quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Um senhor feudal anacrônico. Triste Igreja. De fato, se ela não fosse divina, os homens já a teriam destruído...

 

 

Cardeal repreende jesuíta publicamente durante missa na República Dominicana

O cardeal López Rodríguez (foto), da República Dominicana, chamou o jesuíta Mario Serrano de "sem-vergonha". O religioso da Companhia de Jesus defende o direito dos filhos de haitianos de serem dominicanos.

A reportagem é de Andrés Beltramo, publicada no sítio Religión Digital, 08-02-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cardeal Nicolás de Jesús López Rodríguez aparece em um vídeo chamando a atenção dos jesuítas por defender os haitianos. No vídeo, López Rodriguez chama o padre Mario Serrano de "sem-vergonha". O jesuíta encabeça as reivindicações de milhares de dominicanos, filhos de pais sem documentos, para que os documentos lhe sejam entregues.

"Por que razão vocês estão apoiando? Aqui há coisas que devem ser mudadas. Trago dentro uma lagoa profunda... Fui educado por jesuítas e eu gosto dos jesuítas. Mas esse sem-vergonha não me interessa nada. Ele se dedicou aos grupos de esquerdistas para fazer o que quiser".

E afirmou: "É preciso me respeitar neste país, embora esse senhor se ache o supremo pontífice. Eu estou muito incomodado. Moralmente, não aceito que um sacerdote ande dizendo bobagens publicamente. Aqui está o superior jesuíta. Diga-lhe: 'Cale-se', e ponto. Quem você é para andar falando bobagens? Defendendo os haitianos (inaudível)?".

No meio de uma missa e diante de centenas de religiosos, o arcebispo de Santo Domingo não aguentou mais e atacou a Companhia de Jesus. Nicolás de Jesús López Rodríguez recriminou os jesuítas pelo seu apoio à reivindicação de nacionalidade dos descendentes de haitianos que nasceram e residem na República Dominicana.

O discurso do cardeal, contrariado até os gritos, foi gravado em um vídeo caseiro e se tornou uma bomba quando foi divulgado pelo canal de televisão SIN. Assim que a gravação foi ao ar, em diversos setores compararam a atitude do arcebispo com a do Papa Francisco, que apelou muitas vezes à misericórdia e cuja primeira viagem como pontífice foi a Lampedusa, a ilha italiana de imigrantes ilegais.

Tudo aconteceu na tarde de domingo, 26 de janeiro, durante a missa de encerramento de um encontro organizado pela Conferência Dominicana de Religiosos e Religiosas (Condor), no auditório da Casa San Pablo, em Santo Domingo. López Rodríguez protestou especialmente contra o padre jesuíta Mario Serrano (foto ao lado), diretor do Centro Bonó, que liderou inúmeros protestos públicos em favor dos haitianos.

"Trago dentro uma lagoa profunda. Fui educado pelos jesuítas, gostava e gosto dos jesuítas, mas esse sem-vergonha não me interessa nada. Ele se dedicou com alguns grupos esquerdistas, para fazer o que quiser. É preciso me respeitar neste país, embora esse senhor se ache o supremo pontífice! Eu estou muito incomodado, irritado. Não aceito que um sacerdote ande dizendo bobagens publicamente. Aqui está o superior dos jesuítas. Diga-lhe: 'Cale-se', e ponto. Quem você é para andar falando bobagens?", exclamou.

O padre Mario Serrano é um defensor ativa dos imigrantes e dos dominicanos de ascendência haitiana.

"Ninguém fez mais pelo Haiti como a República Dominicana, e, por isso, não é certo que um jesuíta esteja fazendo mais do que o próprio cardeal", que disse que luta com todos os meios possíveis, naturalmente defendendo a República Dominicana.

"Desculpem-me, mas eu me sinto profundamente incomodado com os jesuítas, meus formadores no seminário, porque não colocaram o senhor Mario Serrano no seu lugar. Que ele se ponha no seu lugar. Eu não sou companheiro dele. Por isso, por favor, tenham a bondade de pôr as coisas no seu lugar. Você é um religioso, submeta-se à obediência ou, senão, deixe a congregação e dedique-se a outra coisa", disse.

Enquanto o cardeal discursava, os sacerdotes presentes iam se encolhendo, alguns olhavam para o chão, em atitude reflexiva e envergonhada diante do espetáculo do cardeal fora de si.

Há meses e em várias ocasiões, López Rodríguez questionou as ações do Centro Bonó contra uma decisão do Tribunal Constitucional que, em setembro de 2013, emitiu uma sentença em que estabeleceu que não são dominicanas os filhos de estrangeiros em trânsito nascidos no país desde 1929. Essa decisão afetou praticamente três gerações de pessoas, que viveram toda a sua vida na República Dominicana e até contavam com a nacionalidade, graças a outras determinações legais.

À época, o Centro expressou a sua "mais profunda indignação diante da sentença absurda, insensata e injusta, mediante a qual o Tribunal Constitucional cria a figura de pessoas estrangeiras em trânsito, em um período que abrange 85 anos, para justificar a desnacionalização de milhares de dominicanos e dominicanas de ascendência haitiana".

A decisão e suas consequências dividiram a opinião pública no Caribe, embora o presidente dominicano tenha prometido que novas soluções jurídicas que incluam os registros civis serão buscadas.

As razões do enfrentamento

O cardeal López Rodríguez expressou publicamente o seu apoio à sentença 168 do Tribunal Constitucional, que despoja da nacionalidade dominicana todos os nascidos a partir de 1929 de pais considerados residentes em condições irregulares.

Ao contrário, o padre Mario Serrano, jesuíta, apoia a reivindicação das pessoas desnacionalizadas, porque a Constituição da República Dominicana, proclamada em 2010, afirma que o novo mandato para a aquisição da nacionalidade não se aplica para aqueles que nasceram antes da vigência dessa nova Carta Magna.

O padre Mario Serrano desenvolve o seu trabalho pastoral e social no Centro Juan Montalvo dos sacerdotes jesuítas.

Ameaças de morte contra o padre Serrano

O sacerdote Mario Serrano denunciou na última quinta-feira, no programa Voces Propias, da emissora Z-101, que havia sido ameaçado de morte por nacionalistas extremistas que o acusam de trair a República Dominicana e de supostamente servir a causa dos haitianos.

"Vamos mandar você para onde Sonia Pierre [defensora dos direitos humanos dominicana, falecida em 2011] está", dizia uma das mensagens recebidas pelo padre Mario Serrano, que revelou a ameaça em uma entrevista as intelectuais Carlos Francisco Elías e Olaya Dotel no programa Voces Propias.
* * *
O jesuíta Luiz Fernando Klein, diretor brasileiro de Educação e Ação Pública da Fundação Fé e Alegria, comenta o caso:

"Lamentável esse posicionamento agressivo, ofensivo e descontrolado do cardeal! Em sua última assembleia, realizada em novembro de 2013, no Rio de Janeiro, os Superiores Provinciais Jesuítas da América Latina se posicionaram publicamente a favor dos migrantes e descendentes de haitianos, com uma veemente nota de repúdio à sentença do governo da República Dominicana, e urgindo o respeito aos direitos dos migrantes e descendentes de haitianos."
* * *
Assista abaixo ao discurso do cardeal:

IHU

 

 

"O Brasil não precisa de outro AI-5"

O projeto de lei que tipifica agressões em protestos em uma lei antiterrorismo no País provoca divisão do PT no Senado. Apoiada por nomes como Jorge Viana (AC) e Paulo Paim (RS), a proposta foi duramente criticada pelo líder do partido na Casa, o senador Humberto Costa (PE).

A reportagem é publicada por CartaCapital, 12-02-2014.

Ele criticou a “generalização” do projeto e disse que o Brasil “não precisa de outro AI-5”. Segundo o senador, a lei pode “levar a excessos do Estado contra o cidadão”.

“Acabo de sair da reunião de líderes. No PT, cremos que esse projeto contra terrorismo é muito amplo e pode criminalizar movimentos sociais”, escreveu Costa em seu Twitter. “Precisamos de lei que puna os abusos e a violência perpetrados por alguns em manifestações. Mas, para isso, podemos reformar o Código Penal.”

O projeto também não tem unanimidade entre os aliados do governo. Em entrevista coletiva, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que “terrorismo não tem absolutamente nada a ver com isso que está acontecendo”. Ele defendeu, no entanto, o agravamento das punições aos envolvidos em crimes em manifestações. “Nós precisamos agravar as penas, punir exemplarmente, esclarecer e votar a legislação.”

Enviado por um amigo muito querido....

"A diferença entre o Brasil de hoje e o Velho Oeste Americano é que lá, quem usava estrela no peito era o mocinho!"

Uol Notícias


Globo News

Entre Aspas

Segundo o filósofo da USP José Arthur Giannotti, a crise faz com que não haja o sentimento de representação. Para o professor de Ética e Política da Unicamp Roberto Romano, estado não consegue manter os serviços públicos e os monopólios da força, da norma jurídica e dos impostos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Captirado do Blog de Marta Bellini...

Repasso uma reflexão do face da Ana Helena:
 
Num momento em que se quer ressuscitar a Lei de Segurança Nacional, a pretexto de combate ao terrorismo (o mesmo pretexto usado pelos EUA para barbarizar o mundo), transcrevo abaixo um trecho de entrevista concedida a mim pela Dra. Rosa Cardoso, advogada, que presidiu a Comissão da Verdade:

“A discordância quanto ao procedimento desses manifestantes (Black Blocks) não tem a ver com o tipo de abuso de autoridade que tem havido para confrontar as atividades deles. Tem havido ab...usos de autoridade contra os advogados que querem defendê-los. Qualquer pessoa, que tenha feito a coisa mais absurda, detestável e condenável, não se torna um monstro. Continua tendo o direito de que seus direitos de humano sejam defendidos. Os advogados deles não podem ser humilhados nem criminalizados, como tem acontecido. Uma coisa são os crimes que eles podem estar cometendo – e que tem que ser enquadrados dentro da legislação existente – outra coisa os abusos cometidos contra eles e contra seus defensores”.

 "A PM é uma deformação completa da forma como um cidadão deve ser tratado, vigiado, de como a segurança deve se dar num Estado Democrático. Porque é subordinada a um poder militar, a um general, e funciona com as regras do sistema militar, em que os soldados são preparados para a guerra. Os soldados não são preparados para lidar com a população de uma forma democrática. São preparados para usar armas e um tipo de violência que se legitima na guerra. Queremos chegar a uma situação em que não se legitime sequer na guerra, mas atualmente ainda é assim. Aí você coloca essas pessoas, que estão preparadas para atuar de forma militar, para controlar manifestações e tudo isso… Gera os problemas que temos visto…”.

“Acho que é inadequada a aplicação de uma Lei de Segurança Nacional. Porque é uma lei que requer uma motivação política. Então, ela, em princípio, não deve ser aplicada às manifestações. Acho que a natureza da atuação dos Black Blocks não está ainda definida. Eu não consegui ainda ouvir deles próprios uma definição de que são ativistas políticos que querem destruir o sistema capitalista. Isso ainda não está esclarecido. Eles estão situados no âmbito dessas manifestações como pessoas que estão extrapolando os limites de uma manifestação legítima. Acho que devem ser punidos. Não há nenhuma indicação clara de que eles sejam de partidos políticos, mesmo que não seja legalizado, nem de que estejam pretendendo mudar a natureza do Estado. Então, não há nada que justifique enquadrá-los numa Lei de Segurança Nacional. Acho que devem ser enquadrados nos crimes previstos no código penal.”

Repórter Diário

PT mudou muito em 30 anos, diz especialista


 

Leandro Amaral
Genoíno é um dos petistas históricos que foram presos pelo mensalão. Foto: EBC
Nesta segunda, dia 10, o PT completou 34 anos de existencia. Do partido fundado no início da década de 80 com o carimbo dos trabalhadores para a legenda que há 12 anos está no poder muitos acontecimentos marcaram a sigla.

Recentemente, o julgamento do caso conhecido como mensalão, petistas históricos foram presos como José Dirceu, ex- ministro de Lula, e, José Genoíno, ex-presidente do PT.

Segundo o professor de Ética ds Unicamp, Roberto Romano, o PT se afastou de seus ideais. "Quem viu a origem do PT e observa o partido hoje nota as diferenças", destaca, citando, por exemplo, as críticas de Lula a Collor e José Sarney, principalmente em 1989 e hoje todos estão no mesmo barco.

Na região, os petistas não acreditam no impacto no caso na hora do eleitor votar em outubro. "É só comparar as gestões do PT com o PSDB", disse o vereador de São Caetano, Pio Mielo.

O antigo coordenador da Macro PTABC, Humberto Tobé, atualmente ligado ao gabinete do presidente estadual, Emídio de Souza, destacou nas redes sociais a alegria de comemorar a data. "Comemoro como se fosse o meu aniversário", vibra.

O PT disputou, sem exito, as eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998, até Lula ganhar em 2002, se reeleger em 2006 e emplacar a sucessora Dilma Rousseff em 2010.

Resta saber se o maior sonho petista, a conquista do governo estadual virá como presente para o ex-ministro Alexandre Padilha. 

CBN, entrevista Roberto Romano sobre a morte do cinegrafista.

Uol Notícias, 11/02/2014


PT e PSDB têm 'pacto dos afogados' para desacreditar STF, diz filósofo

Fernanda Calgaro
Do UOL, em Brasília

  • Flávio Florido/UOL
    Roberto Romano, filósofo e professor de ética Roberto Romano, filósofo e professor de ética
Adversários nas eleições presidenciais deste ano, o PT e o PSDB, ambos atingidos por esquemas de corrupção julgados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), os chamados mensalão petista e mensalão mineiro, agem como se tivessem um "pacto dos afogados" ao defenderem lideranças dos seus partidos com o objetivo de "desacreditar a opinião pública, a imprensa e a Justiça", segundo o filósofo Roberto Romano, professor titular de ética na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

"A tática de um partido de sair em defesa de uma liderança importante, mesmo que esta esteja a dever, é ligada a esse pequeno cálculo eleitoral. A visão dos partidos não vai além das urnas. Eles pensam naquilo que é bom para ganhar nas urnas e não no que é certo ou errado", afirmou Romano em entrevista ao UOL.

Nesta segunda (10), o presidente do PSDB e pré-candidato do partido ao Planalto, Aécio Neves, saiu em defesa de Azeredo ao dizer que ele "era um homem de bem". Da sua parte, o PT sempre considerou o julgamento no STF como "político" e apoiou, inclusive, campanhas de arrecadação de dinheiro para pagar a multa dos ex-dirigentes petistas condenados por corrupção no processo.
O filósofo vai ainda mais além na sua análise: afirma ver uma certa "trégua" entre as duas legendas para se pouparem mutuamente diante de tema tão desgastante em ano eleitoral.
Segundo ele, quando o deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a ser julgado pelo STF, diz ser tão inocente quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do mensalão petista, Azeredo tenta se eximir de responsabilidade e, ao mesmo tempo, fazer uma defesa de Lula.

Da mesma forma, avalia Romano, quando o presidente do PT, Rui Falcão, afirma esperar que Azeredo tenha direito à ampla defesa e um "julgamento justo" no STF, Falcão "aproveita para alfinetar o Supremo".

Em entrevista à "Folha de S.Paulo", Azeredo se comparou a Lula, que sempre negou saber do mensalão e acabou não sendo denunciado, e disse que nada sabia das irregularidades em sua campanha eleitoral de 1998 em Minas Gerais e, portanto, não deveria ser responsabilizado.

"Azeredo faz um apelo a um princípio, ou a falta de princípio, que impera nos homens públicos, que é a recusa em assumir responsabilidades", avalia Romano. "É um fogo de artifício para que ele diga à cidadania que é tão igual ao Lula, ou seja, que é inimputável."

Segundo o filósofo, dizer que não sabia sobre "algo que acontecia na cozinha da sua campanha" é igualmente grave: "É uma confirmação da falta de responsabilidade e de competência".

Acusado dos crimes de peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro, Azeredo responde na Justiça pelo desvio de R$ 3,5 milhões (cerca de R$ 9,3 milhões em valores atualizados) do banco estatal Bemge e de empresas públicas para financiar a sua campanha à reeleição em 1988, que acabou perdendo.

O deputado diz que não autorizou os repasses que alimentaram o caixa de sua campanha. No entanto, para a Procuradoria Geral da República, ele teve "participação direta, efetiva, intensa e decisiva" nos crimes e, "além de beneficiário dos delitos cometidos, também teve papel preponderante em sua prática". Por conta disso, defende pena de 22 anos de prisão para Azeredo.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Roque


LABJOR/COM CIÊNCIA (UNICAMP) Biografias

Divulgação Labjor -Revista ComCiência

De:
labjor@unicamp.br 
Está no ar o número 155 da revista mensal eletrônica de jornalismo científico ComCiência <www.comciencia.br>, publicada pelo Labjor e pela SBPC. O tema desta edição é "Biografias".



Editorial

- Algumas referências-guia para se escrever sobre a vida própria, a dos outros, e a própria vida
Carlos Vogt
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=96&tipo=1172



Artigos

- Vidas e datas
Alberto Dines
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=96&id=1169

- Eram os deuses biografados?
Miguel Ângelo Montagner
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=96&id=1171

- Visões sobre a vida e obra de Darwin: conhecendo Charles e sua “ideia perigosa”
Valdir Lamim-Guedes e José Costa Júnior
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=96&id=1170

- As biografias de cientistas e suas aplicações no ensino de ciências
Guilherme Urias e Alice Assis
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=96&id=1167

- Vidas de cientistas no cinema
Fátima Gigliotti e Silvia Campolim
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=96&id=1176

- Biografias femininas: repensando o gênero
Tânia Regina Zimmermann e Márcia Maria de Medeiros
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=96&id=1168



Reportagens

- Polêmica das biografias: o privado como interesse público?
Juliana Passos
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=96&id=1179

- Bastidores das páginas - a pesquisa na produção da biografia
Denise Pereira e Gabrielle Adabo
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=96&id=1178

- Generalizando a vida real. O que retratam as cinebiografias?
Cristiane Delfina
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=96&id=1177

- Toda história de vida é interessante e merece ser biografada
Carolina Medeiros
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=96&id=1175

- O encanto pela vida alheia
Fernanda Domiciano e Kátia Kishi
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=96&id=1174



Entrevista

- Sérgio Cabral
Entrevistado por Valéria Zukeran
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&tipo=entrevista&edicao=96



Resenha

- Conte-me os detalhes
Por Simone Caixeta de Andrade
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&tipo=resenha&edicao=96



Poema

- Traições
Carlos Vogt
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&id=1173&edicao=96



Notícias
http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?module=comciencia&action=view&section=3

- Plataforma online reúne informações sobre inclusão social e equidade no ensino superior
- Os desafios para o desenvolvimento científico no continente africano
- Mulheres diabéticas devem redobrar cuidados durante a gravidez
- Cana migra para o Centro-Oeste e pode substituir culturas alimentares
- Descobertas jazidas líticas mais antigas da Jordânia

Boa leitura!


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Labjor/Unicamp
http://www.labjor.unicamp.br

Blog Mezetulle

Finkielkraut : quelle mauvaise langue !

Bloc-notes actualité  
Finkielkraut : coupable de « mauvaise langue » (1)

En ligne le 10 février 2014

Qui l'eût cru ? Notre Finkie est bien mal embouché : ne voilà-t-il pas qu'il lâche des gros mots, des mots qui fâchent, des mots que seules les sorcières emploient, des mots inquiétants et dangereux qu'il faudrait bannir du vocabulaire ?
Heureusement, une poignée de responsables politiques veillent - ou plutôt deux seulement, mais si bien placés que leurs propos pourraient, à force de politiquement correct, devenir embarrassants.
 
Dans une lettre adressée au Conseil supérieur de l'audiovisuel, deux membres du Conseil national du Parti socialiste n'ont pas manqué de dénoncer notre Finkie. Figurez-vous qu'il a dit (horresco referens, j'ose à peine reprendre, mais si quand même ça devrait passer sans m'attirer des ennuis en mettant un  cordon sanitaire de guillemets autour et en me pinçant le nez tellement c'est nauséabond), oui Finkielkraut a osé dire «« Français de souche »» (je cite, je cite, hein) au cours de l'émission Des paroles et des actes du 6 février, en dialoguant avec Manuel Valls !
 
Comme le précise ce texte qui respire la haine et l'imbécillité, l'expression est « totalement contraire à l'article premier de la Constitution » (mais si, mais si, les juristes n'ont qu'à suivre cet avis éclairé, on leur mâche le travail). Et puis critiquer le multiculturalisme communautariste, parler d'« antiracisme sans cervelle », on n'a pas idée : c'est dangereux et inquiétant. Franchement, tout ça mérite au moins une bonne épuration audiovisuelle, une police de la langue sur les ondes. Pourquoi pas une interdiction professionnelle (le texte s'étonne que Finkielkraut enseigne à Sciences Po)? Ou plus ? Arrgh, ah oui c'est vrai, le bûcher n'existe plus... je me laisse aller.

Je souhaite bien du plaisir aux responsables PS. Quelle belle patate chaude farcie de bêtise juste la veille du jour où Jean-Marc Ayrault va dévoiler les grands axes de la nouvelle politique d'intégration, laquelle serait (disent les mauvaises langues) inspirée par les effarants rapports en ligne sur son site - rapports où l'on suggère aussi, entre autres mesures hygiéniques, la mise sous surveillance de la mauvaise langue (en novlangue proprette on dit élégamment « revisiter le lexique ») !

Quel magnifique cadeau de plus au Front national ! A moins que ceux des responsables et élus PS qui ont gardé raison mettent à profit ce moment pour en faire une session de rattrapage ? On n'en attend pas moins d'eux, et ça urge - au fait il y a des élections bientôt, et quelques sondages pourraient être intéressants ?

Je me demande quand même s'il ne serait pas prudent de ma part de passer au peigne fin les articles de Mezetulle, des fois que j'y trouve des gros mots, des allusions à un « antiracisme sans cervelle » (et si ces allusions s'abritaient derrière des citations de grands auteurs, comme par exemple dans cet article, elles n'en seraient que plus coupables) et aussi des textes critiquant le multiculturalisme communautariste...

Un bon nettoyage ? Seulement voilà, la tâche serait longue, je me rends compte qu'il faudrait presque tout censurer (2).

Donc, vivons dangereusement : je vais malgré tout attendre la réaction des autres dignitaires et élus PS, et celle du CSA. En souhaitant que le bon sens continue à être la chose du monde la mieux partagée, faute de quoi on peut prévoir sans trop de risque de se tromper un houleux nettoyage de printemps à coups de bulletins et... d'abstentions.
 
1 - Les lecteurs avertis excuseront cette précision : j'emprunte le titre du livre de Cécile Ladjali Mauvaise langue (Paris : Seuil, 2007).
2 - Même si on n'y trouve pas, à ma connaissance, une seule occurrence de « Français de souche » (sauf comme ici sous forme de citation précautionneuse), je ne doute pas que Mezetulle offre un terrain de choix à l'enrichissement de l'index des mots et expressions à prohiber. Après ce qui vient d'arriver à Finkielkraut, cela m'honorerait !
 
Documents en référence :


Lire le texte envoyé au CSA mettant en cause Alain Finkielkraut et réclamant la police de la langue, reproduit par Le Figaro

Lire l'article de Jean-Paul Brighelli sur le site de Causeur.


Sur un exemple de police de la langue, relire l'article d'André Perrin récemment publié par Mezetulle Race, racisme et police du langage (tiens en voilà un qu'il faudrait censurer - pardon « revisiter »... c'est pourquoi je le mets en tremblant et en petits caractères).

Roque


Roque



sábado, 8 de fevereiro de 2014

Roque e o calor...



No post anterior, com o meu perfil publicado pelo IHU/Unisinos, indico o artigo de Frei Guilherme Nery Pinto contra a pena de morte. Eu o encontrei no Site do Observatório da Imprensa. Num instante em que o fascismo, incluindo o da midia de direita, berra por repressão, se possível absoluta e irreparável, vale a pena ler as ponderações do maior sábio com que tive o privilégio de conviver na Ordem dominicana.

MEMÓRIA / FREI GUILHERME NERY PINTO
 
Introdução necessária
Roberto Romano (*)

Faleceu, no ano 2001, Frei Guilherme Nery Pinto, da famosa Ordem de São Domingos, os dominicanos. Esta perda abalou todos os que, no Brasil, pensam de modo efetivo, sem apelo à propaganda que define boa parte das formações universitárias e da mídia. No silêncio de sua cela conventual, Frei Guilherme ajudou a formar gerações inteiras de intelectuais, religiosos, políticos. Era um sábio.

Seu nome não surgiu nas revistas, jornais, televisões. O alarido público não lhe fez justiça. Quando se consulta o hall da fama, o bom frade não aparece. Mas seu pensamento é poderoso e sua coragem não é menor. Os jovens que o visitaram, ao longo dos anos, puderam receber, com as mais sólidas bases filosóficas do catolicismo, especialmente Tomás de Aquino, dados sérios sobre filosofias diferentes, antropologia, arte, literatura, política etc. Uma brincadeira comum entre os moços que dele se aproximavam era repetir um ditado: "Frei Guilherme, a revolução na cela".
Antes de sua doença lhe retirar as forças, parece que ele acompanhou tudo o que passava no mundo, via internet. Mas nos anos de 1960, quem desejasse conversar sobre estruturalismo e suas vertentes adquiria boas noções com o frade sapiente e aberto ao diálogo.

O artigo abaixo, contra pena de morte, foi escrito na época da malograda Revisão Constitucional. Naqueles dias, João Paulo II editou o Catecismo Católico, com um sério recuo nos ordenamentos cristãos em relação à pena de morte. Com uma força de caráter inaudita, sobretudo na hora em que a Santa Sé punia teólogos brasileiros, Frei Guilherme escreveu este texto que, certamente, lhe traria dissabores.

Levei o escrito a um conhecido jornal paulista, colocando-o nas mãos de jovem coordenador de coluna. A pergunta que me foi endereçada, ela mesma., mostra o tipo de idéia que se tem do mundo intelectual brasileiro: o garoto perguntou-me se Frei Guilherme "era importante". Como não pronunciei nenhum nome de relevo entre as panelas acadêmicas ou políticas do Brasil, garantindo o texto, o artigo não foi publicado. Tempos depois, ele surgiu numa publicação interna da PUC de Minas Gerais, e no Página Central, um periódico de pequena circulação que muito contribuiu para o debate de idéias na sua curta existência.

O leitor pode julgar sobre a relevância das linhas abaixo nestes dias em que a morte é prometida para todo indivíduo que tiver a desgraça de cair nas mãos da polícia, e que a expressão "direitos humanos" parece banida da vida pública.

(*) Professor e ética e filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)


A pena de morte e a dignidade humana 

Frei Guilherme Nery Pinto OP

A violência que nestes tempos se tem manifestado em nossa sociedade, com alarmante freqüência de roubos, depredações, assaltos a mão armada, seqüestros, homicídios, praticados não raras vezes com requintes de crueldade, configura intolerável ambiente de insegurança, sobretudo para a população dos centros urbanos e mantem muitas pessoas em estado de tensão emocional.
Estes fatos despertam sentimentos de revolta, e persuadem larga parte da população a apelar para medidas que ponham termo aos graves crimes que afligem a sociedade. Para muitas pessoas de todas as classes a solução seria reintroduzir a pena de morte na legislação brasileira: "para grandes males, grandes remédios". O problema que envolve a penalidade suprema não é apenas de ordem legislativa, não pode ser dirimido por recurso à opinião pública, por via de plebiscito. A pena de morte tem sido amplamente debatida por juristas sob vários aspectos. A Comissão de Juristas que deve proceder à nova formulação do Código Penal declara que ela é inconstitucional e não pode ser adotada através de emenda, durante a revisão do texto da Constituição, o propalado plebiscito torna-se de todo irrelevante. [...] Revela-se, pois, remota, a possibilidade de sua introdução na lei brasileira.

Para o esclarecimento da opinião pública, julgo que pode haver ainda margem para algumas reflexões sobre o mérito desta importante questão, do ponto de vista moral, vale dizer, em confronto com os princípios da ordem moral dos quais decorrem os direitos fundamentais da pessoa humana.

As considerações que, de início, me ocorrem, dizem respeito ao caráter irreparável da pena de morte, que tem por fim imediato a destruição da pessoa do condenado. Os defensores desta forma de punição deveriam atender para as lições da história, que revelam as incertezas e a falibilidade das sentenças dos tribunais. O ministro Maurício Corrêa relembra que, em nosso país, no século passado, um fazendeiro foi acusado de ter trucidado sua família; condenado pelo tribunal por unanimidade, foi executado. Após alguns anos, foi comprovada sua inocência. A reabilitação póstuma constitui um ato de justiça e pode interessar os estudiosos da verdade histórica. Na realidade, porém, ela nada mais pode significar para os verdadeiros interessados, isto é, para a família do supliciado.

A reabilitação é o reconhecimento explícito de um erro judiciário de conseqüências irremediáveis. A execução de um inocente representa crime infinitamente mais grave do que a punição de um criminoso com a pena capital; contudo, mostrarei que, ainda com circunstâncias agravantes, a aplicação da pena máxima é de todo injustificável.

Desde logo vem a indagação: que instância superior julgaria, por sua vez, e condenaria os fautores de uma decisão que posteriormente se revelou injusta? A conclusão necessária é que, não havendo garantias judiciárias de que jamais um inocente seja condenado e executado, a pena de morte deve ser incondicionalmente excluída de toda lei penal. Como pondera o parlamentar José Serra, no Brasil, o risco de erro seria maior do que em outros países, visto que o sistema judiciário, em nosso país, comprovadamente se tem revelado deficiente.

Os que apelam para o poder de intimidação da pena de morte alimentam esperança ilusória. As estatísticas levadas a efeito nos países em que ela foi imposta falam em seu desfavor, mostrando que sua adoção não diminui, nem tampouco sua supressão aumentou a frequência da criminalidade. Esta é uma das razões por que em vários Estados modernos ela foi supressa ou não foi estabelecida.

Para o esclarecimento da consciência dos cristãos, é necessário informar que não existe doutrina oficial da Igreja a respeito da pena de morte. Os pensadores eclesiásticos dos primeiros séculos a condenavam, tendo em vista o preceito do Decálogo, sancionado pelo ensino evangélico. Após a conversão do império romano ao cristianismo, apareceram opiniões a favor da pena de morte. Na Idade Média, moralistas levando em conta o que era posto em prática nos Estados cristãos, justificavam e invocavam as exigências do bem comum da sociedade a defender, e por outra parte, denunciavam a degradação moral a que se expõe aquele que comete grave crime; contudo, não deixavam de fazer a esse gênero de punição severas restrições.

O papa Leão XIII, embora não se tratando expressamente da pena de morte, ao condenar o duelo, julga que a autoridade civil tem o direito de prescrever a pena capital. O papa Pio XII é mais explícito ao declarar que, em se tratando da execução de um condenado, o poder público não se sobrepõe ao direito à vida de um condenado à morte.

O catecismo da Igreja Católica, recentemente publicado, acolhe o ensino que nesta questão se tornou tradicional, em favor da pena de morte, não porém, de maneira unânime, visto que sempre houve moralistas até em épocas recentes que se opuseram à pena capital. O novo catecismo a mantêm circunscrita aos casos de extrema gravidade. Neste domínio, o magistério eclesiástico não teve o propósito de empenhar o caráter de infalibilidade. As duas declarações, embora versando sobre doutrina da fé, devem ser acolhidas com a consideração a que tem direito a mais alta instância religiosa, sem nos privar da liberdade de opinião a esse respeito.

Eu presto especial atenção ao ensino de Pio XII quando declara que, em se tratando de execução de um condenado, o Estado não dispõe do direito que a pessoa tem à vida. Compete ao poder público privar deste bem o condenado que, por grave delito, já se desapossou do direito à existência (Alocução de 13/9/1952). Em continuidade com o ensino do papa, eu digo que nenhuma razão nos persuade que o poder público seja, de fato, competente para proferir, com toda certeza, o veredicto da pena de morte, que priva o condenado da possibilidade de reabilitar-se.

Toda pessoa humana, em virtude de sua natureza espiritual, é uma realidade sagrada, possui eminente dignidade e o seu direito essencial, o direito à vida, é por si inviolável, não lhe sobrepondo nenhuma instância judiciária. A dignidade da pessoa humana é a razão fundamental para que a pena de morte, que tem por fim direto e imediato destruir a pessoa do sentenciado, seja, de modo incondicional, excluída de toda legislação penal e jamais seja introduzida na Constituição brasileira. Organismos sociais ou religiosos, como a Anistia Internacional, as Conferências Episcopais de muitos países, reclamam a abolição da pena de morte nos Estados em que ela é admitida.

O direito à vida é um bem que, por si, não admite restrições. Os casos limites de sua defesa, por meios cruentos, não representam exceções.Quem é ameaçado de morte por um agressor, pode tirar-lhe a vida, se não tem outro recurso; na ocorrência o homicídio constitui legítima defesa de um bem soberano. O chefe de uma nação cumpre imperioso dever quando defende a vida de seu povo, se for de todo necessário, pelas armas, contra uma potência inimiga.

Em razão destes princípios, compreendemos que um dos precípuos deveres da autoridade pública consiste em utilizar o meio mais apropriado à repressão de toda a forma de atentado às pessoas e à sociedade. Este meio não deve ser outro a não ser a prisão. Ela tem por fim privar o delinquente do uso da liberdade enquanto ameaça a vida e a segurança da população, mas não deve ser ambiente em que se procede ao aviltamento da pessoa do sentenciado.

As manifestações da violência, que de início assinalei, provêm de causas profundas que vem pôr em questão as bases em que se firmaram as culturas modernas. Estas bases repousam, sobretudo, em fatores de natureza econômica. A primazia atribuída ao capital em detrimento dos direitos dos operários à justa retribuição deu origem à formação do proletariado como classe. A subversão de valores na área econômica constituía grave forma de opressão da classe operária e, como denunciava Emmanuel Mounier, o capitalismo após um século de história assumiu o aspecto de tirania, acumulando no silêncio da normalidade injustiças e ruínas (revista Esprit, 1933).

Esse poder teve por conseqüência, no plano mundial, a divisão entre países ricos e países espoliados e empobrecidos, que tende a agravar-se. No Brasil, recente pesquisa revela que na Grande São Paulo mais de um milhão de pessoas vivem em condições subumanas de miséria. Em outros Estados é mais pungente a miséria em que jazem numerosas famílias. A desordem estabelecida pela economia capitalista representa requintada forma de injustiça social, que, nas sociedades evoluídas, podem assumir aspecto larvado e proteiforme, instaurando sob o véu da normalidade, permanente estado de injustiça.

Defrontamos, neste momento, com uma das principais causas da desordem moral que é a criminalidade. Ela surge, quase sempre, como resposta à intolerável situação de injustiça e miséria em que se debate amplos setor da população. Não se pode combater eficazmente as manifestações dessa desordem com meios igualmente violentos. As medidas eficazes consistem nas reformas sociais e econômicas que se impõem urgentes. Estas reformas estão sempre adiadas, e não sabemos se é por incompetência da classe governante ou por motivos inconfessáveis.

Deste modo, prolonga-se um estado de desesperança que pode levar a população sofrida a defender seus direitos à subsistência e justo bem-estar por seus próprios meios, não excluindo os atos de violência.

Se as verdadeiras causas da violência e da criminalidade são complexas, torna-se manifesto quanto é inconsistente aopinião dos que julgam resolver tão grave questão apelando para o pretenso poder coercitivo da pena de morte. Em todos os casos que envolvem atos de violência, cumpre não confundir o emprego de meios indiscriminados de compensação do real estado de miséria em que se encontram muitas pessoas � e que levam abertamente à prática de crimes � e a legítima defesa dos direitos humanos essenciais, se bem que pelo emprego da força, em face da injustificável omissão das autoridades públicas.

Por fim, convém saber que a supressão realmente eficaz das formas de violência de que padece o povo tão somente pode efetivar-se mediante a instauração em nosso país de uma ordem social, política e econômica com referência explícita aos postulados da moral social, que encontram sua mais perfeita expressão nos princípios da moral social cristã.

Roberto Romano, Um Perfil.

Perfil - Roberto Romano, uma vida atravessada pela história

Roberto Romano nasceu na pequena cidade de Jaguapitã, no Norte do Paraná, próximo à divisa com São Paulo. Filho da comunhão de uma família paulista que ia em direção ao Sul e de uma família gaúcha que seguia em direção ao Norte, cresceu em uma região predominantemente rural. A aura de tranquilidade que cerca a vida no campo não se traduzia em realidade na pequena cidade na qual Romano nasceu e cresceu, onde desde a infância aprendeu a conviver com a violência. “A região onde vivia quando pequeno era muito violenta, com grilagem, bandidagem, etc., o que levou meus familiares a retornarem a São Paulo. Havia também muitas doenças, a principal delas chamada Moisés Lupion , que era governador do Paraná na época e que tratava muito mal os professores e muito bem as empreiteiras, como é o caso até hoje”, conta Romano, cuja mãe era professora.

Por: Márcia Junges e Ricardo Machado

De volta a São Paulo, Roberto Romano, juntamente com sua família, foi morar na cidade de Marília, no sudoeste do Estado, onde fez o ginásio, equivalente ao ensino médio, e entrou em contato com o professor e filósofo católico Ubaldo Pupi , que liderava as pessoas católicas de esquerda da região. “Entrei para a Juventude Estudantil Católica – JEC com 16 ou 17 anos, quando ocorreu a tragédia do Golpe Militar de 1964. Houve muita perseguição política na cidade, e o professor Ubaldo foi preso e perdeu o emprego na faculdade”, explica.

Regime Militar 
O militarismo no Brasil começava a espalhar sua forma de governo sobre o país, e os efeitos de um dos períodos mais sombrios de nossa história começavam a emergir. Em Marília, o Bispo Dom Bressane de Araújo , apesar de conservador, nas palavras de Roberto Romano, era muito culto e não aceitava a campanha de perseguição contra os religiosos católicos de sua diocese. “Sempre que alguém ia delatar outrem na Igreja, o bispo dizia: Meu filho, faça uma declaração no cartório e depois me devolva”, relata Romano, e diz que depois de um tempo ninguém mais apareceu para fazer denúncias.

Dominicanos
Quando Romano estava às vésperas de completar 20 anos, muito identificado com a realidade dos dominicanos, considerou que tinha vocação religiosa e foi para Juiz de Fora, em Minas Gerais, no Convento dos Dominicanos, onde permaneceu até 1967. Depois disso retornou a São Paulo, para se preparar ao noviciado, quando fez vestibular para o Instituto de Filosofia e Teologia de São Paulo, iniciativa que tentou reunir as ordens em um curso de Teologia e Filosofia. “Não fiquei muito satisfeito com o curso de Filosofia. Havia dominicanos que faziam Filosofia na Universidade de São Paulo – USP. Aí pedi autorização para fazer vestibular lá”, esclarece.

Prisão e morte
O ano em que Romano fez vestibular para Filosofia na USP coincidiu com o assassinato de Carlos Marighella , em 1969. Na época os dominicanos eram muito próximos ao movimento Ação Popular , criado por Betinho , que se pretendia socialista. No entanto, após uma série de debates internos, parte do grupo decidiu-se por um tipo de postura marxista, o que levou os dominicanos a se aproximarem da Ação Libertadora Nacional - ALN, criada, justamente, por Marighella e que aceitava os religiosos.
“O Ivo Lesbaupin  foi preso. Quando ele disse que ia para o Rio de Janeiro, o clima já estava pesado, pediu-me que caso ele não aparecesse em tantos dias era para ligar para seus pais”, conta. “Passaram os dias e ele não apareceu. Eu pedi ao superior do convento para ir até o Rio de Janeiro para saber notícias dele. O telefone do convento estava grampeado. Quando eu cheguei no Convento do Leme, chamei um colega para irmos até a casa do pai do Ivo, e na porta mesmo fomos presos pelo Centro de Informações da Marinha – Cenimar”, complementa. 

Dias de escuridão
A relação de Romano com a ALN era muito tênue, como ele mesmo conta, resumia-se a ajudar as pessoas a fugirem, mas não tinha nenhum vínculo formal com o movimento. “Fui levado e interrogado, mas não tinha muito que dizer, pois não tinha trato com a ALN. Fui transferido do Rio de Janeiro para São Paulo, onde encontrei o Ivo na cela do Departamento de Ordem Política e Social - DOPS  com o rosto totalmente esfacelado. Só o reconheci porque ele usava a mesma camisa xadrez canadense de quando saiu do convento. Quando o vi, pensei — Eu conheço essa camisa”, recorda Romano.

Repressão
Quando estava em São Paulo, Romano encontrou Frei Betto , que havia sido preso no Rio Grande do Sul e foi encaminhado ao Dops paulista. “Fiquei mais ou menos dois meses no Dops, depois fomos para o presídio Tiradentes . Meses depois, Frei Tito , que havia sido muito torturado, tentou suicídio. Até que houve uma greve de fome para diminuir o rigor da repressão”, recorda. 

Desespero
A conjugação entre inexperiência, desespero e dor levou Roberto Romano a tentar suicídio. “A situação ficou de tal modo insuportável que eu, inexperiente e tolo, tentei suicídio. Fui socorrido por Dom Paulo Evaristo , a quem devo a vida”, relata. “Depois disso fomos ouvidos pela segunda auditoria militar, e o Ivo, o Fernando  e o Betto foram transferidos para o presídio de Presidente Venceslau. E eu fui liberto em um regime em que a pessoa é solta, mas tem que assinar um livro toda semana. Aí voltei para a universidade e continuei o curso de Filosofia, ainda como dominicano”, explica. Após o julgamento, Romano foi absolvido por absoluta falta de provas, sendo que recentemente recebeu um documento em que o Estado brasileiro informa que lhe concedeu anistia e reconhece o regime de exceção praticado pelos governantes da época. 

A Igreja e o Regime
Romano conta que ao final da ditadura militar passou-se a veicular que a Igreja como um todo resistiu e defendeu os direitos humanos. “Houve corajosíssimos cardeais, bispos, religiosos e leigos que agiram quase profeticamente em defesa dos direitos humanos e da fé cristã no sentido autêntico, Dom Paulo foi um deles, assim como Dom Tomás Balduíno ”, pondera.
Um dos exemplos lamentados por Romano foi um episódio ocorrido no presídio de Tiradentes, em que Dom Vicente Scherer  foi visitar os dominicanos e junto com os religiosos havia um preso da ALN que tinha sido alvejado nas pernas por tiros de metralhadora. “Esse detento estava com a perna engessada e necrosando. Dom Scherer viu tudo. Quando ele foi embora, Frei Betto escreveu-lhe uma carta pedindo que intercedesse para que o preso fosse encaminhado ao hospital, e a resposta foi dramática: ‘não podemos fazer quase nada porque ele é terrorista, pegou em arma e tem que receber a punição necessária’. Esta é uma atitude que não é de um cristão, é uma atitude pesada”, considera.

Visitas
Segundo Romano, Dom Paulo nunca assumiu uma posição política, mas sempre esteve presente com os religiosos. Após a tentativa de suicídio, Dom Paulo visitava Roberto Romano com alguma frequência no presídio, até que um dia teve uma surpresa desagradável, quando outro monsenhor foi visitá-lo. “Eu estranhei quando Dom Paulo não veio, pois ele sempre vinha. Aí o monsenhor que veio me visitar disse: ‘nós decidimos que o Dom Paulo não pode vir’. Mas nós quem? Não tive resposta”, recorda. 
Após o episódio de tentativa de suicídio, Romano foi internado no Hospital Militar. Dom Paulo o visitou várias vezes. “A ida de Dom Paulo ao hospital era muito significativa, pois era um claro recado de que ele sabia onde eu estava, com quem eu estava e como eu estava. Isso era um aviso direto para qualquer tentativa mais truculenta que existia na polícia naquela época.”

Insensibilidade eclesiástica
A instabilidade política e a falta de sensibilidade para entender a complexidade do momento histórico que o Brasil vivia levaram representantes da Igreja a posturas discutíveis. “Chegou a um ponto que Dom Agnelo  estava de tal modo insensível ao que estava acontecendo que ele fazia campanha para desmentir a imagem do Brasil. Isso foi acentuando de tal modo que o Papa Paulo VI percebeu o erro e tomou uma posição; chamou o Cardeal para Roma e nomeou D. Paulo como arcebispo metropolitano de São Paulo”, conta Romano. “Se o Estado precisa da legitimidade para ser obedecido, a Igreja precisa muito mais para ser aceita, sobretudo aquilo que é fundamental à Igreja, que é servir às pessoas, o desejo de pacificar, consolar, proteger”, complementa.

Pena de morte
“Chamávamos o Frei Guilherme de Nery Pinto  de ‘a revolução na cela’, porque ele estava a par de tudo o que acontecia na teoria e no mundo, sem mesmo sair do convento. Ficávamos horas conversando com ele e trocando ideias sobre tudo. Quando saiu o catecismo  com João Paulo II  ele dava margem à admissão de pena de morte, embora não fosse exatamente como a imprensa publicou na época, mas mesmo assim era uma coisa muito complicada do ponto de vista doutrinário”, relata Romano. 
Na ocasião Frei Guilherme ficou muito bravo com o fato, pois em sua avaliação a possibilidade de anuir à pena de morte era um retrocesso muito significativo. Romano, então, sugeriu que ele escrevesse um texto para publicar no jornal Folha de São Paulo. Durante cerca de cinco meses Frei Guilherme e Roberto Romano escreveram o texto, que passou por muita reflexão e edição até que chegasse na versão a ser publicada. Romano levou, pessoalmente, o artigo ao editor do jornal, que preferiu não publicar. “O editor perguntou se o texto era importante e se Frei Guilherme era importante. Eu respondi que ele era um dos nomes mais importantes do Brasil, e mesmo assim ele não publicou. O que demonstra uma tolice jornalística”, descreve Romano, que depois acabou publicando o artigo em um jornal da periferia de São Paulo. “As pessoas dizem que os donos das grandes empresas jornalísticas são os piores, mas penso que a coisa é um pouco mais que isso. Além dos donos, há essas pessoas que decidem e que os donos nem sabem o que está acontecendo. Decidem sem o menor critério e sem a menor tentativa de entender o que está acontecendo. Quando se fala em liberdade de expressão, tem que saber quem se está defendendo; às vezes, a pauta do editor é pior que a do dono do jornal”, avalia. 

Cotidiano
Os anos mais combativos contra o Estado na luta pelos direitos humanos deram lugar a um período mais ameno na vida de Roberto Romano, pelo menos no que tange às ações mais diretas. Nos últimos anos Roberto Romano tem dedicado seu tempo às atividades acadêmicas de aula e pesquisa. Atualmente vive em São Paulo, capital, no bairro Jardim Paulistano, que como ele mesmo define “não é rico como o Jardim Europa, nem pobre como os outros jardins”.
“Eu e minha mulher gostamos muito de ir ao cinema, ir ao teatro e visitar as pessoas. Agora que me aposentei, estamos com plano de passar um período em Boston, nos Estados Unidos”, conta. Casado com Maria Sylvia de Carvalho Franco , socióloga, autora do livro Os homens livres na ordem dos escravocratas (São Paulo: Instituto de Estudos Brasileiros, Universidade de São Paulo, 1969) e egressa da turma de Florestan Fernandes . “Por ocasião do regime militar, ela foi transferida para a Filosofia na USP, onde ajudou a manter firme o Instituto”, destaca, orgulhoso. Roberto Romano tem dois enteados, Luíza Moreira, que é professora nos Estados Unidos, e Roberto Moreira, cineasta e professor na USP. Duas netas, uma de vinte anos e outra de sete, completam o núcleo familiar. 
Por debaixo dos cabelos brancos de Romano há uma vida cheia de histórias, de luta e de resignação resistente, de estudos e de esforço compreensivo da realidade social, de passado e de presente. Aos 67 anos de idade, Roberto Romano atravessou boa parte de sua vida lutando contra violência, sem violência. Ele parece ser um daqueles exemplos vivos de que o presente só faz sentido quando visto pelas lentes do passado.

Leia mais...
- O governo do Brasil retoma a ética conservadora e contrária à democracia, o que exige da Igreja o papel vicário. Entrevista especial com Roberto Romano publicada nas Notícias do Dia, de 14-01-2008; 
- De ditadores a imperadores com pés de barro. Entrevista com o professor Roberto Romano à IHU On-Line, edição 269; de 18-08-2008;
- Niilismo e mercadejo ético brasileiro. Entrevista com o professor Roberto Romano à IHU On-Line, edição 354; de 20-12-2010;
- Filosofia não é, necessariamente, sistema. Entrevista com o professor Roberto Romano à IHU On-Line, edição 379, de 07-11-2011;
- “Somos absolutistas anacrônicos. Vivemos sempre sob o regime do favor, dos privilégios, da não república”. Entrevista com o professor Roberto Romano à IHU On-Line nº 398, de 13-08-2012; 
- A gênese golpista da Constituição. Entrevista com o professor Roberto Romano à IHU On-Line, edição 428, de 30-09-2013.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Hipocrisia acadêmica. E aposto que tal gente se diz indignada com a corrupção dos políticos, a violência dos bandidos, etc. Por mim, todos eles deveriam ir, de avião ou de ônibus, para o inferno.

Professores universitários ironizam foto de passageiro em aeroporto

06/02/14

Professores universitários ironizam foto de passageiro em aeroporto

Ana Carolina Pinto
 
Post de professora da PUC-Rio gerou polêmica no Facebook: preconceito?
Post de professora da PUC-Rio gerou polêmica no Facebook: preconceito? Foto: Reprodução/Facebook

A professora universitária Rosa Marina Meyer está no meio de uma polêmica, após um comentário no Facebook. Rosa Marina, que ocupa o cargo de diretora da Coordenação Central de Cooperação Internacional da PUC Rio, publicou uma imagem em seu perfil, onde aparece um homem lanchando antes do embarque no Aeroporto Santos Dumont. Na legenda, uma pergunta irônica: “aeroporto ou rodoviária?”.
Entre os comentários no perfil pessoal da professora, está a do reitor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Luiz Pedro Jutuca. “O ‘glamour’ foi pro espaço”, escreveu o também doutor em Matemática, ao que Rosa responde: “Para glamour falta muito! Está mais para estiva!”.
Logo abaixo, a professora de Português para Estrangeiros completa: “O pior é que o Mr. Rodoviária está no meu voo! Ao menos, não do meu lado! Ufa!”. Outra professora da PUC-Rio, também de Letras, Daniela T. Vargas, também comenta: “O pior é quando esse tipo de passageiro senta exatamente do seu lado e fica roçando o braço peludo no seu, porque - claro - não respeita (ou não cabe) nos limites do assento”.
No perfil da personagem Dilma Bolada, os internautas acusam os professores de preconceito
No perfil da personagem Dilma Bolada, os internautas acusam os professores de preconceito Foto: Reprodução/Facebook

A conversa foi compartilhada e chegou até a página da personagem Dilma Bolada, onde já teve mais de seis mil e duzentas curtidas e mais de mil compartilhamentos. Para os internautas, os comentários foram preconceituosos.
“Deve ser do tipo que acha certo acorrentar bandido pelado em poste.”, postou Caio Costa. Outro seguidor da página de humor, Marcus Vinícus, também se indignou: “Que mania feia de julgar o próximo por sua aparência ... conheço tanta gente que tem bala na agulha e anda de chinelo e calção. Sabe pq ? Pq o dinheiro não subiu a cabeça, não o faz achar que é melhor que ninguém .... Lamentável ...”.
No início da noite desta quinta-feira, a professora Rosa Marina se desculpou publicamente em seu perfil na rede social.
"Sabedora do desconforto que posso ter criado com um post meu publicado ontem à noite, peço desculpas à pessoa retratada e a todos os que porventura tenham se sentido atingidos ou ofendidos pelo meu comentário. Absolutamente não foi essa a minha intenção."

 

Abordagem Policial, de um policial mais humano do que a corja de fascistas que infesta a imprensa. E vai piorar!

 

http://abordagempolicial.com/ 

 

E se Justin Bieber fosse acorrentado?

Danillo FerreiraemAbordagem PolicialAbordagem Policial - Há 28 minutos
Encerrando as discussões calorosas do último post, onde muitos colegas entenderam que o discurso em prol da chamada “legítima defesa coletiva” era válido, segue uma comparação interessante entre o discurso da mesma apresentadora em relação ao caso discutido e a passagem do astro pop Justin Bieber no Brasil, que cometeu alguns delitos por aqui: Mais [...]

A esquerda acostumada ao poder, oportunista, adepta do realismo de mesa de bar, sem escrúpulos éticos, recorda a República de Weimar. Esta última preparou o terreno para o nazismo. Como agora no Brasil e no mundo....

Entrevista

Ideal fascista está sendo retomado, alerta filósofo

Roberto Romano, professor de Ética e Ciência Política da Unicamp
Publicado em 21/11/2010 | Rogerio Waldrigues Galindo
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Um velho espectro político volta a rondar o mundo ocidental, com riscos inclusive ao Brasil. E seu nome é fascismo. O alerta é do filósofo e professor de Ética e Ciência Política Roberto Romano, da Unicamp. Ele vê na atualidade o renascer de uma preocupante onda de interesse acadêmico por obras de intelectuais que ajudaram a construir a base teórica dos Estados totalitários surgidos na Alemanha e na Itália no período entre as duas Guerras Mundiais.

O ponto principal de preocupação de Romano é o interesse renovado pela obra do jurista e filósofo Carl Schmitt. Autor “maldito” durante muito tempo por defender a ditadura como melhor forma de governo, o teórico alemão começa a ser revisto em universidades. A intenção seria aproveitar algumas ideias dele, jogando “a parte podre fora”. Para Roberto Romano, porém, isso é inviável.
Glossário
Confira alguns termos-chave no pensamento do filósofo Roberto Romano:

Nazismo

Surgiu na Alemanha depois da I Guerra Mundial, da qual o país saiu arrasado. Numa crise financeira sem precedentes, o líder do partido nazista, Adolf Hitler, foi visto por muitos alemães como uma solução radical para o caos. No poder, Hitler implantou uma ditadura, que pregava a superioridade racial dos arianos e a morte dos inimigos.

Fascismo

Regime totalitário surgido na Itália, entre a I e a II Guerra, que defende a subordinação do povo a um líder, a disciplina como comportamento e a ditadura. O termo fascismo serve hoje para designar hoje uma série de governos com o mesmo perfil.

Liberalismo

Sistema político baseado na defesa das garantias individuais e na existência de um Estado de Direito, em que a lei é igual para todos, com destaque para a ideia de Constituição, que limita o poder do soberano e do próprio povo.

Marxismo

Ideário baseado nos escritos de Karl Marx, filósofo e economista alemão que, no século 19, defendeu a criação de um Estado forte que fosse capaz de impedir a desigualdade entre os homens.

Pressupunha a instalação de uma ditadura do proletariado, da proibição da propriedade privada e da distribuição de renda por meio da intervenção estatal. Resultou no comunismo.

Carl Schmitt

Jurista e filósofo alemão (1888-1985), autor de obras que deram base ao governo nazista na Alemanha. A teoria de Schmitt previa um governo forte, ditatorial, em que o líder fosse capaz de, a todo momento, optar por caminhos não previstos pela lei. Para ele, a política estava acima do Direito, e o chefe de Estado não poderia, para ser eficiente, ser limitado por uma Constituição.

Segundo ele, em boa parte dos casos, os defensores de Schmitt surgem de “órfãos de Marx e do stalinismo” – ainda interessados em derrotar o liberalismo.

Romano diz ainda que o temor com o renascimento dessas ideias é ainda maior diante do clima de irracionalismo criado por alguns fanáticos religiosos, da alta taxa de desemprego, do enfraquecimento dos Estados nacionais e da violência social do mundo atual. Ele afirma também que a visão do adversário político como inimigo a ser derrotado, perigosamente inserida na campanha presidencial brasileira deste ano, é uma amostra do risco do renascimento de radicalismos totalitários no país.

O senhor afirma que há um renascimento do interesse pelo pensamento nazista no mundo. De onde vem esse interesse?

Da perda dos paradigmas éticos e políticos que nortearam os séculos 19 e 20. Com o enfraquecimento do liberalismo no início do século 20, surgiram propostas de ordenamento da sociedade com maior ênfase nos coletivos, e não tanto nos indivíduos e grupos. A sociologia romântica acentuou os laços comunitários contra a vida urbana e industrial, com seu “Estado máquina” [nazifascista]. Essa sociologia é um dos muitos pontos que ajudaram a edificar, nos estratos mais reacionários, uma ideia de coesão e disciplina vertical. E, nesta ideia, a vontade seria a diretriz, não a racionalidade.

De modo geral, [György] Lukacs [pensador marxista húngaro] descreveu a mudança de modelos, do racional para o irracional. Ele mesmo, como discípulo de [Max] Weber [alemão, considerado o pai da sociologia], havia procurado uma saída para a ordem mecânica e burocrática do mundo moderno. Encontrou na revolução proletária internacional. Na outra ala dos seguidores de Weber, na sua direita, encontravam-se sociólogos e juristas reacionários como Carl Schmitt. Schmitt, que também criticava as formas mecânicas e liberais, serviu momentaneamente aos nazistas.

Nos anos 70 do século 20, pensadores que, na esteira da crítica à União Soviética deixaram de aceitar pressupostos do pensamento marxista, passaram a ver nos escritos de Carl Schmitt um instrumento para continuar a recusa do liberalismo. Órfãos de Marx e do stalinismo, eles acentuam a resistência às formas liberais do Estado, sem no entanto acreditar mais numa “revolução proletária internacional”. 

Esses escritores ajudam a estabelecer o relativismo, a corrosão dos padrões éticos e se colocam como geradores do éter de ideias que paira sobre os movimentos nazifascistas. É preciso lembrar que esses movimentos jamais deixaram de existir na Alemanha, na Europa, no mundo. Os demais, não saídos do campo marxista, partilham os mais variados matizes do pensamento conservador ou francamente reacionário, não aceitam as luzes, a democracia, etc. Estes últimos são os que mais gasolina injetam nos movimentos irracionalistas e fascistas que hoje se apresentam na cena mundial.

Quais são os indícios desse novo interesse por esse pensamento?

Obras de autores como Schmitt são editadas na Europa, na Ásia, nos EUA, na América do Sul. Seminários, publicações jurídicas ou supostamente filosóficas se espalham, sempre com o mote de, inicialmente, livrar Schmitt e seus pares da “pecha” de nazistas. Teses universitárias surgem, e tomam como dados inquestionáveis os dogmas do decisionismo político e jurídico; as teses sobre a política como exercício da inimizade; os “desvios” da modernidade no pensamento liberal e socialista democrático, etc.

O que pregam esses intelectuais?

Pregam o afastamento imediato das mediações jurídicas e políticas liberais e o reforço do poder decisório dos líderes que movem o Executivo. Em suma, pregam a ditadura do Poder Executivo nas matérias estratégicas dos países, em detrimento do Legislativo e do Judiciário.

O senhor afirma que os intelectuais que tentam fazer um “renascimento” da obra de Carl Schmitt tentam separar o resto de sua obra, evitando a defesa da ditadura, por exemplo. Isso é possível?

Não. Mesmo autores irracionalistas escrevem textos que se caracterizam como um todo. Impossível arrancar do decisionismo schmittiano a sua atribuição ao chefe de Estado de poderes ditatoriais.

Qual o risco real de um grupo de intelectuais defenderem ideais como os que levaram à ditadura de Hitler na sociedade atual?

Embora a conjuntura seja outra, e não exista mais a bipolaridade geopolítica entre comunismo e nazifascismo, a crise que gerou naquela época os movimentos totalitários se apresenta agora, em outra face, mas tão corrosiva quanto nos anos 20 do século passado, no campo dos valores, das instituições, das ciências. Massas sem emprego, desindustrialização comandada e em proveito do capital financeiro, corrosão dos Estados, violência social, preconceitos, fanatismos, irracionalismo religioso sectário, todos elementos são férteis sementeiras de ódio. E permitem pensar e agir na política como se ela fosse uma guerra civil, não como uma instância de diálogo e cooperação entre cidadãos que discordam mas buscam o bem coletivo. No fascismo, o “bom coletivo” é o meu. Os demais devem ser derrotados e expulsos da cena pública e, mesmo, da vida.

Esse interesse existe também no Brasil? Onde?

Em nossas universidades existem muitos pesquisadores e professores que apresentam o pensamento de Schmitt como algo “neutro”, que não traria nenhum perigo para a ordem democrática. Sou contra escritores como Yves-Charles Zarka, um mestre do pensamento filosófico e político atualmente, que recomenda retirar os textos de Schmitt das prateleiras, em livrarias e bibliotecas. Creio ser preciso ler aquele autor, e todos os autores relevantes na história de nosso tempo. Mas uma coisa é ler; outra é aceitar e espalhar as doutrinas genocidas. 

Agora, pensemos um pouco sobre a última campanha eleitoral para a Presidência – com os insultos, os ataques de lado a lado, a redução dos concorrentes a inimigos – para perceber os possíveis frutos da corrosão nos movimentos políticos, se eles aceitarem a tese de que o outro deve ser aniquilado. É bom recordar que, em nosso caso, todos os partidos que lideraram as campanhas saíram da esquerda, sendo notával a ausência, nelas, de elementos conservadores. Neste vácuo, a pregação fascista (intolerante, racista a pretexto de ser regionalista) toma fôlego, à espera de seu momento certo.

A tensão étnica e religiosa que ressurge na Europa, especialmente com o crescimento do Islã, tem a ver com esse pensamento?

Sim. O Islã é visto como o inimigo, na ausência do comunismo. Mas o inimigo pode ser qualquer religião, ideologia, partido político. A redução da política à dimensão de uma guerra gera apenas a fratura no social e no Estado. 

Como combater esse tipo de ideal que vem ressurgindo?

A única forma de combater eficazmente o fortalecimento fascista é viver a democracia, mesmo com todos os seus defeitos. Qualquer apelo ao voluntarismo, à radicalização das próprias teses em detrimento da voz alheia, da redução dos que pensam diferente ao estatuto de inimigo, resultam em favor dos que consideram impossível o convívio democrático respeitoso, nos parâmetros dos direitos humanos. A única fórmula para combater o fascismo, em pensamento e atos, é viver e valorizar a democracia.