08/04/2009 - 16h30
Em CPI, Protógenes fica em silêncio sobre polêmicas na Satiagraha, mas nega grampo ilegal
Do UOL Notícias
Em São Paulo
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Atualizada às 17h19
No segundo depoimento à CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, nesta quarta-feira (8) na Câmara dos Deputados, o delegado Protógenes Queiroz voltou atrás e resolveu ficar em silêncio sobre as principais polêmicas na Operação Satiagraha, que conduziu na Polícia Federal, e na qual foram presos o banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundador do Banco Opportunity, o mega-investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, em julho de 2008. O delegado também negou grampo ilegal do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
No segundo depoimento à CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, nesta quarta-feira (8) na Câmara dos Deputados, o delegado Protógenes Queiroz voltou atrás e resolveu ficar em silêncio sobre as principais polêmicas na Operação Satiagraha, que conduziu na Polícia Federal, e na qual foram presos o banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundador do Banco Opportunity, o mega-investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, em julho de 2008. O delegado também negou grampo ilegal do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Protógenes conduziu na PF a Operação Satiagraha
O delegado da Polícia Federal presta depoimento protegido por habeas corpus; em entrevista exclusiva ao UOL Notícias, Protógenes afirmou que não teme ser preso na CPI
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Protógenes, que presta depoimento sobre supostos excessos em escutas realizadas na operação, pode se abster de responder a questões formuladas pelos parlamentares protegido por liminar concedida pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito, do Supremo Tribunal Federal. O habeas corpus impediu a possibilidade de prisão do delegado, que obteve o direito de não se auto-incriminar.
A atuação de Protógenes voltou a ser questionada após publicação de reportagem pela revista "Veja", do dia 7 de março, que o aponta como responsável por grampo ilegal de autoridades. Após a reportagem, a CPI foi prorrogada por 60 dias.
Grampo ilegal de autoridades e vazamento de informações
Sobre as acusações de ter grampeado ilegalmente autoridades durante a Satiagraha, Protógenes negou ter investigado o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas se absteve inicialmente de responder se a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi alvo de grampos. Após ser pressionado pelos parlamentares, no entanto, o delegado negou que tenha havido o grampo.
Protógenes também se absteve de responder se ele possuía dados relativos às escutas em seu computador pessoal. E afirmou que não vazou dados da operação à imprensa, o que teria permitido que jornalistas flagrassem a prisão do ex-prefeito Celso Pitta de pijamas em seu apartamento durante a madrugada.
Silêncio e escutas ilegais
Logo no início do depoimento, a presença do delegado, que prometera "dar nome aos bois" na CPI, provocou uma discussão entre os membros da comissão sobre os rumos das investigações. Em seguida, Protógenes se absteve de responder a diversas questões, causando protesto de alguns parlamentares.
Eu não fui financiado por alguém que foi sócio do banqueiro Daniel Dantas na campanha. O senhor está sendo parcial na função de presidente
com o presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ)
Sobre o compartilhamento de dados e participação de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Operação Satiagraha, Protógenes disse que essa questão perdeu objeto em razão de decisão do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, que entendeu que agentes da Abin e da PF podem trabalhar juntos. "Vou me abster de responder."
Supernegócio do
século no Brasil
da Brasil Telecom e Oi
A decisão do TRF-3 negou o trancamento da ação penal na qual Daniel Dantas foi condenado a 10 anos de prisão por corrupção ativa. "O compartilhamento de dados sigilosos entre a Polícia Federal e outros órgãos do Estado, Comissão de Valores Mobiliários, Banco Central, Receita Federal, ocorre ordinariamente e não causa nenhuma perplexidade", concluiu a Corte.
Busca e apreensão no Opportunity
O delegado, no entanto, não poupou Daniel Dantas, a quem chamou novamente de "banqueiro bandido". Disse estar orgulhoso de nova busca e apreensão da Polícia Federal no banco Opportunity, realizada na tarde desta quarta durante a reunião da CPI, e acusou Dantas de negociar internacionalmente o subsolo de terras brasileiras. "Isso é muito grave. Esses documentos estão disponibilizados na Brasil Telecom", afirmou.


