sábado, 15 de março de 2014

J. R. Guedes de Oliveira


                                             LIBERDADE DE EXPRESSÃO – UTOPIA?

                                                                                                             J. R. Guedes de Oliveira      


          A Declaração de Princípios sobre a Liberdade de Expressão, aprovado pela CIDH da OEA, em outubro de 2000, completa, praticamente, 14 anos e seus efeitos não encontraram ainda, infelizmente, a ressonância que deveria merecer.
          Neste passado de um decênio mais outros tantos anos, o que sabemos é que a violação da liberdade de expressão tem se caracterizado com enorme frequência por lados antagônicos: os detentores do poder e os detentores de grupos contrários ao “status quo”.
          Quando da elaboração do referido documento, visando coibir os abusos e dar um respaldo à harmonia de convivência entre os cidadãos e os poderes constituídos, teve como parâmetro o que se processava no mundo então conturbado com crises de existência de nações com grupos antagônicos sempre em refregas.   Pensava-se e se desejava, colocar paradeiro nisso tudo, através de um programa assinado pela OEA e promovido pela CIDH, como uma fórmula até então não existente em nossa concepção de América (Norte, Centro, Sul). Porém, não foi o que aconteceu, já que o montante de denúncias e as arbitrariedades que se constatam no cotidiano, são claras evidências de que ainda precisa de uma maior e mais drástica atitude de toda uma sociedade.
          Violações constantes, mortes, discriminações, reclusões, desumanidade, arbitrariedades, prepotência – são fatores que se agravam dia após dia, mesmo que estas mesmas denúncias cheguem aos borbotões à mesa da CIDH e sejam, como sabemos, colocadas na pauta das Assembleias ou mesmo apresentadas ao mundo, além das Américas.
          Chegamos ao ponto máximo de permitir-nos a dizer de que a liberdade de expressão, em nosso hemisfério, soa como uma utopia. Mas esta utopia que falamos, é da incompreensão e não da nossa vontade maior em dar um basta nisto tudo.
          Sabemos que a CIDH vem dando demonstração real de incessante trabalho na denúncia e violação. Através de seus pares, notamos que todo o instante e todo o momento, são dados os esforços para promover esta paz e colocar ao conhecimento do mundo o que se passa. Contudo, ainda há os que desejam o conflito cotidiano, como forma de sua reivindicação. Jamais se sentam à mesa para o diálogo e para buscar a paz tão almejada.
          O amplo conteúdo da Declaração de Princípios sobre a Liberdade de Expressão é algo fantástico. Contudo, transformou-se, ao decorrer de seus 14 anos, em apenas um conjunto de palavras, na ideia e concepção dos que violam a liberdade.  O convívio social tem piorado no decorrer dos tempos. Em perigo eminente de eclosões mais radicais, os violadores da liberdade de expressão se mostram em muitas facetas. Como camaleões, mudam de casca, alteram a sua face, tomam novos componentes de agressões, enchem-se do néctar de se dizerem “super-homens”.
          Mas a CIDH não se estaca, já que é uma dinâmica eficaz, capaz e pertinente para promover a denúncia, colocar em pauta as agressões e levar a bom tento a paz dos hemisférios a que pertencemos.
          Há muita coisa que se fazer; há tanto mais para se promover e discutir num mundo que chamamos de globalizado. Contudo, sobra-nos a esperança e a certeza de que a liberdade de expressão não pode ser encarada como uma utopia, mas, modificada na sua essência, com a adesão de novos paradigmas, podemos dizer que dias melhores virão.
          Enquanto existir uma CIDH com respaldo da OEA, há uma esperança capaz e um objetivo comum e certeiro: poderemos, sem a menor dúvida, falar, ouvir e agir com justiça e dignidade, sem nos recorrermos ao conflito que, via de regra, se depara com a quebra da liberdade de expressão.
          Contudo, ponderamos que há uma necessidade premente de sentar à mesa e decidir novos parâmetros de segurança na liberdade de expressão. Mesmo com todo aparato que a CIDH possui, está havendo válvulas de escapes e não são poucas as violações que se nota e que se vê, principalmente pelos meios de comunicação.
          Pensamos que novas decisões e critérios de busca, denúncia e sanções devem ser pauta do cotidiano, em vista do recrudescimento dessas mesmas violações. Se, desta forma, com a implementação de medidas mais drásticas, teremos um refrear das tentativas e ousadias de todos aqueles ou grupos dentro da sociedade que desejam conturbar a paz que deve sempre reinar nas Américas.
          Enquanto isso não ocorre – a implementação de novas tratativas nesta segurança cidadã – ficamos à mercê dessas manchetes que nos dão conhecimento e, na verdade, apavoram a sociedade como um todo.
          Hobbes foi bem claro ao dizer que “o homem é lobo do homem”. Portanto, pensamos que a liberdade do homem deve ser vigiada e tolhida em sua totalidade de ação. Isto porque, pensamos, que a liberdade irrestrita, sem os devidos freios, torna-se, ao passar do tempo, uma libertinagem. Está aí o mundo atual para comprovar que quando não há  temeridade, o homem produz as suas ações em prejuízo alheio.

                                                   J. R. Guedes de Oliveira, ensaísta, biógrafo e historiador.
                                                   E-mail: guedes.idt@terra.com.br