“A tolerância — que, por assim dizer, admite Deus como opinião privada, mas Lhe recusa o domínio público, a realidade do mundo e nossa vida — não é tolerância, mas hipocrisia.” (Bento XVI. Sermão de 2/10/2005)
Com certeza não voltaremos ao século 19. Naqueles tempos a Igreja, com poderosa ajuda do romantismo conservador, exigiu que os Estados fizessem o mea culpa, consagrando seus povos ao Sagrado Coração de Jesus. Assim foi consagrada a França (o Sacré Coeur de Montmartre), a Belgica, o Equador. O Brasil, sempre em atraso, foi consagrado ao Coração de Jesus ( e à sua soberania, ou seja, à soberania espiritual da Igreja) com a imagem do Cristo Redentor, no Corcovado.
Fomos, pois, consagrados. E não somos hipócritas. Nossos costumes são os melhores do mundo, como no caso das relações de favor, quando trocamos os recursos públicos para o bem dos nossos bolsos privados. Também somos pacíficos. Ah, como somos pacíficos. Os tiros ouvidos sob a imagem do Redentor são ilusões de ótica e de acústica. Dirigimos nossos veículos sem hipocrisia: no trânsito, chora menos quem pode mais. O aço dos nossos carros pode mais do que a carne fraca dos pedestres. Também não somos hipócritas, porque nosso presidente enuncia apenas verdades amargas. Ela jamais atenua crises tremendas com exorcismos do tipo " é apenas uma marolinha".
Em suma:
“Abbiamo con la Chiesa e coi preti noi italiani questo primo obbligo di essere diventati senza religione e cattivi ” (N. Machiavelli : Discorsi sopra la Prima Deca di Tito Livio)
Anche noi, carissimo Machiavelli, anche noi brasiliani...
RR
Com certeza não voltaremos ao século 19. Naqueles tempos a Igreja, com poderosa ajuda do romantismo conservador, exigiu que os Estados fizessem o mea culpa, consagrando seus povos ao Sagrado Coração de Jesus. Assim foi consagrada a França (o Sacré Coeur de Montmartre), a Belgica, o Equador. O Brasil, sempre em atraso, foi consagrado ao Coração de Jesus ( e à sua soberania, ou seja, à soberania espiritual da Igreja) com a imagem do Cristo Redentor, no Corcovado.
Fomos, pois, consagrados. E não somos hipócritas. Nossos costumes são os melhores do mundo, como no caso das relações de favor, quando trocamos os recursos públicos para o bem dos nossos bolsos privados. Também somos pacíficos. Ah, como somos pacíficos. Os tiros ouvidos sob a imagem do Redentor são ilusões de ótica e de acústica. Dirigimos nossos veículos sem hipocrisia: no trânsito, chora menos quem pode mais. O aço dos nossos carros pode mais do que a carne fraca dos pedestres. Também não somos hipócritas, porque nosso presidente enuncia apenas verdades amargas. Ela jamais atenua crises tremendas com exorcismos do tipo " é apenas uma marolinha".
Em suma:
“Abbiamo con la Chiesa e coi preti noi italiani questo primo obbligo di essere diventati senza religione e cattivi ” (N. Machiavelli : Discorsi sopra la Prima Deca di Tito Livio)
Anche noi, carissimo Machiavelli, anche noi brasiliani...
RR