quarta-feira, 29 de julho de 2009

De José Simão, na Folha de hoje...

Piada verídica que corre na internet! Um cara tava passando em frente ao Senado e ouviu os gritos: "Bandido, salafrário, vigarista, traficante, preguiçoso, vagabundo!". É briga? Não, estão fazendo a chamada! O mentiroso e o vendido faltaram!? Rarará!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Correio Popular de Campinas, 29/07/2009

Publicada em 29/7/2009


Só políticos são corruptos?


Roberto Romano

Os norte-americanos gostam de colocar nos carros: “Não roube, o governo odeia concorrência”. Ao subtrair nossos dinheiros, no entanto, o governo daqui tem sócios na sociedade dita civil. Exemplo: restaurantes de luxo em São Paulo tiveram verba do BNDES para instalar torneiras banhadas a ouro nas instalações sanitárias. Dentre as prioridades sociais ou econômicas, esta não é urgente. Mas alguém era compadre de alguém, na história dos empréstimos em pauta.

Existe um projeto na Câmara dos Deputados regulando a gorjeta dos garçons. Algo similar, no absurdo, ao foro privilegiado que só existe no Brasil. Gorjeta vem do francês gorgée (gole). Outro termo é pourboire (“para beber”, moedas a mais no bolso do trabalhador que bem serviu o cliente). Se no restaurante sou atendido sem resmungos ou caras fechadas, agradeço com algumas notas a mais. Para não perder o sentido do ato e não humilhar a pessoa que nos acolhe com presteza, veio a ficção de que se trata apenas de lhe proporcionar um amigável “gole”. Mas todos sabem que não raro a gorjeta ajuda a construir a sua casa, pagar a escola dos filhos, etc.

A gorjeta é símbolo do trato cordial entre cliente e trabalhador. Ela não pode ser exagerada porque significaria corromper o segundo pelo primeiro, ou chantagem do segundo contra o primeiro. Nunca, na história dos serviços, se pagou gorjeta ao patrão. Em sociedades decentes, tal ato seria insultuoso. Pois bem, os restaurantes onde comem e bebem os incomuns (viva o presidente Lula!) endinheirados do Brasil (com frequência cada vez maior de petistas que sobem na vida) e nos quais o governo aplica recursos (arrancados dos contribuintes), exigem que parte da gorjeta lhes seja entregue à título de “reparação do material” (pratos, copos, talheres, etc. ).

A essência do sistema capitalista é que, nele, instrumentos de trabalho não pertencem aos trabalhadores, mas ao patrão. Cabe ao último a responsabilidade e o risco de apresentar, conservar, vigiar o seu uso. Os custos correm por conta do empreendedor. Daí os lucros serem por ele auferidos. O trabalhador não tem lucros, mas salário fixo por dia, semana ou mês. Logo, em determinados serviços, a legítima gorjeta ajuda a melhorar o humor e a vida material do funcionário. Os restaurantes do mundo civilizado são regidos assim, de maneira capitalista genuína.

Mas no Brasil, como falou Delfim Netto, a regra é poucos empresários merecerem tal nome, pois vivem das “tetas governamentais”. Eles exigem dos governantes “gorjetas” indevidas: subsídios abusivos, perdão de dívidas para com o fisco, a Previdência, etc. Sempre que necessário, em troca, os supostos empresários passam aos que legislam, ou aos administradores, gorjetas que os socorrem nas campanhas eleitorais. Esperam, no retorno, medidas protecionistas para suas empresas, quando eles mesmos pouco nelas arriscam. Quando firmas abrem falência, no Brasil, raros donos vão à bancarrota.

Botar a mão, legalmente, na amável gorjeta dos bravos garçons é demais. Mas não é o pior. Na Folha de São Paulo (1/7/2009), representantes dos hotéis de luxo e “restaurateurs” idem, mostram o quanto estão à vontade com os mesmos costumes que fizeram o inferno astral dos deputados e senadores. Eles se comprazem no “é dando que se recebe”. O projeto que regula a gorjeta, diz o jornal, “causou rebuliço entre restaurantes caros e sofisticados”. Os seus donos contrataram lobistas para derrubar a mudança no Congresso.

O representante da ANR (Associação Nacional dos Restaurantes), disse ter colhido assinatura de 75 deputados para, em vez de seguir ao Senado, levar o projeto à votação na Câmara. “Lá o processo é na base do diálogo, você faz um favor para mim, amanhã eu faço um favor para você. O regime parlamentar influi no sentido de favores recíprocos”. Vejam como a ética negativa não começa no Congresso Nacional, mas tem raízes numa sociedade nota zero em respeito à ética. Quem age e pensa segundo o favor, não tem moral para criticar deputados e senadores, pois deles são gêmeos, siameses.

Uma perfeita manifestação de preconceito, racismo, e que está sendo investigado.

Terça-Feira, 28 de Julho de 2009

28/07/2009 - 18h08

Danilo Gentili, do CQC, acusado de preconceito

Thomas Pires

Agredido há menos de um mês por seguranças do senador José Sarney, o repórter Danilo Gentili – do programa humorístico CQC – , voltou ao noticiário. Desta vez como investigado. Segundo informa a assessoria de imprensa do Ministério Público Federal de São Paulo, o jornalista deverá dar explicações sobre um post considerado preconceituoso na rede de microblogs, o Twitter.

Leia: Seguranças de Sarney agridem repórter do CQC

A mensagem de Gentili foi encaminhada ao Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos do MP, que vai apurar se houve ou não racismo. O comentário faz uma piada a jogadores de futebol. "King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?". O material foi postado pelo repórter na madrugada do último sábado (25/7).

Alguns minutos após escrever o "tweet", Gentili tentou se justificar no microblog."Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?", argumentou.

O caso será encaminhado ao grupo de combate a crimes cibernéticos no MP. Até o fim desta tarde, ainda não havia sido determinado o procurador responsável pelo caso. De acordo com a assessoria de imprensa, o nome deverá ser anunciado nesta quarta-feira (29/7).

E "os bancos" entidade fantasmagórica e vampiresca, diz termos saido da recessão em maio, seguidos pelos cronistas "economicos", aduladores do poder.

28/07/2009 - 13h43

Governo central tem déficit primário de R$ 643,8 milhões em junho, o quinto na crise

BRASÍLIA - O governo central registrou déficit primário de R$ 643,8 milhões no mês de junho. Os números correspondem ao desempenho de caixa conjunto do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central (BC) e foram divulgados há pouco pelo Tesouro.

É o quinto mês com resultado negativo desde o agravamento da crise econômica mundial, em setembro de 2008. As despesas do governo superaram as receitas também nos meses de novembro, dezembro (que geralmente registra déficit) e fevereiro e maio.


Em junho de 2008, o resultado das contas apresentou superávit de R$ 7,92 bilhões. Em maio deste ano, o governo central verificou saldo de R$ 302,9 milhões (número revisado).

No mês passado, o Tesouro Nacional teve resultado positivo de R$ 2,764 bilhões. O INSS marcou déficit de R$ 3,381 bilhões e o Banco Central (BC) registrou déficit de R$ 26,3 milhões.

A receita total do governo central ficou em R$ 55,027 bilhões em junho, menor do que os R$ 56,292 bilhões apurados em maio. Descontadas as transferências para estados e municípios, de R$ 12,915 bilhões, a receita líquida situou-se em R$ 42,112 bilhões no mês passado.

Já as despesas totais somaram R$ 42,756 bilhões, contra R$ 43,760 bilhões registrados em maio. O superávit primário do governo central é o resultado da diferença entre a receita líquida e as despesas totais.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

Caro Mercadante: de nada adianta o seu faz de conta: em São Paulo, seu nome já era. Espere 2010.

MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

Atualizado às 16h53.

O governo escalou nesta terça-feira o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) para tentar amenizar o discurso do ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), que ontem saiu em defesa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e minimizou a defesa do líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), pelo afastamento do peemedebista.

Em São Paulo, Sarney conta os votos no Conselho de Ética
Tucano diz que sociedade espera julgamento de Sarney
Corregedor-geral pede informações sobre grampos de Sarney
Governo minimiza posicionamento do PT contra Sarney

Segundo a assessoria do petista, Bernardo telefonou hoje para Mercadante e explicou que não era do governo a avaliação de que o pedido de afastamento de Sarney representava uma posição isolada de "um ou dois senadores" e não da bancada petista.

O ministro do Planejamento sustentou que o assunto não foi tratado na reunião de coordenação política --que reúne os principais ministros-- e, portanto, a declaração não poderia ser tratada como um posicionamento oficial.

Múcio também já ligou para Mercadante, segundo a assessoria do ministro. O assunto teria sido esclarecido e a situação, contornada. Procurado pela Folha Online, no entanto, o líder do PT não quis comentar o tema, mas disse, por meio de sua assessoria, que continua a favor de uma licença temporária de Sarney.

A decisão do governo de defender Sarney já causou outro mal-estar com a bancada do PT e com o próprio Mercadante. No jantar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu aos senadores petistas, Mercadante chegou a ameaçar deixar o cargo, diante da pressão para que o partido evitasse constrangimentos ao peemedebista.

A direção do PT deve conversar na semana que vem com a bancada para tentar afinar o discurso e reafirmar uma posição mais branda em relação ao presidente do Senado. A conversa deve ser administrada pelo presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e pelo chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho.

Na avaliação do governo, não é papel da bancada discutir a saída ou afastamento de Sarney porque os petistas não apoiaram a candidatura dele.

O presidente do PT teria dito a interlocutores que foi surpreendido com a nota divulgada pelo líder do PT por acreditar que não existem novos motivos para pressionar o peemedebista. Na nota, Mercadante afirmou que a divulgação das gravações da Polícia Federal que indicariam envolvimento de Sarney na negociação da contratação do namorado da neta era "grave, porque há indícios concretos da associação do peemedebista com atos secretos".

Múcio disse ontem que o governo manteria o apoio a Sarney e que a nota não tinha o aval de toda bancada. "O que nós avaliamos é que isso não é um movimento do PT. Nós imaginamos que seja o posicionamento de um ou dois senadores", afirmou.

E só para incomodar os foliões de Brasilia...repeteco de entrevista sobre o carnaval político.

  • Romano: “Na política, sensação é de Carnaval o ano inteiro”
    Romano: “Na política, sensação é de Carnaval o ano inteiro”
    Por: UOL Notícias 21/02/2009 07h00

    Em entrevista ao UOL Notícias, o professor de ética e filosofia da Unicamp, Roberto Romano, fala sobre as notícias que movimentaram a política brasileira no início do ano; do escândalo do castelo do deputado Edmar Moreira à cassação do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB); da fila de testemunhas de defesa no processo do mensalão ao início da campanha para a sucessão presidencial em 2010


E quem se espanta com procedimentos deste jaez? A ética dos políticos, nos últimos tempos, nunca foi outra coisa senão omertà !

Enviado por Ricardo Noblat -
28.7.2009
|
17h19m

Renan ameaça acusar Virgílio de quebra de decoro

De O Globo:

No dia em que a bancada do PSDB no Senado deve protocolar no Conselho de Ética da Casa representação por quebra de decoro parlamentar contra o presidente José Sarney (PMDB-AP), o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), ameaçou contra-atacar.

Renan relatou que conversou por telefone, na segunda-feira, com Sergio Guerra (PE), presidente do PSDB, para informá-lo que o PMDB tomaria atitude semelhante em relação ao tucano Arthur Virgilio (PSDB-AM), que já admitiu ter tido um funcionário fantasma em seu gabinete.

- Comuniquei ao Sérgio Guerra que se o PSDB partidarizar, entrar com representação, não há como o PMDB não fazer o mesmo. É uma questão de reciprocidade, sobretudo em relação ao senador Arthur Virgílio - ele confessou.

Leia mais em PSDB vai ao Conselho de Ética contra Sarney. Renan pode fazer o mesmo contra Virgilio

(Comentário meu: Denúncia por quebra de decoro virou moeda de troca nas mãos do ínclito senador Renan Calheiros (PMDB-AL), um homem reconhecidamente correto.

Se ele está convencido de que o líder do PSDB feriu o decoro parlamentar, tem mais é que entrar com representação contra ele no Conselho de Ética - e não barganhar com quem quer que seja.

Não haverá limpeza no Senado se os podres ficarem escondidos.

Por outro lado, a quem cobramos que limpe o Senado? Aos mais enlameados?)

PORTAL DA UNICAMP, URGENTE

Universidades estaduais adiam retorno às aulas para 17 de agosto

da Redação
Edição das imagens: Everaldo Silva
[28/7/2009] As três universidades estaduais paulistas (Unicamp, USP e Unesp), seguindo orientação da Secretaria Estadual de Saúde, decidiram adiar para o dia 17 de agosto o início das aulas do segundo semestre letivo.

A recomendação visa reduzir a transmissão do vírus influenza A H1N1 no Estado de São Paulo e é válida para todos os estabelecimentos da rede pública de ensino, nos níveis fundamental, médio e superior.

A Secretaria Estadual de Saúde também reafirma à população a orientação para manter as medidas de higiene, como lavar as mãos com freqüência e cobrir o nariz e a boca quando tossir ou espirrar. É fundamental, ainda, que as pessoas com sintomas de gripe fiquem em casa, repousando.

Últimas palavras de um sábio, para nossa tristeza, e alegria dos que, no PT, louvam processos espertos de politicagem.

Seguem abaixo as últimas frase de um pequeno artigo do grande jurista Goffredo Telles Junior, pouco antes de seu falecimento (na verdade, nós falecemos um pouco mais com a sua ida ao Eterno). Autor da Carta aos Brasileiros (a autêntica, que ajudou a dar o último impulso para a queda do regime ditatorial e não a mentirosa, assinada por espertalhões demagógicos), o nosso advogado diz coisas que seguem a linha de Platão, na República. O trecho copiado por mim merece profunda reflexão das pessoas retas (petistas são dispensados de reflexão, eles já desistiram de pensar por conta própria há muitos e muitos anos atrás, quando decidiram colocar sua vontade nas mãos de um pretenso proprietário do povo) e lúcidas.

RR



"O desprestígio das leis acarreta o que estamos vendo no Brasil de hoje. Acarreta o afrouxamento das disciplinas do comportamento, e conduz a toda espécie de desordens éticas. Incrementa a desonestidade. Incita a corrupção.

De fato, nos dias de hoje, a corrupção campeia : corrupção nos negócios particulares, corrupção na Política. Todo o edifício social, de alto a baixo, está carcomido pela corrupção.

O descrédito das leis produziu, em nosso País, um clime de intranqüilidade, de incerteza. Até nas ruas, por toda parte, a bandidagem se manifesta. Referindo-se ao meio ambiente, Paulinho da Viola disse: "há perplexidade, há um sentimento de insegurança, de desconforto, de impotência...". Ele próprio fora vítima de um assalto de rua.

Mas isto não pode continuar.

Em defesa dos Direitos Humanos, em defesa de nossa liberdade, precisamos agir, precisamos nos engajar no bom combate, precisamos assegurar a plena vigência da Disciplina da Convivência humana. Precisamos restabelecer o prestígio das leis.

Nesta fase histórica do Brasil, oportuna é a lembrança do padre dominicano Lacordaire: "Quando a desordem impera, a liberdade escraviza, a lei é que liberta".

Artigo publicado post mortem na Revista
E Vamos à Luta, número 2, 2009.


No It's abouth Nothing (como minhas boas vindas ao Oterco....) com o riso sobre a triste realidade...

Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Comparações...

No Blog do Noblat:

O que faz um pequeno senador

Divertidíssimo o mundo do twitter. Há pouco no meu pintou a mensagem de uma mãe. A propósito da bandalheira no Senado, ela comentou: - Por isso que chamo meu filho de 1 mês de pequeno senador: só quer saber de mamar e de fazer caca.

Apenas trocaria a palavra 'senador' na setença para 'político'. Essa mesma máxima se aplica ao executivo, judiciário e aos demais cargos representantivos no Brasil: Deputados e vereadores, mas a tirada foi fantástica.

Enquanto isso, os cronistas econômicos, eternos brownnosings dos poderosos, falam em "bons resultados". Cambada.

Nota :

asskissing também é uma boa opção para falar de cronistas econômicos, e sua gente... RR


28/07/2009 - 10h54

Inadimplência no Brasil sobe pelo sétimo mês e tem maior nível desde 2000

Da Redação
Em São Paulo
A inadimplência no sistema bancário subiu pelo sétimo mês consecutivo e atingiu 5,7% em junho, o maior nível desde junho de 2000, mostraram dados do Banco Central divulgados nesta terça-feira (veja gráfico ao final do texto).

Em maio, a taxa havia ficado em 5,5%.


No caso das pessoas jurídicas, a inadimplência subiu para 3,4%. Para as pessoas físicas, a taxa se manteve em 8,6%, a mais alta da série do BC, iniciada em 2000.

Os números se referem ao percentual de operações com atraso superior a 90 dias. Os atrasos de mais de 15 dias e menos de 90 corresponderam a 6,8% das movimentações de crédito de junho, a mesma taxa de maio. Em junho do ano passado, a taxa estava em 6,4% .

Entre as modalidades de crédito acompanhadas, a maior inadimplência em junho ficou com a linha de "aquisição de bens", que chegou a 15,5% do crédito concedido, ante 13,9% no mesmo mês do ano passado.

A inadimplência do cheque especial, que variou de 8% para 10,5% na comparação anual foi a segunda maior da análise.

A terceira posição ficou empatada entre aquisição de veículos e crédito pessoal, ambos com 5,5%.

Hoje amanheci com desejos de cantar o "Ça ira" e mandar para a forca os nobres de fancaria deste país de fancaria, dito Brasil.

E NO BLOG DE MARTA BELLINI, O DITO DO ESTADISTA: "APRÈS MOI, LE DELUGE...". QUE TAL UMA FORCA PARA TODOS OS CORRUPTOS DO BRASIL? PARA TAIS CASOS, ACHO QUE ESTOU ME INCLINANDO, RÁPIDO, EM FAVOR DA PENA CAPITAL. O ASCO É DEMAIS. RR


Sarney: de saltos altos

Frase cap-tirada do Blog do Noblat

Se houve crime para mim, houve para todo mundo.”

José Sarney (PMDB-AP), a propósito da nomeação para o Senado de parentes e protegidos

Dida Sampaio/AE - Collor parabeniza Sarney; Renan observa



"Cinq chansons revolutionaires" (1)

Edith Piaf - "Ah, Ça Ira"
“Ah, Ça Ira”, expressão atribuída Benjamin Franklin para se referir à evolução da revolução americana, é o título daquela que é talvez a mais famosa canção da Revolução Francesa. Composta por um tal Ladré, cantor de rua, tendo como tema uma popular “contradança” (o nome vem de “country danse”) da época (diz-se que a própria Maria Antonieta a tocava no cravo), acabou por ter direito a várias versões, sendo duas delas as mais conhecidas: uma a que chamaríamos hoje de "soft-core" (a original) e outra "hard-core", ("Les aristocrates à la lanterne, les aristocrates on les pendra") adoptada pelos "sans coulottes", digamos que a “arraia miúda” da revolução.

Esta é a “hard-core”, a mais conhecida, aqui interpretada por Edith Piaf no filme de Sacha Guitry “Si Versailles m' était conté”, de 1954.


Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Le peuple en ce jour sans cesse répète,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Malgré les mutins tout réussira.
Nos ennemis confus en restent là
Et nous allons chanter « Alléluia ! »
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Quand Boileau jadis du clergé parla
Comme un prophète il a prédit cela.
En chantant ma chansonnette
Avec plaisir on dira :
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira !
Suivant les maximes de l’évangile
Du législateur tout s’accomplira.
Celui qui s’élève on l’abaissera
Celui qui s’abaisse on l’élèvera.
Le vrai catéchisme nous instruira
Et l’affreux fanatisme s’éteindra.
Pour être à la loi docile
Tout Français s’exercera.
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira !
Pierrette et Margot chantent la guinguette
Réjouissons-nous, le bon temps viendra !
Le peuple français jadis à quia,
L’aristocrate dit : « Mea culpa ! »
Le clergé regrette le bien qu'il a,
Par justice, la nation l’aura.
Par le prudent Lafayette,
Tout le monde s’apaisera.
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Par les flambeaux de l’auguste assemblée,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Le peuple armé toujours se gardera.
Le vrai d'avec le faux l’on connaîtra,
Le citoyen pour le bien soutiendra.
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Quand l’aristocrate protestera,
Le bon citoyen au nez lui rira,
Sans avoir l’âme troublée,
Toujours le plus fort sera.
Petits comme grands sont soldats dans l’âme,
Pendant la guerre aucun ne trahira.
Avec cœur tout bon Français combattra,
S’il voit du louche, hardiment parlera.
Lafayette dit : « Vienne qui voudra ! »
Sans craindre ni feu, ni flamme,
Le Français toujours vaincra !
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira !
Les aristocrates à la lanterne,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira !
Les aristocrates on les pendra !
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira !
Les aristocrates à la lanterne.
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira !
Les aristocrates on les pendra.
Si on n’ les pend pas
On les rompra
Si on n’ les rompt pas
On les brûlera.
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Nous n’avions plus ni nobles, ni prêtres,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
L’égalité partout régnera.
L’esclave autrichien le suivra,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Et leur infernale clique
Au diable s’envolera.
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Les aristocrates à la lanterne ;
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Les aristocrates on les pendra ;
Et quand on les aura tous pendus,
On leur fichera la pelle au c...

Em tempos de Honduras e de petismo subserviente, um texto meu da Primeira Leitura...


A IMPORTÂNCIA DE SABER

Roberto Romano

Para aplicar ou prevenir golpes de Estado, desde o início da instituição política, saberes são exigidos. É por um motivo assim que líderes incultos representam permanente perigo para qualquer regime. No Brasil de hoje, alguns demagogos falam em golpe. E, com as tramóias descobertas no Estado e nos partidos políticos, os amigos do Planalto e dos "cargos de confiança" (e também das verbas milionárias) espalham fantasias sobre um golpe para desestabilizar o príncipe, abreviando o seu mando. As tolices ganharam foros de ciência política e quejandos.

Enquanto esperam as CPIs e seus resultados, seria interessante que os partidários do poder lessem Maquiavel, Espinosa, Montesquieu e Gabriel Naudé. Tenho certeza de que gastariam menos fôlego com um golpe imaginário e se interessariam pela análise dos golpes cometidos no dia-a-dia da nossa cambaleante República. Tais providências trariam o selo da ética real, silenciando os slogans nas mentes que não sabem discriminar entre tentativas de golpe e funcionamento cotidiano do Estado.

Golpe e razão de Estado são permutáveis. Os petistas que saíram da esquerda, ou insistem em se apresentar com aquele rótulo, têm plena consciência de que os regimes instaurados sob a sua égide brotaram de golpes. E a inspiração maquiavélica encontra-se nas teorias do golpe proletário para instaurar ditaduras. Como partilham o realismo da razão de Estado, os stalinistas no PT ou fora dele aceitam todas as conseqüências golpistas, desde que o golpe seja imposto por eles. Daí, a perene desconfiança contra os adversários: eles supostamente maquinam golpes sem cessar.

Para saber quando é preciso redefinir a lei fundamental para deter a morte do Estado ou para decidir sobre um golpe, é preciso muita prudência e conhecimento. Como não tiveram nem possuem tempo para leituras, dadas as suas perenes tarefas, líderes e boa parte dos militantes petistas não conseguirão dar um golpe de Estado porque "ditadura" vem da ars dictaminis (arte de ditar uma carta a um secretário), técnica retórica exigida dos governantes e hierarcas religiosos.

A raiva contra o pensamento, nas hostes petistas, recorda o dito medieval: "Rex illiteratus est quasi asinus coronatus" ("Um rei iletrado é um jumento coroado").

Eles desejam, mas não possuem, os saberes para instalar uma ditadura. Apedeutas não ditam, como disse Júlio César contra os misólogos (os que têm aversão à lógica) de seu tempo: "Sylla nescivit literas, non potuit dictare" ("Sylla ignorava as letras, não podia ditar").

Com sua truculência, os amigos do rei solapam a confiança dos cidadãos honestos no Estado de Direito. Mas o mal nem sempre dura. Pelo voto, os que identificam as suas pessoas ao Estado e repetem no Brasil de modo hilário a tolice de Luís 14 deixarão os palácios. Rumo à insignificância.

No Blog de Marta Bellini...o nosso bom portugues, inculto e belo (salvo quando usado pelos senatores).

Erros mais que interessantes!


ERROS INTERESSANTES

José Augusto Carvalho, Professor de Linguística da Universidade Federal do Espirito Santo, Brasil

No meu ofício, deparam-se-me às vezes alguns erros interessantes que merecem destaque pelo curioso da construção.Algumas construções parecem erradas e não o são, como “A Justiça e Deus vai julgar-me” (poderia ser “vão julgar-me”, mas o singular é possível por causa da hendíade, isto é, da falsa coordenação, em que a conjunção está no lugar da preposição: a Justiça de Deus ou a Justiça Divina vai julgar-me), ou como esta frase que copiei de uma redação de vestibular: “As coisas que os casais faziam era juntos”, em que “era” é verbo vicário ou verbo pronominal, que está no lugar do verbo anterior. Parafraseado, o período fica assim: “As coisas que os casais faziam faziam juntos”.
Em um jornal local, do dia 10-10-07, anotei a seguinte frase: “A equipe agradece e parabeniza todos os participantes do concurso, desejando um feliz Dia das Crianças aos pequenos leitores deste jornal.” O verbo “agradecer” é transitivo indireto: agradecer a alguém; o verbo “parabenizar” é transitivo direto: parabenizar alguém. Não se deve atribuir o mesmo complemento a verbos de regência diferente. O objeto indireto de um verbo não pode ser ao mesmo tempo objeto direto de outro verbo. A frase corrigida fica assim: “A equipe agradece a todos os participantes do concurso e parabeniza-os, desejando um feliz Dia das Crianças aos pequenos leitores deste jornal.”
Um erro curioso ocorreu numa notícia de jornal do dia 01-07-08: “Mais de 450 motoristas levaram multas, mas menos de dez delas foram por dirigir embriagado.” O texto diz que menos de dez multas “foram por dirigir embriagado”, isto é, a idéia (descontada a falta de concordância nominal) é de que as multas é que dirigiam embriagadas. Uma correção possível seria a seguinte: “Mais de 450 motoristas levaram multas, mas menos de dez deles foi por dirigir embriagados.” O verbo “ser” fica no singular porque é vicário, isto é, é um verbo substituto do verbo anterior: “levaram multas, mas menos de dez deles levaram multas por dirigir embriagados”. Uma segunda sugestão de correção seria: “Mais de 450 motoristas levaram multas, mas menos de dez delas foram por embriaguez ao volante.” Aqui o verbo vai para o plural porque não é vicário. O sujeito de “foram” é “menos de dez delas”, isto é, “menos de dez multas”. “Foram” está no lugar de “ocorreram”: menos de dez delas ocorreram por embriaguez...
Outro erro interessante (de um entrevistado, no calor da entrevista): “Não vamos correr o risco de chover e perder o serviço do dia.” Os verbos “chover” e “perder” estão coordenados entre si, no mesmo complemento nominal de “risco”, o que presume o mesmo sujeito, como se o autor da frase pudesse chover. A coordenação deve ser substituída pela subordinação, para que apenas “perder o serviço do dia” (e não “chover”) seja complemento nominal de “o risco”, com sujeito igual ao da oração principal: nós. Corrigida, a frase fica assim: “Não vamos correr o risco de, se chover, perder o serviço do dia.”
Erro interessante cometeu um “gramático” que atua na mídia. Ao ensinar o emprego do pronome relativo “cujo” que dá idéia de posse, que exerce função adjetiva de adjunto adnominal e que significa “de + antecedente” (antecedente é o nome ou pronome que antecede o pronome relativo e que o pronome relativo substitui), o “professor” deu exemplos corretos, tais como “Eis o livro cujas folhas se soltaram” (“Eis o livro - as folhas do livro se soltaram). Mas finalizou no emprego de “cujo” com um erro semelhante a este: “A ponte para cuja inauguração o prefeito foi convidado custou caro.” É claro que a ponte não pertence à inauguração, nem a inauguração à ponte. “Da ponte” é complemento nominal de “inauguração” e não adjunto adnominal. Não havendo idéia de posse, não há o emprego de cujo. A frase corrigida ficaria assim: “A ponte para a inauguração da qual o prefeito foi convidado custou caro.”
Como se vê, corrigir não é uma tarefa fácil..

No Blog da Mary...

28/07/09

Capangas submissos

clique para ampliar

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Um entrevista antiga, para o jornal A Tribuna de Santos, sobre ética, moral, política...

Segunda-Feira, 26 de Julho de 2004, 07:08

‘Não se sabe mais em quem acreditar’

Da Reportagem

A Tribuna de Santos


AMANDA GUERRA

A ética brasileira precisa de um choque de moral e de pensamento. O País necessita desconstruir o famoso ‘‘jeitinho’’, adquirir um novo conjunto devalores que possibilitem uma sociedade mais justa. A tese vem sendodefendida pelo professor-doutor e filósofo Roberto Romano, uma das mentes inquietas do cenário intelectual do País. ‘‘A única via de solução para a situação que vivemos no Brasil, para escapar dessa ética que temos, é a educação pública para o convívio, para o exercício do pensamento’’.

Pós-Graduado pela Universidade de São Paulo (USP), Romano doutorou-se pela Escola de Altos Estudos de Paris em 1978. Antes disso, participou demovimentos estudantis, católicos, foi frei dominicano por 12 anos. No convento, diz ele, entrou somente para fazer estudos teológicos. ‘‘Apenas para a ordenação e não para a vida confessional porque eu queria fazer filosofia mesmo’’. Foi também perseguido pela ditadura. Preso em 1969 (---) passou um ano na cadeia.

Desde então, publicou nove livros, alguns deles traduzidos para outraslínguas, atuou como colaborador em inúmeras obras, escreveu artigos eparticipou de mais de uma centena de palestras no Brasil e no exterior.

Ardoroso defensor dos direitos humanos, do ensino público, da democracia eestudioso da ética, Romano hoje dedica-se à academia. É livre-docente, adjunto e professor titular da Unicamp nas áreas de graduação e pós-graduação. Apesar dos predicados, prefere furtar-se do adjetivo de ser um dos grandespensadores brasileiros da atualidade; preza a modéstia. ‘‘Quando alguém é dito grande, o padrão é extremamente abstrato. Procuro somente fazer um trabalho crítico, de colaboração com a cidadania, e pesquisa’’.

Numa entrevista exclusiva a A Tribuna, concedida durante sua breve passagem pela Cidade na última sexta-feira — onde participou do projeto Público & Notório, um espaço de intercâmbio de idéias, promovido pelo Sesc — Romano falou sobre ética e moral no Brasil, política, intelectualidade, entre outros temas. Confira a seguir os principais trechos.

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A Tribuna — O sr. tem sido considerado um dos grandes pensadores brasileiros da atualidade. Como se sente com esse título?

Roberto Romano — Um dos problemas mais difíceis da vida intelectual é o da medida. Quando a pessoa diz ‘‘é grande’’ ou ‘‘é pequeno’’, normalmente me traz muita antipatia. Um intelectual que é muito produtivo, inteligente, sensível, pode o ser num determinado campo. Por outro lado, acho que pequenos trabalhos realizados por pessoas conscientes, modestas, não raro têm mais importância que muita presença na mídia.

AT — Mas o sr. é muito requisitado para palestras, seminários, entrevistas sobre os mais variados temas que inquietam a sociedade brasileira...

Romano — A minha palavra é importante não tanto pela minha pessoa, mas porque determinado assunto é importante. Às vezes, as pessoas não têm muita coragem de tocar nesses assuntos. E, normalmente, esses assuntos são polêmicos. Aí vem a idéia de que a pessoa que entra nisso é importante. Não é verdade.

AT — Na sua opinião, quem poderia ser considerado um grande intelectual ou teórico brasileiro?

Romano — Um grande teórico que conheci era um velhinho que era teólogo, filósofo, lógico e que ninguém conhecia, salvo as pessoas do convento. Elese chamava frei Guilherme Néri Pinto. Na época, o chamava de meu guru. Eleconversava sobre tudo, tinha uma profundidade de pensamento que eraassustadora. Para se ter uma idéia, quando saiu o Catecismo Católico, ele escreveu um artigo abrindo a possibilidade da pena de morte na Igreja. Ele tinha 72 anos de idade e escreveu o artigo mostrando que o Catecismo estava errado.

AT — É aí que entra a questão da coragem do intelectual que o sr. tanto defende?

Romano — É. Para você ver o que é o peso de uma coragem. Porque todo mundo sabe que o papa João Paulo II é muito centralizador, não admitecontrovérsias. Então, esse velhinho vai e diz que a Igreja Católica pode serfavorável à pena de morte, pode não ser, que não há uma única saídadoutrinária. Pedi para ele um artigo, que iria levar para um jornal (de grande circulação nacional).

AT — E o que ocorreu? O artigo foi publicado?

Romano — No jornal, a pessoa que estava lá me perguntou imediatamente: — Ele é importante? Falei que era um dos mais importantes que conhecia (rindo). Aí ele me perguntou de novo: — Mas ele é conhecido, é um professor da universidade? Respondi que ele tinha dado aula na Universidade Católica de Belo Horizonte em 1954. Não publicou o artigo.

A Tribuna — Então, podemos abstrair daí que o sr. acredita que, no Brasil, o saber e o conhecimento por si sós não são suficientes?

Romano — Para você ver como a visão pode ser distorcida. Eu e todas as pessoas que trabalham nessa área de Filosofia e Teologia consideramos aquelapessoa importante. No entanto, como ela não tem o trato universitário, com as agências de pesquisas, com o Governo, só tem o trato com o saber, ela é considerada menos importante.

AT — O sr. tem afirmado que no Brasil existe uma grande confusão entre o campo ético e o moral e que há um abuso do uso da palavra ética. Qual a diferença entre um e outro?

Romano — Você pode dizer, em termos resumidos, que a ética é o conjunto de hábitos, atitudes e comportamentos que foram adquiridos em anos, em séculos de existência de uma sociedade. É um conjunto de atitudes, de valores que são automáticos para uma pessoa.

AT — É possível dar um exemplo?

Romano — O indivíduo nasce numa sociedade como a brasileira. Faz parte da ética a língua que ele aprende. Nessa língua estão incrustados valores. Quando você diz, por exemplo, que a situação está negra, isto é um juízo ético. Esses atos e esses valores são assumidos pelas pessoas sem pensar. Etimologicamente, ética significa postura. E a ética é muito conservadora. O ético você não pode tirar de você facilmente porque aquilo está na sua alma.

AT — E o moral?

Romano — O moral é justamente quando o indivíduo que vive nesse campo ético, quase que automático, encontra um problema que aquela ética não responde. Então, ele aprendeu, por exemplo, que os negros, que as mulheres, são inferiores, burros, e isso foi ensinado durante muitos séculos. E, de repente, no trabalho, na universidade, na rua, ele encontra um negro ou uma mulher inteligente, brilhante, com capacidade de liderança. Aquilo é um choque e o choque faz refletir.

AT — E como se dá essa reflexão?

Romano — A primeira reação seria procurar alguma resposta na ética. Mas chega um momento que ele percebe que aquela pessoa concreta tem valores e que aqueles valores desafiam a sua ética. Aí entra o terreno moral. O sujeito não encontra mais as respostas para o seu comportamento na família, na igreja, no partido político, na sociedade. Ele tem que escavar dentro de si para encontrar uma resposta.

AT — Podemos concluir então que a ética de um país, de uma sociedade pode ser negativa?

Romano — Um costume que foi aprendido há milênios e reiterado pode ser muito bom, mas pode ser também péssimo. E poucos grupos ou indivíduos percebem quando ele é péssimo. Sócrates, por exemplo, foi obrigado a tomar cicuta porque tinha uma moral que se chocava com a ética da cidade de Atenas. E Atenas não suportava que ele dissesse as coisas que ele pensava
das pessoas.

AT — Quais seriam os traços mais negativos da ética brasileira?

Romano — O trânsito brasileiro, por exemplo. Desde o começo da industrialização, e sobretudo depois de Juscelino Kubitschek, o carro virou sinônimo de status social, o que é uma tolice. A partir do momento que temos essa cultura, mesmo pessoas pobres, se estão nos seus carros, julgam-se superiores aos que estão simplesmente andando. O ético, o verdadeiro, é você não respeitar nenhuma regra de trânsito. É você subir na calçada, fazer rachas. Isso faz parte da nossa ética, mas é imoral.

AT — Por esse motivo é que o sr. defende que a ética brasileira precisa de um choque de moral?

Romano — É. Tem uma tese de um padre sociólogo que trabalha com populações escravizadas no Norte do País que levanta os motivos que levam muitos trabalhadores a se deixar escravizar. Muitos deles acreditam em valores éticos que são profundamente imorais. Por exemplo, as vendas nas fazendas comercializam produtos para eles que custam vinte vezes mais que o valor real. E eles ficam devendo e não saem da fazenda porque acreditam que é um dever ético ficar para pagar a dívida.

AT — O sr. acredita que existe uma ética de violência no País?

Romano — Desde a época do Império, criaram do povo brasileiro uma imagem de povo pacífico, de quebrador de galhos, etc. Nós esquecemos este lado extremamente violento de nossa sociedade. Aqui, você tem dois homens em um balcão de bar, um deles pede uma pinga e depois chega a hora do pagamento. Aí os dois começam a discutir quem é que vai pagar e isso acaba em matança.

AT — O sr. teria alguma tese para explicar o que nos leva a situações como essas?

Romano — Você tem aqui toda uma ética da masculinidade e da contraprestação de serviço na sociedade que leva a essa situação. Se, por exemplo, você deixa que o outro pague, você é inferior, é um pau-mandado. Essa ética da violência é a que foi ensinada pelos grandes fazendeiros e pelo próprio Estado brasileiro. É a ética da violência e do favor.

AT — Essa ética também nortearia a política nacional?

Romano — Como você capta votos no Brasil? Distribuindo favores e empregando a violência aos subordinados. Em termos éticos, tínhamos esse sistema perfeitamente regulado. Havia o fazendeiro, com seus capangas que eram pagos para impor a vontade do grupo político ou econômico ao qual pertenciam. Com o narcotráfico, o padrão está mudando. Escapa da sociedade o controle dessa violência.

AT— Nesse contexto, até que ponto o Estado democrático é responsável pela ética de um país?

Romano — O Estado brasileiro é um estado antidemocrático desde a sua origem. Sendo assim, a educação popular foi muito negligenciada. O que sobrou de tentativa de educação pública no Brasil foram os positivistas no final do Império, que asseguraram uma rede de educação popular que até hoje é a única que nós temos, que é o Sesc, Senac, Senai etc. Como é possível uma pessoa votar, se ela não tem adestramento? É uma situação muito complicada. Há uma massa imensa da população que não tem condições de acesso ao pensamento científico e tecnológico.

AT— O sr. foi um grande crítico do Governo FHC. Certa vez, em uma entrevista, afirmou que ele abraçou a via do possível.

Romano — Na história política moderna, e é isso que desacreditou muito o discurso político enquanto causador de mudanças, desde a Revolução Francesa, a esquerda assume o poder e faz o programa conservador. Isso se tornou muito mais grave desde a segunda revolução tecnológica, que deu ao capital financeiro uma capacidade de alocação e de desestabilização tremenda. No caso de FHC, era um grupo que tinha uma história de resistência à ditadura militar e que aderiu aos padrões da globalização, atingindo direitos tremendos da cidadania.

AT — Quais?

Romano — Quando houve o apagão, por exemplo. A pressão que ocorreu do Governo Federal para que o Supremo Tribunal Federal desse razão às medidas de supertaxação do contribuinte e a decisão que foi feita pelo Supremo foi de uma tristeza enorme. Alegaram que se o Governo não taxasse, a cidadania não iria colaborar e economizar. A cidadania não era culpada pela falta de investimento, de recursos e estava sendo culpada e caluniada pelos juízes que deveriam respeitar a cidadania. Isso foi um retrocesso político enorme.

AT — E quanto ao Governo Lula?

Romano — No caso do Governo FHC foi menos chocante porque nunca no período militar eles haviam assumido uma atitude de democracia radical. Mas o PT assumiu. Daí, durante 20 anos de sua existência a banda de música do PT era de democracia já, transparência já, CPI já, Fora FHC. Foi vendida para a população a imagem de um partido celeste, de uma virtude absoluta, e todos os demais eram farinha do mesmo saco. O problema é que eles assumiram, mas não tinham maioria parlamentar...

AT — E tiveram que fazer concessões para conseguir o apoio...

Romano — Como sempre, o recurso era a negociação. É dando que se recebe. E eles fizeram a troca de favor. Mas isso foi o menos chocante. Isso era esperado, qualquer analista político sabia disso. O mais chocante foi o PT aplicar medidas que ele denunciava há dois anos como absolutamente nocivas para a população, como a reforma da Previdência. Entre o que se esperava e o que aconteceu, o choque foi maior do que o do Governo FHC.

AT — Que reflexos esse tipo de atitude pode ocasionar?

Romano — Atitudes como essa deixam a população sem norte, sem rumo. Não se sabe mais em quem acreditar. Nesse momento, eu fico com muito medo de uma reação de multidão. Claro que você não vai ter uma revolução. Podemos ter um aumento da violência já tradicional e soluções de ordem imediata que vão levar a destruição da confiança no Estado.Seria a devoração da população por ela mesma.

AT — Existe uma saída para esse cenário caótico?

Romano — A saída é a cidadania se organizar e exigir a existência de um Estado controlado democraticamente. É preciso que seja feita a reforma política. Não podemos mais continuar elegendo um presidente da República plebiscitariamente, colocando uma esperança enorme a cada quatro anos, e esse sujeito toma posse e tem um parlamento representando oligarquias e
interesses que nada têm a ver com a nacionalidade. Mas essa dificuldade de mudar, aí voltamos ao começo da conversa, é justamente porque esse tipo de comportamento ético não se confrontou ainda com toda a dimensão moral do que está ocorrendo no País.

Simples: Mercadante quer dizer ao eleitor paulista (que ele não respeita o bastante) não ter nada com Sarney. Tem. E vai pagar por isto.

27/07/2009 - 18h07
Comando do PT negocia trégua da bancada no Senado sobre situação de Sarney

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MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
A direção do PT vai tentar negociar uma trégua com a bancada do partido no Senado em torno da permanência do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), no cargo. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), deve convocar uma reunião com os senadores petistas na semana que vem e defender que não é papel da bancada discutir a saída ou afastamento de Sarney.

Segundo interlocutores, a avaliação de Berzoini é que, como o PT não apoiou a candidatura do peemedebista ao comando do Senado, não tem responsabilidade pelas ações dele no cargo.

O presidente do PT teria dito que foi surpreendido com a nota divulgada pelo líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), por acreditar que não existem novos motivos para pressionar o peemedebista. No documento, Mercadante afirmou que a divulgação das gravações da Polícia Federal que indicariam envolvimento de Sarney na negociação da contratação do namorado da neta era "grave, porque há indícios concretos da associação do peemedebista com atos secretos".

Para a direção do PT, a nota foi precipitada. Alguns senadores petistas disseram à Folha Online que a iniciativa de Mercadante foi isolada, apesar de representar o posicionamento defendido pela bancada no início do mês. O líder do PT não foi localizado pela reportagem.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou, no entanto, que se houvesse a consulta, pelo menos seis ou sete senadores apoiariam o texto. "Temos defendido essa questão publicamente. Não podemos negar que é preciso que o presidente do Senado se afaste para dar credibilidade às investigações e até para oxigenar os trabalhos da Casa", disse.

Suplicy conversou na sexta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o afastamento de Sarney, mas não conseguiu reverter o apoio do governo a manutenção de Sarney na presidência do Senado. O governo está preocupado com a governabilidade, com a CPI da Petrobras e com o apoio do PMDB nas eleições de 2010.

O senador petista chegou a comentar com o presidente Lula que uma conversa que teve semanas atrás com o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), na qual o tucano se comprometeu, no caso de um afastamento de Sarney, comandar o Senado sem prejuízos para o governo. "O presidente ficou de refletir sobre o assunto", disse.

A nota de Mercadante gerou mal-estar no governo. O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) disse hoje que o governo manteria o apoio a Sarney e afirmou que o governo avaliaria a nota de Mercadante para saber se tinha o aval da bancada. "O que nós avaliamos é que isso não é um movimento do PT. Nós imaginamos que seja o posicionamento de um ou dois senadores", afirmou.

O artigo de minha autoria, sobre impostos e raison d´État, agora é disponível em PDF no endereço abaixo, extraido do Google:

[PDF]

Clique aqui: Roberto Romano: REFLEXÕES SOBRE IMPOSTOS E RAISON D'ÉTAT

Revista de Economia Mackenzie, Ano 2, número 2:

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rio, presente em vários sistemas do século XVIII (contra o aparato religioso e .... Se consultamos o verbete “Raison d'État” da E n c yc l op éd i e ...

ou então: http://www3.mackenzie.br/editora/index.php/rem/article/view/766/452