiu dividido e machucado".

No debate no estúdio, Dines pediu que o filósofo Roberto Romano fizesse uma reflexão sobre o exercício da conciliação. "Significa apenas uma boa palavra, um sorriso, um tapinha nas costas ou abrir mão e reconhecer?", perguntou. Na perspectiva de Romano, é preciso redefinir novos espaços de diálogo verdadeiro na política. O filósofo explicou que diálogo não é "aceitar tudo do outro", é exigir respeito e respeitar. "Se você não tem esta relação dupla, você não pode, efetivamente, chegar à conciliação", argumentou. A conciliação exige a verdade e é necessário coragem para dizê-la. "O que nós estamos assistindo aqui é o resultado da não verdade." Em ambos os lados da campanha, segundo ele, houve a tentativa de transformar "o outro" em um sujeito "inimigo", "diabólico" e "demoníaco" – e este aspecto, para Romano, contribui para diminuir a dignidade política.

Dines comentou que a imprensa assumiu-se como protagonista no cenário eleitoral. Ao aceitar esta condição, deixou de cumprir o seu papel na sociedade e perdeu a isenção. Renato Lessa sublinhou que a reduzida dimensão quantitativa de jornais em circulação atualmente, sobretudo no Rio de Janeiro, faz com que a imprensa não seja capaz de captar e dar voz às diversas opiniões e percepções da sociedade brasileira. Lessa criticou o fato de os partidos políticos se transformarem em "meras agências de captura de voto em temporadas eleitorais". Para o cientista social, os partidos não têm exercido a função de organização da opinião e de informações fundamentais para que o eleitor possa se posicionar em relação às grandes questões nacionais.

Mídia como parte do processo de polarização

"A imprensa entra no vazio destes formadores desejáveis e tradicionais de opinião", afirmou Lessa. "E ela entra opinando, entra a partir de perspectivas próprias que os veículos adotam – portanto, não é uma entrada inocente – e entra também com uma auto-atribuição de uma espécie de ombudsman da nação. Como se a imprensa, ao não participar do jogo político-partidário, estivesse em um patamar moral que desse a ela uma legitimidade para julgar os políticos ordinários. Ordinários tanto no sentido de normal, quanto no sentido de Nelson Rodrigues", avaliou o cientista social. Com o acirramento da campanha, o papel mais genérico da imprensa acaba se politizando de forma equivocada.

Roseli Fischmann afirmou que a concordata firmada entre o governo brasileiro e a Santa Sé em 2008 contribuiu para forma como a questão religiosa foi tratada nas eleições que se encerraram no domingo. O tratado confere formato jurídico às relações entre o Executivo brasileiro e a igreja católica e prevê o ensino religioso nas escolas públicas, com presença facultativa, e a possibilidade da anulação do casamento civil no caso de o matrimônio religioso ser desfeito, entre outros pontos. Para a professora, este acordo abriu precedentes para que as demais confissões religiosas pleiteassem o apoio do governo. "Isto propiciou uma série de elementos para que as religiões, de maneira geral, se considerem no direito que o Estado venha a atendê-las", disse. A imprensa durante a campanha, para Roseli, tratou de temas como o aborto e a união civil entre pessoas do mesmo sexo de forma equivocada e superficial.

Neste processo eleitoral, a sociedade assistiu a um desgaste e a um conflito inéditos na cena política, na avaliação da professora. Perdeu-se a oportunidade de travar debates aprofundados sobre questões relevantes nas esferas dos poderes Executivo e Legislativo. Esta eleição, na avaliação de Roseli, sinalizou na direção da polarização. "Todo processo de reconciliação passa pelo fato de que os envolvidos queiram a reconciliação e que possam falar verdadeiramente sobre as suas questões", disse. "Dentro das teorias que se trabalham, e há muitos estudos sobre a reconciliação, existem pontos que são muito importantes, ligados aos valores, às necessidades e aos temores que as pessoas têm.". Roseli nota que o acirramento ocorreu também por conta do medo de determinados setores de serem excluídos no "concerto nacional".

Estudioso das relações entre o Estado e as igrejas desde a década de 1970, Roberto Romano chamou a atenção para o fato de que a interferência de questões religiosas na política pode retornar de forma ainda mais intensa nas eleições de 2014: "É uma pauta de soberania nacional, de soberania do Estado sobre a sociedade e de controle da cidadania que não é católica, protestante ou budista, mas que é, justamente, cidadã. Este é o ponto mais universal. Se nós não chegarmos a este ponto, se nós não discutirmos isto, se não estudarmos de todos os lados, evidentemente a solução será impossível porque vai retornar na próxima eleição". Romano alertou que não só o papa se manifestará como também líderes de outras confissões poderão querer definir os rumos do Estado brasileiro.

Questão republicana

A questão religiosa, na opinião de Renato Lessa, teve um papel negativo nesta campanha presidencial. O cientista social destacou que só uma República agnóstica pode garantir a liberdade religiosa. Por não ter uma religião oficial, a diversidade de crenças pode ser percebida como legítima. "Nós perdemos uma oportunidade ímpar nesta campanha de estabelecer estes termos. Seria um avanço para a discussão política republicana no Brasil", disse. Para Lessa, os dois candidatos, pelas suas trajetórias pessoais e políticas sem ligação com a religiosidade, tinham condições de estabelecer um debate que não fosse pautado por preferências religiosas. A esfera da cidadania é marcada por um politeísmo de valores. Os políticos não podem se orientar por um determinado valor mesmo que ele seja extremamente majoritário e tomá-lo como indicador.

***

Ousar avançar

Alberto Dines # editorial do Observatório da Imprensa na TV nº 570, exibido em 2/11/2010

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Se a política é a arte do possível, conciliar adversários depois de um confronto eleitoral deveria ser tarefa fácil. Não é. Em primeiro lugar porque o confronto foi incomum, violento. Em segundo lugar, porque a política, sobretudo nas democracias, é um processo contínuo, dinâmico, veloz. O discurso de hoje precisa ser reafirmado amanhã, caso contrário, desgasta-se e fica esquecido.

Um complicador no nosso caso é que a imprensa foi empurrada para o palanque e agora precisará de algum tempo para desencarnar do papel de beligerante. Ameaçada, viu-se forçada a revidar e, ao revidar, perdeu o senso de equilíbrio e esqueceu alguns de seus deveres.

A presidente eleita Dilma Rousseff garantiu na comemoração da vitória que não permitirá ameaças à liberdade de expressão. Foi uma manifestação importante destinada a desarmar os espíritos. Hoje [terça-feira, 2/11] alguns jornais confirmavam o que foi dito neste Observatório há três semanas: o governo vai estimular a sua base de apoio no Legislativo e apressar a reanimação do Conselho de Comunicação Social, órgão auxiliar do Congresso Nacional, previsto na Constituição e que já funcionou durante um mandato com alguma desenvoltura. O renascimento deste conselho tem caráter simbólico, mas política faz-se também com símbolos.

Outra protagonista do embate eleitoral e igualmente involuntária foi a questão religiosa. O Estado brasileiro laicizou-se formalmente no texto da primeira Constituição republicana, mas nunca foi para valer. A introdução artificial do tema do aborto na disputa eleitoral e, depois, a indevida intromissão do Vaticano em assuntos internos de um Estado soberano, exigirá habilidade e paciência. A questão está posta, dificilmente será esquecida. A imprensa não pode ignorá-la, como sempre fez.

Tema que incendiou a campanha e que também não poderá manter-se engavetado é o da corrupção. Conciliar aqui significa repetir o formidável sucesso da campanha da Ficha Limpa que empolgou todos os segmentos, partidos, facções e poderes. O envolvimento integral da sociedade brasileira numa cruzada para estabelecer padrões mínimos de moralidade servirá como um tônico para cicatrizar as feridas eleitorais. Esta é uma reconciliação que precisa ser tocada com empenho e velocidade no resto deste mandato, para que não se torne uma herança maldita. Também aqui a imprensa desempenhará um papel crucial para despolitizar a busca da decência.


Ao conciliar correm-se riscos, sem correr riscos não se fazem avanços. Conciliar exige coragem, boas intenções não são suficientes para unir um país que nesta refrega eleitoral, ao contrário das anteriores, saiu dividido e machucado.


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Marta Bellini.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Onde o capim come o boi! o resto é banana!


Em 1993 voltei de meu doutorado para a universidade onde trabalho, Universidade Estadual de Maringá. Voltei com uma bruta saudade de dar aulas. Encontrei a revista que fundaramos em 1986 atrasada em três números. Ou seja, 3 anos. Em um ano fiz os 3 números atrasados sairem. Fiquei toda feliz com meu esforço. Tonta! Que idiota sou! Nesse mesmo ano, um colega procurou a vice-reitora para abrir um processo administrativo para mim porque eu centralizava os trabalhos da revista. Deixei a coordenação da revista, fundei outra. A revista antiga afundou. Mais uns 3 números e desapareceu. O colega que tentou me dar a "pernada" tomou esse trabalho? Não. Nunca. Taí.


Hoje, em uma reunião, fiquei sabendo que uma Comissão criticou o fato de eu ministrar 5 disciplinas (sei que é muito, mas a disciplina é ministrada com outros professores) em um pós. Bacana! Serei punida. É claro que vou levar a notícia para a TV Globo. PROFESSORA QUE MINISTROU MUITAS DISCIPLINAS NO PÓS É PUNIDA. Em um pais onde O CAPIM COME O BOI isso acontece. E eu serei manchete. Ficarei famosa; pedirei cachê.


Avisarei os amigos da Globo, do Diário de Maringá, Folha de São Paulo, programa do Pinga Fogo, e outros. Adorarão conhecer as entranhas da realidade universitária pública. Aguardem-me.

It´s about nothing.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Não aprendem nada e esperam que os levemos a sério

Como uma oposição desta não é preciso aliados. O PSDB é o partido mais covarde que eu já vi em toda minha vida. Foram ofendidos e caluniados durante toda sua vida pelo PT que possui um plano claro de poder e Lula já disse que deseja extirpar a oposição e agora o partido vai abanar o rabo para Dilma? Isto ultrapassa qualquer amadorismo político e já mostra uma vocação para capachos.
Na realidade estou encontrando dificuldades para encontrar palavras que descrevam este ato de subserviência. Mas não digo que estou surpreso. Tinha comigo que se o PSDB conseguisse perder esta eleição ficaria tentado em se tornar linha auxiliar do PT. Depois da campanha pensei que eles tomariam uma posição pelo capital político e pelo acirramento de animosidade com o PT. Mas não durou uma semana e estão abanando o rabo para Dilma.
Conselho: Se você como eu despreza e odeia o PT e o petismo só existe uma solução: mude de país, pois não há oposição dentro da política para a quadrilha do petismo. A que existe são os filhotes rebeldes (PSTU, PSOL e etc.) que não passam de futuros PTs.

Tucanos buscam entendimento com Dilma


CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Passada a eleição, os governadores eleitos pelo PSDB começam abrir os canais de comunicação com Dilma Rousseff. Ontem, ela e o governador eleito Geraldo Alckmin (SP) trocaram elogios ao descrever a conversa que tiveram na segunda-feira.
Dilma classificou o telefonema de Alckmin como um gesto "republicano": "Eu fiquei muito contente porque recebi uma ligação muito correta, republicana, do governador eleito de São Paulo, no qual ele apresenta o que eu considero que é a forma correta de relacionamento. Pretendo ter com ele e com os governadores da situação e da oposição uma negociação em alto nível", disse.
Segundo ele mesmo descreveu, Alckmin telefonou a Dilma para cumprimentá-la pela vitória, colocando-se "à inteira disposição, reiterando a possibilidade de boas parcerias e a disposição de São Paulo de sempre trabalhar junto pelo desenvolvimento brasileiro".
"A conversa foi muito boa. Cumprimentei-a pelo pronunciamento na TV. Ela reiterou a disposição de que aquele pronunciamento é o que ela pensa, sente e se propõe a fazer. Vamos trabalhar para ajudar o país", disse o governador eleito.
Questionado sobre o papel dos governadores da oposição, Alckmin afirmou que eles devem fiscalizar a administração. Mas afirmou que, superada a disputa, é sua obrigação "trabalhar junto".
"Encerrado o processo eleitoral, quem é governo tem que fazer um bom governo. E, no modelo federativo, os entes precisam se integrar. Tem muita ação que é de responsabilidade recíproca", justificou Alckmin. Citou como exemplo de possível parceria ações nas áreas da saúde e da segurança pública.
Além de Alckmin, o governador eleito do Paraná, Beto Richa, também ligou ontem para a presidente eleita para parabenizá-la pela vitória.

2014

Tanto Alckmin como Richa deixaram claro que discordam da proposta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, endossada pelo presidente do partido, Sérgio Guerra, de escolher o candidato tucano à Presidência dois anos antes da eleição.
Para Alckmin, o debate é prematuro: "FHC é nosso grande líder. Sempre deve ser ouvido. Mas há tempo para se discutir", declarou.
Richa, por sua vez, afirma que "a reorganização do partido é mais importante do que a escolha de nomes".
"Vamos esperar baixar a poeira para discutir, com serenidade, o futuro do partido", declarou Richa.
Na opinião de alguns tucanos, a antecipação da escolha em dois anos só tem um beneficiário: o senador eleito por Minas Aécio Neves.
Sem a máquina do Estado para administrar, Aécio pode articular sua candidatura com desenvoltura.
Os aliados do candidato derrotado à Presidência José Serra também se opuseram à ideia. Para o deputado federal Jutahy Magalhães (PSDB-BA), "falar agora de estratégia para daqui a quatro anos é totalmente descabido".
Essa também é a opinão do governador paulista Alberto Goldman: "Acabamos de sair de uma eleição, há cerca de 48 horas. É m

It´s about nothing.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Não aprendem nada e esperam que os levemos a sério

Como uma oposição desta não é preciso aliados. O PSDB é o partido mais covarde que eu já vi em toda minha vida. Foram ofendidos e caluniados durante toda sua vida pelo PT que possui um plano claro de poder e Lula já disse que deseja extirpar a oposição e agora o partido vai abanar o rabo para Dilma? Isto ultrapassa qualquer amadorismo político e já mostra uma vocação para capachos.

Na realidade estou encontrando dificuldades para encontrar palavras que descrevam este ato de subserviência. Mas não digo que estou surpreso. Tinha comigo que se o PSDB conseguisse perder esta eleição ficaria tentado em se tornar linha auxiliar do PT. Depois da campanha pensei que eles tomariam uma posição pelo capital político e pelo acirramento de animosidade com o PT. Mas não durou uma semana e estão abanando o rabo para Dilma.
Conselho: Se você como eu despreza e odeia o PT e o petismo só existe uma solução: mude de país, pois não há oposição dentro da política para a quadrilha do petismo. A que existe são os filhotes rebeldes (PSTU, PSOL e etc.) que não passam de futuros PTs.

Tucanos buscam entendimento com Dilma


CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Passada a eleição, os governadores eleitos pelo PSDB começam abrir os canais de comunicação com Dilma Rousseff. Ontem, ela e o governador eleito Geraldo Alckmin (SP) trocaram elogios ao descrever a conversa que tiveram na segunda-feira.

Dilma classificou o telefonema de Alckmin como um gesto "republicano": "Eu fiquei muito contente porque recebi uma ligação muito correta, republicana, do governador eleito de São Paulo, no qual ele apresenta o que eu considero que é a forma correta de relacionamento. Pretendo ter com ele e com os governadores da situação e da oposição uma negociação em alto nível", disse.

Segundo ele mesmo descreveu, Alckmin telefonou a Dilma para cumprimentá-la pela vitória, colocando-se "à inteira disposição, reiterando a possibilidade de boas parcerias e a disposição de São Paulo de sempre trabalhar junto pelo desenvolvimento brasileiro".

"A conversa foi muito boa. Cumprimentei-a pelo pronunciamento na TV. Ela reiterou a disposição de que aquele pronunciamento é o que ela pensa, sente e se propõe a fazer. Vamos trabalhar para ajudar o país", disse o governador eleito.
Questionado sobre o papel dos governadores da oposição, Alckmin afirmou que eles devem fiscalizar a administração. Mas afirmou que, superada a disputa, é sua obrigação "trabalhar junto".

"Encerrado o processo eleitoral, quem é governo tem que fazer um bom governo. E, no modelo federativo, os entes precisam se integrar. Tem muita ação que é de responsabilidade recíproca", justificou Alckmin. Citou como exemplo de possível parceria ações nas áreas da saúde e da segurança pública.

Além de Alckmin, o governador eleito do Paraná, Beto Richa, também ligou ontem para a presidente eleita para parabenizá-la pela vitória.

2014

Tanto Alckmin como Richa deixaram claro que discordam da proposta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, endossada pelo presidente do partido, Sérgio Guerra, de escolher o candidato tucano à Presidência dois anos antes da eleição.
Para Alckmin, o debate é prematuro: "FHC é nosso grande líder. Sempre deve ser ouvido. Mas há tempo para se discutir", declarou.
Richa, por sua vez, afirma que "a reorganização do partido é mais importante do que a escolha de nomes".
"Vamos esperar baixar a poeira para discutir, com serenidade, o futuro do partido", declarou Richa.
Na opinião de alguns tucanos, a antecipação da escolha em dois anos só tem um beneficiário: o senador eleito por Minas Aécio Neves.
Sem a máquina do Estado para administrar, Aécio pode articular sua candidatura com desenvoltura.
Os aliados do candidato derrotado à Presidência José Serra também se opuseram à ideia. Para o deputado federal Jutahy Magalhães (PSDB-BA), "falar agora de estratégia para daqui a quatro anos é totalmente descabido".
Essa também é a opinão do governador paulista Alberto Goldman: "Acabamos de sair de uma eleição, há cerca de 48 horas. É muito cedo para tratar sobre isso".

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

It´s about nothing.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Diferenças...

Em dois anos de mandato o partido Democrata e o governo Obama sofrem uma derrota nas eleições americanas para o senado e a câmara, convenhamos algo impensado há dois anos, quando Obama encantava o mundo e estava eleito pela opinião pública mundial antes mesmo das eleições. Barack Obama está no meio de seu mandato e seu índice de aprovação (um fetiche no Brasil) é de 45% e 51% reprovam seu governo. Obama além da derrota para a oposição nestas eleições vê sua reeleição ameaçada seriamente se tudo continuar como está.
Obama é muito mais prestigiado fora de seu país e se fosse um presidente sul americano certamente seria um mito, dada as circunstâncias de sua eleição, mas o que ocorreu para que o Obama do “Yes, We Can” caísse tanto perante o eleitorado americano? Primeiramente nos Estados Unidos tanto as agendas do partido Democrata e do partido Republicano não traduzem a visão política e o que pensa o grosso do eleitorado americano. Obama pegou uma onda: a recessão econômica o desgaste do governo Bush e uma boa vontade tremenda da mídia que o transformaram em um salvador messiânico e também com uma certa dose de chantagem ao dizer que eleger Obama era fazer história e se opor ferozmente a ele seria um sinal de racismo. Nestes dois anos as políticas populistas de Obama têm desagradado o eleitor e contribuinte americano, além da conhecida sanha tributária democrata, Obama tomou medidas impopulares e totalmente malvistas pela população americana: usar dinheiro público do contribuinte para salvar empresas falidas por má administração (como montadoras de automóveis e bancos) e mexer na saúde americana obrigando praticamente que todo cidadão americano tenha um plano de saúde em 2011. Neste ínterim nasceu o famoso “Tea Party” movimento inspirado na insurreição de colonos americanos contra a Coroa britânica pela taxa do chá (a gota d’água em uma série de tiranias do rei George) que resultaram na revolução e independência dos Estados Unidos. O Tea Party nasceu de manifestações de contribuintes descontentes e depois foi abraçado pelo partido Republicano e alas conservadoras da sociedade americana. O movimento e o descontentamento refletiram nesta eleição e certamente refletirá nas eleições presidenciais de 2012.
Obama, se lembrarmos bem, era um candidato inexpressivo nas primárias americanas, aparecia em terceiro na preferência dos eleitores do partido. Nas primárias venceu Joe Biden (seu vice atualmente) e a franca favorita Hillary Clinton em disputa acirrada e cheia de animosidade onde um dos delegados de Hillary entrou na justiça alegando que a candidatura de Obama seria ilegal, pois o mesmo não teria nascido nos Estados Unidos. Esta controvérsia se estende até hoje já que Obama apresentou uma versão eletrônica de seu documento. Vencida a disputa Obama foi alçado a condição de salvador da pátria vencendo uma das eleições com feições mais latino americanas que os Estados Unidos já tiveram. Chegou a ser comparado com Abe Lincoln e Martin Luther King e fez questão de repetir gestos e palavras para dar esta impressão.
Qual é a lição? Primeiro em um país onde as instituições estão consolidadas e funcionam slogans, propagandas e discursos não duram muito se os resultados não aparecem. Segundo a oposição aos governos partem, geralmente, de iniciativas populares que são automaticamente canalizadas pela oposição que não se intimida diante do mito ou da popularidade de um governo ou presidente.
Como disse se Obama estivesse na América Latina contando com a boa vontade de grande parte da imprensa e tomando medidas populistas seria mais um “mito” e se juntaria a galeria de caudilhos do continente. Mas nos Estados Unidos a opinião pública conta e não se dobra facilmente, nem diante de discursos populistas e tão pouco diante de intimidações. Uma lição para ser aprendida, principalmente pela oposição brasileira (que tem muito ainda o que aprender. O problema é que a arrogância dos partidos oposicionistas brasileiros os impedem de aprender o básico sobre política).

De Rerum Natura.

Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Dez grandes estadistas atenienses

O livro Dez grandes estadistas atenienses, recentemente publicado pelas Edições 70, da autoria de José Ribeiro Ferreira e Delfim Leão resulta da confluência de investigação desenvolvida, ao longo de quase duas décadas, sobre matérias relacionadas com a história da Grécia antiga.

O volume cobre, sobretudo, o período compreendido entre a segunda metade do século VII e o último quartel do século V a.C., facultando uma abordagem diacrónica da evolução político-constitucional de Atenas, através da análise da obra de dez grandes estadistas. Além da discussão crítica da bibliografia específica mais significativa, a análise privilegia o uso das fontes antigas como principal fio condutor da exposição, pois é dessas mesmas fontes literárias (frequentemente conjugadas com os dados fornecidos pela arqueologia, epigrafia enumismática) que resulta o conhecimento em primeira mão do que hoje se sabe sobre a antiguidade clássica. Ao elaborar esta análise de dois séculos e meio da história político-constitucional de Atenas, os autores guiaram-se pelo objectivo deencontrar o equilíbrio entre uma forma de exposição que possa ser simultaneamente útil a especialistas em antiguidade clássica, a estudantesde nível avançado e ainda ao público em geral.

Correio Popular de Campinas

Publicada em 3/11/2010


Lula e a morte de Sócrates

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A democracia tem seu berço na Grécia. Todos conhecem tal origem. Mas poucos sabem que o regime democrático gerou injustiças tremendas, uma verdadeira tirania popular. Um ponto hediondo daquela forma de governo encontra-se na lei da atimia. Quem era declarado sem honra (por diversos motivos pessoais ou públicos) recebia como castigo o banimento da vida política. Vejamos um pouco as palavras. O que eram as timai que ordenavam o termo negativo, atimia? Eram as honras públicas que permitiam acesso aos cargos, aos tribunais, ao povo reunido em assembleia. Atimia era imposta aos covardes na guerra, aos que não protegiam seus familiares, sobretudo menores, aos devedores do erário oficial, aos homossexuais. Atimia pode ser hereditária. A maior ou menor abrangência da perda dos direitos era decidida caso a caso. Autores indicam que no cotidiano certas penas de atimia eram quase ignoradas pela população, como nos débitos de cidadãos privados para com o erário público. E temos também o caso dos promotores públicos que, se não conseguissem convencer pelo menos um quinto dos juízes e jurados, ou eram proibidos de tratar novamente de causas públicas ou eram, pelo menos, multados pesadamente.

Boa parte dos cassados de maneira absoluta, pela atimia, não chegavam a ser julgados. Sua condenação era extra-judiciária mas sem perdão. Contra eles, tudo era permitido. Tal herança democrática foi corrigida, ao longo dos milênios, por procedimentos processuais que passaram a garantir o direito dos acusados. A condenação de Sócrates inspirou os juristas modernos, sobretudo Beccaria, a pregar o direito de defesa contra o povo, o Estado, as Igrejas, a sociedade organizada.

Após séculos de lutas, e sobretudo depois do Holocausto, parte dos Estados reconhece os direitos humanos cuja recusa é marca do fascismo. Por mais “democrático” que seja o governante, se ele nega direitos à defesa, participa dos defeitos mais execráveis da forma democrática grega, apontados acima. Não é lícito, depois das conquistas dos direitos universais proclamados pela ONU, defender a tortura. Dada a violência da campanha eleitoral, quando surgiram vilezas em todos os setores, tanto da oposição quanto do governo, passou desapercebida uma fala de Luiz Inácio da Silva que mancha, de forma indelével, sua atitude diante dos direitos humanos.

Cito a notícia que me assustou. Estava acostumado a ouvir, de Sua Excelência, as piores batatadas. O índice de popularidade, no entanto, soltou ainda mais a língua presidencial, dirigida para eleger sua candidata. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma declaração, no mínimo, bastante polêmica, e que deve gerar reações duras de entidades que protegem os direitos humanos. Segundo Lula, depois que as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) foram implantadas em favelas da cidade, a polícia passou a ‘bater em quem tem que bater’. (Agência Estado).”

Quando Dilma Roussef foi presa (estive na mesma “hospedaria” ditatorial frequentada pela agora presidente do Brasil), a fala dos governantes era a mesma do atual presidente. Existia tortura? Sim, mas praticada “apenas” em quem merecia apanhar. Ou seja, os acusados de terrorismo pelos ditadores, podiam ser massacrados no pau de arara, no trono do dragão, nos afogamentos etc. Os defensores dos direitos humanos da esquerda leram a declaração do seu líder sem mostrar indignação. Como ousam falar em reparações devidas à tortura policial, se calam diante da fala de Sua Excelência? Apenas retórica de campanha... Apenas, senhores? Em matéria de direitos e de veto à tortura não existe o “apenas”. Ou se defende os torturados ou se apoia a tortura. No primeiro caso, temos o campo do direito e da civilização. No segundo caso, o fascismo, mesmo que batizado sob a etiqueta da “esquerda”. Lula é democrata ao jeito grego, o modo tirânico que levou Sócrates à morte. Nem precisamos recordar: a condenação do filósofo foi aplaudida por oitenta por cento da massa, seduzida pelos demagogos, os marqueteiros da época. Assim caminha a política...



terça-feira, 2 de novembro de 2010

It´s about nothing.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O verdadeiro país do PT

Apesar do alarde que a petezada e os portais oficiosos fazem aqui vão dois dados sobre as eleições que fazem refletir: Dilma venceu Serra nas 10 cidades com o menor IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano – Municipal) e Serra venceu em 9 das 10 cidades com o maior IDH-M nacional. O mesmo ocorreu com o PIB as cidades com o menor PIB nacional a petista venceu nas 10 e Serra venceu em 6 das 10 com maior PIB. Ainda há quem defenda que Lula e o PT são unanimes entre todas as classes. Mentira Lula conquistou o voto pobre com muita propaganda e esmolas oficiais, o cabresto do século XXI. Nas classes com IDH maior e PIB maior só os petistas votaram (que são muitos entre estas classes, o PT é um partido de classe média, universitários e socialites). Conclusão o PT se alimenta de três coisas: pregação ideológica, propaganda e pobreza.



Tv UOL/Folha Eleições.

Roberto Romano fala sobre projetos de controle de mídia (1:50)
O professor de ética e política da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Roberto Romano, analisa o discurso de Dilma Rouseff sobre a liberdade de imprensa. “Se a imprensa fosse toda laudatória do governo, evidentemente não haveria problema. Não haveria sequer projetos de controle de mídia”, afirma o professor. Acompanhe tudo sobre as Eleições 2010 no UOL: as últimas notícias das Eleições 2010 minuto a minuto, as pesquisas eleitorais, as promessas dos candidatos.
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Publicação: 01/11/2010 13h49
Roberto Romano: Ficha Limpa é um passo importante (1:23)
Para o professor de ética e política da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Roberto Romano, a lei da Ficha Limpa é "um passo importante", mas ele chama a atenção para a "imprevisibilidade" das decisões do STF (Supremo Tribunal Federal). Acompanhe tudo sobre as Eleições 2010 no UOL: as últimas notícias das Eleições 2010 minuto a minuto, as pesquisas eleitorais, as promessas dos candidatos.
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Publicação: 01/11/2010 13h47
Romano: João Santana foi o ministro mais importante de Lula (3:30)
O professor de ética e história da Unicamp, Roberto Romano, ironiza a pergunta que recebeu do repórter Fernando Canzian, da Folha de S. Paulo, sobre a ética no governo Lula. Para ele é preciso fazer uma distinção entre o governante e o funcionamento da máquina estatal. No primeiro caso, Romano diz que considera que "o ministro mais importante de Lula nesse segundo mandato é João Santana [que é marqueteiro]". O professor aborda também a importância de regulamentar o lobby no país. Acompanhe tudo sobre as Eleições 2010 no UOL: as últimas notícias das Eleições 2010 minuto a minuto, as pesquisas eleitorais, as promessas dos candidatos.
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Publicação: 01/11/2010 13h42
Recado das urnas: não temos mais um "rebanho" (1:37)
Segundo o professor de ética e política da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Roberto Romano, os eleitores mandaram um recado aos políticos por meio das urnas. "Não temos mais um rebanho", afirmou o especialista a Diogo Pinheiro nos estúdios do UOL. Acompanhe tudo sobre as Eleições 2010 no UOL: as últimas notícias das Eleições 2010 minuto a minuto, as pesquisas eleitorais, as promessas dos candidatos.
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Voltei de uma viagem ao exterior. Mergulhei, desde então, em microfones e estudios. Para pouco dizer e menos pensar. A situação brasileira é...



02/11/2010
“Se Lula interferir no governo Dilma, o país viverá caos institucional”, diz Romano
Milton Júnior
Do Contas Abertas

Fim das eleições de 2010 e muita expectativa para saber como serão os próximos quatro anos. Na avaliação de Roberto Romano, professor de ética e filosofia política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos maiores intelectuais do Brasil contemporâneo, se o futuro governo assumir posições apenas para destruir adversários políticos e não pensar na democracia, “notícias muito ruins” estarão reservadas para o futuro. Romano considera que Dilma Rousseff (PT) enfrentará problemas para agradar a todos e arrisca uma previsão: “será muito difícil realizar um trabalho sem contradições”.

Para o filósofo, “o que está sendo decidido neste momento é a nova configuração jurídica do Brasil”. Ele acredita ainda que, se houver a interferência do presidente Lula no governo Dilma, o país viverá um verdadeiro caos institucional, onde o chefe do Estado não manda e não decide. Confira a entrevista na íntegra.

Contas Abertas (CA) – O que a vitória de Dilma Roussef representa para o Brasil?

Romano – É complicado fazer uma síntese, mas isso é um sinal de continuidade do poder do presidente Lula. Na verdade quem está sendo eleito é o próprio presidente Lula, que tirou Dilma do bolso do colete e a propagandeou pelos quatro cantos do país, inclusive em detrimento da lei. Lula se excedeu na sua função de presidente da República e assumiu um papel de um líder de facção, como diz Fernando Henrique Cardoso. Isso é um sinal muito ruim para o equilíbrio dos poderes.

CA – O que o senhor espera da nova presidente?

Romano – Existem aliados do PT neste momento, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que têm uma estratégia própria em desenvolvimento e que não vão pedir licença à nova presidente para por em prática as suas táticas. Então, em primeiro lugar, caso ela não realize as reivindicações do MST, pode esperar problemas com eles. Se ela decidir seguir a receita mais populista e mantiver essas alianças com o MST, terá problemas com os ruralistas. Então, de qualquer maneira, Dilma terá de enfrentar uma série de contradições, sem ter a figura do presidente Lula como tutor. Porque se houver a interferência de Lula, teremos um caos institucional, ou seja, ter um presidente da república que não manda e não decide. Assim como no MST, praticamente todos os movimentos sociais foram cooptados no governo Lula. Acredito que vai ser muito difícil ela realizar um trabalho sem contradições.

CA – Que contribuições José Serra (PSDB) poderá dar ao futuro governo?

Romano – Uma marca da demagogia do governo Lula foi esconder o fato de o PSDB ter sido um grande aliado e apoiador da atual política econômica. Os tucanos apoiaram todas as medidas julgadas necessárias para garantir a ordem econômica tida como ideal. O PSDB não fez propriamente uma oposição e, agora, está recebendo o troco pelo fato de ter apoiado o governo Lula. Eles foram uma meia oposição e hoje estão sentindo na pele o que significa isso. Muito provavelmente eles continuarão apoiando a política econômica e a macroeconomia brasileira, se ela seguir esse mesmo rumo. Acho que o Serra e o pessoal tucano ainda ficarão presos a essa dialética de terem apoiado o governo Lula durante os dois últimos mandatos para manter a estabilidade econômica.

CA – Os recentes escândalos envolvendo os candidatos à Presidência da República surtiram algum efeito nos resultados das eleições?

Romano – De fato os escândalos ajudaram a esquentar os debates, mas houve uma saturação. Eu dizia, antes mesmo do começo oficial dessas eleições, que neste ano a pauta ética seria a ultima a ser consultada. Acho que esses escândalos vieram mais para apimentar os debates.

CA – Como o senhor vê o Brasil nos próximos quatro anos?

Romano – No futuro governo teremos uma maioria do PT junto com o PMDB no Congresso, o que permite ao Executivo mudar a estrutura jurídica inteira do Estado brasileiro, e isso é uma coisa que deve ser vista com muita preocupação. Uma modificação que inicialmente pode parecer favoável à esquerda, num determinado momento pode impedir o florescimento de manifestações populares e democráticas.

O que está sendo decidido neste momento, e nos próximos quatro anos, é a nova configuração jurídica do Brasil. Eu vejo aí uma possibilidade muito forte de um reforço do Executivo, que já é uma verdadeira ditadura. O Executivo atual legisla, controla o Judiciário, enfim, tem superpoderes. Se você assume posições apenas para destruir adversários políticos e não pensa na democracia, no regime do contraditório, nós teremos notícias muito ruins para o futuro.

CA – Existia alguma possibilidade de o candidato Serra ganhar?

Romano – Olha, até em corrida de cavalo tem azarão. Não se pode diagnosticar premeditadamente, porque a pesquisa, embora cientifica, tem como objeto avaliar a opinião, que a coisa mais variável do mundo. As pesquisas não são a voz de Deus. Aliás, nestas eleições Deus esteve demasiadamente presente, inclusive com muito abuso das pessoas com o Seu santíssimo nome.