Comentário: um idiota me acusa, na internet (não vou dizer o endereço...) de frequentar um só autor, Elias Canetti. Na verdade, o premio Nobel vale infinitamente mais do que todos os idiotas universitários brasileiros, petistas ou tucanos. Prefiro um minuto de prosa com ele, do que horas suportando palavrões ou slogans sem sentido dos militantes e pior, dos intelectuais que ostentam carteirinhas ideológico-militantes. (Atenção, incultos! Esta é uma paráfrase de Nietzsche, também não direi em qual livro, procurem). Eu não trocaria um instante de reflexão daquele cérebro poderoso por vagões inteiros de vidinhas medíocres (gracias, senador Jarbas Vasconcelos!) dos partidários e facciosos, doidos por uma verbinha do CNPq. No assunto do bonito post, publicado por Marta Bellini, Canetti, no final de Massa e Poder, analisa com rigor o caso Schreber, do qual retira quase todas as consequências na ordem do poder. Vale a pena completar as análises do post com uma consulta ao fino Massa e Poder. RR
Os paranóicos...
Do Blog muiito boom, De Rerum NaturaCrónica do médico José Luís Pio de Abreu no "Destak" de hoje (na imagem, Hitler no filme "Valquíria"):
São trabalhadores incansáveis e minuciosos. Têm grandes ideias mas fraca vida. Vivem de acusar os outros, projectando neles as suas tendências indesejáveis e não assumidas. Não só os acusam como tecem uma rede que os faça comprometer. Se eles respondem e se defendem, é sinal de que reconhecem as acusações. Se não respondem, é sinal de que fogem ao assunto e, por isso, estão comprometidos. Uma acusação inventada será assim sempre provada.
Freud estudou a paranóia através do livro de memórias do Dr. Schreber, magistrado alemão e "homem de inteligência superior, entendimento singularmente agudo e precisos dotes de observação", tal como ele se descrevia. "Falava directamente com Deus" e achava que, uma vez transformado em mulher, iria redimir a humanidade. Antes, porém, quando internado numa clínica psiquiátrica, teria padecido "transformações corporais", acusando então o seu médico, Dr. Flechsig, de lhe provocar tais padecimentos para o transformar em mulher e abusar dele.
Freud atribuiu a origem da paranóia à homossexualidade não assumida.Os paranóicos convincentes são perigosos. Apesar do delírio, o Dr. Schreber convenceu a Justiça alemã a retirar-lhe a incapacitação e autorizar a publicação do livro onde expunha as suas ideias messiânicas. Estas eram fundadas num sistema religioso pseudocientífico que já vislumbrava a superioridade da raça ariana. Convenceu alguma gente. Outro paranóico, acedendo aos instrumentos de poder, convenceu muito mais: Hitler.
J.L. Pio Abreu