quarta-feira, 9 de março de 2011

Sobre Herzog e os agora poderosos.

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Brickmann Comunicações Ltda

Observatório da Imprensa




"A Guerra do Sexo", Carlos Brickmann, para o Observatório da Imprensa

Circo da Notícia - coluna de 8 de março


Duas grandes editoras de revistas, esperando o Carnaval chegar, publicaram matérias ousadas e extremamente semelhantes: informações às leitoras sobre a caça a turistas estrangeiros, uma espécie de turismo sexual, só que ao contrário. Um terceiro manual, parecidíssimo, se destina a gays brasileiros.

Todas as matérias têm algo em comum: apoio a quem quiser capturar suas presas, algumas palavras em inglês para manter a conversa até que ocorra algo mais profundo, sugestões de como livrar-se se o gringo for chato. E dois lembretes:

1- terminado o Carnaval, o estrangeiro volta para casa, deixando seu/sua parceiro/parceira a ver aviões;

2- não se esqueça da camisinha.

Uma das matérias ensina até, acredite o caro colega, a reconhecer um gringo: é aquele sujeito muito branco, ou vermelho como um tomate maduro, com ar de quem não tem muita idéia de onde está e com um guia turístico nas mãos.

E daí? Se houver sexo entre maiores de idade, ambos interessados no jogo, ninguém tem nada com isso. Ou, na opinião de alguns colegas, tem: houve gente indignada movendo uma batalha de twitters, acusando os autores das matérias de "sexistas", responsabilizando-os por incentivar o turismo sexual e chegando ao extremo, este dos mais condenáveis, de divulgar seu endereço eletrônico, para que todos possam chateá-los à vontade, incomodando-os a qualquer hora. Não é por nada, mas lembrou a este colunista seus já longínquos tempos de adolescência: era lícito a qualquer homem de nossa turma namorar moças de fora, mas se uma garota da turma namorasse alguém de fora estaria dando uma demonstração explícita e inequívoca de galinhagem.

Turismo sexual é outra coisa: não é apenas viajar em busca de moças e rapazes para rápidos entreveros. Turismo sexual envolve prostituição, frequentemente envolve menores de idade, muitas vezes envolve meninas que mal deixaram a infância. Este colunista já ouviu de um turista sexual (brasileiro) a explicação de que não estava fazendo nada de excepcional: no Norte do país, o clima é quente e as moças amadurecem sexualmente mais cedo. Como disse com outras palavras o monumental Stanislaw Ponte Preta, para justificar semvergonhice sempre se dá um jeito.

Mas o tema é comunicação - e é importante evitar que o ruído torne incompreensível a mensagem principal. Turismo sexual é crime e tem de ser combatido e punido. Não deve ser confundido com o desejo de aventura de adultos que têm o direito de fazer o que querem. A confusão aumenta a dificuldade de combater o que tem de ser combatido. E o que pode acabar acontecendo é um pedido moralista de censura à imprensa.

Nós, não! Imagine!

O Senado, que na semana passada divulgou o obituário do senador José Sarney, desmentiu energicamente que tenha divulgado um obituário: foi, segundo informaram, "uma biografia". Claro: e que é um obituário, senão uma biografia publicada após o falecimento do protagonista?

Mas o engraçado não é isto: enganos acontecem, fazem parte do jogo. O engraçado é que o próprio senador Sarney já escreveu sobre o obituário, chamando-o pelo nome correto. Se até a vítima do prematuro obituário já reconheceu os fatos, por que é que o Senado insiste na sua versão capenga?

Faz para não fazer

Primeiro, o Arquivo Nacional tentou impedir o acesso do jornalista Audálio Dantas, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo nos anos de chumbo, à documentação sobre a morte de Vladimir Herzog (Audálio, cujo comportamento no caso foi absolutamente impecável, corajoso e sem bravatas, digno e jamais prepotente, está escrevendo um livro sobre o assassínio de nosso colega). Barrado, Audálio conversou com Ricardo Kotscho, antigo assessor de imprensa do presidente Lula, que tentou por bem e, ignorado pelo Governo, chamou publicamente às falas o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a quem chamou de "ex-amigo". Só então o Governo deu ordem para que a lei fosse cumprida e o Arquivo Nacional atendesse ao justo pedido do Audálio.


Para que? Para nada: os documentos sumiram (veja neste Observatório a entrevista de Audálio a Mauro Malin). Não se sabe exatamente o que aconteceu. Mas é possível pensar um pouco sobre o tema:


1
- Se não havia quase nada sobre a morte de Vlado e as atividades de Audálio Dantas no Sindicato, por que lhe negaram o acesso às informações?

2
- Se lhe negaram o acesso para que não tivesse informações importantes, cadê elas? Quem sumiu com os papéis? Como se evaporaram os documentos?

É preciso mudar para que tudo continue como está, diz Lampedusa em O Leopardo. Mudaram as orientações para que as informações continuem desaparecidas? Que é que o Ministério da Justiça pretende fazer para recuperá-las?


Devem ser informações explosivas. Citando de memória um artigo fantástico de Alberto Dines sobre a morte de Vlado, na Folha de S.Paulo, escrito no calor da hora, ele dizia que não importava tanto discutir se o jornalista tinha sido assassinado ou se havia se suicidado. Se tinha sido assassinado, havia um crime a apurar e a punir (e que até hoje, 35 anos depois, não foi apurado nem punido); se a versão do suicídio fosse correta, seria preciso explicar o que é que tinham feito a uma pessoa cheia de vida, com planos para o futuro, para que tomasse uma decisão tão trágica.

























No Blog abordagem policial...o real!

O vídeo abaixo é um dos mais lamentáveis que já postei aqui (pelo tempo do ocorrido, alguns leitores certamente já viram antes). Um policial federal embriagado, após colidir seu veículo com um poste, resiste à abordagem da Polícia Militar do Paraná, ameaçando e desacatando os PM’s. Até propina ele oferece aos policiais. Cenas que dão agonia em qualquer policial que zele pela ética profissional.



Para uma análise mais fria sobre Hessel, ver o artigo abaixo:

Stéphane Hessel, la diplomatie et le Mendésisme

Denis Pelletier lien Vingtième Siècle. Revue d'histoire lien Year 1997 lien Volume 55 lien Issue 55 lien pp. 158-160

E a voz do antigo PC francês...

Politique - le 9 Janvier 2011

Les libéraux insultent Stéphane Hessel par Jean-Emmanuel Ducoin

De quoi le succès d’un livre est-il le signe ? Et à partir de quel moment peut-on, doit-on considérer qu’il échappe à son auteur pour devenir un phénomène 
de société intergénérationnel s’affranchissant de tous les codes en vigueur ? Depuis peu, le monde de l’édition et le petit microcosme parisien de toute l’intelligentsia médiacratique ne cessent de nous exprimer leur incrédulité – doublée d’une cynique stupéfaction. En cause, l’incroyable destin du petit opuscule façon coup de poing publié par Stéphane Hessel, qui, à quatre-vingt-treize ans, jouissant d’une popularité au zénith, a d’ores et déjà touché le cœur et les tripes de 500.000 acheteurs. Vous avez bien lu : Indignez-vous ! (32 pages, 3 euros), qu’une petite maison d’édition du sud de la France (Indigène) a courageusement osé diffuser, affiche désormais l’un des tirages record de ces dernières années. Après une première sortie assez confidentielle, 850.000 exemplaires sont à ce jour sortis des imprimeries. Sachez-le : tous se vendront, signe d’une époque moins consumériste et individualiste qu’on ne le croit. Car pour une fois, le public en masse n’a pas attendu les sacro-saintes et habituelles prescriptions des éditocrates pour anticiper un engouement indépendant et authentiquement engagé. Cette sincérité d’achats spontanés a rencontré une autre sincérité : celle de Stéphane Hessel. Pour son parcours, sa ténacité, ses combats, son universalité jamais démentie. Tandis que l’époque nous convoque quotidiennement dans l’imposture des postures, dans la connivence du fric des copains et des coquins, dans la fabrique des répliques toutes faites et des fausses idoles télédiffusées, Stéphane Hessel nous rappelle tous à la citoyenneté et à l’honneur de notre pays: «L’actuelle dictature internationale des marchés financiers, écrit-il, menace la paix et la démocratie. (…) Nous appelons les jeunes générations à faire vivre, transmettre, l’héritage de la Résistance et de ses idéaux. Nous leur disons : prenez le relais, indignez-vous!»

Le croyez-vous ? Cet homme en colère, qui a connu la Résistance, les camps, le secrétariat général de l’ONU avant de devenir diplomate, lui qui fut associé à la rédaction de la Déclaration universelle des droits de l’homme, se voit depuis quelques jours raillé, critiqué, vilipendé, caricaturé… insulté. Des chroniqueurs du Figaro aux blogs du Monde, en passant par Causeur.fr ou l’Express, accrochez-vous bien… petit florilège. Ainsi donc, puisque «l’indignation est le leitmotiv» de ce court livre et puisque «ceux qui l’achètent y voient un programme d’action, un bréviaire», il y aurait de quoi être «consterné tant le contenu manque de contenu». Certains l’admettent pourtant : «Qui pourrait décemment s’opposer aux grands principes, aux grands idéaux et aux grandes idées qui sont énoncées dans le livre d’Hessel ?» Mais ce n’est pas tout. «Indignez-vous ! Oui ! mais dans le sens inverse demandé par Hessel. Pourquoi la France tarde tant à récuser un modèle social dépassé par le monde actuel ? L’indignation, si elle s’accroche à un passé à bout de souffle, devient indigne.» Il y a pire : «S’agit-il d’autre chose que d’une habile mise en scène de lui-même par un vieillard dont toutes les apparitions publiques révèlent l’immense plaisir narcissique d’avoir acquis le statut d’icône nationale ? Parvenir à un très grand âge dans un état physique et mental acceptable relève d’une loterie qui ne tient compte ni des mérites, ni des mauvaises actions de ceux que le destin choisit.» Sans parler du Proche-Orient bien sûr. Parce que Stéphane Hessel avoue que, aujourd’hui, sa «principale indignation concerne la Palestine, la bande de Gaza, la Cisjordanie», il se voit traîné dans la boue : «Il y a aussi chez Hessel cette obsession anti-israélienne qui fait songer à la définition donnée jadis de l’antisémite par Pierre Larousse : “Personne qui hait les juifs plus qu’il n’est raisonnable.”» Rappelons qu’en octobre dernier, l’historien Pierre-André Taguieff, directeur de recherche au CNRS, avait paraphrasé un texte de Voltaire pour évoquer, à propos de la Palestine, la figure de Stéphane Hessel : «Quand un serpent venimeux est doté de bonne conscience, comme le nommé Hessel, il est compréhensible qu’on ait envie de lui écraser la tête.» Honte à tous ces propagateurs de haine !

L’indignation, à elle seule, avec sa petite colère sous le bras, ne renverse aucune montagne. Le discours de refus et de résistance peut s’avérer insuffisant, s’il reste dépourvu d’ambition d’à-venir et de projets aspirant à l’élévation de tous. Mais les libéraux jugent Hessel «irresponsable» en ces termes: «Brandir le programme du Conseil national de la Résistance pour faire honte aux gouvernants d’aujourd’hui relève au mieux de l’idiotie historique, au pire de l’imposture.» Nous y voilà ! Stéphane Hessel répond lui-même dans son livre : «Tout le socle des conquêtes sociales de la Résistance est remis en cause. Le pouvoir de l’argent, tellement combattu par la Résistance, n’a jamais été aussi grand, insolent, égoïste avec ses propres serviteurs jusque dans les plus hautes sphères de l’État.» Par ces mots et tous les autres, le vieil homme montre à ceux qui n’en ont pas l’habitude la volonté de rendre possible ce qui est souhaitable – et résolument tourner le dos à tous ceux qui prônent l’indifférence et le renoncement. Alors merci à lui.

Le blog de Jean-Emmanuel Ducoin : http://larouetournehuma.blogspot.com/

Jean-Emmanuel Ducoin

A repercussão do "affaire Hessel" na França, e parte do debate.

Le CRIF revendique la censure de Stéphane Hessel et l'atteinte à liberté d'expression à l'ENS


Nous apprenons avec stupeur la décision de Mme Canto-Sperber, la directrice de l'Ecole Normale Supérieure, de retirer la réservation de la salle accordée pour la tenue d'une rencontre exceptionnelle avec Stéphane Hessel mardi 18 janvier. Cette conférence s'inscrivait dans la lignée de l'appel qui a reçu les signatures prestigieuses de personnalités politiques et intellectuelles de sensibilités très diverses, et de 10000 citoyens. L'appel peut encore être signé ici : www.collectifpaixjustepalestine.org

Le CRIF (Conseil représentatif des institutions juives de France) revendique cette victoire de la censure, et remercie ses amis : Valérie Pécresse (ministre de l'enseignement supérieur), Bernard-Henry Lévy, Alain Finkielkraut, Claude Cohen-Tanoudji, Arielle Schwab. Tous, selon lui, seraient intervenus activement pour bâillonner Stéphane Hessel et ses prestigieux soutiens.

Mobilisées pour les droits démocratiques et contre les menaces visant Stéphane Hessel et les prévenus de la campagne BDS, de nombreuses personnalités devaient effectivement s'exprimer à la tribune ou par des messages:

- Benoist Hurel (secrétaire général adjoint du Syndicat de la Magistrature)

- Leila Shahid (ambassadrice de la Palestine auprès de l'Union Européenne)

- Haneen Zoabi (députée au parlement israélien)

- Michel Warschawski (Israélien, fondateur du Centre d'Information Alternative)

- Nurit Peled (mère israélienne d'une victime d'attentat, fondatrice du cercle des familles endeuillées, Prix Sakharov pour la paix du parlement européen)

- Elisabeth Guigou (députée, ancienne Ministre de la Justice et Garde des Sceaux)

- Daniel Garrigue (député, porte parole de République Solidaire)

- Gisèle Halimi

- ... et bien d'autres...

300 personnes étaient déjà inscrites pour cette conférence, exclusivement annoncée sur Mediapart. La direction a déjà reçu de nombreux mails de protestation, auxquels elle répond par le déni.

Le comportement indigne de la directrice d'un des hauts lieux de l'intelligence française et de celles et ceux qui ont fait pression sur elle pose de nombreuses questions auxquelles nous répondrons, avec nos invités et amis, lors du rassemblement auquel appellent les organisations ayant soutenu cette conférence.

Rendez-vous mardi 18 janvier à 18h30 pour un grand rassemblement contre la censure et pour le respect des libertés démocratiques.

Place du Panthéon, devant l'édifice où sont inhumés les grands hommes de la république, dont notamment Rousseau et Voltaire.

Nul n'a le droit d'interdire aux citoyens de notre pays de dénoncer l'impunité des violations israéliennes du droit international et la collusion de notre gouvernement avec la droite extrême au pouvoir en Israël!

Organisation signataires : AFPS (Association France Palestine Solidarité), CCIPPP (Campagne Civile pour la Protection du Peuple Palestinien), CJPP5 (Comité Paix Juste Palestine 5ème), Génération Palestine, GUPS (Union Générale des Etudiants de Palestine, UJFP (Union Juive Française pour la Paix)


C'est une excellente nouvelle. Cette réunion indigne et scandaleuse n'avait certainement pas sa place rue d'Ulm, qui doit rester un lieu de débat, pas de propagande qui ne rappelle, hélas, que trop cruellement le boycott nazi contre les produits des commerces juifs dans l'Allemagne nazie. Voilà seulement où peut aboutir le programme politique vide de Stéphane Hessel dans son livre, qui est tout de même une chose effarante ! et qui en dit long sur la misère politique de notre époque quand on compare la vacuité de son contenu à son succès en librairie. Un grand mouvement d'espoir populaire auquel on ne propose que du vide et un slogan creux. C'est tragique. C'est affreux. C'est honteux.

Je rappelle aussi qu'une partie des Palestiniens de Cisjordanie avait bien accueilli l'annexion jordanienne du roi Abdallah tandis que l'autre partie se rangeait sous la houlette de Amin al-Husseini, le grand moufti nazi de Jérusalem pour prétendre créer un état palestinien sur toute la Palestine au mépris de la reconnaissance par les Nations-Unies d'Israël.


L´Express.France, sobre o post de Marta Bellini, abaixo.

Qui est Stéphane Hessel?

Par Laurent Martinet, publié le 31/12/2010 à 12:00, mis à jour le 05/01/2011 à 15:00

Qui est Stéphane Hessel?

Jane Birkin et Dan Franck aux côtés de Stéphane Hessel lors d'une manifestation contre la politique française en matière d'immigration, le 4 septembre 2010.

AFP

On ne présente plus Stéphane Hessel, 93 ans, ancien résistant, ancien ambassadeur de France. Et pourtant, après la parution et le succès d'Indignez-vous, sa personnalité est vivement controversée...

Stéphane Hessel, auteur d'Indignez-vous (Editions Indigène) un petit pamphlet vendu à plus de 300 000 exemplaires (Source Edistat) depuis sa parution fin octobre, est au coeur d'une polémique. Pour ses détracteurs, ce vieil homme de 93 ans, passé par le camp de concentration allemand de Buchenwald et farouche défenseur des droits de l'homme, aurait "joint sa voix à celle des pires antijuifs" en critiquant l'action de l'armée israélienne menée à Gaza en décembre 2008 et en appellant au boycott des produits israéliens. Pour justifier ce reproche, son action au cours de la guerre 39-45 et sa participation à la rédaction de la déclaration universelle des Droits de l'homme en 1948 ont même été mis en doute. Que sait-on exactement de lui?

Stefan Hessel naît à Berlin le 20 octobre 1917. Son père, Franz Hessel, est issu d'une famille juive convertie au luthéranisme. C'est un homme de lettres francophile qui traduira, dans les années 1920, Proust en allemand en compagnie du philosophe Walter Benjamin.

Franz et Helene Grund, sa femme, ont inspiré le triangle amoureux du roman d'Henri-Pierre Roché Jules et Jim (1953), adapté ensuite par François Truffaut (1962). Franz est l'amant allemand, Henri-Pierre est Jim, le Français, Helene est Catherine. Helene Grund rejoint Henri-Pierre Roché en France en 1925, suivie quelques mois après par son mari et leurs deux enfants, pour former le ménage anticonformiste qui fit rêver les années 1960.

Stéphane Hessel fait de brillantes études en France et il est naturalisé en 1937. En 1939, il est reçu à l'Ecole normale supérieure, où il poursuit des études de philosophie. Il épouse en 1939 Vitia Mirkine-Guetzévitch, une jeune russe d'origine juive, avec laquelle il aura trois enfants.

Il rejoint le Général de Gaulle à Londres en mars 1941. Il y reste jusqu'en 1944 où il revient en France pour une mission, et où il est arrêté. Déporté à Buchenwald, il n'échappe à la peine de mort par pendaison que grâce à une usurpation d'identité organisée par la résistance interne du camp.

Il est admis en 1945 au concours des Affaires étrangères et occupe le poste de directeur administratif au secrétariat général des Nations Unies à New York de 1946 à 1950. En 1948, il est nommé secrétaire de la Commission des Droits de l'Homme des Nations Unies quand celle-ci entreprend la rédaction de la Déclaration universelle des droits de l'homme. S'il n'est pas directement rédacteur, il participe donc bien aux travaux de la Commission, et donc à l'élaboration du texte.

C'est sur les valeurs de cette déclaration de 1948, ainsi que sur celles du Conseil National de la Résistance, qu'il va fonder ses engagements d'après-guerre en faveur d'une "véritable démocratie économique et sociale, impliquant l'éviction des grandes féodalités économiques et financières" (Indignez-vous, p10).

Il est attaché au cabinet de Pierre Mendès France en 1955. Sa carrière diplomatique le mène ensuite de poste en poste à Saïgon, Alger, New York et Genève où il représente la France aux Nations Unies.

A l'arrivée au pouvoir de François Mitterrand, en 1981, il est "élevé à la dignité d'Ambassadeur de France". En 1988, il soutient la candidature de Michel Rocard à l'élection présidentielle. Il voit en lui un nouveau Mendès France, avant d'être déçu par son "Nous ne pouvons pas accueillir toute la misère du monde".

En 1996, il est médiateur dans l'affaire des "sans-papiers" réfugiés dans l'église Saint-Bernard. "Immigré moi-même, le sort des travailleurs immigrés ne pouvait que m'intéresser", précise-t-il dans ses Mémoires parus en 1997, Danse avec le siècle.

Le 15 juin 2010, à la suite de l'attaque de la flottille d'aide à Gaza par l'armée israélienne, il appelle au boycott des produits israéliens dans le cadre de la campagne "Boycott, désinvestissement et sanctions" lancée par des associations palestiniennes en 2005.

En octobre 2010 à Gaza, il rencontre en compagnie de Régis Debray le chef du Hamas Ismaël Haniyeh. Indignez-vous! paraît le 22 octobre. (Les 5 préceptes d'Indignez-vous)

Fin décembre 2010, il révèle au micro d'Europe1 qu'il soutiendra Martine Aubry pour l'élection présidentielle de 2012. Celle-là même qui a précisé en novembre dernier, au nom du Parti socialiste, être opposée à la campagne de boycott des produits israéliens.

L´Express.France, sobre o post de Marta Bellini, abaixo.

Stéphane Hessel déchaîne les passions

Par Nicolas Gru, publié le 23/12/2010 à 12:00

Stéphane Hessel déchaîne les passions

Stephane Hessel

AFP

Avec Indignez-Vous!, l'ancien résistant a signé l'un des best sellers de la rentrée. Il y égratigne les marchés financiers, la politique à l'égard des sans-papiers ou celle... d'Israël. Les partisans du régime israélien ne le lui pardonnent pas.

En octobre dernier, Stephane Hessel publie à 93 ans Indignez-Vous!, un ouvrage d'une trentaine de pages qui devient rapidement un best-seller - il a déjà été tiré à 500 000 exemplaires. Il y dénonce les écarts de richesses grandissants, le manque d'humanité envers les sans-papiers et les Roms, la dictature des marchés financiers et les acquis sociaux de la résistance, comme les retraites ou la sécurité sociale, bradés par le gouvernement.

Il appelle également au boycott des produits israéliens, arguant de la guerre de Gaza de 2009. Stéphane Hessel est un Français né à Berlin et son père était juif. Il rejoint la résistance avant d'être déporté à Buchenwald durant la Seconde Guerre mondiale. En 1948, il participe à la rédaction de la Déclaration universelle des droits de l'homme, avant de devenir ambassadeur de France. Stéphane Hessel a récemment été candidat sur une liste Europe Ecologie aux élections régionales.

Les réactions à cet appel au boycott ne se font pas attendre, et l'ancien résistant doit faire face à une plainte pour de la part de Sammy Ghozlan, directeur du Bureau national de vigilance contre l'antisémitisme (BNVA), auteur de plus de 30 plaintes pour les mêmes motifs.

La dernière attaque en date est celle de Pierre André Taguieff, directeur de recherches au CNRS, qui a posté sur Facebook que, "quand un serpent venimeux est doté de bonne conscience, comme le nommé Hessel, il est compréhensible qu'on ait envie de lui écraser la tête." Son compte Facebook a été fermé, mais il a eu le temps de publier un dernier commentaire: "Il aurait certainement pu finir sa vie d'une façon plus digne sans appeler à la haine contre Israël, joignant sa voix à celle des pires antijuifs."

Stéphane Hessel espère qu'Israéliens et Palestiniens pourront cohabiter en paix, mais il pense que les dirigeants de Jérusalem ne le désirent pas : "Les Israéliens n'ont pas d'intérêt réel pour la paix. Ils veulent garder les colonies, ils veulent garder l'occupation. C'est ça qui est contraire au droit international, aux conventions de Genève. Je suis un défenseur acharné du droit international qui est bafoué par Israël" (Voir la vidéo). Ses détracteurs, eux, essayent de mettre en doute son passé dans la résistance.

No Blog de Marta Bellini. Para discutir e pensar. Ou vice-versa.


Quarta-feira, 9 de Março de 2011
Stéphane Hessel e a chantagem da acusação de antissemitismo por Daniel Oliveira, Blog ARRASTÃO, Portugal aqui


"Indignai-vos!" (Objectiva), um manifesto que está a entusiasmar a deprimida esquerda francesa, já vendeu 1,3 milhão de exemplares em França e está a transformar-se num fenómeno internacional. Mais do que o seu conteúdo, o que dá força a este grito de revolta é o seu autor: Stéphane Hessel. Sobre o pequeno livro falarei noutra oportunidade. Agora concentro-me num incidente.


Entre as muitas causas a que Hessel, um herói nacional de 93 anos, se dedica é a do direito dos palestinianos a um Estado e o apoio à sua resistência pacifica. Apoiando ativistas israelitas pela paz e palestinianos defensores da via não-violenta. E advogando o boicote a Israel até ao reconhecimento pleno de um Estado palestiniano sustentável e independente. Isto chegou para que organizações de "vigilância" contra as atividades antissemitas tivessem lançado uma cruzada contra Stéphane Hessel que levou ao cancelamento de uma conferência sua na École Normale Supérieure, templo da intelectualidade francesa.


Quem é então Stéphane Hessel, subitamente transformado num medonho antissemita?


Descendente de judeus (os seus pais são duas das personagens retratatadas em "Jules e Jim", de Fraçois Truffaut), Hessel nasceu em Berlim e, ainda jovem naturalizou-se francês. Foi um dos principais heróis da resistência francesa, fez parte do Bureau central de renseignements et d'action, foi preso e torturado pela Gestapo, esteve nos campos de concentração de Buchenwald e de Dora-Mittelbau e, como diplomata, foi um dos autores da Declaração Universal dos Direitos do Homem.


Em matéria de defesa do povo judeu tem credenciais que só poderiam fazer os vigilantes que o perseguem vergarem-se perante a sua história. Dele não se conhece um gesto ou posição que se possa confundir com qualquer tipo de antissemitismo, que seria, aliás, contraditório com toda a sua vida. Conhecem-se posições sobre a política de um Estado, que sendo hebraico poderia ter qualquer outra religião oficial. Conhece-se a coerência e a coragem na defesa dos direitos humanos. Não olhando, como não pode olhar, a credos.


A acusação de antissemistismo tornou-se numa forma de chantagem para impedir qualquer critica às decisões do Estado de Israel. Uma forma nojenta de impedir o debate democrático, substituindo os argumentos pelo pior dos insultos. Que até Stéphane Hessel - que podia dar lições de combate ao antissemitismo a muitos dos que se julgam com estatuto para o condenar - apenas prova como esta forma tão eficaz de impedir a defesa dos direitos dos palestinianos é estúpida e cobarde. Tão estúpida que escolhe um homem com a história de Stéphane Hessel como vitima. Tão cobarde que tem o silenciamento como principal arma política. Envergonham estes censores todas as vitimas do verdadeiro antissemitismo, ao quererem, em nome delas, calar a liberdade da critica.


Publicado no Expresso Online

E para encher o pacová dos meus inimigos (e mesmo dos amigos...)

"SOS Ética. Um raio X dos brasileiros pelo filósofo Roberto Romano, da Unicamp: ´Somos uma sociedade violenta, machista e sem respeito ao outro´".

Entrevista na Poder deste mes, com Roberto Romano.
Edição eletrônica com texto integral.

Clique aqui : http://revistapoder.uol.com.br/

The New York Times.

Opposition in Libya Struggles to Form a United Front


BENGHAZI, Libya — In less than three weeks, an inchoate opposition in Libya, one of the world’s most isolated countries, has cobbled together the semblance of a transitional government, fielded a ragtag rebel army and portrayed itself to the West and Libyans as an alternative to Col. Muammar el-Qaddafi’s four decades of freakish rule.

But events this week have tested the viability of an opposition that has yet to coalesce, even as it solicits help from abroad to topple Colonel Qaddafi.

Rebels were dealt military setbacks in Zawiyah and Ras Lanuf on Tuesday, part of a strengthening government counteroffensive.

Meanwhile, the opposition council’s leaders contradicted one another publicly. The opposition’s calls for foreign aid have amplified divisions over intervention. And provisional leaders warn that a humanitarian crisis may loom as people’s needs overwhelm fledgling local governments.

“I am Libya,” Colonel Qaddafi boasted after the uprising erupted. It was standard fare for one of the world’s most outrageous leaders — megalomania so pronounced that it sounded like parody. It underlined, though, the greatest and perhaps fatal obstacle facing the rebels here — forging a substitute to Colonel Qaddafi in a state that he embodied.

“We’ve found ourselves in a vacuum,” Mustafa Gheriani, an acting spokesman for the provisional leadership, said Tuesday in Benghazi, the rebel capital. “Instead of worrying about establishing a transitional government, all we worry about are the needs — security, what people require, where the uprising is going. Things are moving too fast.”

“This is all that’s left,” he said, lifting his cellphone, “and we can only receive calls.”

The question of the opposition’s capabilities is likely to prove decisive to the fate of the rebellion, which appears outmatched by government forces and troubled by tribal divisions that the government, reverting to form, has sought to exploit. Rebel forces are fired more by enthusiasm than experience. The political leadership has virtually begged the international community to recognize it, but it has yet to marshal opposition forces abroad or impose its authority in regions it nominally controls.

Organizers acknowledge the chaos but contend that there is no one else to talk to.

“We require support, whether it’s military or otherwise, we require help,” Abdel-Hafidh Ghoga, the deputy leader of the provisional leadership, told a news conference in Benghazi. “The international community has to assume its duty at this point.”

While the mood remains ebullient in parts of eastern Libya, largely because few believe that Colonel Qaddafi can reconquer a region that long seethed under his rule, it is more sullen in Benghazi, a Mediterranean port and Libya’s second largest city.

At the courthouse that has served as a government headquarters, bedlam reigned Tuesday, as gusts of wind slammed doors shut and shattered a window. Nationalist music blared over hurried conversations that unfolded beneath cartoons lampooning Colonel Qaddafi.

Security has begun to deteriorate, with gunfire echoing in the distance, some robberies and assailants’ throwing a grenade at a hotel housing foreign journalists.

At the front, three and a half hours away, rebels sought to recover from a government offensive that forced them from Bin Jawwad and sent them reeling toward Ras Lanuf, a strategic refinery town. The government also appeared to deal setbacks to the rebels in Zawiyah, a rebel-held town near Tripoli, and Misratah, a strategic coastal city.

With momentum seeming to shift, the rebels face the prospect of being outgunned and outnumbered in what increasingly looks like a mismatched civil war.

“They don’t understand,” said Sami Tujan, an officer trying, unsuccessfully, to command rebels near a checkpoint. “They’re a big target.”

The rebels won their initial battles with an assortment of aging but effective weapons, and a seemingly plentiful supply of ammunition, including some from North Korea and Russia. On the beds of Toyota pickup trucks, many of the soldiers mounted an old Soviet heavy machine gun, which they referred to by the 14.5-millimeter rounds it fires. The guns are bundled together and used as antiaircraft weapons, and may have been responsible for downing a government warplane earlier this week near Ras Lanuf. Men holding rocket-propelled grenade launchers complete the patchwork rebel air-defense system.

At the front lines at Ras Lanuf, the opposition forces relied on more rudimentary tracking methods to spot planes: a lanky man standing on top of a large dump truck with a pair of binoculars, along with hundreds of sets of ears of eager volunteers.

Even then, the government’s Soviet-made planes mostly operated with impunity. Government forces have also marshaled artillery, better tanks and helicopters that the rebels cannot match.

On Tuesday, as government forces gathered near Ras Lanuf, rebels strategized and argued among themselves, complaining that they did not have enough rocket-propelled grenades and that a spy was among them.

Logistics, namely resupplying the front, has proved to be a challenge for the rebels. So has leadership. Small units of men who said they belonged to specialized branches of Libya’s army joined the fight, including members of special forces units and paratroopers. Some senior officers are also seen at the front, but many of the rebels are bankers, policemen and the unemployed, who have formed enthusiastic but somewhat hapless brigades.

“Apart from a few mechanized units in Benghazi and Tobruk, and a few armored battalions near Bayda, rebel-controlled areas lack any substantial hardware with which to take on the pro-Qaddafi stronghold of Tripoli,” said a report on Tuesday by the London-based International Institute for Strategic Studies. “The pro-Qaddafi regions are also well garrisoned with artillery, antiaircraft and mechanized formations,” it added.

After government authority collapsed in much of eastern Libya, residents set up what they call local councils of varying numbers of representatives — three in Darnah, six in Bayda. Theoretically, each is supposed to send a representative to Benghazi, where the opposition has set up a group called the Provisional Transitional National Council of Libya, a kind of state in waiting. Composed of 30 representatives, it is led by Mustafa Abdel-Jalil, a former justice minister and perhaps the sole figure who enjoys national support.

Its authority remains tentative, a point acknowledged by those involved. “We didn’t have any authority, of course; we just gave ourselves authority,” said Iman Bugaighis, a spokeswoman for the council. “Nobody has any political experience.”

The council has barely begun to address the major choices the rebels need to make: whether to support foreign intervention and whether to negotiate in any way with the government.

The council has pleaded for a no-flight zone, still being debated by the West, but rebel leaders in Darnah warned that they would oppose any foreign interference with arms.

In his news conference, Mr. Ghoga ruled out any talks with the government, though Mr. Abdel-Jalil, theoretically his superior, told an Arabic satellite channel that if Colonel Qaddafi left in 72 hours, no one would pursue him.

“How do we talk about something that hasn’t been proposed?” Mr. Ghoga asked.

Opposition leaders also differ on whether to formally declare a transitional government, underlining fears that it may lay the groundwork for Libya’s partition. Two of its representatives met European officials on Tuesday, but the council has yet to unite with disparate, divided opposition groups abroad, activists say.

“There is no communication between opposition groups and no leadership for the opposition,” said Adem Arqiq, an exiled Muslim Brotherhood member in Dublin. “There are opposition groups in Europe, in the United States and in some Arab countries, but each works for himself. There were efforts to unify them, but they failed.”

For days, convoys of aid, many from Islamic relief organizations, have barreled across the Egyptian border, helping stanch shortages, in a remarkable show of organization and solidarity. Mr. Gheriani estimated that Benghazi had six months of supplies, and the United Nations was sending more aid to the port.

But in the hinterland, where local councils are still struggling to reconstitute bureaucracies that collapsed last month, some worry a crisis is approaching.

“No one knows how long supplies will last — a week, two weeks,” said Ahmed Boughrara, an engineer and organizer in Bayda. “Then it’s going to be a huge crisis.”

Some have expressed a more lurking concern: that in a protracted fight, it may grow difficult to maintain the unity that the opposition has sought to bridge religious and tribal divides.

“The longer this conflict lasts, the more people are going to be radicalized,” said Ibrahim el-Gadi, a hydrogeologist in Darnah, whose son was wounded in a fight with government forces. “We are not now, but it will be so if this conflict doesn’t finish.”

David D. Kirkpatrick contributed reporting from Tripoli, Libya, and Nada Bakri from Beirut, Lebanon.

ALIÁS...

ALIÁS, AO ASSISTIR O EXCELENTE DOCUMENTÁRIO "INSIDE JOB", FUI OBRIGADO A ME RENDER À EVIDÊNCIA : OS MESMOS GRUPOS QUE DETERMINARAM A "REAGANOMICS", DERAM AS CARTAS NAS ADMINISTRAÇÕES DEMOCRATAS. E ATÉ HOJE DOMINAM A "OBAMANOMICS", APESAR DA HISTERIA REPUBLICANA E DO "TEA PARTY". UM PEQUENO PONTO: BANCOS DA TURMA "DESREGULAMENTAÇÃO" FURARAM O BLOQUEIO AO IRÃ E VENDERAM ARMAS PARA AQUELE PAÍS TEOLÓGICO-FASCISTA. E OUTRAS COISAS MAIS, QUE NO DOCUMENTÁRIO SÃO APRESENTADAS COM PROVAS. ENFIM, VALE A PENA VER O FILME, E PENSAR, DEIXANDO DE LADO OS MANIQUEÍSMOS E OS REALISMOS PREGUIÇOSOS. CRITICAR O ESTADO, NO CASO, É TAMBÉM E SOBRETUDO CRITICAR OS QUE O PRIVATIZAM EM BENEFÍCIO PRÓPRIO. RR

Ao ver as potências do Ocidente "ameaçarem" com a não entrega de armas a Kadafi, lembro o que disse abaixo, em artigo recente. Nada mudou, nada.

Correio Braziliense, Roberto Romano, Líbia, Egito, etc.

CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, sábado, 26 de fevereiro de 2011 • Opinião • 23

Metamorfoses da tirania

ROBERTO ROMANO

Professor titular do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Em drama lancinante sobre a dissolução do sonho americano, F. Scott Fitzgerald evoca uma teoria que permeou doutrinas sustentadas em cátedras e na propaganda política dos EUA. Em certa altura de O grande Gatsby, Tom Buchanan recomenda o livro The rise of the colored empires, escrito por certo Goddard. Considerações racistas são misturadas, na língua de Buchanan, à pretensão mundial de poder, privilégio dos brancos. O romance de Fitzgerald foi editado em 1925, mas seus eventos ocorrem em 1922.

Na mesma época, o eugenismo expurga indivíduos e grupos “inferiores”. A doutrina, reinvenção americana que ampliou o receituário inglês do Sir Francis Galton, voltou para a Europa e seguiu para outras partes do mundo (inclusive o Brasil), antecedendo os campos de extermínio. A chave de ouro jurídica, fruto da eugenia, pode ser encontrada na decisão de Oliver Wendell Holmes, juiz da Suprema Corte americana, autorizando e louvando a esterilização de Carrie Buck. A partir daí, licença foi concedida para aniquilar pessoas pobres e de “origem inferior”. O sonho americano transformara-se no pesadelo do que viria a ser o Holocausto.

Fitzgerald alude, sob o nome de Goddard, ao racista america no Lothrop Stoddard (1883-1950) cujo livro mais conhecido tinha como título The rising tide of color against white world-supremacy, editado em 1920, ano em que se passam os atos e falas de O grande Gatsby. O livro possui três partes. Na primeira são descritas as regiões habitadas pelas várias cores (amarela, marrom, preta, vermelha). Na segunda, é narrada “a onda branca” que invadiu o mundo e a sua quebra, causada pelos choques com as outras raças. A parte terceira fala dos diques a serem elevados para evitar os tsunamis das cores e raças inferiores que lutam contra o domínio branco no mundo. O livro traz, em abundância, elementos antropológicos, históricos, estatísticos, comerciais etc. Ele prova que é possível ser, ao mesmo tempo, inteligente e preconceituoso, sagaz e pérfido em termos éticos.

Fica bem claro, nos argumentos do autor, que os EUA eram os herdeiros das formas imperiais europeias. Seria preciso, conforme uma outra via conservadora norte-americana (pautada por Edmund Burke) que os americanos aceitassem e assumissem as suas “imperial duties”. Como eram aplicadas as regras imperiais pela Inglaterra, França, Itália, Portugal, Holanda, Belgica, Alemanha e consortes ? Com auxílio de antropólogos e missionários, os dominadores estudavam as culturas de cada povo a ser submetido, conhecendo assim sua religião, seus costumes, práticas socioeconômicas, maneiras tradicionais de autoridade. Com pleno saber, portanto, eram escolhidos para mandar em nome de suas majestades europeias os piores déspotas, os mais gananciosos, os assassinos de toda e qualquer liberdade. E foi assim que se manteve com armas, truculência e astúcia, o poder branco sobre a China, a Índia, o Oriente Médio, as Áfricas do Norte e do Sul.

O racismo integrou, com maior ou menor intensidade, a consciência de militares, padres, freiras e diplomatas europeus. Quem não fosse branco dificilmente atingiria o estatuto de ser humano. Menor ainda seria a sua capacidade para o autogoverno e a administração democrática. Quando desabou o domínio colonial europeu, os povos submetidos estavam na era das tribos, desagregados, sem poder estatal democrático. Estava constituído o terreno para as tiranias que herdaram o costume de parasitar riquezas e massacrar governados. Os EUA, em todo o processo, pouco fizeram para a implantação democrática no mundo. Engolfado na herança imperial, precisando combater a URSS, seu concorrente no domínio do mundo (resultado da Conferência de Yalta), os americanos retomaram a política anterior dos europeus. Sustentaram regimes corruptos e sanguinários, como o da Pérsia, com o Xá Mohammad Reza Pahlavi, os reinados de opereta na península arábica, as ditaduras do Egito, da Tunísia etc.

A razão de Estado norte-americana falou mais alto do que o seu belo sonho da vida livre e democrática. O que se passa hoje em todo o mundo colonizado pelos europeus, com a herança imperial americana, já fora, no entanto, previsto pelo próprio Stoddard na obra citada. Como disse acima, um racista pode ser inteligente (aí ele é mais perigoso). Ao analisar o mundo da “cor marrom” (povos que habitam o Oriente Médio e o norte da África) diz ele que a engenharia de controle praticada pela Europa e pelos EUA tinha limites: “O mundo marrom, como o amarelo, está hoje em reação aguda contra a supremacia branca. De fato, a reação marrom começou há 100 anos, e tem aberto caminhos desde então, movida pela sua própria e inerente vitalidade e pelos estímulos externos da agressão branca. A grande dinâmica desta reação marrom é o Renascimento Islâmico”. E isto foi escrito em 1920!

A Europa e os EUA (também a URSS, basta ver o que ela fez no Afeganistão) ignoraram o clamor dos povos e pouco fizeram em prol dos seus direitos humanos. Dado o maniqueísmo da Guerra Fria e da “luta contra o terror”, foi sustentada a velha tática de manter déspotas corruptos e truculentos, sobretudo porque eles também garantiriam a “estabilidade” nas remessas de petróleo e de outras commodities. A mentalidade imperial, etnocêntrica, permanece nas cabeças do Departamento de Estado, da CIA, do FBI e do Congresso. Foram para todos eles surpresas (desagradáveis) as rebeliões que assistimos em toda a região islâmica. Eles esqueceram que a cultura científica e tecnológica não surgiu apenas para usufruto de brancos e cristãos. O mesmo Stoddard indica as redes de comunicações que surgiram, desde o século dezenove entre os povos islâmicos, contra o domínio europeu: jornais clandestinos, mídia incipiente etc. Setores da classe média aprenderam a manejar conceitos e métodos em todos os setores da vida, da informática à fissão nuclear. Vencer a onda atual dos “marrons”, “amarelos”, “pretos”, “vermelhos” é tarefa desmesurada e improvável. Seria preciso que as elites dos EUA abandonassem o que um ex-agente da CIA chama de “Imperial Hubris”. Como isso é tarefa de longo alcance, no curto prazo aquelas regiões podem seguir para regimes democráticos, tombar no domínio mais atrasado e clerical, cair sob as patas de novos truculentos e corruptos. E isso, tristemente, se chama história.


terça-feira, 8 de março de 2011



Adriana Vandoni; mulher corajosa e valente, economista e jornalista competente, não entregue os pontos ao CCC (corruptos, canalhas e calhordas) "destepaís". O Brasil que queremos precisa de você. (Roque Sponholz)

E as "autoridades" brasileiras, todas com o poder, saudaram um ditador tirânico. E a grande imprensa? NADA DISSE, NADA NOTIICIOU, DE VERDADE.

E AS ESQUERDAS, COM AS BOQUINHAS E COISAS MAIS, SILENCIAM, CÚMPLICES. RR

Brickmann & Associados Comunicação Brickmann & Associados Comunicação - B&A - 08/03/2011 - www.brickmann.com.br






«Marcha de quarta-feira de cinzas», Coluna Carlos Brickmann

Coluna de quarta-feira, 9 de março

Foi bonita a festa, pá!, como cantava Chico Buarque. Mas hoje é o dia de lembrar das cinzas. O Brasil acolheu no Rio, como convidado especial, retribuindo a uma visita do presidente Lula a seu país, o ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogogo, que está no poder há 32 anos (reelegendo-se periodicamente com porcentagens de pesquisas lulistas - a última, 97,1%). Na Guiné Equatorial, rica em petróleo, com a segunda renda per capita da África, 20% das crianças morrem por falta de comida ou tratamento médico. A taxa de mortalidade infantil beira os 85 por mil - bem mais que o triplo do Brasil, onde o índice já é muito ruim. Metade da população desconhece o saneamento básico. Mas Nguema conhece o lado bom da vida. Tem uma casa de US$ 35 milhões em Malibu, na California; seu filho, também Teodoro, ministro da Agricultura, encomendou um iate de US$ 350 milhões na Alemanha.

Para um governante como este, nada é suficientemente bom. Reservaram-lhe para o desfile das Escolas de Samba dois camarotes, que foram revestidos de tecido vermelho, e penduraram numa parede um retrato dele, gigantesco. Seus 50 convidados foram recebidos com champagne e caldinho de feijão, fora as bebidas importadas, salgadinhos, jantar, ceia e sobremesas habituais nesse tipo de evento. Uma poltrona especial, de couro branco, acomodou Sua Excelência.


Nguema já foi acusado até de canibalismo, mas tudo indica que é lenda. Para ele, parece suficiente devorar os bens, a fortuna e a esperança de seu povo.



Marta Bellini.

terça-feira, 8 de março de 2011

Rose, gente decente no Brazil


ENTREVISTA ROSE MARIE MURARO Folha de São paulo, terça-feira, 8 de março de 2011

Quero "empoderar" as mulheres de baixa renda

PIONEIRA DO FEMINISMO NO BRASIL DIZ QUE FALTA CONQUISTAR IGUALDADE DE SALÁRIO ENTRE HOMENS E MULHERES; PARA ELA, MOVIMENTO HOJE É MAIS SILENCIOSO, MAS MAIS PROFUNDO

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO

Rose Marie Muraro não para. Aos 80 anos, quase cega e numa cadeira de rodas, ela diz que está muito bem. "Tenho feito de tudo. Escrevo enlouquecidamente."
Seu 36º livro vai se chamar "Um Mundo ao Alcance de Todos". Patrona do feminismo brasileiro, cinco filhos, 12 netos, ela estudou física e economia, mas se notabilizou por levantar a questão feminina e ser uma voz impertinente contra a ditadura. Na sua autodefinição, ela é "porra-louca e pré-arcaica".
Defende hoje o microcrédito e as feiras de trocas.
Nesta entrevista, concedida ontem por telefone a propósito do 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, ela fala de seus projetos atuais e dos rumos do movimento feminista, que hoje acredita ser mais profundo.
Mas que ainda precisa conseguir "o mais importante": igualdade de salários entre homens e mulheres.


Folha - Qual o significado do 8 de Março nos dias de hoje?
Rose Marie Muraro - Agora temos uma mulher presidente da República. Houve um grande avanço na participação da mulher nas estruturas.
Haverá muitas mudanças porque há muitas diferenças entre o homem e a mulher. As Nações Unidas fizeram uma pesquisa em 121 países e descobriram que com mulheres no poder cai o nível de corrupção. O homem pensa primeiro nele e depois nos outros, daí sai a corrupção. A mulher pensa primeiro nos outros depois nela.

Como a sra. define o feminismo hoje? O movimento, que teve importância nos anos 1960, 1970, hoje parece mais enfraquecido.
Ao contrário. Ele está na Presidência da República. Isto me irrita: achar que o feminino é mais fraco porque é menos barulhento.
Ao contrário, está muitíssimo mais forte. Saiu a Lei Maria da Penha, que diminuiu a violência doméstica, que é a primeira violência que a criança vê. É a raiz de todas as outras violências, das guerras etc.

Quais seriam as bandeiras do feminismo hoje?
Mais importante de tudo -que acho que não vai ser conseguido nem nos Estados Unidos por enquanto- é: trabalho igual, salário igual. O resto foi conseguido. Nos EUA, a mulher ganha 80% do que ganha o homem; no Brasil, 70%.
Espero que o feminismo amadureça dentro da sociedade e que haja uma sociedade do homem e da mulher.

Quais são os movimentos de luta da mulher mais importantes no Brasil?
Sou muito adepta da Secretaria de Política para as Mulheres. Hoje em dia, em todas as comunidades populares as mulheres tendem a fazer microcrédito, feiras de troca e diminuírem a pobreza extrema.
É um movimento geral, mas silencioso -97% dos movimentos de transformação da pobreza estão na mão da mulher: o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida. Hoje é cem vezes melhor [em relação aos anos 1960, 1970].
Não faça uma identidade entre grandeza do movimento e barulho. Há muitos movimentos silenciosos, como esses da economia solidária, por exemplo, que são levados por mulheres. É um movimento mais silencioso, mas mais profundo.
Está dando "empoderamento" às mulheres e fortíssimo, até nas áreas rurais.

Qual o seu projeto agora?
Meu projeto é "empoderar" as mulheres de baixa renda, que vão mudar a estrutura da corrupção no Brasil, o que vai fazer os fluxos de dinheiro se voltarem para onde devem. Como na Escandinávia, onde se voltam ao povo, para pão, escola, trabalho.
A corrupção é muito mais séria do que você pensa. Porque o dinheiro em vez de ir para quem precisa, para quem tem fome, vai para quem tem mais dinheiro, para as Ilhas Cayman.
Exemplo: o Lula deu um dinheirinho pequeno, uma esmolinha para os pobres, e fez do Brasil a sétima economia do mundo. E deu um dinheirão para os bancos.

O que as mulheres devem fazer para atingir esse objetivo, o de "empoderamento"?
Microcrédito, feiras de troca e bancos comunitários. Elas se apossarão do dinheiro. Porque nos espaços do Brasil onde já existem essas coisas a mulher é quem faz, negocia. Os homens brigam. Há muita diferença entre homens e mulheres. A mulher é soft; o homem é hard.

Mas isso não é muito mais uma questão cultural do que de gênero?
Não. É uma questão biológica. A mulher é obrigada a proteger a vida. O homem é obrigado a buscar comida. Daí as guerras, a corrupção.
Eu acho que tem a ver com os neurônios masculinos. No cérebro, a maior diferença entre o masculino e o feminino é a área da agressividade.
A gente pode mudar o cérebro com o correr das gerações. Está mudando muito. Só o fato de a população se organizar. Olha a organização dos pobres nos países islâmicos. Isso era impossível há cinco anos. Graças ao Facebook, os pobres estão se reunindo, tendo uma voz, contra os corruptos.
Há grande desigualdade porque há grande desigualdade de dinheiro. A gente está criando um outro tipo de dinheiro, o dinheiro solidário, que não gera juro. O dinheiro que não gera juro gera igualdade.
É um projeto de reformulação das estruturas da sociedade. Já existem 400 bancos comunitários. Vamos apresentar um projeto à Dilma que é um passo além do Bolsa Família.
Estou muito animada. Quando eu comecei me chamavam de prostituta, mal-amada, machona, solteirona. Hoje, os tapetes vermelhos estão abertos para mim. Já não sou vista como uma bruxa contra os homens.

Hoje quem é a vanguarda desse movimento?
Não existe uma vanguarda intelectual. Isso é uma maneira machista e centralista de pensar. Existem movimentos no mundo inteiro, já entrou na sociedade.
Vanguardas? Não sei. Pode ser que as presidentes das repúblicas sejam. Eu não acredito no sistema de liderança como é no sistema masculino, mas num sistema de comunidades, feminino.

E a questão do aborto no Brasil? A presidente disse que não vai mexer nisso.
São 15 países que não têm o avanço. Nos outros todos o aborto é legalizado. Mexer com a Igreja aqui no Brasil é uma barbaridade.
Ruth Cardoso levou [a questão] e a Igreja ficou danada. Jandira Feghali perdeu a eleição no Rio porque era a favor da legalização do aborto. A Igreja tem muito poder no Brasil. As mulheres pobres é que sofrem. Será uma surpresa uma modificação disso no curto prazo.

Alvaro Caputo, o amigo, envia.

É hábito desta coluna retomar perguntas não respondidas.

O Mapa da Violência recentemente divulgado pelo Ministério da Justiça mostra forte crescimento dos homicídios em algumas capitais do Nordeste.


Mas o Nordeste é a região que mais avançou economicamente nos últimos anos. Onde mais cresceram, portanto, as oportunidades.


Até agora ninguém do governo veio explicar por que o paralelismo entre redução da pobreza e expansão do crime. Limitam-se a repetir dogmas autolegitimados, como o de que a solução está em renovar a campanha do desarmamento.


Uma questão de fé.


O bom de defender certas teses no Brasil politicamente correto é que você fica dispensado de explicar por que sua tese está certa, ou pelo menos por que é superior a outras
.


Alon Feuerwerker no Correio Braziliense

Parabéns, Marta Bellini!



segunda-feira, 7 de março de 2011

Mulheres: alegrem-se !

Quando vou escrever algo sobre o Dia Internacional da Mulheres me vem aquela dúvida. Não são de todas as mulheres que gosto. Algunmas me enojam. Em português e espanhol. Sabe aquela passeata de Mulheres em 1964, donas de casas religiosas apoiando a ditadura? Huum, que desgosto. Por outro lado, existem as maravilhosas, corajosas, duronas e alegres as mães da Praça de Maio. Conheci a dona Hebe aqui em Maringá, em 1994. Esse ano, em Buenos Aires, fui à Plaza de Mayo, na quinta-feira. Praça onde ficaram muitas décadas. Quem não ama essas mulheres? Quem não ama Chiquinha Gonzaga? Dona Clarice Lispector. Nise da Silveira? Nina Simone, cantora negra, militante. Quem não se comoveu com Maria Callas e não tomou seu partido, seu coração partido, contra Onassis? E Lou Salomé? E a catadora de lixo Estamira gritando que não acredita em Deus? Que nos faz sentir sua dor, a mesma nossa? Georgia O´keefee? a anarquista brasileira Ernestina? a Pagú? Frida Khalo? Clementina de Jesus? Emma Goldman? Minha amiga Marta (lá em São Paulo)?, minhas avós Rosalina, a italiana e minha avó Benedita, a portuguesa. Ana C. que me ouve sem bronca. Clélia, Regina, Sandra... Minha mãe Rosa. Minha filha Julia. Minha sobrinha neta, Iasmin. São tantas mulheres que, as vezes, acho que nasci de partenogênese feminina. Tem as muitoooo chatas, feias mentalmente feias, mas essas, nem de perto obscurecem as maravilhosas figuras femininas, mulheres que conheço. Falando em figura feminina, meu avó Joaquim era uma moça! A ele também, parabéns!




segunda-feira, 7 de março de 2011

Deixe tudo o que está fazendo e corra ao cinema!

Quem deseja saber o que se passa neste mundo "de bandits et de prostituées" (a frase é de um romancista francês, na era em que os bancos começaram a mandar nos Estados, a era de Napoleão III —e leia-se O 18 Brumário de Marx, mais do que nunca—) vá ao cinema assistir INSIDE JOB (TRABALHO INTERNO). É um banho de lucidez e informação. Vale a pena. Não tem o jeito apelativo de Michael Moore e, por este motivo, vai até o fundo do intelecto e do coração. Perto daquilo, o sistema corrompido brasileiro é um colégio de santas freiras.

"Inside Job" : autopsie d'une crise financière annoncée

LEMONDE | 16.11.10 | 16h36 • Mis à jour le 17.11.10 | 13h26

Christine Lagarde, ministre de l'économie et des finances français, dans le film documentaire américain de Charles Ferguson, "Inside Job".

Christine Lagarde, ministre de l'économie et des finances français, dans le film documentaire américain de Charles Ferguson, "Inside Job".SONY PICTURES

Parmi les singularités de la crise financière de 2008, on retiendra que l'une des chroniques les plus impitoyables en a été tenue dans un magazine destiné justement à ceux qui l'avaient provoquée (Vanity Fair) et que le documentaire qui en dépeint le mieux le mécanisme est distribué par une multinationale, Sony. C'est qu'Inside Job est un film catastrophe, un genre que défend souvent le studio japonais - souvenez-vous de 2012. On tremble, on est indigné, on souhaite que les héros s'en sortent malgré tout. Mais la fin est déjà écrite et ces héros défaits par les forces du mal - les ouvrières d'une usine chinoise, les chômeurs d'un camp de toile en Floride - n'occupent pas l'écran très longtemps. Ce sont les méchants qui ont gagné - et le film leur donne abondamment la parole.

Charles Ferguson - qui avait déjà réalisé en 2007 un documentaire sur l'engagement américain en Irak, nommé aux Oscars mais resté inédit en France - est un virtuose de cette forme de documentaire qui a été façonnée par l'expérience télévisuelle. Les séquences sont courtes, soulignées d'une musique dramatique mais discrète, due à Alex Heffes, jeune compositeur britannique très couru par les réalisateurs ces temps-ci ; les interlocuteurs sont filmés de près entre talk-show et interrogatoire de police ; de temps en temps, un hélicoptère survole les lieux du drame (l'Islande, Manhattan, Washington) pour en souligner encore l'ampleur.

Cette nervosité spectaculaire est ici mise au service d'une grande rigueur intellectuelle. Non seulement Inside Job offre une analyse détaillée des mécanismes qui ont conduit à l'effondrement du système financier international à l'automne 2008, mais il ajoute des informations, des pistes de réflexion qui étaient restées jusqu'ici à l'arrière-plan, ou tout simplement cachées.

Enfin, Inside Job est une vraie comédie, qui tourne en ridicule quelques-uns des membres de ce groupe aux frontières floues qui a inventé et promu les machines étranges que sont ces produits financiers qui ne finançaient rien d'autre que les institutions financières qui les émettaient.

Avant de se faire cinéaste, Charles Ferguson est devenu millionnaire à l'occasion de la première bulle Internet. Si bien qu'il parle d'égal à égal avec ses interlocuteurs. Il faut voir l'exaspération de Glenn Hubbard, professeur d'économie, lorsqu'il comprend que son interrogateur est en mesure de le confondre. On pourrait presque les prendre en pitié, comme Frederic Mishkin, qui explique sa démission du conseil des gouverneurs de la Réserve fédérale à l'été 2008 par l'urgence qu'il y avait à mettre à jour un manuel universitaire. Sa confusion est d'autant plus spectaculaire qu'il ressemble à Darry Cowl.

C'est la seule consolation qu'offre ce constat terrible : un peu de joie mauvaise devant l'embarras de ces hommes, tout en se disant que les sales quarts d'heure que leur fait passer Charles Ferguson seront leur seule sanction.

LA BANDE-ANNONCE (avec Preview Networks)


Film documentaire américain de Charles Ferguson. (1 h 50.)

Thomas Sotinel








A classe média, e seu modo cinico e arrogante de ser.

Acabei de ter mais uma experiência com a classe média ordinária do Brasil. Estavamos na entrada do Empório Santa Luzia, reduto dos fascistas da referida classe. Quando ia pegar um carrinho de compras, entra um senhor da minha idade, ou mais, me empurra e pega dois carrinhos. E os empurra, passando por cima do pé de minha mulher, machucando-a. Um adolescente (!) que estava ao nosso lado, sorriu sem graça, envergonhado pela truculência do homem que deveria ser um exemplo para ele. "É ruim quando as pessoas agem assim", murmurou para mim o menino. Fui até o mastodonte e lhe perguntei se ele tinha notado o que fizera. Ele começou a me pedir desculpas, em tom polido (e falso). A sua mulher, agressiva, berra na minha direção: "o senhor pensa que alguém faz ´aquilo´ de propósito ?". Ela não quis confessar o que seria "aquilo". Disse que sim, pois o propósito era atingir seus próprios fins, ignorando as demais pessoas. "O senhor é doente !". E a filha do casal, mais cínica do que a mãe, diz-me ser eu "revoltado, com o coração cheio de fel" e outras sandices semelhantes. O aparente genro, ou filho, pede que todos saiam do local, porque "ele (eu) está mal-humorado". E andam todos com garbo dos que, com certeza, marchariam em 1964. Indignada com o xingatório ("o senhor é doente"), minha mulher (a agredida e ferida) tomou satisfações pela covardia da mulher (xinga um homem e se julga indene). Enfim, mais uma pequena mostra da dominação de certas mulheres, na família brasileira.

Sou defensor dos direitos femininos. E dos direitos individuais. Mas não sou cego para certas formas de controle : na classe média as mulheres, aparentemente dominadas, mandam não raro à socapa, sobre seus maridos. E são as mais arrogantes e violentas. Não admira que o grande apoio à ditadura tenha sido dado por elas. E que as delações mais covardes, delas vieram.
Triste família mononuclear, patriarcal e matriarcal. Um horror.
RR

Marta Bellini...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Amanhã, 8 de março

Dia Internacional da Mulher. Deveria ser nacional também, Regional. Local.
Foto: Sara Saudowa